terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Bases militares na América Latina e Caribe: Yankees Go Home

Via O Diario.info

FARC-EP

Há 36 bases militares norte-americanas disseminadas por todo o continente. Só na Colômbia há doze, escrevem as FARC em novo comunicado

 

Para além da dominação económica, o imperialismo estado-unidense tem mantido um domínio militar sobre todo o continente, domínio para o qual promoveu invasões directas, golpes de Estado, eleições presidenciais fraudulentas…

Governos surgidos dessa forma são incondicionais das suas políticas, aceitam submissos a instalação de bases militares nos nossos países, sem se importarem de que representem violações da soberania nacional e que sirvam para agredir os vizinhos ou povos de outros continentes.
Os primeiros a sofrer a humilhação foram Porto Rico e Cuba, esta última com a base de Guantánamo, que hoje em dia serve de cárcere para os prisioneiros acusados de terrorismo e que foram sequestrados em diversos países. Aqueles que têm a desgraça de chegar ali recebem tratamento de inimigo e não têm direito algum, nem sequer o de legítima defensa. A tortura é abertamente exercida, sem que muitos governos e organismos internacionais se atrevam a condená-la publicamente. É uma afronta à comunidade internacional e uma mancha indelével que a “injustiça Norte-americana” jamais poderá apagar.

Face ao avanço dos processos democráticos e da unidade latino-americana e caribenha ao mesmo tempo que se consolidam processos como: MERCOSUR, UNASUR, CARICOM, ALBA Y LA CELAC, o império prossegue sem pausa a ocupação militar.
Assim, na actualidade encontram-se 36 bases militares disseminadas por todo o continente, ocupando posições estratégicas na região. O pretexto: a luta contra o narcotráfico e o terrorismo.

O caso colombiano é muito elucidativo. O presidente Álvaro Uribe Vélez (2008-2010), entregou todo o território nacional aos falcões da guerra. É reconhecida a existência de 7 bases militares, mas na realidade há doze e os Estados Unidos dispõem de autorização para usar, caso “necessário”, todos os portos e aeroportos do país para fins bélicos.

A Colômbia ficou militarmente coberta, mas as operações militares não têm apenas a Colômbia como alvo. A base de Palanquero foi modernizada para receber aviões de guerra de última geração, com capacidade para operar em toda a parte sul do continente, controlar o oceano Atlântico e intervir em países africanos.

Ao anteriormente referido há que acrescentar a deslocação da Quarta Frota, e então deparamo-nos com o facto de que os EUA actuam de forma ameaçadora, com uma supremacia absoluta e com uma velocidade assombrosa, para dissuadir ou intervir em qualquer nação do continente.
Podem desembarcar em minutos milhares de soldados em qualquer das bases na Colômbia. As suas forças avançadas estão em posição. Dispõem de inteligência estratégica táctica e sobre objectivos militares a ser aniquilados ou neutralizados.

A Colômbia tem a força militar mais numerosa da América do Sul, 500 mil soldados homens e mulheres treinados para a guerra, com armamento moderno, aviões de combate, drones equipados com mecanismos de espionagem da más alta tecnologia, satélites com sensores que detectam luz, calor, fumo e presença de seres humanos; dispõem de equipamentos de fotografia que podem captar uma pessoa a muitos de quilómetros de distância. Com a particularidade de que esta tecnologia é manejada directamente por pessoal estado-unidense e em muitas dessas bases há lugares em que o acesso do pessoal de nacionalidade colombiana está restringido.

Na Colômbia a vida civil foi militarizada. Os gerentes, administradores, funcionários públicos, profissionais independentes, receberam formação militar e patentes militares, que os acreditam como capitães, majores ou coronéis da reserva que num momento dado podem entrar a dar ordens a militares de menor graduação.

Em muitas áreas do país os assessores e pessoal militar estado-unidense circula livremente. É indigno e antipatriótico ver como militares colombianos se acostumaram a realizar operações sob as suas ordens. São vários os casos reportados de pilotos norte-americanos que morreram em acidentes ou ao serem derrubados os seus aviões pela guerrilha.

Nenhuma destas notícias chega à imprensa devido ao cerco informativo que é exercido sobre este tema.

O mesmo se está a passar por todo o continente. As oligarquias no poder alinhadas com esta política nem se incomodam, nem criticam, nem denunciam a instalação de bases em Salvador, Honduras, Costa Rica, Panamá, Peru, Paraguai, Chile, Haiti, Porto Rico, Bolívia, Brasil e outras.
Tem sido um trabalho lento, mas seguro; nenhum país está em condições de responder militarmente ao império, mas pode obrigá-lo a sair do seu território como fez Rafael Correa com a Base de Manta, no Equador. Isto demonstra que desde que haja governos democráticos e povos erguidos, para o império nem tudo são favas contadas.

O despertar da nossa América é inegável, contamos hoje com governos patrióticos que levantam as bandeiras da dignidade e do anti-imperialismo, a mobilização e o protesto social crescem cada vez mais e entre as suas palavras de ordem aparece a luta contra o Imperio, o capitalismo, o neoliberalismo; pela autodeterminação dos povos, a defesa da soberania nacional e o repúdio face à presença militar ianque no continente; palavras de ordem que todos os revolucionários, democratas e patriotas estamos obrigados a agitar para que se enraízem na consciência popular e dessa forma se possam deter os planos de dominação continental.
Tarefa urgente e necessária é organizar uma campanha simultânea em todos os países da América Latina e do Caribe contra as bases norte-americanas.

¡Fora do nosso continente com as bases militares estado-unidenses!

¡Viva a Pátria Grande e o Socialismo.

Contra o Imperialismo; pela Pátria.

Contra a oligarquia, pelo povo.

Comissão Internacional das FARC EP.

Havana, Novembro de 2013.

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