quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Israel permite exploração de petróleo nas colinas do Golã

Via BBC Brasil

Guila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil

     

Foto de arquivo das colinas do Golã, ocupadas por Israel em 1967 (Reuters)

Colinas do Golã foram ocupadas por Israel na guerra de 1967

O Ministério de Energia de Israel concedeu licença para que uma empresa privada conduza escavações em busca de petróleo no sul das Colinas do Golã – território sírio ocupado durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Para analistas consultados pela BBC Brasil, a polêmica medida do governo israelense desafia a lei internacional e tem relação direta com a atual crise do Estado sírio.

A licença foi concedida à empresa Genie Energy, dirigida pelo conhecido político de extrema-direita Effie Eitam, que mora na comunidade agrícola Moshav Nob, no Golã.

"A decisão do governo, de justamente iniciar agora a exploração de petróleo, pode decorrer do caos que vigora na Síria", afirma à BBC Brasil o ex-diretor do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Alon Liel. "Nestas circunstâncias, em que a Síria se encontra em plena guerra civil, não há quem fale em nome do Estado."

A porta-voz do ministério da Energia, Maya Etzioni, confirmou à BBC Brasil a concessão da licença à empresa Genie.

De acordo com Etzioni, "esta é a primeira vez que o governo israelense concede uma licença para exploração de petróleo no Golã".

"Se isso tivesse acontecido há alguns anos, haveria protestos da comunidade internacional e do próprio governo sírio, mas agora, em meio à desintegração da Síria, ninguém menciona esse assunto", opina Liel.

Lei internacional

Segundo o especialista em direito internacional Guy Harpaz, da Universidade Hebraica de Jerusalém, "a lei internacional proíbe a extração de riquezas naturais de territórios ocupados".

"Para a comunidade internacional, Golã é um território ocupado, embora Israel tenha promulgado a lei da anexação dessa região em 1981", afirmou o jurista.

"A lei internacional só permite a exploração de recursos naturais para fins de segurança ou para o bem da população civil sob ocupação. Neste caso, é claro que os lucros com a exploração do petróleo no Golã não irão beneficiar nem a segurança nem os habitantes sírios que restaram nessa região", acrescentou.

Segundo o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, "toda essa questão não é relevante neste momento, pois não se trata ainda de exploração do petróleo no Golã, mas sim de buscas preliminares, ainda nem sabemos se existe petróleo lá".

"As colinas do Golã estão, de fato, sob soberania israelense, portanto do ponto de vista legal o governo de Israel tem autoridade de atuar nessa região", disse Palmor à BBC Brasil, "é claro que, no futuro, a questão da soberania terá que ser acertada com o lado sírio, mas todos sabem que neste momento não existe um parceiro com o qual seja possível negociar do lado sírio".

A empresa Genie Energy tem acionistas estrangeiros como o banqueiro Jacob Rothshild e o magnata da mídia Rupert Murdoch.

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Dick Cheney é um dos consultores da Genie.

Potencial

De acordo com testes preliminares executados pela empresa, existe um potencial de descoberta de grandes quantidades de petróleo na região sul das colinas do Golã.

Esta não é a primeira vez que Israel explora petróleo em territórios ocupados.

No passado, empresas israelenses extraíram petróleo na Península do Sinai, território egípcio também tomado durante a guerra de 1967 e devolvido após acordo de paz em 1979.

Até hoje existe um processo pendente do Egito contra Israel, exigindo indenização pelas extração dos recursos do território.

"Considero a decisão de explorar petróleo no Golã um erro", opina o ex-diplomata Alon Liel. "Mesmo se agora não há quem fale em nome da Síria, no futuro teremos que fazer um acordo de paz com esse país."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.