domingo, 30 de junho de 2013

Fim da paralisia

Sanguessugado do Gilvan Rocha

A imobilidade foi rompida. O engessamento foi quebrado. Sem organização e sem direção, o povo está na rua. O movimento espontâneo revela conceitos equivocados, preconceitos e a má informação. Isso é natural. Grupos anarquistas levantam a palavra de ordem “o povo unido não precisa de partido”. Trata-se de um absurdo rejeitar a necessária organização consciente, ou seja, a auto-organização do povo. Esse discurso dos anarquistas, encontra ressonância no sentimento do povo, enquanto a direita aproveita-se do fato para tentar isolar a verdadeira esquerda, os verdadeiros socialistas.

            É compreensível que as massas populares tenham uma rejeição aos partidos, uma vez que na sua imensa maioria, eles estão presos a lógica eleitoral e praticam, descaradamente, o fisiologismo.

            Com a hegemonia política do PT, nesses últimos anos, deu-se uma paralisia dos movimentos populares. As centrais sindicais e estudantis tornaram-se instituições a serviço de um governo que se ocupa em gerenciar os negócios do capitalismo. É bem verdade que existem alguns partidos de feição ideológica, de caráter anticapitalista. Nesse campo estão PSOL, PSTU, PCB, POR... entretanto, essas organizações não desfrutam de razoável visibilidade.

            É preocupante o acentuado traço nacionalista das manifestações, mas é preciso entender, que elas refletem o grau de confusão e atraso de uma massa que foi entregue à própria sorte, quando a “esquerda” majoritária, bandeou-se de malas e bagagens para a causa burguesa, ocupando-se em gerenciar e manter o sistema socioeconômico vigente.

            Diz o povo: “Veja o PT, depois que chegou ao “poder”, deu as costas aos trabalhadores e se vendeu, mergulhando no mar de lama da corrupção”. E acrescenta: “Assim são os partidos, quando chegam lá, mudam”. Esse argumento está baseado na própria vivência popular, encharcada de distorções que lhes são impostas.

            Diante desse fato, cabe-nos ter paciência, cabe-nos dialogar permanentemente com as massas insurgidas e levar em consideração que merece todo nosso aplauso o fato de ter sido quebrada a imobilidade, a letargia.

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