sábado, 28 de dezembro de 2013

Sergio Ricardo convoca:A GRANDE LACUNA

feicibuqui do Sergio Ricardo

Fazendo um balanço sobre o ano que se finda, somando-se aos anos passados de quase total abstinência do contato com o público, verifica-se o total desamparo a que chegou nossa cultura, a examinar o que a produção de meus semelhantes conseguiu atingir. Fatores alheios à nossa dedicação produtiva ou disposição de abrir parcerias com quem pudesse dinamiza-la, advindos da soma dos entraves na mecânica estabelecida via produção cultural, e fundamentalmente por estarmos inteiramente desvinculados da mídia ou patotas específicas de penetração nas intrincadas modalidades de captações de recursos, etc. não nos foi permitido objetivar nossos projetos, entre livros, filmes de longa metragem, peças de teatro, música etc. Ha uma escassez ou como que um impedimento a gestores voltados para o gerenciamento das artes periféricas distanciadas daquelas envolvidas com o modismo e o sucesso fácil, descartável, ao mesmo tempo que uma inoperante negligência política. Há uma lacuna gigantesca onde vegetam os artistas que não se encaixam nos escaninhos da descartabilidade, portadores do novo a dignificar nossa estirpe.

Para 14 conta-se com o inicio de um movimento que atraia os interessados a alavancar a cultura brasileira esfacelada pelos caminhos. Os poucos que conseguem furar seu bloqueio comprovam, conquistando prêmios e glórias, enfrentando posteriormente as consequências de voltar a estaca zero e enfrentar novas epopeias. Chegou a hora de um movimento como aquele que fez surgir a Bossa Nova, o Cinema Novo o Teatro de Arena etc. articulado por um chamamento de socorro de nossa cultura e que se perpetuou pela importância em revelar os verdadeiros talentos da época, impondo nossos valores através das artes identificadas com o espírito verdadeiro de nossa gente, escondido pelas grades de um sistema nada interessado em sua fisionomia transformadora, impondo o modelo vigente a deteriorar nossos verdadeiros valores culturais. Somados a um partido político descomprometido com os ditames do sistema, ter-se-ia condições de deflagrar esta revolução, atraindo uma parcela dos investidores e abrindo uma frente, a começar pelas reestruturações das leis de incentivo e levantando a bandeira da recuperação cultural do país.

A lacuna deixada em aberto, impedindo o fechamento do círculo de várias e preciosas conquistas, foi a lacuna cultural. A cultura é a alma da pátria. É o verdadeiro instrumento a revelar as mazelas e os valores de nossa gente, com poderes de envolver a identidade e a personalidade do povo nas lutas necessárias para o seu crescimento. O Brasil está semi-imbecilizado, envolto no falso amálgama de um processo decadente dos valores fundamentais e orgânicos de uma natureza que vai perdendo sua exuberância em detrimento dos falsos valores que lhe são impostos. Há que se abrir o ciclo da retomada da cultura, sob pena de deterioração por completo de nossa cidadania. Já não se sabe mais quem somos. Só a cultura nos devolverá a verdadeira identidade.

Nós, os artista, por nos considerarmos umas verdadeiras toupeiras como produtores, em quase a sua totalidade, sem o menor talento para administrar a comercialização de nossos produtos, estamos à mercê de uma possível parceria com quem se disponha a assumir este papel, abrindo um atalho por esta selva, empunhando a tocha com a chama de nosso verdadeiro destino, a exemplo dos países civilizados que preservam a intactilidade em seu patrimônio cultural. Quem se habilita!

Feliz ano novo.

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