segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Arriba, Chavez

GilsonSampaio

chavez

Slavoj Žižek: “Nunca precisamos tanto, como hoje, de teoria inútil”

Sanguessugado do redecastorphoto

Slavoj Žižek, Salon [entrevista a Katie Engelhart] (excertos)

Slavoj Zizek: I am not the world’s hippest philosopher!

Traduzida pelo pessoal da Vila Vudu


Recadinho da Vila Vudu:

Excluímos, nessa tradução, além das opiniões da jornalista entrevistadora que a ninguém aqui interessaram, também outros parágrafos, em que a jornalista entrevistadora dedica-se empenhadamente em tentar fazer seu entrevistado – muitíssimo maior e mais interessante que a jornalista entrevistadora – caber, a qualquer custo, nos limites estreitíssimos das perguntas. Nós aqui DESTESTAMOS jornalistas. Há algo de obscenamente pervertido no jornalismo empresarial-comercial. É a perversão obscena que há no jornalismo empresarial-comercial, que o faz ser, ao mesmo tempo, tão furiosamente defendido pelos liberais perversos e tão furiosamente detestado pelos comunistas. Antes de construirmos o mundo dos muitos, teremos de dar cabo de todo o jornalismo empresarial-comercial: da imprensa-empresa e dos jornalistas formados pela e para a imprensa-empresa.

Slavoj Žižek

(...) Salon entrevistou Žižek pelo Skype. (...)

Salon: Recentemente a revista Foreign Policy incluiu seu nome entre os Pensadores Globais Top 100 de 2012.

Žižek: Sim, mas me puseram no fundo do topo! [1]

Salon: Você é o número 92. Acha que merece estar naquela lista?

Žižek: Ah, não, você não me pega nessa, nem que me torture! Sei que é mais polido dizer que não. Mas... a primeira da lista não é aquela senhora de Myanmar? Sempre esqueço o nome dela. Como é mesmo?

Salon: Aung San Suu Kyi?

Žižek: É, essa! Nada contra ela, mas... explique-me, por favor: em que sentido aquela senhora seria filósofa ou intelectual?

Salon: Bom... É uma lista de “pensadores”, não de “filósofos”.

Žižek: Sim, sim, mas... em que sentido ela seria pensadora? Quer democracia no Myanmar. OK, é ótimo, muito bom. Mas não se pode simplesmente aceitar que um ideal nunca passe de um ideal. Oh, a democracia! Todos têm orgasmos com a democracia. Então, ok, democracia, algum dia, para todo mundo.

Isso não é pensar. O pensamento começa quando você propõe questões realmente difíceis. Por exemplo: o processo democrático decide, realmente, o quê? (...)

Sabe... Na minha vida privada sou sujeito extremamente deprimido. Olhe onde estou agora. Olhe em volta. Estou em Paris.

[Žižek levanta o laptop para mostrar o quarto de hotel, poucos móveis, uma cama simples e uma janela pequena.]

Está vendo? Estou num quarto pequeno. Fugi da minha casa por uma semana, porque precisava sair de lá. Aqui, só saio do quarto uma, às vezes duas vezes por dia, só para comer. Exceto você, agora, e um amigo com quem falo pelo Skype, não troco uma palavra com nenhum ser vivo há quase uma semana. E gosto tanto disso!

Esse, por falar nisso, é o motivo pelo qual acho tão incrivelmente chatos os reality shows; porque as pessoas não são aquilo. Estão mostrando uma imagem delas mesmas, o que é tão insuportavelmente chato, tedioso, estúpido. Não entendo por que tanta gente assiste àquilo. Acho que deve ser proibido. Acho também que Facebook e Twitter também devem ser proibidos. Você não acha? (...)

As únicas fotos que tenho de mim mesmo são as fotos dos documentos, no meu passaporte. Mas, calma! Não significa que eu me despreze completamente. Não. Gosto do meu trabalho publicado. Vivo para aquele trabalho – de fato, vivo para a teoria. Não me envergonho de viver para a teoria. Detesto essa atitude esquerdista humanitária: As pessoas estão com fome! Criancinhas na África! Num mundo desses, quem precisa de teoria? Nada disso! Digo que hoje precisamos muito de teoria inútil, mais do jamais antes na história do mundo. 
(...) Quem me conhece sabe que sou pessoa bem organizada. Sou extremamente organizado. Tudo é planejado, até os minutos. Por isso, consigo produzir muito. Digo: em quantidade; não falei de qualidade.

Sou muito bem treinado. Trabalho em qualquer lugar. Aprendi no exército.

Pareço meio atirado, desleixado, eu sei. Porque acho escandaloso comprar calças, camisas, jaquetas, paletós para mim. Minhas camisetas são presentes que ganho de colóquios ou manifestações de que participo. Minhas meias são as que distribuem em voos internacionais. Aqui, então, praticamente esqueço do que visto.

Mas meu apartamento tem de estar limpo; sou maníaco por organização e controle. Por isso, precisamente, fiquei tão desapontado quando prestei serviço militar. Não que eu fosse filósofo trapalhão, incapaz de viver vida disciplinada. O choque foi ver que o velho exército iugoslavo era, sob a aparência de ordem e disciplina, uma sociedade caótica na qual nada dava certo e nada funcionava. Fiquei profundamente, muito profundamente decepcionado com o exército, quando descobri que era tão caótico.

Meu ideal seria viver num monastério.

Salon: (...)  Você disse ao Guardian, ano passado [2]: “Sou filósofo, não profeta”. Mesmo assim, seus seguidores são crentes fiéis. Muitos o cultuam como profeta. Por quê?

Žižek: Não sei. Sou ambíguo, quanto a isso. Por um lado, volto a um marxismo mais clássico, do tipo “Isso não pode durar! A loucura é geral! A hora do acerto de contas vai chegar, e blá blá blá”.

Mas também odeio toda essa conversa do politicamente correto, essa merda de estudos culturais e tal e tal. Se alguém me fala de “pós-colonialismo”, respondo “Foda-se o pós-colonialismo!” Pós-colonialismo é invenção de uns riquinhos, na Índia, que perceberam que poderiam fazer carreira nas universidades top do ocidente, jogando com a culpa dos liberais brancos.

Salon: Você então oferece um respiro ao pessoal de 20 e poucos anos, que quer fugir dos frutos do pós-modernismo: o politicamente-correto, estudos de gênero, etc.?

Žižek: Isso, isso! Muito bom! Gostei!

Mas... também há algo de megalomania em mim. Quase me concebo, eu mesmo, como uma figura de Cristo. OK! Me matem! Estou pronto para o sacrifício. Morro, mas a causa permanece! Mais ou menos isso...

Mas, paradoxalmente, detesto aparições públicas. Por isso, precisamente, deixei quase completamente de dar aulas. Para mim, nada pode ser pior que o contato com estudantes. Gosto de universidades sem alunos. E odeio, muito especialmente, os alunos norte-americanos. Eles acham que você lhes deve alguma coisa. Cercam você... Só trabalho no horário obrigatório!

Sim, sim, nisso sou completamente europeu – especificamente: sou pela tradição autoritária alemã. A Inglaterra já está corrompida. Na Inglaterra, os alunos pensam que podem parar você na rua e perguntar qualquer coisa. Acho isso repulsivo.

Friedrich Hegel

Mas em outros aspectos... admiro muito os EUA e o Canadá. Hoje, em vários sentidos, são melhores que a Europa. A França e a Alemanha, por exemplo, estão hoje em situação muito baixa, intelectualmente – a Alemanha, sobretudo. Absolutamente nada acontece de interessante, na Alemanha. Os EUA e o Canadá, surpreendentemente, estão intelectualmente vivos. Dou-lhe um exemplo: estudos hegelianos. Europeu que queira entender Hegel, tem de ir para Toronto, Chicago ou Pittsburgh.

Salon: O que Hegel diria da popularidade do filósofo Žižek?

Žižek: Não seria problema, para ele. Hegel até escreveu – acho que no fim da Fenomenologia – que se, como filósofo, você realmente articula o espírito do tempo, o resultado é popularidade ... mesmo que as pessoas não entendam tudo o que você diz. As pessoas de algum modo sentem que o espírito do tempo foi articulado... Essa é uma bela questão dialética: como é que as pessoas sentem isso?

Salon: Quando você escreve os livros de popularização, dos quais diz que não gosta [3] quem você imagina que seja seu leitor?

Žižek: Não, não! Pergunta proibida! Jamais me pergunto tal coisa. Pouco me importa! Outra proibição absoluta é que jamais me autoanaliso. A ideia de me autopsicanalisar é repugnante. Nisso, sou uma espécie de pessimista católico conservador. Acho que, se olhamos muito fundo dentro de nós mesmo, descobrimos montes de merda. Melhor não saber. (...)

Laura Kipnis

Odeio jornalistas e documentaristas, gente que faz filmes da minha vida. Acho que há alguma coisa de obsceno nos filmes que fizeram sobre mim. Claro, claro... Aí, você me pegou: se eu fosse realmente indiferente àqueles filmes, porque mentiria como sempre minto, quando filmam a minha vida? É. Aí há um problema.... (...)

Falando de amor e sobre a vida das pessoas, há um livro que eu realmente detesto: Against Love [Contra o Amor], de Laura Kipnis. [4] A ideia dela é que a última defesa da ordem burguesa é “Nada de sexo fora do amor”. É aquela conversa de Judith Butler: reconstrução, identidade e blá, blá, blá...

Digo que é exatamente o contrário disso. Hoje, os envolvimentos de amor são considerados quase patológicos! Acho que há algo subversivo em declarar: esse é o homem ou a mulher no qual aposto tudo. Por isso, nunca fui capaz de transas de uma noite. Sempre preciso de uma perspectiva de eternidade.

Judith Butler

Salon: Você parece usar a filósofa feminista Judith Butler como uma espécie de antítese. Já a mencionou várias vezes. É como um espantalho, para você?

Žižek: É. Mas pessoalmente somos grandes amigos. Judith, uma vez, me disse “Slavoj, você deve me achar bem mesquinha.” Respondi: “De jeito nenhum! Alguém que goste tanto de Hegel, como você, não pode ser completamente idiota”.

Salon: Com que figuras históricas você se identifica?

Žižek: Robespierre. Um pouco, talvez, com Lênin.

Salon: Lênin? Trotsky não?

Žižek: Em 1918-19, Trotsky era mais duro que Stálin. E gosto dessa dureza, nele. Mas jamais o perdoarei por ter fodido tudo em meados dos anos 20s. Foi estúpido, arrogante. Sabe o que ele fazia? Chegava às reuniões do Partido com clássicos franceses debaixo do braço, Flaubert, Stendhal... Como se dissesse aos outros: “Fodam-se! Eu sou civilizado”.

Salon: Você escreve que temos de pensar mais e agir menos. Mas, no fim, identifica-se com Lênin, conhecido homem de ação.

Žižek: Não, não é bem assim! Calma. Lênin é sempre o cara certo. Quando tudo deu errado em 1914, o que fez Lênin? Mudou-se para a Suíça e começou a estudar Hegel.


Notas dos tradutores

[1] A lista está em: 2012's Global Marketplace of Ideas and the Thinkers Who Make Them. A seleção dos “pensadores” é ridícula: Paul Ryan, que jamais pensou coisa alguma, aparece em 8º lugar; o governo de Israel lá aparece, nos postos 12º a 15º (ministro da Defesa, primeiro-ministro, ex-diretores do serviço secreto); Mario Draghi, Christine Lagarde, também são “pensadores” listados; Dick Cheney (aliás, dois ‘'pensadores'’ da mesma família, marido & mulher); 88º é Habermas.

[2]  15/7/2012, The Guardian, Stuart Jeffries em: A life in writing: Slavoj Žižek

[3] ZIZEK, Slavoj, 2011. “O ano em que sonhamos perigosamente”. São Paulo: Boitempo Editorial, 2012.

[4]  A revista (não)VEJA, ao que parece, adorou o livro. Deu-lhe ampla cobertura ainda no pré-lançamento da edição brasileira, em maio de 2004. Está em: Entrevista: Laura Kipnis - Contra o amor

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Leia mais de/sobre Slavoj Žižek:

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Outra vez a Comuna de Paris

Via redecastorphoto

 Juliet Jacques, NewStateman (com intervenções)

Returning to the Commune of Paris

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Barricadas frente à Madeleine, na Comuna de Paris. Imagem via WikiCommon

Epígrafe acrescentada pelo pessoal da Vila Vudu:

Tese 8: “Os teóricos que reconstituem a história deste movimento, colocando-se do ponto de vista omnisciente de Deus que caracterizava o romance clássico, mostram sem dificuldade que a Comuna estaria objetivamente condenada, que não teria superação possível. Mas para os que viveram o acontecimento, a superação estava ali”.

Tese 13: “A guerra social de que a Comuna constitui um momento continua sempre (por muito que tenham mudado algumas condições superficiais). Sobre o trabalho de “tornar conscientes as tendências inconscientes da Comuna” (Engels) ainda não foi dita a última palavra”.

Guy Debord em:14 Teses sobre a Comuna de Paris”, Internationale Situationiste, n. 7, Abril de 1962

Émile Zola

Apesar do curto período de existência, de março a maio de 1871, a Comuna de Paris inspirou um romance de Émile Zola (La Débâcle, 1892), filmes de Grigori Kozintsev e Peter Watkins, e várias análises propostas por pensadores socialistas, a começar por A Guerra Civil na França, de Karl Marx, sobre o que o curto sucesso e o estrondoso fracasso da Comuna têm a ensinar aos muitos, sobre como reorganizar a sociedade.

De fato, a única correção que Marx e Engels fizeram ao Manifesto Comunista brotou de lição da Comuna, a qual, escreveram eles, demostrara que “a classe trabalhadora não pode apenas ocupar a máquina já existente do Estado para usá-la para seus próprios objetivos”.

Prosper-Olivier Lissagaray

A narrativa da Comuna tornou-se profundamente ideologizada, depois que as tropas da 3ª República francesa a esmagaram, ainda furiosas pela derrota da França na guerra franco-prussiana e pelo acordo punitivo de janeiro de 1871.

Agora, já praticamente em 2013, a editora Verso volta a editar a seminal História da Comuna de Paris (em português)  do communard Prosper-Olivier Lissagaray (1838-1901), publicada em francês pela primeira vez em 1876, com Lissagaray ainda exilado na Bélgica, e traduzida ao inglês por sua mulher, Eleonora Marx [filha de Marx].

Com essa história detalhadíssima, Lissagaray visava a combater “as mentiras e calúnias burguesas” que se seguiram à supressão da Comuna, para extrair lições e demarcar os fatos para historiadores futuros.

Eleonora Marx

O que os leitores contemporâneos aprendem da história de Lissagaray?

A palavra “comuna” sugere “comunismo”, mas já era usada para designar o conselho da cidade, como autoridade local autônoma. A denominação tem raízes na Revolução Francesa, e já houvera uma comuna de Paris entre 1789 e 1795, a qual, sob controle dos jacobinos, recusara-se a obedecer ordens do governo central depois de 1792. A Comuna de 1871 aconteceu depois de Paris ter sido sitiada pelos prussianos, cerco que começou em setembro de 1870, depois do colapso do Segundo Império de Napoleão III.  Preparando para o ataque iminente, a Guarda Nacional Francesa foi aberta para a classe trabalhadora parisiense, que elegeu seus próprios líderes do Comitê Central da Guarda. Muitos desses líderes eram radicais, republicanos ou socialistas jacobinos, sobretudo no norte, os mesmos que, adiante, tornaram-se líderes da Comuna.

Essa guarda parisiense destinava-se a defender a cidade contra a invasão prussiana e pela restauração da monarquia, sobretudo depois que, nas eleições para a Assembleia Nacional, em fevereiro de 1871, os monarquistas perderam a maioria. Cada dia mais radical, a Guarda Nacional parisiense acumulou armamento pesado; até que, no dia 18/3/1871, Adolphe Thiers, eleito recentemente “Autoridade Executiva” do novo governo, e temeroso das consequências de a municipalidade em Paris estar tão pesadamente armada, ordenou que os soldados confiscassem toda a munição que havia em Montmartre. Os parisienses revoltaram-se; dois generais foram assassinados; Thiers recolheu-se, com todo o gabinete administrativo, para o Palácio de Versailles, deixando um vácuo de poder, que foi rapidamente preenchido pelo Comitê Central da Guarda Nacional parisiense.

A Comuna nasceu sitiada, o que tornou absolutamente urgente e necessário distribuir comida, dinheiro e armas entre os communards; nasceu também constituída de trabalhadores; e a constituição operária do Comitê Central da Comuna de Paris tornou-o excepcionalmente interessante para Marx e seus seguidores. Embora separasse estado e igreja; tenha cancelado aluguéis a pagar durante o sítio; tenha abolido o trabalho noturno nas padarias e todos os tipos de juros sobre dívidas; e admitisse que os operários ocupassem lojas e fábricas abandonadas, a Comuna nunca foi formalmente socialista – as ideias de Marx ainda não haviam penetrado na esquerda francesa; e, em 1871, os teóricos utopistas, como Charles Fourier, já haviam saído de moda.

Louis-Auguste Blanqui

Louis-Auguste Blanqui – que tentara assumir o poder em outubro de 1870; que viu seu projeto sobreviver apenas 12 horas; e que foi preso um dia antes de as tropas chegarem a Montmartre para desarmar a guarnição local – era, então, ainda, o pensador mais influente. Por isso os Communards fizeram várias tentativas para libertá-lo, tentando uma troca de prisioneiros: Blanqui, em troca de padres que os Communards tomavam como reféns. Thiers rejeitou todas as propostas.

Mas eram poucos, entre os Communards, os que partilhavam o desejo blanquista de implantar uma ditadura do proletariado; a maioria tendia a eleger membros para o Comitê e o novo Conselho Executivo. Para Lissagaray, o principal problema parecia ser a falta de ideologia e de organização. As eleições elegeram radicais, moderados e conservadores, e não havia qualquer linha partidária por trás da atividade da Comuna; os líderes consumiam tempo precioso em infindáveis discussões, quando o mais urgente seria agir contra a mobilização dos soldados de Thiers em Versailles.

Lissagaray aponta, logo à primeira página, para a divisão insuperável entre a esquerda radical e a esquerda parlamentar (a esquerda parlamentar já aliada, de fato, a Thiers). A desunião tornar-se-ia afinal pública, entre o Comitê Central e o Conselho Executivo da Comuna; separação provocada, pelo menos em parte, por o Comitê não se decidir a assumir o controle sobre Banco da França.

“Naqueles cofres (...) há 4,6 milhões de francos” – Lissagaray lamenta – “mas as chaves estão em Versailles; e, dada a tendência do movimento para conciliar-se com os prefeitos [delegados Varlin e Jourde, do Comitê Central da Comuna], ninguém se atreve a arrombar os ferrolhos e fechaduras”.

Essa decisão tornou-se a mais amplamente criticada em todas as histórias que se escreveram depois. Foi bem claramente a decisão, considerada isoladamente, que Lissagaray mais profundamente lamenta. Escreveu que o governo da Comuna optou por “submeter-se ao Banco da França”, opção que potencializou o fracasso mais amplo de só fazer aprovar “legislação insignificante (...), sem plano militar, sem programa (...), deixando-se arrastar em discussões em que nada se decide e a partir das quais nada se faz”.

O caos assim gerado – que se percebe no tom de absoluta urgência que há no texto de Lissagaray e, até, na dificuldade que o leitor encontrará, ainda hoje, para compreender e acompanhar as rápidas modificações na estrutura da Comuna – levou à ditadura.

Em pouco tempo, um novo Comitê de Segurança Pública sobrepujou o Conselho, que cometeu o erro de não admitir que o povo participasse de suas reuniões, o que gerou a imagem de que seria paranoico e antidemocrático; e assumiu a responsabilidade pela defesa de Paris.

Daí em diante, a Comuna ficou à mercê dos líderes militares, cuja negligência e insuficiente competência tática – sobretudo ao instalar barricadas, já tornadas inúteis depois que o Barão Haussmann reformara Paris nos anos 1860s – a condenaram à derrota.

A retaliação foi violenta: 3.000 parisienses mortos ou feridos nas batalhas de maio de 1871; e Lissagaray estima que cerca de 20 mil morreram até meados de junho – três mil a mais do que admitidos pela justiça militar do governo. Muitos mais foram presos, na França e nas colônias; só foram anistiados em julho de 1880.

Guy Debord

Os Situacionistas Guy Debord, Attila Kotányi e Raoul Vaneigem, em suas Teses sobre a Comuna de Paris publicadas em março de 1962, procuraram separar a experiência da Comuna, de tentativas anteriores, para inferir dela uma teoria de como poderia funcionar uma ditadura do proletariado.

Escreveram que “A Comuna de Paris foi vencida menos pela força das armas que pela força do hábito. O exemplo prático mais escandaloso foi a recusa em recorrer ao canhão para tomar o Banco de França, quando o dinheiro fazia tanta falta. Enquanto durou o poder da Comuna, a banca permaneceu como um enclave em Paris, defendida por algumas espingardas e pelo mito da propriedade e do roubo. Os restantes hábitos ideológicos foram desastrosos sob todos os pontos de vista (a ressurreição do jacobinismo, a estratégia derrotista das barricadas em memória de 48, etc.)” (Tese n. 8).

Escreveram que “Há que retomar o estudo do movimento operário clássico de uma forma desenfeudada e em primeiro lugar desenfeudada das diversas classes de herdeiros políticos ou pseudo-teóricos, pois não possuem mais que a herança do seu fracasso. Os êxitos aparentes deste movimento são os seus fracassos fundamentais (o reformismo ou a instalação no poder de uma burocracia estatal) e os seus fracassos (a Comuna ou a revolta das Astúrias) são até agora os seus êxitos abertos, para nós e para o futuro”. (Tese 1).

Talvez cada geração, posta ante diferentes crises do capitalismo, que as gerações anteriores não conheceram, identifique diferentes lições na Comuna (...)

O PRÍNCIPE LOBISTA

Via Mauro Santayana

Em sua edição online de ontem, o Guardian revela que o príncipe Charles, da Inglaterra, em movimento de lobby, se encontrou, durante o ano, com oito ministros ingleses, tratando de assuntos do governo, entre eles os que envolvem o Oriente Médio, e sua presença militar e econômica na região - o que contraria os costumes tradicionais do Reino Unido, onde o Rei (hoje, a Rainha) reina, mas não governa. As relações entre a Família Real e o governo se fazem mediante os encontros, nos momentos de grave necessidade política, entre o monarca que esteja no Trono e o Primeiro Ministro, no rito em que se confirma o princípio de que o poder da Coroa se submete à vontade nacional.

            A monarquia é um sistema que o bom senso moderno repele. Há monarcas que se mantêm no Trono com discrição e absoluto respeito constitucional ao Parlamento, como são os soberanos dos países nórdicos. Mas as monarquias inglesa,  holandesa e espanhola se mostram, a cada dia mais, servidoras de seus próprios interesses. Os escândalos se sucedem, em uma ofensa direta aos trabalhadores. Os príncipes se envolvem em episódios constrangedores, como vem ocorrendo com o Rei Juan Carlos, da Espanha, onde os casos de corrupção envolvem membros da Casa Real. Os soberanos e de seus presuntivos herdeiros usam de sua condição para dar ordens aos governantes, violando a Constituição e os ritos seculares da instituição.

              O príncipe britânico, de acordo com seus acusadores, está defendendo interesses da indústria do armamento, da energia e do sistema financeiro. Isso explica encontros secretos com os ministros e altos funcionários da Defesa, do Tesouro, da Educação, da Economia, para tratar de assuntos relativos a essas pastas.

            De acordo com a Casa Real, é normal que o Príncipe de Gales, como herdeiro presuntivo do Trono, mantenha esses encontros, e em segredo. Há, no entanto, a reivindicação da cidadania de que haja transparência nessas reuniões, que cuidam de assuntos em que se envolve o governo e a segurança nacional do povo britânico.

            Há, latente, na Inglaterra – e com memória na fugaz, mas marcante, República de Cromwell, do século 17 – os partidários do fim da monarquia e da implantação da República. Não obstante isso, o espírito conservador britânico tem prevalecido para conter essa manifestação de bom senso. É provável, no entanto, que, diante da erosão de sua já combalida respeitabilidade, o sistema monárquico desapareça na Inglaterra, depois que sucumbir na Espanha, onde é, a cada dia e a cada hora, mais claudicante.

       É certo que a monarquia foi o ponto de encontro e de entendimento, na Espanha, para encerrar o capítulo do franquismo, sem choques e com o estancamento de sangue, que durou até a morte de Carrero Blanco. Mas, cumprida essa função histórica, passou a ser inútil e prejudicial ao interesse da Nação.

O Sonegômetro registra meio trilhão em sonegação de impostos

GilsonSampaio

Enquanto a mídia corrupta não se cansa de mostrar o impostômetro, eis o sonegômetro denunciando os inacreditáveis R$ 500 bilhões sonegados.É um terço do que registra o impostômetro.

Já pensou que se não houvesse tanta sonegação os impostos poderiam ser menores?

 

Um viva para os empresários patrioteiros, para a canalha bancária, para os rentistas e para a mídia corrupta.

Um 2013 gentil para todos

GilsonSampaio

 

2013

Fuerza, Chavez. Que viva Chavez

Via Cuba Informacion

VTV / Alba Ciudad / Aporrea.- El Vicepresidente Ejecutivo de la República, Nicolás Maduro, ofreció información hoy alrededor de las 8 de la noche, desde La Habana, sobre la situación de salud del Presidente Chávez. La información que, con carácter oficial le envió al país acerca de la salud del presidente en cadena nacional de radio y televisión, hace referencia a "nuevas complicaciones a consecuencia de una infección respiratoria..." . Describió el estado de salud de Chávez como "delicado", "con complicaciones que están siendo atendidas..." en un proceso "no exento de riesgos".

Maduro dijo que permanecerá junto a otros miembros del gobierno venezolano y familiares del presidente, acompañándole en las próximas horas y que esperan que libre con éxito esta nueva batalla.

COMUNICADO

El Gobierno de la República Bolivariana de Venezuela cumple con el deber de informar al pueblo venezolano sobre la evolución clínica del Presidente Hugo Chávez tras la intervención quirúrgica practicada en La Habana, Cuba, el pasado 11 de diciembre.

Como es sabido, el día 28 de diciembre viajamos a La Habana por instrucciones del Comandante Presidente, por lo cual voy a proceder a realizar el siguiente reporte:

Al llegar a La Habana nos dirigimos de inmediato al Hospital para actualizarnos personalmente sobre la situación de salud del Comandante Presidente.

Fuimos informados sobre nuevas complicaciones surgidas como consecuencia de la infección respiratoria ya conocida.

El día de ayer nos mantuvimos pendientes de la evolución de su situación y la respuesta a los tratamientos. Nos reunimos varias veces con su equipo médico y con sus familiares más allegados.

Hace unos minutos estuvimos con el Presidente Chávez, nos saludamos y él mismo se refirió a estas complicaciones.

Tuvimos la oportunidad de darle parte sobre la situación nacional, las exitosas jornadas de tomas de posesión de los veinte gobernadores y gobernadoras bolivarianos, y la satisfactoria acogida de su mensaje de salutación de fin de año a la Fuerza Armada Nacional Bolivariana.

De manera especial, el Comandante Chávez quiso que transmitiéramos su saludo de fin de año a todas las familias venezolanas, que se encuentran reunidas durante estos días a lo largo y ancho de toda la Patria; muy especialmente le envió un cálido abrazo a los niños y niñas de Venezuela, recordando que siempre los lleva en su corazón. Abrazo que hace extensivo a todo nuestro pueblo, para que reciban con amor el 2013, año que debe ser de mayor felicidad para nuestra Patria, de consolidación definitiva de nuestra independencia y unión nacional.

El Presidente nos dio instrucciones precisas para que, al salir de la visita, le informásemos al Pueblo sobre su condición actual de salud.

A diecinueve días de la compleja cirugía, el estado de salud del Presidente Chávez continúa siendo delicado, presentando complicaciones que están siendo atendidas, en un proceso no exento de riesgos. Gracias a su fortaleza física y espiritual, el Comandante Chávez está enfrentando esta difícil situación.

Igualmente, informamos que hemos decidido permanecer las próximas horas en La Habana, acompañando al Comandante y a su familia, muy atentos al proceso de evolución de su situación actual.

Confiamos en que la avalancha mundial de amor y solidaridad hacia el Comandante Chávez, junto a su inmensa voluntad de vida y el cuidado de los mejores médicos especialistas, ayudarán a nuestro Presidente a librar con éxito esta nueva batalla.

¡Que Viva Chávez!

Noam Chomsky sobre: “Trabalho, aprendizado e liberdade”

Sanguessugado do redecastorphoto

“Aqui mesmo nos EUA, no século 19, sem qualquer influência do marxismo ou de qualquer corrente de ideias europeias, já se sabia que o trabalho assalariado é uma escravidão – a única diferença, é que é escravidão temporária. Essa frase era tão conhecida e repetida, que foi um dos slogans do Partido Republicano. E foi a bandeira sob a qual os trabalhadores nortistas lutaram a Guerra Civil: que a escravidão assalariada era tão nefanda quanto a escravidão sem salário. Em resumo: tornou-se absolutamente necessário arrancar essas ideias da cabeça das pessoas.”

Noam Chomsky, entrevistado por Michael Kasenbacher, New Left Project

Work, Learning and Freedom

Traduzida pelo pessoal da Vila Vudu

“Gostaria de ter mais tempo para trabalhar. Mas não tenho tempo livre...”

Michael Kasenbacher: Gostaria de perguntar-lhe: o que é trabalho realmente desejado? Talvez possamos começar por sua experiência pessoal e sua carreira de duas faces, na linguística e no ativismo político? Você gosta de trabalhar assim?

Noam Chomsky: Se tivesse tido tempo, teria trabalhado muito mais sobre linguagem, filosofia, ciências da cognição, tópicos intelectualmente muito interessantes. Mas grande parte de minha vida é ocupada hoje noutro tipo de atividade política: ler, escrever, organizar eventos, ativismo em termos gerais. É trabalho necessário, vale a pena, mas não é atividade que realmente estimule o intelecto e obrigue a pensar forte. Em relação a assuntos humanos, das duas uma: ou não compreendemos coisa alguma, ou só compreendemos superficialmente. É trabalho duro pesquisar informações, reunir, sim; é duro, mas não é intelectualmente desafiador. Faço, porque é necessário.

O trabalho ao qual dedicar a parte principal da vida é o trabalho que você continuaria a querer fazer mesmo que deixasse de ser pago. É trabalho inventado por necessidade, interesse e preocupações interiores, subjetivas.

Michael Kasenbacher: O filósofo Frithjof Bergmann diz que a maioria das pessoas não sabem que tipo de atividades realmente desejam ter. Chama a isso “miséria do desejo”. Entendo e parece-me bem verdade, quando converso com vários dos meus amigos. Você sempre soube o que queria fazer?

Noam Chomsky:Aí está um problema que nunca me apareceu: sempre desejei fazer muitas coisas. Também duvido de que essa “miséria do desejo” seja problema muito generalizado. Um marceneiro, por exemplo... Pessoalmente, não sou bom com ferramentas. Mas considere alguém capaz de construir objetos, de consertar coisas; os que conheço desejam realmente fazer o que fazem. Adoram fazer o que fazem: ‘se há problema, eu conserto.’ Ou o esforço físico – também pode ser muito gratificante. Se o seu trabalho é mandar, sim, pode ser difícil, se você for muito tímido, não gostar de mandar, ou se tem de mandar fazer coisas contra o seu interesse. Mas se você é pago para mandar fazer coisas ditadas pelo seu próprio desejo ou seus interesses, mandar pode ser excitante, interessante, prazeroso.

O que quero dizer é que há muita gente que procura o que fazer – é trabalho, claro. Jardinagem, por exemplo. Se você teve uma semana difícil, as crianças correm pela casa, sim, você deitar e dormir; mas será mais prazeroso se for trabalhar no jardim, ou construir alguma coisa, ou fazer ‘alguma coisa’.

Essa percepção é muito antiga, e não é invenção minha. Wilhelm von Humboldt, que é autor de alguns dos trabalhos mais interessantes sobre isso, escreveu que, se um artesão produz um belo objeto por encomenda, nós até admiramos a beleza do objeto, mas desprezamos o artesão que trabalha como ferramenta nas mãos de quem lhe faz encomendas e paga. Mas se o mesmo artesão cria o mesmo objeto apenas porque quis criá-lo, admiramos, além do objeto, também o artista; e o artista, nesse caso, sente-se realizado, o que é prazeroso.

É mais ou menos como aprender na escola – creio que todos já tivemos essa experiência: se se estuda exclusivamente para uma prova, claro, é ótimo passar de ano, mas, duas semanas depois tudo aquilo que ‘aprendemos’ estará esquecido. Mas se você pesquisa e estuda alguma coisa porque deseja realmente entender, você mesmo concebe os testes, você erra e refaz tudo, procura no lugar errado, mas não desiste de encontrar; e, ainda que não consiga chegar aonde desejava, o que você fez e tentou, isso, você não esquece tão facilmente.

Michael Kasenbacher: Então, você está dizendo que as pessoas, basicamente, sabem o que querem fazer?

Noam Chomsky: Sim, sob circunstâncias favoráveis. As crianças são naturalmente curiosas – querem saber sobre tudo, querem explorar tudo; na maioria das vezes, dão com a cabeça no chão. Então são postas em estruturas de disciplina, as coisas são organizadas para que façam umas coisas, não outras, de modo a que você aprenda umas coisas, não outras. Por isso tantas escolas são entediantes. Não significa que não haja escolas excitantes.

Até mais ou menos 12 anos, frequentei uma escola Deweyiana. Era ótima. Eu tinha vontade de ir para a escola, queria ficar lá. Não havia classes, nem provas para ‘passar de ano’. Cada aluno era orientado de modo a conseguir fazer o que tivesse vontade de fazer. Havia, claro, estrutura, mas, basicamente, o aluno podia seguir seus próprios interesses e preocupações e, mesmo assim, trabalhava com outros.

Pessoalmente, nunca nem tive ideia de que era um ótimo aluno, até chegar à universidade. Fui para um ginásio pré-universitário no qual todos eram avaliados e classificados, e era indispensável passar à universidade, portanto, havia exames de seleção. Na escola primária, de fato, eu “pulei” um ano, mas ninguém deu qualquer importância. A única coisa que eu sempre soube é que eu era o menor da classe. Mas não era grave nem importante.

No pré-universitário, tudo mudou completamente: você tinha de ser o primeiro da classe. O segundo lugar não interessava. É ambiente muito destrutivo – que empurra as pessoas para a situação na qual você realmente não sabe o que deseja fazer. Aconteceu comigo; no pré-universitário perdi completamente o interesse por estudar. Se se olha a grade de estudos, sim, tudo parecia interessante, grandes cursos...  Mas acabei por descobrir que o curso pré-universitário era um ginásio, para alunos mais velhos. Depois de um ano, eu só pensava em parar de estudar, não queria nem me aproximar da universidade. Minha vida acadêmica é uma sequência de acasos.

Ainda estava no pré, quando um dos professores da faculdade sugeriu que eu assistisse às aulas dele. Depois desse curso, comecei a fazer outros cursos. Mas não completei, até hoje, nenhum curso que me habilite a dar aulas em universidade. Por isso dou aulas no MIT, que não exige qualquer qualificação acadêmica além da qualificação no próprio Instituto.

O que quero dizer é que educação, ou é assim ou é sempre extremamente alienante. Vejo pelos meus netos ou os círculos nos quais vivem. São crianças que absolutamente não sabem o que querem fazer, então fumam maconha, ou bebem, ou enchem o dia arquitetando meios para escapar da escola ou outras atividades antissociais. Porque são criaturas cheias de energia, deixadas sem nenhuma atividade que realmente mobilize suas emoções, seu desejo e sua energia. Nos EUA é assim, não sei como é na Áustria, mas nos EUA, até o conceito de brincar mudou. Vejo, onde moro. Minha mulher e eu nos mudamos para cá, porque era bom para as crianças – menos tráfego, muitas árvores, as crianças podiam brincar na calçada. As crianças passavam o dia todo na rua, nas bicicletas, o que fosse. Hoje, as crianças não saem de casa. Dentro de casa, não saem de frente da tela, dos videogames, ou coisas dessas, sempre em atividades organizadas para elas: esportes organizados por adultos, coisas assim. A ideia de brincadeiras espontâneas, que as crianças organizavam, parece ter sumido ou, pelo menos, diminuiu muito. Há estudos sobre isso. Vi alguns, dos EUA e Inglaterra, e não sei se é verdade também em outros locais, mas a brincadeira infantil proposta pelas crianças, isso, mudou muito, com outras mudanças sociais pelas quais passa o mundo. Acho ruim, porque sem inventar, os instintos criativos não florescem. O que se aprende num jogo de rua, com tacos feitos com cabo de vassoura, não se aprende em torneios organizados da Liga Infantil, todos uniformizados...

Às vezes, é surreal. Lembro quando meu neto, dez anos, jogava baseball, em vários times pela cidade: onde houvesse jogo, lá estava ele. Até que, um dia, ele voltou para casa desconsolado, porque fora proibido de jogar... As novas regras “da cidade” obrigavam os times a manter jogadores “estáveis”, jogadores de um time, não podiam jogar nas outras equipes... Não sei se você conhece baseball, mas a coisa é simples: três jogadores fazem todo o serviço; o resto da equipe só completa o número mínimo. Pois as regras proibiam que uma equipe emprestasse a outra um atleta que só teria de ficar sentado lá, fazendo número.

O absurdo é total, mas é exatamente o que acontece hoje. Vale nas escolas, claro. A grande inovação educacional do governo Obama foi “nenhuma criança deixada para trás”. Nas escolas, nada significa além de professores treinados para treinar crianças para serem aprovadas em testes, e professores avaliados pelo número de “aprovações” que os alunos obtêm nos exames de seleção. Converso com muitos professores. Todos contam histórias semelhantes. Uma criança que se interesse por algo não previsto no “programa”, logo ouve o “conselho”: não pode ser, porque, assim, você não passará nos exames de seleção. De fato, é uma antieducação, é o contrário de educar.

Os EUA tiveram o primeiro sistema de educação em massa do mundo (muito antes da Europa). Mas, se você analisa o sistema aqui implantado no final do século 19, foi planejado para converter pequenos agricultores independentes em operários de fábrica perfeitamente disciplinados. Até hoje, grande parte da educação mantém-se nessa linha. Às vezes, é objetivo declarado.

Se você não conhece, dê uma olhada num livro intitulado The Crisis of Democracy [1] – publicação de uma “comissão trilateral” – nada além de liberais internacionalistas da Europa, Japão e EUA, a direita da elite intelectual. [2] Daí saiu todo o governo de Jimmy Carter. O livro manifestava a preocupação da direita liberal com o que acontecera nos anos 1960s. E, ora! O que acontecera nos anos 1960s era democrático demais, muito ativismo, jovens nas ruas, experimentando, testando novas ideias; o livro chama esse período de “tempo de confusões”.

A “confusão”, de fato, é que, ali, os EUA estavam sendo civilizados: dali saíram leis de direitos civis, de igualdade para as mulheres, de atenção ao meio ambiente, os movimentos pacifistas, antiguerra, antiviolência.

Os EUA se tornaram país mais civilizado, mas o processo preocupou muita gente, porque as pessoas estavam conseguindo escapar ao controle. Tudo fora feito para os norte-americanos sermos gente passiva e apática, que faz o que é mandada fazer, que aceita ordens dos homens e mulheres sérios que mandam no país. É a ideologia das elites, em todo o espectro político: as pessoas são estúpidas demais, ignorantes demais; então, para protegê-las delas mesmas... nós temos de controlá-las. Essa ideologia, precisamente, estava ruindo nos anos 60s.

Aquela “comissão trilateral”, então, publicou o tal livro, para tentar induzir o que foi chamado de “democracia moderada” – empurrar as pessoas outra vez para a obediência e a passividade, para que não criassem dificuldades para o poder do estado, etc. e tal.

O que mais preocupava a tal comissão eram os mais jovens – as instituições responsáveis pela doutrinação dos mais jovens (é a expressão que se usa no relatório); falavam, claro, de escolas, universidades, igrejas... Que não estavam trabalhando corretamente; por isso, os jovens não estavam sendo adequadamente doutrinados. E estavam sentindo-se livres para ter ideias, tomar iniciativas, cuidar do que mais lhes interessasse. Não podia ser. Era necessário reassumir o controle.

Se se analisa o que aconteceu depois de 1975, várias medidas foram implantadas para impor disciplina. Um exemplo simples: o aumento nas taxas universitárias – vale mais para os EUA do que noutros países, mas, nos EUA, essas taxas já chegam à estratosfera. Os preços, em parte, restringem a uma só classe o acesso à universidade, mas, mais que isso, impõem aos jovens o peso de uma dívida gigantesca, impagável, sem estrita disciplina, que empurre o jovem para uma “carreira”. Se você sai da universidade endividado até o pescoço, você não é livre para fazer o que queira fazer. Você talvez sonhasse em trabalhar como advogado de uma organização popular... Mas você será obrigado a trabalhar para uma grande empresa de advocacia privada. É grave. E há muitas outras coisas assemelhadas.

A guerra às drogas foi inventada, principalmente, pela mesma razão: a guerra às drogas também é um sistema de disciplinamento, um modo de assegurar que as pessoas sejam mantidas sob controle. Não tenho dúvidas de que tenha sido conscientemente concebida para essa finalidade... Por isso é como é.

A ideia da liberdade é muito assustadora para os que gozem de qualquer grau de privilégio e poder. Acho que se vê isso também no sistema educacional. E nos locais de trabalho. Há um estudo muito interessante, de um pesquisador que, infelizmente, não pôde continuar seu trabalho, porque não foi recontratado, que examinou muito atentamente o desenvolvimento de máquinas controladas por computador – que começaram a ser desenvolvidas nos anos 1950s, em projeto para os militares, os quais, de fato, desenvolveram protótipos de tudo que temos hoje...

Michael Kasenbacher: Como se chama esse pesquisador?

Noam Chomsky: David Noble. Escreveu alguns livros muito bons. Um deles é Forces of Production.

O que Noble descobriu é que, quando esses métodos e sistemas foram concebidos, havia uma “bifurcação”, uma escolha estratégica decisiva, a ser feita: se os novos métodos e sistemas seriam desenhados (i) para serem operados por maquinistas-operadores treinados e competentes, ou se, muito diferente disso, (ii) os novos métodos e sistemas seriam desenhados para serem controlados no plano da administração, da gestão.

Escolheram a segunda via, apesar de não ser a mais lucrativa. Fizeram-se estudos que demonstraram que essa segunda via não geraria maiores lucros; mas, mais importante que o lucro, nesse caso, era manter os trabalhadores sob controle. Ninguém absolutamente tinha qualquer interesse em treinar operadores para administrar o processo industrial. Uma das razões, óbvia, é que, com operadores insubstituíveis, rapidamente surgiria a ideia – que nada tem de nova – de descartar os proprietários... que nada fazem e só atrapalham. Essa ideia assustadora levou, em boa parte, ao New Deal.

As medidas do New Deal, nos EUA, surgiram, em boa parte, da evidência de que as greves já estavam assumindo feições de manifestações de cidadãos; os trabalhadores cruzavam os braços, ou famílias inteiras de trabalhadores desempregados sentavam-se na rua, à entrada das fábricas (ing. sit-ins e sit-downs) e, assim, ajudavam os grevistas. Grevistas de braços cruzados estão sempre a um passo de alguém dizer: “Por que estamos aqui fora, de braços cruzados? Vamos entrar lá e controlar essa fábrica”.

Desde o século 19 há muita literatura operária, hoje, também, vasta literatura operária sobre essas ideias. A revolução industrial nos EUA começou bem perto daqui. Os operários opuseram-se muito fortemente ao sistema industrial; diziam que o sistema industrial lhes roubaria a liberdade, a independência, todos os seus direitos como membros de uma república livre, que a revolução industrial estava destruindo a cultura operária. Diziam que o melhor a fazer era os próprios operários ocuparem as fábricas, os moinhos, e comandá-los eles mesmos.

Aqui mesmo nos EUA, no século 19, sem qualquer influência do marxismo ou de qualquer corrente de ideias europeias, já se sabia que o trabalho assalariado é uma escravidão – a única diferença, é que é escravidão temporária. Essa frase era tão conhecida e repetida, que foi um dos slogans do Partido Republicano. E foi a bandeira sob a qual os trabalhadores nortistas lutaram a Guerra Civil: que a escravidão assalariada era tão nefanda quanto a escravidão sem salário. Em resumo: tornou-se absolutamente necessário arrancar essas ideias da cabeça das pessoas.

Acho que essas ideias não estão enterradas muito fundo. Acho que podem voltar à tona a qualquer momento. Podem volta a tona, de fato, amanhã ou depois: Obama é praticamente proprietário da indústria automobilística, está fechando fábricas por todo o país, ao mesmo tempo em que seu governo não pára de assinar contratos com Espanha e França para construir trens de alta tecnologia, setor no qual os EUA estão muito atrasados – e usando dinheiro de incentivos federais para pagar as novas fábricas. Mais dia menos dia, os trabalhadores de Detroit dar-se-ão conta de que... “nós sabemos construir essas coisas. Vamos assumir o controle da fábrica, e fabricamos, nós mesmos”. Pode acontecer um renascimento operário-industrial aqui mesmo. Nada assusta mais os bancos e os gerentes administrativos, do que essa possibilidade.

Michael Kasenbacher: Como é sua rotina de trabalho? Como consegue trabalhar tanto?

Noam Chomsky: Minha mulher morreu há alguns anos e, desde então, só trabalho. Vejo meus filhos, vez ou outra, mas é só. Sempre trabalhei muito, mas, antes, ainda tinha alguma vida pessoal fora de casa. Agora, não mais. Só trabalho.

Michael Kasenbacher: Quantas horas você dorme por noite?

Noam Chomsky: Tento dormir, quando consigo, seis, sete horas por noite. Minha vida é completamente louca: muitas entrevistas, muitas conferências, muitas reuniões. Gostaria de ter mais tempo para trabalhar. Mas não tenho tempo livre... Nunca vou ao cinema, não como fora de casa. Não é vida saudável. Não recomendo a ninguém.

Notas dos tradutores

[1]  CROZIER, Michel; HUNTINGTON, Samuel P.; WATANUKI, Joji. The Crisis of Democracy: Report on the Governability of Democracies to the Trilateral Commission

[2]  Sobre o relatório:

Em 1975, a Comissão Trilateral publicou o seu relatório sobre a crise da democracia, da autoria de Crozier, Huntington e Watanuki. Segundo estes, a democracia estava, de fato, em crise. Não, porém, por haver democracia a menos, mas, pelo contrário, por haver democracia a mais.

As democracias estavam em crise porque se encontravam sobrecarregadas com direitos e reivindicações e porque o contrato social, em vez de excluir, era demasiado inclusivo, devido precisamente às pressões sobre ele exercidas pelos atores sociais históricos atacados pelos estudantes (os partidos operários e os sindicatos). Com esta análise e o poder social por detrás dela, a crise do governo baseado no consenso (crise de legitimidade) transformou-se numa crise do governo “tout court”, e, com isto, a crise de legitimidade transformou-se em crise de governabilidade.

A natureza da contestação política viu-se, desta forma, profundamente alterada. O foco, antes centrado na incapacidade do Estado para fazer justiça aos novos movimentos sociais e às suas exigências, passou a centrar-se na necessidade de conter e controlar as reivindicações da sociedade relativamente ao Estado. Em breve, o diagnóstico da crise enquanto crise de governabilidade passou a ser dominante, o mesmo se verificando com a terapia política proposta pela Comissão Trilateral: do Estado central para a devolução/descentralização; do político para o técnico; da participação popular para sistemas de peritos; do público para o privado; do Estado para o mercado (Crozier et al., 1975).

(Boaventura de Sousa Santos, A crítica da governação neoliberal: o Fórum Social Mundial como política e legalidade cosmopolita subalterna, Revista Crítica de Ciências Sociais n. 72, out. 2005, p. 7-44)

domingo, 30 de dezembro de 2012

Siria: una “revolución” firmada por EEUU, Israel, la UE, la OTAN, Arabia Saudí y Qatar

Via Contrainjerencia

Publicado el 12/29/12 • en el tema EL MUNDO EN CRISIS

alepo

Curiosa resistencia, curiosa revolución, apoyada por la UE, la OTAN, EEUU, Israel, Arabia Saudí, Qatar y cierta “izquierda”. Habla de liberar Siria y asesina miembros de la resistencia palestina.

Un grupo de insurgentes asesinó al sur de Damasco a Nidal Alián, comandante de Operaciones del Frente Popular para la Liberación de Palestina (FPLP), precisó un comunicado de la organización.

El portavoz del FPLP en Cisjordania, Husan Arafat, aseguró que el llamado Frente Al Nusra, filial de la red terrorista Al Qaeda en territorio sirio, perpetró la acción en el campamento de Yarmouk, cerca de Damasco.

De acuerdo con la breve nota, el líder militar cayó en un enfrentamiento en la denominada Calle 30, la cual separa al referido campamento de la localidad de Hayyaraswad, en la provincia de Damasco Campo, donde los irregulares mantienen una zona de operaciones.

Recientemente Yamourk fue escenario de fuertes enfrentamientos entre refugiados palestinos y bandas de irregulares que penetraron al lugar.

El FPLP acusó a los armados de querer implicar a los refugiados palestinos en el conflicto que vive la nación, para crear fricciones con el Gobierno y lograr su expulsión.

La nación levantina acoge varios campamentos de refugiados palestinos en ciudades como Alepo o Latakia, sin embargo, los principales conglomerados se encuentran al sur de Damasco, y en total dichos núcleos aglutinan a unas 550 mil personas. Yarmouk es el mayor de ellos en el país, con una población de alrededor de 200 mil habitantes.

laHaine/InSurGente

"La Dolce Vita" de Yoani Sánchez em Cuba

Via Opera Mundi

Ao contrário do que afirma, dissidente possui padrão de vida inacessível para a imensa maioria dos cubanos

Wikimedia Commons

Ao ler o blog da dissidente cubana Yoani Sánchez, é inevitável sentir empatia por esta jovem mulher, que expressa abertamente sua oposição ao governo de Havana. Descreve cenas cotidianas de privações e de penúrias de todo tipo. “Uma dessas cenas recorrentes é a de perseguir os alimentos e outros produtos básicos em meio ao desabastecimento crônico de nossos mercados”, escreve em seu blog Generación Y. [1]

De fato, a imagem que Yoani Sánchez apresenta dela mesma – uma mulher com aspecto frágil que luta contra o poder estatal e contra as dificuldades de ordem material – está muito longe da realidade. Com efeito, a dissidente cubana dispõe de um padrão de vida que quase nenhum outro cubano da ilha pode se permitir ter.

Mais de seis mil dólares de renda mensal.

A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), que agrupa os grandes conglomerados midiáticos privados do continente, decidiu nomeá-la vice-presidente regional de sua Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação [2] por Cuba. Sánchez, que como de costume, é tão expressiva em seu blog, manteve um silêncio hermético sobre seu novo cargo. Há uma razão para isso: sua remuneração. A oposicionista cubana dispõe agora de um salário de seis mil dólares mensais, livres de impostos. Trata-se de uma renda bastante alta, habitualmente reservada aos quadros superiores das nações mais ricas. Essa importância é ainda maior considerando que Yoani Sánchez reside em um país de Terceiro Mundo em que o Estado de bem-estar social está presente e onde a maioria dos preços dos produtos de necessidade básica está fortemente subsidiada.

Em Cuba, existe uma dupla circulação monetária: o CUC e o CUP. O CUC representa aproximadamente 0,80 dólares ou 25 CUP. Assim, com seu salário da SIP, Yoani Sánchez dispõe de uma renda equivalente a 4.800 CUC ou a 120.000 CUP.

O poder aquisitivo de Yoani Sánchez

Avaliemos agora o poder aquisitivo da dissidente cubana. Assim, com um salário semelhante, Sánchez poderia pagar, a escolher:

- 300.000 passagens de ônibus;

- 6.000 viagens de táxi por toda Havana [3]

- 60.000 entradas para o cinema;

- 24.000 entradas para o teatro;

- 6.000 livros novos;

- 24.000 meses de aluguel de um apartamento de dois quartos em Havana [4];

- 120.000 copos de garapa (suco de cana);

- 12.000 hambúrgueres;

- 12.000 pizzas;

- 9.600 cervejas;

- 17.142 pacotes de cigarro;

- 12.000 quilos de arroz;

- 8.000 pacotes de macarrão;

- 10.000 quilos de açúcar;

- 24.000 sorvetes de cinco bolas;

- 40.000 litros de iogurte;

- 5.000 quilos de feijão;

- 120.000 litros de leite (caso tenha um filho de menos de 7 anos);

- 120.000 cafés;

- 80.000 ovos;

- 60.000 quilos de carne de frango;

- 60.000 quilos de carne de porco;

- 24.000 quilos de bananas;

- 12.000 quilos de laranja;

- 12.000 quilos de cebola;

- 20.000 quilos de tomate;

- 24.000 tubos de pasta de dente;

- 24.000 unidades de sabão em pedra;

- 1.333.333 quilowatts-hora de energia [5];

- 342.857 metros cúbicos de água potável [6];

- 4.800 litros de gasolina;

- um número ilimitado de visitas ao médico, dentista, oftalmologista ou qualquer outro especialista da área de saúde, já que tais serviços são gratuitos;

- um número ilimitado de inscrições a um curso de esporte, teatro, música ou outro (também gratuitos).

Essas cifras ilustram o verdadeiro padrão de vida de Yoani Sánchez em Cuba e dão uma ideia sobre a credibilidade da opositora cubana. Ao salário de seis mil dólares pagos pela SIP, convém agregar a renda que cobra a cada mês do diário espanhol El País, do qual é correspondente em Cuba, assim como as somas coletadas desde 2007.

Com efeito, no período de alguns anos, Sánchez recebeu múltiplas distinções, todas financeiramente remuneradas. No total, a blogueira recebeu uma retribuição de 250.000 euros, ou seja, 312.500 CUC ou 7.812.500 CUP, quer dizer, uma importância equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como a França, quinta potência mundial.

A dissidente, que primeiro emigrou à Suíça depois de optar por voltar a Cuba, é bastante sagaz para compreender que o fato de adotar um discurso a favor de uma mudança de regime agradaria aos poderosos interesses contrários ao governo e ao sistema cubanos. E eles, por sua vez, saberiam se mostrar generosos com ela e permitiriam gozar da dolce vita em Cuba.

(*) Doutor em Estudos Ibéricos e Latinoamericanos pela Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Université de la Réunion e jornalista, especialista das relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro é intitulado Etat de siège: les sanctions economiques des Etats-Unis contre Cuba, París, Edições Estrella, 2001, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade. Contato: lamranisalim@yahoo.fr ; Salim.Lamrani@univ-reunion.fr  ; Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel

Referências bibliográficas:

[1] Yoani Sánchez, “Atacado vs varejo”, Generación Y, 5 de junho de 2012. http://www.desdecuba.com/generaciony/ (site consultado em 26 de julho de 2012).

[2] El Nuevo Herald, “Yoani nomeada na Comissão da SIP”, 9 de novembro de 2012.

[3] De Havana Velha até o bairro Playa.

[4] 85% dos cubanos são proprietários de suas casas. Essa tarifa é reservada exclusivamente para os cidadãos cubanos da ilha.

[5] Até 100 quilowatt-hora, o preço é de 0,09 CUP a cada quilowatt-hora.

[6] 0,35 CUP por m³.

El Gobierno boliviano expropia cuatro filiales a la española Iberdrola

Via Russian Today

Evo Morales indicó que estas medidas pretenden equilibrar "las tarifas de servicio eléctrico"

 

El presidente boliviano, Evo Morales, decretó la expropiación de las acciones de la compañía española Iberdrola en dos distribuidoras de energía eléctrica en las regiones de La Paz y Oruro, en una empresa de servicios y en una gestora de inversiones.

“Nos hemos visto obligados a tomar esta medida para que las tarifas de servicio eléctrico sean equitativas en el departamento de La Paz y Oruro y la calidad de servicio eléctrico sea uniforme en el área rural y urbana”, afirmó Morales.

Las compañías expropiadas son dos de las principales distribuidoras de electricidad, la Empresa de Electricidad de La Paz (Electropaz) y la Empresa de Luz y Fuerza de Oruro (Elfeo), además de la empresa de servicios Edeser y una gestora de inversiones.

Las expropiaciones que se están llevando a cabo por Gobiernos valientes en América Latina que ponen por encima de los intereses del gran capital los intereses de su pueblo, creo que nos ayudan a avanzar”

Iberdrola, a través de su filial Iberbolivia, posee el 89,5% de las acciones en Electropaz y el 92,8% en Elfeo. Según el decreto leído por Morales, la estatal Empresa Nacional de Electricidad asumirá el control de las cuatro empresas nacionalizadas en representación del Estado boliviano.

Las decisiones que benefician al pueblo

El profesor titular de Política Económica de la Universidad de Castilla La Mancha, Gregorio López Sanz, está convencido de que las relaciones entre Madrid y La Paz se deteriorarán, pero opina que la decisión de Morales es valiente y beneficiará al pueblo boliviano. “Las expropiaciones que se están llevando a cabo por Gobiernos valientes en América Latina que ponen por encima de los intereses del gran capital los intereses de su pueblo, creo que nos ayudan a avanzar”. “Los políticos deben sentirse libres para tomar las decisiones que benefician a su pueblo”, concluye.

Por su parte, el Gobierno español de Mariano Rajoy lamentó la decisión de Evo Morales de nacionalizar cuatro filiales de Iberdrola en Bolivia y expresó su deseo de que la eléctrica española sea indemnizada de manera "justa". En respuesta a esto, el Ejecutivo boliviano prometió entregar la remuneración que merece a Iberdrola. Al igual que en anteriores expropiaciones, se dispuso también que la compensación a Iberdrola provendrá de una tasación realizada por una “empresa independiente (…) en el plazo de 180 días hábiles”.

Texto completo en: http://actualidad.rt.com/economia/view/82464-gobierno-boliviano-expropia-cuatro-filiales-espanola-iberdrola

sábado, 29 de dezembro de 2012

O Direito, a Liberdade e a missão do advogado

Via  Jornal do Brasil

“A lucidez passou a ser uma espécie de excepcionalidade, como se tratasse de um fenômeno de parapsicologia”.

Mauro Santayana

Foi a descoberta grega da ideia da liberdade que abriu o tempo para a construção do Ocidente. Com essa fulgurante epifania mental, os pensadores partiram para a especulação sobre a realidade física, a natureza peculiar do homem e a vida social. É assim, como decorrência natural  de que a vida deve ser livre, para ser digna, que nasceram, sob o rótulo comum de filosofia prática, as idéias da lógica, da ética, da economia e (como  instrumento de busca e realização da liberdade) a política.

O artigo que publicou o advogado Márcio Thomaz Bastos - nestes dias que, sendo de festas, devem ser de meditação - sobre os deveres dos advogados, é documento grave e sério. Ele deve ser entendido em sua seriedade e gravidade. Estamos perdendo, como se os neurônios se dissolvessem sob o calor dos ódios e preconceitos, a capacidade de pensar. A lucidez passou a ser uma espécie de excepcionalidade, como se tratasse de um fenômeno de parapsicologia. Mais do que isso: como aponta o ex-presidente da OAB, que se destacou na luta contra o regime militar, a sociedade está imbuída da sanha persecutória, conduzida pelo lema de vigiar e punir.

Mais terrível do que a tirania do Estado, quando ele se encontra ocupado pelos insanos, é a tirania das sociedades, conduzidas por demagogos enfurecidos e suas contrafeitas idéias. Idéia, como sabemos, é a forma que construímos em nossa mente, para identificar as coisas e os fenômenos. Se perdemos essa capacidade de relacionar, com lógica, os acontecimentos naturais  e o sentimento humano –  laço que nos une aos de nossa mesma espécie – não há mais civilização, deserta-nos a razão, evapora-se a inteligência. E se a sociedade perde o equilíbrio, o Estado pode perecer, com o fim de todas as liberdades.

O dever absoluto da justiça é a proteção da liberdade, como condição inerente e irrecusável do ato de viver.

Quando a justiça pune - qualquer tenha sido o crime – pune quem violou a liberdade de outro, seja no exemplo radical do homicídio, seja em delitos menores. Em razão disso, qualquer pessoa que seja levada diante de um juiz necessita de advogado, que seja capaz de orientá-lo e defendê-lo, a partir das leis e do direito consuetudinário. Desde que os homens criaram os tribunais, sempre houve advogados e, não precisa ser dito, por mais tenebroso possa parecer um crime, o direito de defesa é sagrado.

Como expôs com clareza, em sua aula de filosofia do Direito, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, por mais evidente possa parecer a culpa de um suspeito, até que se conclua plenamente o seu julgamento, a presunção é de inocência. Por uma proposição lógica, cabe a quem o acusa fornecer as provas insofismáveis da culpa.

Não se pode inverter o enunciado dessa razão, e exigir do acusado que desfaça uma prova que ele mesmo desconhece. Os juízes não devem decidir sobre provas secretas. Tivemos, na ditadura, o absurdo ridículo de sermos obrigados a obedecer a decretos sigilosos, mas o juiz está livre desses ucasses.

É corajosa a advertência do conhecido advogado. Ele é apontado como um profissional que aceita causas já tidas como perdidas, em razão do clamor popular contra os acusados, da mesma forma que é elogiado por ter defendido os perseguidos pelo regime autoritário, quando as idéias da liberdade se encontravam sufocadas pelos juristas e juízes da Ditadura. Mas, qualquer a opinião que dele se tenha,  cumpre o seu dever de defender os que o procuram - contra os clamores da ira, espontânea ou conduzida , de parcelas da sociedade – até que todos os ritos processuais se cumpram, na absolvição ou condenação do réu.

Por tudo isso, o seu texto deve ser analisado cuidadosamente por todos os cidadãos, especialmente pelos que, no exercício do mandato político, têm a responsabilidade de governar o Estado em nome da sociedade.   

A indústria açucareira move os fios da escravidão

Via Rebelion

Nazaret Castro/Laura Villadiego

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

La Marea

Não é nenhuma novidade que cortar cana é um dos trabalhos mais duros que existem. Já era assim nos tempos da colonização das Américas, quando os navios negreiros transladavam ao trópico americano a mão de obra das plantações. Séculos depois, há coisas que não mudaram muito: na América Latina de hoje, “o latifúndio multiplica os famintos, mas não os pães”, como escreveu Maza Zavala há quarenta anos.

O crescimento da demanda de açúcar como conseqüência do auge do biodiesel transforma a cana num dos cultivos em alta, que junto à soja e poucos produtos mais se repartem o pastel de uma terra que, como ontem, vive entre o latifúndio e a monocultura. Cada vez que se expande a fronteira desses cultivos, freqüentemente geridos pelo capital estrangeiro, dezenas, centenas ou milhares de famílias camponesas são expulsas de suas casas para ir parar, quase sempre, nas imensas favelas das grandes urbes.

No Brasil, maior produtor de açúcar do mundo, a indústria açucareira desde os anos 70 vem anunciando a mecanização do setor; contudo, desde então a mão de obra não fez outra coisa que tornar-se mais barata, desestimulando as empresas a levar adiante esses investimentos. Nesse país, como na maioria das plantações do planeta, o pagamento é por peso colhido, o que obriga a extenuantes jornadas de trabalho por um soldo miserável, que freqüentemente não ultrapassa o salário mínimo (pouco mais de 200 euros por mês).

Algumas estimativas calculam que, para cortar uma média de 12 toneladas de cana por dia, o trabalhador deve caminhar mais de 8 quilômetros, dar 130 mil golpes de facão e perder 8 litros de água. Não é de estranhar, então, que em muitos casos os cortadores consumam drogas como crack e maconha para aliviar suas jornadas. Tampouco surpreende que, depois de poucos anos trabalhando nas plantações, desenvolvam doenças em função da dureza do trabalho, da exposição aos agrotóxicos e às queimadas, além das nefastas condições de higiene e segurança do trabalho.

Camponeses despejados

Em outra esquina do mundo, na Tailândia, segundo exportador mundial de cana de açúcar, a realidade não é muito diferente: por jornadas de trabalho extenuantes recebe-se, em função do peso colhido, entre 2,5 e 7,5 euros/dia em troca. Ali, freqüentemente são usados imigrantes ilegais, vindos principalmente da Birmânia: sua vulnerabilidade os torna ainda mais maleáveis.

No vizinho Camboja, o auge da exportação açucareira tem significado um aumento das áreas de cultivo, e com isso a ocupação de terras que supõe o deslocamento de centenas de famílias camponesas. Varias ONGs assinalam como culpado o Everything but Arms (Tudo exceto Armas), um acordo preferencial assinado entre o Camboja e a União Européia, que permite isenções de impostos sobre as exportações cambojanas; o suposto objetivo é contribuir para o crescimento econômico do país asiático, mas o acordo está provocando tais violações dos direitos humanos que o próprio Parlamento Europeu solicitou uma investigação sobre as conseqüências do tratado com o Camboja.

A localidade de Srae Ambel, no sul do país, é um triste exemplo. Ali, o governo cambojano outorgou uma área a uma companhia tailandesa de exploração de terras, onde até o momento subsistiam centenas de famílias de pequenos camponeses. Desprovidos de sua fonte de alimentos, muitos deles se vêem obrigados a pedir trabalho nos canaviais. “O trabalho é muito duro; consigo realizá-lo por apenas três dias seguidos”, assegura Chea Cheat, um robusto homem de 38 anos que cobra uns 5 dólares diários se trabalha de sol a sol a pleno rendimento. Até então, nessas mesmas terras Chea Cheat cultivava arroz; hoje, carrega fardos de cana 15 dias por mês, tempo que consegue suportar, e procura outros trabalhos para complementar um salário de subsistência.

Chea Cheat é exceção, pois a companhia prefere contratar trabalhadores de outras áreas do país por medo do ressentimento dos locais. Os campos estão cercados e suas entradas vigiadas. “Sabemos que os trabalhadores vivem em condições de semi-escravidão. Eles são recrutados nas zonas rurais de todo o país e são impedidos de sair das plantações”, assegura Mathieu Pelligrin, pesquisador da ONG local de direitos humanos LICADHO. Também tem havido indícios de trabalho infantil dentro dos campos. De fato, 13 países do mundo empregam mão de obra infantil nas plantações, segundo ima investigação do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.

O dano ambiental

Camboja e Brasil são somente alguns exemplos. 130 países no mundo produzem açúcar, e por todo o planeta se repetem as péssimas condições de trabalho dos jornaleiros e as expropriações forçadas de terras. Além dos efeitos sociais, a cana-de-açúcar implica em devastadoras conseqüências ambientais, desde o desmatamento até o uso intensivo de agrotóxicos – no Brasil, os canaviais absorvem 13% dos pesticidas utilizados no país -, passando pelas tóxicas queimadas da cana. E isso citando apenas o primeiro passo da cadeia produtiva; ao açúcar ainda resta um longo caminho até chegar a nosso café e nossas sobremesas: refinação, transporte, embalagem, distribuição e marketing.

A pergunta é: não há uma maneira menos danosa, ambiental e socialmente, de produzir açúcar? Obviamente sim, mas deixaria menos margens de lucros aos oligarcas produtores e distribuidores. Desde o projeto de consumo responsável Carro de Combate, cremos que a mudança começa com a conscientização sobre o problema, para juntos buscarmos soluções que nos façam o açúcar um pouco menos amargo. Por isso, buscamos financiamento através de uma campanha de micro-apoiadores para realizar uma investigação em profundidade sobre a cadeia produtiva do açúcar, por que o consumo é, cada vez mais, um ato político.

Nazaret Castro é correspondente na América Latina e Laura Villadiego, no Sudeste Asiático. Ambas fundaram o blog sobre consumo responsável Carro de Combate.

El Imperio: tiene (14 años) “secuestrados” a cinco antiterroristas cubanos

Via Cuba Debate

Los Cinco

 

Bartolomé Sancho Morey - Cubainformación.- Organizaciones e Instituciones Internacionales: Como la ONU, Amnistía Internacional, decenas de Gobiernos, Parlamentos, de diferentes signos políticos etc. etc., miles (cada día en aumento) de personalidades de la política, la cultura, el deporte, premios Nobel, etc. etc. en mayor o menor grado han y siguen condenando el juicio celebrado en Miami (paraíso y residencia de la corrupción y la mafia-terrorista mundial, especialmente cubano-americana) contra cinco cubanos acusados de espionaje en contra de EE.UU, de ser arbitrario, totalmente parcializado y los procedimientos judiciales del caso incompatibles con los acuerdos Internacionales suscritos por el mismísimo EE.UU.

Hay que recordar una y mil veces que en el juicio quedo demostrado que eran luchadores antiterroristas infiltrados en organizaciones terroristas cubano-americanas, para de esta y única forma, habida cuenta que las autoridades estadounidenses, en no pocas ocasiones lejos de combatirlas ¡Increíble pero cierto! colaboraban y colaboran con las mismas, evitar actos terroristas en contra del pueblo cubano y salvar miles de vidas. De todo ello hay con lujo de detalles pruebas irrefutables.

De igual forma, es bueno tener presente que el 9 de Agosto del 2007 el Tribunal de Apelaciones de Atlanta, integrado por tres magistrados, con ética profesional, por unanimidad descalificaron el proceso (por primera vez en la historia de EE.UU, una Corte de Apelaciones Federal desautorizaba de tal modo a un jurado, acerca de la sede de un juicio federal) y con él las duras e injustas condenas carcelarias y que además decretaron que se realizara un nuevo proceso en otra ciudad, por considerar que en Miami, se cometieron numerosas violaciones de procedimiento legal, las cuales están incluidas en la apelación de la defensa, como la manipulación de los jurados, testigos y pruebas falsas. Etc. etc.

Cualquier administración, medianamente respetuosa con sus propias leyes (Constitución), ante tal histórica y justa decisión por parte de la Corte de Apelaciones de Atlanta, además de pedirle perdón públicamente a los cinco luchadores antiterroristas por sus más de 7 años, (hoy más de 14) de encarcelamiento injusto, los hubiera puesto inmediatamente en libertad.

Si bien era de esperar y hasta cierto punto lógico-coherente la reacción de la administracion republicana imperante de extrema derecha (fascista) de W. Bush, (el más temido, cobarde y peligroso terrorista de la humanidad), no acatara la decisión del Tribunal de Apelaciones de Atlanta, y que por todos los medios “legales” y gansteriles, presionara para que los cinco siguieran con más ensañamiento, prisioneros y torturados. No olvidemos que el pistolero de Texas, salió elegido presidente gracias a sus dos fraudulentas victorias electorales organizadas y financiadas por la mafia-terrorista-cubano-americana, que más que rehén era su cómplice.

Hoy 7 años, después y de 4 de la administración demócrata, del Sr. Obama, que tanta ilusión y esperanza despertó en su día, a lo largo y ancho del planeta, por eso y no por otra razón fue votado, poco o nada ha cambiado respecto a Cuba y a los cinco antiterroristas cubanos. Se puede afirmar que los cinco héroes siguen “Secuestrados” por obra y gracia de un presidente que, salvo (de él depende) que demuestre lo contrario, pasara a la historia por, además de incumplidor (estafador) de sus principales promesas electorales entre las que destacaban la de impartir justicia, por cobarde y rehén de la mafia-terrorista-cubana-americana, como un hombre mediocre-ambicioso, nacido para ser esclavo.

Sin lugar a dudas los cinco cubanos antiterroristas “secuestrados” por las administraciones de turno del Imperio, en la medida que la opinión pública (en especial estadounidense) internacional, vaya adquiriendo información de tamaña e increible injusticia, al igual que sucedió con Elián, el niño cubano secuestrado en Miami, por esta misma mafia-terrorista, “al margen de ideologías” los cinco héroes cubanos ¡VOLVERAN A LA ISLA!.

¡CUANTO ODIO, MENTIRA E INJUSTICIA!

Correa: “Solución a caso Assange está en manos de Europa”

Via CubaDebate

 

Foto: Presidencia Ecuador.

Foto: Presidencia Ecuador.

El presidente de Ecuador, Rafael Correa, ha dicho que su Gobierno ya ha hecho todo lo que debía para ayudar al fundador de Wikileaks,Julian Assange, y ha advertido de que la solución al encierro del periodista australiano, que se acerca ya a los 200 días, “está en manos de Europa”.

Assange se refugió en junio en la Embajada ecuatoriana de Londres para evitar su extradición a Suecia, donde está siendo investigado por presuntos delitos sexuales. El Gobierno de Ecuador decidió concederle el asilo, pero Assange se arriesga a ser detenido si abandona la legación ya que al entrar en este edificio incumplió la libertad condicional dictada por las autoridades de Reino Unido.

“Toda la solución está en manos de Europa, porque nosotros hemos hecho lo que teníamos que hacer”, ha dicho Correa en una entrevista con periodistas recogida por el diario oficial ‘El Ciudadano’.

El mandatario ecuatoriano ha reclamado al Gobierno de David Cameron que autorice un salvoconducto para que Assange pueda abandonar Reino Unido, pero las autoridades británicas mantienen su intención de cumplir con sus obligaciones y extraditar al fundador de Wikileaks a Suecia.

Según Correa, el asilo concedido a Assange respeta el Derecho Internacional, ya que Ecuador considera que la vida del periodista corre peligro al no existir plena certeza de que no será extraditado posteriormente a Estados Unidos, donde podría ser juzgado por las filtraciones de documentos confidenciales realizadas por Wikileaks.

Correa ha insistido en que si Londres cede y otorga el salvoconducto “mañana se acaba esto”, al igual que se termina si Suecia accede a interrogar a Assange en la Embajada ecuatoriana o por videoconferencia. Además, en su opinión, también se podría dar carpetazo a toda la polémica si salen adelante los recursos presentados en instancias europeas por el abogado de Assange, el exjuez español Baltasar Garzón.

(Con información de Europa Press)

Só é permitido o vômito após a leitura

Sanguessugado do Informação Incorrecta

Alimentação: comida podre e saborosa

 

Ahe? Como é Natal, pronto, todos a comer doces e iguarias, não é?

Vergonha!

Mas "vergonha" por qual razão?

Bom, porque a comida ingerida neste período não é muito saudável mas, sobretudo, porque não temos ideia do que estamos a comer.

Doce morango

Por exemplo: os aromas. Estão presentes em qualquer comida, mas afinal que raio são estes aromas?

Peguem num iogurte. Ou yogurt, tanto faz. Aroma: morango. É bom o morango, não é? Mas como é obtido o aroma de morango?

É obtido assim: juntam-se num recipiente os seguintes produtos:

amil-acetato, amil-butirrato, amil-valerato, anetolo, anisil-formiato, benzil-acetato, benzile-isobutirrato, acido butirrico, cinnamil-isobutirrato, cinnamil-valerato, óleo essencial de conhaque, diacetile, dipropil-chetone, etil-acetato, etil-amilchetone, etil-butirrato, etil-cinnamato, etil-eptanoato, etil-eptilato, etil-iactato, etil-metilfenilglucidato, etil-nitrato, etil-propionato, etil-valerato, eliotropina, idrossifenilP2-butanone (solução 10% em álcool), alfa-ionone, isobutil-antranilato, isobutil-butirrato, óleo essencial de limão, maltolo, 4-metilacetofenone, metil-antranilato, metil-benzoato, metil-cinnamato, carbonato de metil-eptina, metil-naftilchetone, metilsalicilato, óleo essencial de menta, óleo essencial de neroli, nerolina, neril-isobutirrato, manteiga de iris, álcool fenetilico, etere de rum, gamma-undecalattone, vanillina.

Eventualmente pode ser presente um pedacinho de morango também. Mas não muito, pois custa e o risco é estragar a monstruosidade química que acabámos de criar.

Este é o aroma de morango que, como afirmado, podemos encontrar nos yogurtes, mas também nos rebuçados, gomas de mastigar e outros produtos ainda.

Depois vais ao médico e descobres ter um cancro. Esquisito, nem fumas. Terá sido o morango? Nãaaaaaaao, nada disso. As leis são claras neste aspecto: é a quantidade que interessa. Se calhar um litro de idrossifenilP2-butanone pode criar alguns problemas, mas no aroma de morango a quantidade é mínima, está tudo controlado. Aliás, desconfio que se for o caso será possível encontrar um especialista para demonstrar que afinal o idrossifenilP2-butanone tem aspectos positivos. Por exemplo, pode combater os radicais livres, que estando livres são sempre perigosos.

Mas como reagem todos aqueles compostos juntos? Reagem bem na óptica da indústria alimentar, no sentido que permitem poupar dinheiro e não apodrecem tão facilmente. Agora, no organismo o discurso pode ser um pouco diferente, mas isso não tem muita importância. Depois lembrem: é a quantidade que interessa.

Vamos em frente.

Magia: o limão sem limão

Não há apenas os aromas: outro ingrediente sempre presente é o ácido cítrico. Este termo tranquiliza: "cítrico" vem de citrinos, por isso está tudo bem. Ou quase. Porque se for verdade que o ácido cítrico indica o normal sumo de limão, é também verdade que na industria alimentar de limões nem a sombra.

Explica Wikipedia:

Em 1917, o químico americano James Currie descobriu que certos cultivos de Aspergillus niger podiam ser produtores eficientes de ácido cítrico, e a indústria Pfizer começou a produção em escala industrial usando esta técnica anos mais tarde.

Aspergillus niger? Que raio é isso?

É um fungo.

Seguimos o link e vamos ver a página de Wikipedia dedicada ao Aspergillus:

Aspergillus niger é um fungo e é uma das espécies mais comuns do gênero Aspergillus. Ela provoca uma doença chamada mofo-preto em algumas frutas e legumes como uvas, cebolas e amendoim, e é um contaminante comum de alimentos. Ele é onipresente no solo e é comumente relatado em ambientes internos, onde suas colônias pretas podem ser confundidas com as de Stachybotrys (cujas espécies são também chamadas de "bolor-negro").

Tem sido relatado que algumas cepas de A. niger produzem potentes micotoxinas chamadas ocratoxinas, mas outras fontes discordam, alegando que este relatório é baseado em erros de identificação das espécies fúngicas. Evidências recentes sugerem algumas A. verdadeira cepas de A. niger produzem ocratoxina.

Ok, então tentamos perceber: nós engolimos como ácido cítrico um fungo que provoca bolor e é suspeito de conter micotoxinas?

Exacto, isso mesmo. Mas há mais.

A versão italiana de Wikipedia explica que actualmente o ácido cítrico é produzido com o Aspergillus niger transgénico, criado no interior de bio-reactores em ambiente de baixo pH, bombardeado com iones de ferro.

Tudo natural, sem dúvida. Isso significa que todos o produtos com ácido cítrico contêm de facto pelo menos um elemento transgénico. Que como sabemos ajuda a combater os radicais livres.

E agora: vamos falar do aspartame? Não, não vale a pena. O aspartame é toda saúde (podem ler aqui e aqui).

Vamos ver o ácido fosfórico, presente na Coca-Cola e na quase totalidade das bebidas refrigerantes.

Pedras e ferrugem

Do site Medicina Alive:

Beber duas ou mais latas de bebidas com base a cola por dia, normal ou dietéticas, implica o risco duplo de contrair doenças crónicas renais e formar "pedras". Este é o resultado do estudo Carbonated Beverages and Chronic Kidney Disease publicado pela revista Epidemiology.

O estudo não é novo mas não perdeu validade: os pesquisadores pegaram em 932 pessoas da Carolina do Norte e analisaram os hábitos alimentares entre 1980 e 1982. Quem bebia duas ou mais latas de refrigerante por dia cedo ou tarde apresentava problemas renais. Os outros não. Um acaso, sem dúvida.

Todavia os pesquisadores concentraram as atenções num dos ingredientes, o nosso ácido fosfórico. Porque? Porque o dito cujo tem o vício de ligar-se ao cálcio dos ossos, deteriorando-o e aumentando a concentração de cristais e a agregação deles nos rins.

Uma pena, pois o ácido fosfórico tem outras propriedade que dão jeito no nosso organismo: por exemplo converte a ferrugem em fosfato de ferro (FePO4). Na prática: converte os radicais livres.

Baunilha!

Quem não gosta de baunilha?

É boa, a baunilha. Mas é muito cara. E "cara" não rima com indústria alimentar. Por isso muitas vezes é substituída com vanilina.

É boa a vanilina. E nem é cara: é só pegar no guaiacol (obtido com a destilação do alcatrão da faia) e o metanal (H2CO, que é tóxico, inflamável e carcinógeno), mistura-se tudo e pronto, eis o aroma de baunilha.

Como alternativa, é sempre possível utilizar as sobras solfúricas da indústria do papel: estas contêm o ácido ligninsolfonico que, tratado com altas temperaturas, alta pressão, agentes oxidantes e alcalinos, cria vanilina.

Ok, se calhar dito assim a vanilina perdeu um pouco do seu fascínio: mas lembrem que é a quantidade que conta.

...e há mais!

Até aqui alguns dos aromas. Mas nós costumamos engolir muito mais do que isso. Por exemplo, os aditivos alimentares. E neste âmbito o panorama é fantástico; são muitos e fazem todos bem (pois, como sabemos, combatem os radicais livres). Se os Leitores assim desejarem, podemos falar um pouco deste assunto.

Entretanto, uma pergunta que o Leitor já terá feito: "Mas que raio, tenho que ler todos os ingredientes antes de comer alguma coisa?".

Resposta: sim. 

Ipse dixit.

Fontes: Medicina Alive, Wikipedia (várias vozes nas versões portuguesa e italiana).