sábado, 30 de junho de 2012

Mais um petista revoltado com a mentira

Sanguessugado do Terra Brasilis

Aliança com Eduardo Campos: as razões de Jarbas Vaconcelos

DiAfonso

Estou cansado desse modo de se fazer política [Aqui e alhures. Outras plagas.. Brasil afora.]. Mas não posso deixar de dar meu singelo palpite para os que nos querem governar, pedindo votos e levantando bandeiras. Bandeiras que são minhas e de muitos companheiros de estrada. Bandeiras que, ao sabor dos ventos, são rasgadas por aqueles a quem confiamos nosso voto.].

Não sou analista político. Apenas, sou aquele que "vévi" a pensar sobre os lances dos "profissionais" da política brasileira. Cada acordo me deixa em maus lençóis comigo mesmo e com aquilo que defendo por defender o projeto de alguém que defende um projeto que não é só meu, mas de muitos [Deu para enteder?!?!]

Pergunto-me: Como posso permitir que um determinado político incorpore [ao seu bel-prazer... O eleitor que se dane!] um projeto que nunca foi dele? Projeto meu e de meus companheiros de jornada!

É-me difícil aceitar, aqui em Pernambuco, o senador Jarbas Vasconcelos na Frente Popular [?!?!] por tudo que fez e disse contra o governo Lula e contra o próprio governo de Eduardo Campos. Antes disso, pela traição a quem sempre lhe deu votos. Traição ao se emporcalhar com o antigo PFL, hoje DEM, para conquistar o poder. Dirão: Isso é coisa da política. Não é não! Política deve ser feita em benefício do povo e ponto final!

É-me difícil olhar o palanque repleto de Jarba[s] e Eduardo[s] Campos[s] [Outrora inimigos figadais. A política com fígado está muito mais em Jarbas.] a se digladiar com o PT-Pernambuco a fim de tomar a prefeitura da Cidade do Recife.

É-me difícil ver um candidato, em quem votei para o Senado Federal, abdicar de seu papel [papel conferido nas urnas por eleitores que nele confiaram] para se candidatar a prefeito da cidade do Recife, numa encarniçada briga interna com João da Costa [Ele é culpado por tudo isso. Contudo, não é o único. Tenho dito.].

É-me difícil ver Lula apertando a mão de Paulo Maluf [não é um simples aperto de mão, mas uns tempinhos a mais na TV e a derrota do feudo Psdbista].

Indignado estou, apesar de sentir alegria em alijar o PSDB do Governo de São Paulo, em qualquer instância.

E indignado, retiro-me dessa disputa que se avizinha aqui em Pernambuco. Não vou poder reclamar, pois, ao anular meu voto, ficarei impedido de me manifestar como cidadão.

Torço pela vitória de Fernando Haddad em São Paulo, apesar do acordo com Maluf, mas dessa vitória não emitirei um só grito de júbilo [As reblogagens virão louvando tal feito, mas não serão de minha pena, como se dizia.]

Torço pela vitória de Humberto Costa [PT-PE] aqui em Recife, mas ele não terá, de minha parte, uma só postagem a seu favor. Nem ao menos um parabéns pela suposta vitória.

Silencio nesse tabuleiro de farsas e mentiras que, ao final de tudo, estampa no rosto do cidadão que vota: VOCÊ É UM OTÁRIO!

Meu trabalho: dar assessoria a um candidato a vereador que não é de meu campo político, mas que agrega alguns valores que defendo. Se ele cumprirá o que diz, só o tempo dirá... Estou sendo profissional no campo da assessoria parlamentar.

Finalizo dizendo que as razões de Jarbas Vasconcelos, ao se aliar a Eduardo Campos, se resumem a uma: derrotar LULA e o PT. Seja no Oiapoque, seja no Chuí, seja em qualquer lugar desse nosso [?] enorme universo. Jarbas é um senhor que faz política com o fígado. Seu lema é vigança [Ele se dói por não ter sido o Lula do Povo Brasileiro. Arraes seria, sim. Jarbas, nunca!]. Mas, curiosamente, para se vingar de LULA, ele se humilha diante de quem lhe deu uma surra eleitoral no último pleito: o neto de Arraes! Como é a vida...!

Talvez esteja enganado. Talvez não compreenda que, para mudar o Brasil, seja necessário se "acoloiar" com "almas sebosas" da política brasileira. Entretanto não posso deixar de afirmar que precisamos acabar com essa ideia de que, para se preservar a governabilidade [não é o caso de Pernambuco], é imprescindível se aliar a tais e quais.

Em tempo: acabei de receber ligações de companheiros meus, pedindo-me para refletir um pouco. Sobretudo porque o vice de Humberto foi anunciado: é João Paulo. E, aí,com João Paulo, a história é outra. Eduardo não vai levar a prefeitura da Cidade do Recfe de mão beijada.

Minha reflexão continua a mesma, em que pese os telefonemas de amigos meus. João Paulo dará musculatura ao pleito, sem dúvida. Todavia, eu votei em João Paulo para deputado federal e não para prefeito [chega dessa falácia de "missão partidária"!]. Se é que me entendem! Temos que acabar com isso. Caciques não podem cercear a eclosão de novas lideranças.

O valor da vida. Uma entrevista rara de Freud.

Sanguessugado do Formação Freudiana via facebook de Rita Almeida

Tradução de Paulo Cesar Souza – 20 de abril de 2010

Fonte:  http://www.espacopsicanalitico.com.br/Freudentrevista.htm

Entre as preciosidades encontradas na biblioteca da Sociedade Sigmund Freud está essa entrevista. Foi concedida ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. Deve ter sido publicada na imprensa americana da época. Acreditava-se que estivesse perdida, quando o Boletim da Sigmund Freud Haus publicou uma versão condensada, em 1976. Na verdade, o texto integral havia sido publicado no volume Psychoanalysis and the Fut número especial do “Journal of Psychology”, de Nova Iorque, em 1957. É esse texto que aqui reproduzimos, provavelmente pela primeira vez em português.

Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.

Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos.

Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucos anos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na sua fronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa, como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou.

Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação.

S. Freud: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção.

Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos.

Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial.

- Por quê – disse calmamente – deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com sua agruras chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas – a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr do sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?

George Sylvester Viereck: O senhor teve a fama, disse que Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo – com exceção da sua própria Universidade.

S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais.

A fama chega apenas quando morremos, e francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não e virtude.

George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?

S. Freud: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não e certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna.

Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia.

S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto.

George Sylvester Viereck: Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?

S. Freud: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.

George Sylvester Viereck: O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?

S. Freud: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem construir uma exceção?

George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?

S. Freud: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás de conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar a vida, movendo-se num círculo, seria ainda a mesma.

Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro.

Pelo que me toca estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.

George Sylvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco, disse eu. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.

- É possível, respondeu Freud, que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer.

Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição.

Do mesmo modo com um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós.

A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: Além do Princípio do Prazer.

No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante.

Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da “febre chamada viver”, anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.

Isto, exclamei, é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartamann.

S.Freud: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais forte.

Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a Morte, não fosse por seu aliado dentro de nós.

Neste sentido acrescentou Freud com um sorriso, pode ser justificado dizer que toda a morte é suicídio disfarçado.

Estava ficando frio no jardim.

Prosseguimos a conversa no gabinete.

Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud.

George Sylvester Viereck: Em que o senhor está trabalhando?

S. Freud: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopoliza-la.

George Sylvester Viereck: O senhor teve muito apoio dos leigos?

S. Freud: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.

George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?

S. Freud: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente.

Minha filha também é psicanalista, como você vê…

Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxonicas.

George Sylvester Viereck: O senhor já analisou a si mesmo?

S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros.

O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.

George Sylvester Viereck: Minha impressão, observei, é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristão. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos fazer compreender. “Tout comprec’est tout pardonner”.

Pelo contrário! – bravejou Freud, suas feições assumindo a severidade de um profeta hebreu. Compreender tudo não é perdoar tudo. A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não e de maneira alguma um corolário do conhecimento.

Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado, por que ele não perdoa a sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Una herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça.

Minha língua, ele me explicou, é o alemão. Minha cultura, mina realização é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu.

Fiquei algo desapontado com esta observação.

Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira, tornava o mais atraente como ser humano.

Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!,

Fico contente, Herr Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!

Nossos complexos, replicou Freud, são a fonte de nossa fraqueza; mas com freqüência são também a fonte de nossa força.

Justiça do “crioulo doido”*

Via Carta Capital

Wálter Maierovitch

Mãos desnorteadas

Começo com um ditado popular: “Quando a mão direita desconhece o que está a fazer a mão esquerda, ou vice-versa, os comportamentos incoerentes vêm à tona”. E, a se acrescentar, causam desprestígios e espantos. Esse ditado italiano espalhou-se pelo Brasil por tradição oral e o incorporei no bairro operário paulistano do Bom Retiro, onde nasci, fui criado e, para a elite paulistana, era, como Fanganiello, apenas um “italianinho carcamano”. A esse bullying da época respondia com um sonoro vaffaculo.

Com efeito e sobre incoerências, em São Paulo, o órgão de governo do Tribunal de Justiça (TJ-SP) suspendeu cautelarmente a atividade jurisdicional do desembargador Alceu Penteado Navarro. Assim, Navarro, no âmbito da competência jurisdicional estadual, não pode julgar nada. Na federal Justiça Eleitoral, no entanto, e por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o mesmo Navarro tem jurisdição e poderá continuar a presidir o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). Resumindo, o desembargador Navarro vai comandar as próximas eleições municipais, deferir registros de candidatos, aprovar contas de partidos políticos, julgar recursos, diplomar o prefeito e os vereadores da capital e quejandos.

O motivo do afastamento cautelar deveu-se ao fato de Navarro, como presidente de uma comissão financeira ad hoc do TJ-SP, ter privilegiado, com aval do então chefe do Poder Judiciário estadual, pagamentos integrais de créditos trabalhistas a alguns magistrados. Antes desse grotesco episódio, já apelidado de “fura-fila”, Navarro era um exemplo de magistrado, muito considerado pelos seus pares e antigos colegas.

Navarro e o último presidente do TJ-SP a se aposentar receberam, respectivamente, boladas de 600 mil e 1 milhão de reais. As justificativas apresentadas por Navarro, como doença em família e compra de medicamentos, não foram acolhidas pela Corte paulista.

Por evidente, a Constituição da República acabou esquecida no que toca aos princípios básicos da igualdade, impessoalidade e probidade administrativa. Mas isso não contou para o TSE, que silenciou a respeito das imprecações e confirmou Navarro na presidência do TRE-SP.

Ainda mais, o TSE cassou a decisão do TJ-SP de afastamento de Navarro também das funções eleitorais. Trocando em miúdos, Navarro, um servidor público, está impedido de servir à Justiça estadual comum, mas poderá continuar a atuar como servidor da Justiça eleitoral, que é federal.

Quanto à Justiça estadual do Rio de Janeiro, o desembargador Luiz Zveiter, que responde a “cabeludo” processo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi escolhido pelos seus pares, e sem prejuízo da jurisdição estadual, para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).

Zveiter notabilizou-se, dentre inúmeros feitos e sem excluir a ofensa à Lei Orgânica da Magistratura quando assumiu a presidência da Comissão de Arbitragens da Confederação Brasileira de Futebol na gestão de Ricardo Teixeira, por indeferir pedido de escolta formulado pela juíza Patrícia Acioli. Como previa e transmitiu por escrito a Zveiter, essa juíza da violenta São Gonçalo acabou executada à bala por organização criminosa composta de policiais militares da área da sua jurisdição.

No momento, Zveiter responde a uma representação formulada junto à corregedoria do TSE e o reclamante sustenta favorecimentos que o impossibilitariam, pela falta de imparcialidade, de continuar na presidência do TRE-RJ.

A representação repete fatos que geraram a abertura de processo disciplinar no CNJ, cuja atividade apuratória tinha sido, no começo do ano, suspensa por liminar da lavra do ministro Marco Aurélio e já cassada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). O mérito da questão sobre a competência do CNJ ainda está em aberto.

Por outro lado, os juristas convocados pelo presidente do Senado acabaram de concluir um necessário anteprojeto de reforma do nosso vetusto Código Penal. Esse anteprojeto será apreciado pelo deputado Paulo Maluf, que também integra a Comissão de Constituição e Justiça. O deputado Maluf é considerado criminoso internacional e, se deixar o Brasil, será preso por mandado de captura expedido pela Interpol.

Os ministros do STF, ausente Ricardo Lewandowski, elaboraram um calendário especial para julgar o processo criminal conhecido por mensalão. Já se fala que haverá tempo, depois do relator e do revisor, de o ministro Cezar Peluso antecipar o seu voto em face de cair aposentadoria compulsória em 3 de setembro.

Nos Estados Democráticos de Direito e em colegiados, o julgador, até o final do julgamento e em face dos argumentos e motivações apresentados pelos demais, pode mudar o seu voto. Com Peluso a se antecipar e não estar em função quando dos votos dos demais ministros, vicia-se o julgamento.

Em nome de injustificável apressamento, compromete-se o julgamento justo. Aí a mão direita, que cumpre agenda, não percebe que a mão esquerda persegue a verdade real, com observância de formalidades essenciais.

*Samba do Crioulo Doido

Samba do Crioulo Doido

Stanislaw Ponte Preta ou Sérgio Porto

Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes

Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá iá
O bode que deu vou te contar

Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta

Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão
E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Da. Leopoldina virou trem
E D. Pedro é uma estação também

O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou

Aliados criticam indefinição sobre fim do fator previdenciário

Via Sul 21

Fator previdenciário foi criado em 1999 durante o governo FHC | Foto: Victor Soares/MPS

Samir Oliveira

Depois de votar o novo Código Florestal e a PEC do Trabalho Escravo, o Congresso Nacional está prestes a legislar sobre outro tema polêmico: o fim do fator previdenciário. O projeto de lei (PL) 3299/08, do senador Paulo Paim (PT-RS), já foi colocado na pauta em regime de urgência pelo presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS).

Só que o governo federal não aceita a proposta do senador gaúcho, que extingue totalmente o fator previdenciário. Por isso, a base aliada trabalha para viabilizar a emenda do deputado federal licenciado Pepe Vargas (PT-RS), que hoje é ministro do Desenvolvimento Agrário. Pela medida, o fator previdenciário fica mantido, mas é criado um novo mecanismo que considera o tempo de contribuição à Previdência e a idade do trabalhador. Se essa soma for igual a 85 anos para mulheres ou 95 para homens, a pessoa tem direito a receber a aposentadoria integral.

Nesta quarta-feira (27), os líderes da base aliada se reuniram com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho (PMDB), e das Relações Institucionais, Ideli Salvati (PT). Os parlamentares apresentaram ao Palácio do Planalto a coesão que há em torno da chamada Regra 85/95. Um dos argumentos utilizados para dirimir as resistências no governo é o de que a proposta passou por um amplo acordo entre empresários e centrais sindicais na Câmara de Negociação e Desenvolvimento Econômico e Social.

Mesmo assim, o governo federal optou por adiar a votação do projeto e agendou uma nova reunião com os aliados, que ocorrerá no dia 10 de julho. O líder dos governistas na Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que o Planalto já negociou com as centrais sindicais e agora precisa “discutir com a sua própria base”.

Nos bastidores, políticos com trânsito no governo dizem que há franca oposição da área econômica, comandada pelo Ministério da Fazenda, à proposta. Dados do Ministério da Previdência Social demonstram que, de janeiro a abril deste ano, a arrecadação da Previdência foi de R$ 82,9 milhões e as despesas na concessão dos direitos sociais foram de R$ 98,2 milhões.

“É a lei mais perversa do país desde a instituição da escravatura”, dispara Paulo Paim

O fator previdenciário foi criado pela lei 9.876/99, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para fazer com que o trabalhador se aposentasse mais tarde e, consequentemente, permanecesse mais tempo contribuindo para a Previdência. O mecanismo relaciona a alíquota de contribuição à idade do trabalhador, ao tempo de serviço e à expectativa de sobrevida que ele ainda terá a partir do momento em que se aposenta – que tem como base a tábua completa de mortalidade construída pelo IBGE. Na prática, quanto menor for a idade do aposentado, menos ele receberá.

Paim critica demora do governo em apoiar as mudanças no fator previdenciário | Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

A falta de disposição do governo federal em votar mudanças no fator previdenciário – como a Regra 85/95 – irritou parlamentares aliados. O senador Paulo Paim, um dos principais defensores do fim do fator previdenciário, diz que estão “empurrando com a barriga” . “O projeto está tramitando há cinco anos e não votam”, critica.

Para o petista, o fator previdenciário é uma das piores leis brasileiras. “É a lei mais perversa do país desde a instituição da escravatura”, dispara.

Outro parlamentar irritado com a lentidão do governo é o deputado federal Assis Melo (PCdoB-RS). Ele participou da reunião dos aliados com o Palácio do Planalto na quarta-feira e saiu distribuindo críticas. “A manobra do governo frustra a expectativa dos trabalhadores ao jogar a votação do fator previdenciário para agosto. Sabemos que no segundo semestre existe diminuição do ritmo do parlamento, tendo em vista as eleições municipais. Ou seja, este debate volta apenas em 2013, se houver muita pressão dos trabalhadores”, disse o comunista em nota divulgada à imprensa.

O deputado avalia que o consenso obtido entre centrais sindicais e empresários é o bastante para evitar que a presidente Dilma Rousseff (PT) vete as mudanças no fator previdenciário, assim como fez o ex-presidente Lula (PT) em 2010. Um relatório divulgado pela Câmara dos Deputados mostra que, nos últimos quatro anos, mais de 44 mil pessoas entraram em contato com o Legislativo federal para comentar o tema. Desse montante, 99,32% pediram o fim do fator previdenciário.

“O fator previdenciário falhou sob todas as perspectivas”, diz presidente do IBDP

A presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Berwanger, observa que o fator previdenciário não foi uma medida eficaz nem para o governo, nem para os trabalhadores. “Não deu certo sob nenhuma das perspectivas. A intenção do governo era que as pessoas esperassem mais para se aposentar e tivessem mais tempo de contribuição. Mas isso não representou um acréscimo muito grande de recursos”, comenta a advogada.

Jane Berwanger acredita que mudanças precisam ser votadas em breve | Foto: Arquivo Pessoal

Ela diz que os trabalhadores sentem na pele os prejuízos causados pela aplicação do cálculo do fator previdenciário nas aposentadorias. “Para o aposentado, representa uma redução de até 50% na média das contribuições”, explica.

Jane considera boa a Regra 85/95 e acredita que se ela não for votada na Câmara dos Deputados em breve, ficará engavetada até 2013. “Se essa votação não acontecer nos próximos 15 dias, não acontece mais neste ano, pois estamos num momento político que envolve o julgamento do mensalão e as eleições municipais”, opina.

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“Cada criança palestina um terrorista em potencial”


Sanguessugado do Olhar o Mundo




Uma delegação de 9 eminentes advogados ingleses, liderados por sir Stephen Sadley, ex juiz do mais alto tribunal, concluiu que fatos indiscutíveis demonstravam que Israel violava pelo menos 6 vezes a convenção da ONU sobre os direitos das crianças.

Além disso, o grupo, que incluía a ex procuradora-geral do Reino Unido, lady Scotland, verificou o desrespeito da quarta Convenção de Genebra na transferência de crianças palestinas presas da Margem Oeste para Israel.

Essas conclusões constam do relatório “Crianças sob Custódia Militar” baseado em observações colhidas em visita a Israel e à Margem Oeste no mês de setembro.

O relatório compara o sistema de justiça militar na Margem Oeste com o sistema de justiça civil em Israel. As diferenças entre o tratamento dado às crianças palestinas e as israelenses são chocantes.

Enquanto as crianças israelenses presas são levadas a um juiz num prazo de até 48 horas, o prazo das palestinas é de 8 dias.

48 horas depois de serem presas as crianças de Israel já podem receber seu advogado. Já as palestinas tem de esperar 90 dias.

Tempo para ficarem presas sem acusação: 40 dias para as crianças israelenses e 188 dias para as palestinas.

A idade mínima para as crianças israelenses serem condenadas à prisão é 14 anos. Já as crianças palestinas podem ser condenadas à prisão desde os 12 anos.

Existe uma evidente discriminação. Particularmente triste por ser imposta por um povo que foi discriminado na Europa durante séculos.

Os advogados ingleses se reuniram com autoridades do governo de Israel, advogados, ONGs e membros de agências da ONU. Entrevistaram grande número de ex prisioneiros infantis e soldados. Visitaram tribunais militares e a prisão de Ofer, perto de Jerusalem, que costuma abrigar crianças presas.

O relatório revela que as crianças palestinas eram presas pelos soldados em casa, durante a noite. Com os olhos vendados e os pulsos amarrados eram, então, transportadas de rosto no chão do veículo militar para um centro de interrogatórios.

A maioria delas sofriam agressões físicas e/ou verbais e não eram informadas de seus direitos a um advogado e de não responder perrguntas.

Ás vezes, eram confinadas em solitárias e obrigadas a assinar declarações em hebraico, que elas não entendiam.

Uma vez em custódia, as crianças tinham acesso limitado à educação e acesso extremamente restrito às famílias.

Segundo o relatório: “Cada ano centenas de crianças palestinas ficam traumatizadas, às vezes irreversivelmente… e vivem sob risco constante de punições mais rudes no caso de voltarem a serem presas.”

Manter uma criança confinada em solitária por longos períodos de tempo é considerado tortura pela Convenção dos Direitos da Criança da ONU, da qual Israel é signatário.

Os advogados ingleses ingressaram na ONU contra Israel por estar cometendo este delito.

Um desses advogados, Marianna Hildyard, declarou ao jornal inglês The Guardian:”Israel afirma que é um estado comprometido com a lei e os princípios internacionais. Para dar autenticidade a esta afirmação precisa oferecer a todas crianças palestinas um suporte legal de acordo com a Convenção dos direitos da criança e a lei internacional. Medidas urgentes precisam ser tomadas para eliminar o abismo entre o tratamento das crianças israelenses e das palestinas.”

O relatório “Crianças sob Custódia Militar” conclui fazendo 40 recomendações para que seja alterado radicalmente o tratamento dado às crianças palestinas por Israel.

Reportando-se a um recente relatório sobre esta questão da ONG “Salve as Crianças”, o advogado Greg Davies que o redigiu declarou ao site RT : “Quando se pensa no trauma causado por ser preso no meio da noite e jogado numa prisão, sem ninguém saber onde você está, seria muito difícil para uma criança não sofrer danos psicológicos.”

Davies contou que, embora os membros da sua ONG tenham ficado num tribunal apenas algumas horas, eles assistiram à chegada de uma criança palestina acorrentada pelos pés. “O surpreendente é que eles (as autoridades israelenses) sabiam que nós estaríamos lá naquele dia.”

Aparentemente os israelenses acham legítimo o modo brutal com que tratam as crianças palestinas.

Como um procurador militar de Israel observou ao grupo de advogados: ”Cada criança palestina é um terrorista potencial.”

Era mais ou menos o que os nazistas alegavam quando criticados por eliminar crianças judaicas em lugares como Dachau ou Auschwitz.

A carta venezuelana no Mercosul

Sanguessugado do Cultura,  Esporte e Política

Martín Granovsky

Página/12

Os membros plenos do Mercosul definiram algo que os presidentes do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai já tinham resolvido: fixaram uma data para a incorporação da Venezuela ao Mercosul como o quinto membro do grupo com todos os direitos e obrigações. A diferença é que, desta vez, o Paraguai não participou da decisão porque, justamente, teve suspensa parte de seus direitos e obrigações. Até então, o Senado paraguaio vinha freando a integração de Caracas. Era a única das oito câmaras legislativas dos quatro membros plenos que se opunha à ratificação do acordo firmado pela presidência. Mas a decisão de agregar a Venezuela excede em muito a crise paraguaia.

Os dois maiores países da região, Brasil e Argentina, conceberam a entrada venezuelana durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner. Trata-se da terceira economia da América do Sul, fecha um bloco que articula o extremo sul com o extremo norte do continente, contribui para a solidez energética por seu caráter de membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo e não apresenta obstáculos comerciais porque não tem firmado nenhum tratado de livre comércio com terceiros países, como é o caso de Colômbia e Peru, entre outros, com os Estados Unidos.

A data escolhida, 31 de julho, já em plena presidência pro tempore do Brasil no Mercosul, terá incidência política. A Venezuela adiantou dois meses as eleições presidenciais programadas inicialmente para dezembro e as realizará em outubro, ou seja, menos de três meses depois de sua entrada como membro pleno do Mercosul. Será difícil para a oposição venezuelana construir parte de sua campanha eleitoral querendo atribuir a Hugo Chávez uma política de isolamento internacional.

A proximidade entre o 31 de julho e as eleições de outubro fortalece Chávez politicamente. Mais ainda: em função do câncer, Chávez precisa realizar demonstrações de poder o mais perto possível das eleições. E um encontro internacional no Rio de Janeiro, com Dilma Rousseff como anfitriã, pode funcionar como um modo mais de construção política regional para o atual presidente venezuelano. Não é que isso defina as eleições. Como ficou demonstrado, se ainda fosse preciso fazê-lo, pela crise paraguaia, as intervenções políticas externas podem ser preventivas ou dissuasivas só como acréscimo de uma realidade interna. O que manda é esta. Isso acaba de ser confirmado também pela solução da sublevação policial boliviana. Evo Morales, com poder político, decisão, apoio parlamentar e construção própria pode encontrar uma solução e negociar o fim do conflito. Para Fernando Lugo, em troca, foi impossível frear a última tentativa de julgamento político e ele acabou destituído.

Uma teoria sobre a Venezuela é que Brasil e Argentina exercem tutela sobre Chávez, uma espécie de irmão menor desvairado que precisa do controle dos mais velhos. É certo que nenhum desses países tem simpatia, por exemplo, com os contatos da Venezuela com o regime iraniano. Mas nem Buenos Aires nem Brasília podem se intrometer nos assuntos internos da Venezuela. Também é certo, ao mesmo tempo, que a integração gera laços capazes de mediar atitudes. Uma Venezuela mais conectada física, econômica e politicamente ao resto da América do Sul pode fazer com que seu governo pense mais antes de tomar certas decisões. De fato, esse tipo de assunto costuma fazer parte das conversas íntimas e sinceras entre os presidentes. Antes, com Lula e Kirchner. Agora, com Dilma e Cristina.

Um papel chave será desempenhado por Alí Rodriguez, várias vezes ministro de Chávez, ex-secretário da OPEP e novo secretário da União Sulamericana de Nações, sucedendo um instável mandato da colombiana María Emma Mejía. Rodríguez disse ao jornal Página/12 que a América do Sul deve se unir em defesa de seus recursos naturais e em busca de maior desenvolvimento e de níveis mais amplos de justiça. Ele está sendo assessorado na Unasul pelo argentino Rafael Follonier, que cumpriu as mesmas funções quando Kirchner mediou o conflito entre Colômbia e Venezuela, evitando uma guerra em 2010, e que mantém seu status de secretário de Estado na Casa do Governo argentino.

A América do Sul, pelo que se vê, ainda tem cartas para jogar em meio ao furacão da economia mundial. Tantas que sequer a deposição ilegal de Lugo e sua substituição por Federico Franco foram capazes de arruinar o jogo.

Iraq, Libia, Siria: no tenemos derecho a creernos Dios

Via Rebelión

El mal de las guerras humanitarias

Jonathan Cook

Information Clearing House

Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens

En una película tradicional de vaqueros, sabemos qué hacer: buscamos al sujeto que lleva el sombrero blanco para saber a quién aplaudir, y al que lleva el sombrero negro para saber quién merece morir, de preferencia horriblemente, antes de que empiecen a mostrar los créditos. Si Hollywood aprendió temprano a abusar de esas emociones tribales, ¿dudamos de que los autores de los guiones políticos en Washington sean menos sofisticados?

Desde el 11-S, EE.UU. y sus aliados de  Europa nos han persuadido de que libran una serie de guerras “de sombrero blanco” contra regímenes de “sombrero negro” en Medio Oriente. Cada una nos ha sido presentada engañosamente como una “intervención humanitaria”. El ciclo de ese tipo de guerras todavía está lejos de llegar a su fin.

Pero durante el curso de la última década, la presentación de esas guerras tuvo que cambiar. Como lo comprende bien Hollywood, los espectadores se cansan rápidamente del mismo argumento fingido.

Dejando a un lado las declaraciones del primer ministro israelí Binyamin Netanyahu, hay un límite para las veces en las que se nos pueda convencer de que hay un nuevo Hitler en Medio Oriente y de que se acerca rápidamente el momento en el cual ese maligno cerebro logre desarrollar un arma apocalíptica para eliminar a Israel, EE.UU. o tal vez el planeta.

En el Hollywood de los años cincuenta, la solución para el aburrimiento del público era simple: A la hora señalada [Solo ante el peligro en España] puso un sombrero negro al noble sheriff, Gary Cooper y uno blanco al malvado pistolero. Ofreció un barniz de complejidad, pero en realidad la misma fórmula del bueno y el malo siguió las líneas familiares.

Si Washington necesitó una nueva trama después de las invasiones de Iraq y Afganistán, no tuvo que trabajar demasiado para encontrar una. Le ayudaron los rápidos cambios que estaban ocurriendo en el entorno político de Medio Oriente: la denominada Primavera Árabe. Washington no puede haber pasado por alto las vicisitudes emocionalmente gratas presentadas por el despertar de fuerzas populares contra la mano amortiguadora de regímenes autocráticos, muchos de ellos instalados hace décadas por Occidente.

La realidad, claro está, es que EE.UU. y sus aliados tienen los mismos planes que antes de la Primavera Árabe: es decir, que tratan de preservar sus intereses geopolíticos. Al respecto, tratan de contener y revertir peligrosas manifestaciones del despertar, especialmente en Egipto, el más populoso e influyente de los Estados árabes, y en el Golfo, nuestro oleoducto de las reservas más abundantes de petróleo del mundo.

Pero para Washington, la Primavera Árabe planteó oportunidades así como amenazas, y estas últimas están siendo explotadas en gran medida.

Afganistán e Iraq siguieron un modelo de “intervención” que ahora ha sido ampliamente desacreditado y que probablemente ya no es viable para Occidente enfrentado a la decadencia económica. Ya no es fácil convencer a los públicos occidentales de que nuestros ejércitos deberían invadir, ocupar y “asegurar” por sí solos Estados de Medio Oriente, especialmente en vista de lo mal agradecidos que han resultado ser los objetos de nuestra generosidad.

Las guerras humanitarias podrían haber caído en saco roto si la Primavera Árabe no hubiera abierto nuevas posibilidades de “intervención”.

El despertar árabe creó una nueva dinámica en Medio Oriente que se opuso a la dominación de las elites militares y políticas tradicionales: fuerzas democráticas e islamistas fueron alentadas por una nueva confianza; elites empresariales vieron oportunidades económicas interiores mediante la colaboración con Occidente; y grupos étnicos, religiosos y tribales oprimidos vieron una posibilidad de saldar viejas cuentas.

No es sorprendente que Washington haya mostrado más interés en cultivar a los últimos dos grupos que al primero.

En Libia, EE.UU. y sus aliados de la OTAN se sacaron el sombrero blanco y se lo entregaron a los denominados rebeldes, incluyendo sobre todo a tribus caídas en desgracia con Gadafi. Occidente asumió un papel visible, especialmente en sus bombardeos, pero se aseguró de que los protagonistas locales fueran presentados como los conductores. Occidente se mostró muy satisfecho con un rol menor: apoyar a los ‘buenos’.

Después de que el paria libio, Muamar Gadafi, fue asesinado por los rebeldes el año pasado, presentaron los créditos. La película había terminado para los públicos occidentales. Pero para los libios comenzó una nueva cinta, en un lenguaje extraño para nosotros y sin subtítulos. La limitada información que se ha filtrado desde entonces sugiere que Libia está sumida en la ilegalidad, nada mejor que los páramos políticos que hemos creado en Iraq y Afganistán. Cientos de milicias regionales dominan el país, extorsionando, torturando y asesinando a los que se les oponen.

Pocos pueden dudar de que el próximo en la lista de Occidente sea Siria. Y esta vez, los guionistas de Washington parecen creer que la tarea de convertir un Estado en funcionamiento, aunque altamente represivo, en un caso perdido, puede ser lograda sin que la mano de Occidente sea visible en absoluto. Esta vez el sombrero blanco ha sido asignado a nuestros aliados, Arabia Saudí y los Estados del Golfo, quienes, según los últimos informes, están avivando una incipiente guerra civil no solo al armar a algunos de los rebeldes sino también al prepararse a pagarles salarios, en petrodólares.

La importancia para los gobiernos occidentales de desarrollar narrativas más “complejas” de la intervención ha sido impulsada por la necesidad de debilitar la oposición interior a las continuas guerras en Medio Oriente. La impresión de que estas guerras están siendo inspiradas y dirigidas exclusivamente desde el “interior”, aunque sea por una oposición heterogénea cuya composición sigue siendo tenebrosa para los extraños, agrega un grado de legitimidad adicional; y adicionalmente, sugiere a los públicos occidentales que el coste en dinero y víctimas no será soportado por nosotros.

En tanto que hubo un amplio consenso a favor del ataque a Afganistán, la opinión occidental se dividió, especialmente en Europa, sobre el problema de invadir Iraq de la misma manera. En el mundo posterior al 11-S, el malvado de Afganistán, Osama bin Laden, parecía una amenaza más verosímil para los intereses occidentales que Sadam Hussein. Los críticos de la Operación Conmoción y Pavor han demostrado estruendosamente que tenían razón.

Los despertares árabes, sin embargo, suministraron una trama diferente para una subsiguiente intervención occidental, del tipo que Washington había tratado débilmente de utilizar también en Iraq, después de que no pudo encontrar las armas de destrucción masiva de Sadam. Ya no se trataba de encontrar a una persona o un arma apocalíptica, sino de una misión civilizadora para llevar la democracia a los pueblos oprimidos.

En la era antes de la Primavera Árabe, existía el peligro de que esto se interpretara como otro ardid para promover intereses occidentales. Pero después pareció mucho más plausible. Importaba poco si los protagonistas locales eran elementos democráticos que buscaban una nueva política o grupos étnicos en querellas que buscaban el control de la antigua política para sus propios objetivos de venganza. El objetico de Occidente era apropiarse de ellos, quisieran o no, para la nueva narrativa.

Esta acción erosionó efectivamente la oposición popular a la próxima guerra humanitaria, en Libia, y parece que ya está logrando el mismo fin en Siria.

Por cierto, ha debilitado fatalmente el disenso efectivo de la izquierda, que ha reñido y se ha dividido respecto en cada una de estas guerras humanitarias. Una serie de importantes intelectuales de izquierdas se alineó con el proyecto de derrocar a Gadafi, y más de ellos ya aplauden la misma suerte frente a Basher el-Asad de Siria. Ahora queda solo un resto de opinión crítica de izquierdas que se mantiene firme en su oposición a otro intento de Occidente de crear una implosión de un Estado árabe.

Si se tratara simplemente de una película de vaqueros, nada de esto tendría más que un interés incidental. Gadafi fue y paria y Asad es otro. Pero la política internacional es mucho más compleja que un guión de Hollywood, lo que debería ser obvio si nos detenemos un momento a reflexionar sobre el tipo de sheriffs que hemos elegido y reelegido en Occidente. George Bush, Tony Blair y Barack Obama tienen probablemente más sangre en sus manos que cualquier autócrata árabe.

Muchos en la izquierda tienen dificultades para analizar el nuevo Medio Oriente con algo que se aproxime a la sofisticación de los planificadores militares de Washington. Esta falla deriva en gran parte de su disposición a permitir que los mercaderes de la guerra confundan los temas significativos –sobre los regímenes, los grupos opositores y la cobertura mediática– relacionados con cada “intervención humanitaria”.

Sí, los regímenes seleccionados para ser destruidos son uniformemente brutales y desagradables para su propio pueblo. Sí, la naturaleza de su régimen debe ser denunciada. Sí, al mundo le iría mejor sin ellos. Pero eso no justifica que Occidente libre guerras contra ellos, por lo menos no mientras el mundo siga configurado del modo actual entre naciones Estado en competencia y egoístas.

Casi todos los Estados de Medio Oriente tienen espantosos antecedentes de derechos humanos, algunos de ellos con características aún menos compensatorias que la Libia de Gadafi o la Siria de Asad. Pero esos Estados, como Arabia Saudí, son cercanos aliados de Occidente. Solo los incurablemente ingenuos o deshonestos arguyen que los Estados a los que ha apuntado Occidente han sido escogidos en beneficio de sus sufridos ciudadanos. Más bien, han sido elegidos porque son vistos como implacablemente opuestos a los intereses estadounidenses e israelíes en la región.

Incluso en el caso de Libia, donde la amenaza de Gadafi a Occidente estaba lejos de estar clara para muchos observadores, los intereses geopolíticos occidentales fueron, en los hechos, el factor dominante. Dan Glazebrook, periodista especializado en política exterior occidental, ha señalado que poco antes de que Occidente volviera su mirada hacia Libia, Gadafi había comenzado a solidificar la oposición africana a Africom, el comando para África establecido por los militares de EE.UU. en 2008.

El papel de Africom es organizar y dirigir tropas africanas de combate con el fin de asegurar, en boca de un vicealmirante estadounidense: “el libre flujo de recursos naturales de África al mercado mundial”. Al derrocar a Gadafi, Africom eliminó al principal desafío a su plan y puso en efecto su declaración de intenciones: ni un solo soldado estadounidense o europeo murió en la operación de derribo de Gadafi.

La tarea de destacar la hipocresía en el centro de la agenda intervencionista no debería descartarse como una simple recriminación mutua basada en hechos del pasado. La mendacidad occidental debilita fatalmente la justificación de una intervención, despojándola de toda apariencia de legitimidad. También asegura que los que son nuestros aliados en esas aventuras militares, com Arabia Saudí, son los que terminarán por conformar los regímenes que emerjan de los escombros.

Y también es un hecho que los pueblos del mundo árabe tienen derecho a vivir en libertad y con dignidad. Tienen derecho a levantarse contra sus dictadores. Tienen derecho a nuestro apoyo moral, a nuestros consejos y a nuestros mejores esfuerzos para utilizar la diplomacia a favor de su causa. Pero no tienen derecho a esperar que vayamos a la guerra por su cuenta, que los armemos o que derribemos a los gobiernos por su cuenta.

Este principio debe mantenerse porque, tal como está configurado actualmente el mundo, la intervención humanitaria no garantiza un nuevo orden mundial sino más bien la ley de la selva. Incluso si se pudiera confiar en Occidente para librar guerras justas, en lugar de las realizadas para promover los intereses de sus elites, ¿cómo podríamos llegar a adivinar qué acción es necesaria para lograr un resultado justo, tanto más en las sociedades aún profundamente divididas de Medio Oriente?

¿Está más seguro el libio promedio porque pulverizamos su país con bombas, porque aplastamos sus instituciones, buenas y malas por igual, porque lo dejamos política y socialmente a la deriva y porque entregamos armas y poder a grupos tribales para que pudieran vengarse de sus predecesores? Es dudoso. Pero incluso si la respuesta no es clara, ante la ausencia de certeza debemos seguir la máxima médica: “Primero, no hagas daño”.

Es el colmo de la arrogancia –no, más bien un complejo de Dios– estar tan seguros como algunos de nuestros políticos y expertos de que merecemos la gratitud de los iraquíes por derrocar a Sadam Hussein al precio probable de más de un millón de vidas iraquíes y de millones de personas más que fueron obligadas al exilio.

Es imposible imponer a las sociedades la democracia desde afuera, como si fuera un ítem que pueda pedirse del menú de un almuerzo. Las democracias occidentales, por imperfectas que sean, se lograron a gran precio por las luchas centenarias de sus pueblos, incluyendo terribles guerras. Cada Estado desarrolló sus propios sistemas de limitaciones y chequeos para encarar las singulares condiciones políticas, sociales y económicas prevalecientes en su caso. Esas libertades, duramente conseguidas, están constantemente amenazadas, entre otros por las mismas elites políticas y económicas que hacen campaña con tanta virulencia para llevar a cabo intervenciones humanitarias en el extranjero.

La realidad es que las libertades no son otorgadas por benefactores exteriores; los pueblos tienen que luchar y conquistarlas. Ninguna sociedad moderna logró la democracia si no fue mediante una lucha gradual y dolorosa, en la que se aprendieron lecciones, a menudo mediante errores, en la que reveses y contratiempos fueron numerosos y en la cual éxitos duraderos se lograron mediante la comprensión de todas las partes de que la legitimidad no se puede conseguir mediante la violencia. Si debemos alguna cosa a otras sociedades que luchan por la libertad, es nuestra solidaridad, no el acceso a los arsenales de nuestros gobiernos.

De hecho, el deber de Occidente no es intervenir más sino intervenir mucho menos. Ya armamos masivamente tiranías como las del Golfo para que puedan proteger el petróleo que consideramos nuestro patrimonio; ofrecemos cobertura militar, financiera y diplomática a la continua opresión de millones de palestinos por parte de Israel, una causa importante de inestabilidad política en Medio Oriente; y apoyamos silenciosamente a los militares egipcios, que tratan actualmente de revertir las conquistas revolucionarias del año pasado.

El apoyo popular a las guerras humanitarias no podría mantenerse sin la difusión de propaganda enmascarada como noticias por nuestros medios corporativos. Durante la última década han mercadeado fielmente las agendas para Medio Oriente de nuestros gobiernos belicistas. Cuando se pone al descubierto el pretexto extravagante de cada guerra, los generales en sus poltronas nos aseguran que han aprendido las lecciones para la próxima vez. Pero cuando revisan el guión –y el sombrero blanco se ha entregado a otro representante de la ley– los mismos eruditos desacreditados de los medios vuelven a justificar la guerra desde la seguridad de sus estudios.

Es otro motivo para avanzar con cuidado. En el caso de Siria, la fuente de la certeza expresada por nuestras salas de redacción no es a menudo otra cosa que un ente unipersonal en la ciudad británica de Coventry, conocido como Observatorio Sirio por los Derechos Humanos. Si Rami Abdulrahman no existiera, nuestros gobiernos intervencionistas y sus cortesanos de los medios habrían tenido que inventarlo. El Observatorio produce las noticias necesarias contra el régimen para justificar otra guerra.

Eso no quiere decir que afirmemos que el régimen de Asad no ha cometido crímenes de guerra. Más bien es que, incluso si las “intervenciones humanitarias” fueran una empresa legítima, no tenemos información permanentemente fiable para evaluar cómo podemos intervenir mejor, sobre la base de “noticias” colocadas en nuestros medios por grupos parciales del conflicto. Todo lo que está claro es que una vez más nos están manipulando con un fin conocido.

Son motivos suficientes para oponerse a otra guerra humanitaria. Pero hay otro motivo por el cual es extremadamente temerario que las personas de la izquierda acompañen los actuales planes de Occidente en Siria, incluso si creen genuinamente que los beneficiarios serán los sirios comunes y corrientes.

Si Occidente tiene éxito en su intervención a cámara lenta, mediante testaferros, en Siria e incapacita a otro Estado árabe por haberse negado a acatar sus órdenes, se habrá preparado la escena para la próxima guerra contra el próximo objetivo: Irán.

Este no es un argumento que excuse la continuación del régimen de Asad. Esa decisión la deben tomar los sirios.

Pero es una advertencia para los que justifican la interminable interferencia en Medio Oriente al servicio de los planes occidentales. Es una advertencia contra guerras cuyo poder destructivo se dirige sobre todo contra civiles. Es una advertencia de que ninguna de estas guerras humanitarias constituye una solución a un problema; solo son un preludio para más guerras. Y es un recuerdo de que no tenemos derecho a actuar como si fuésemos Dios.

Jonathan Cook es escritor y periodista residente en Nazaret, Israel. Jonathan Cook ganó el Premio Especial de Periodismo Martha Gellhorn. Sus últimos libros son: Israel and the Clash of Civilisations: Iraq, Iran and the Plan to Remake the Middle East (Pluto Press) y Disappearing Palestine: Israel’s Experiments in Human Despair (Zed Books). Su página web es www.jkcook.net .

Fuente: http://www.informationclearinghouse.info/article31712.htm

Beto Almeida e Chico Sant’Anna: Uma regulamentação a favor do povo

Sanguessugado do Viomundo

Beto Almeida e Chico Sant’Anna

Nós somos os cantores do rádio

Nossas canções cruzando o espaço azul

Vão reunindo, num grande abraço

Corações de norte a sul…”

Braguinha

O líder do PT na Câmara Federal, deputado Jilmar Tato tomou uma atitude corajosa de bloquear a votação do projeto que flexibiliza o horário de transmissão da Voz do Brasil, Cavalo de Tróia que traz consigo o sonho  neoliberal de extinguir o programa o proporcionar uma hora a mais de rádio-baixaria, alienante e de um jornalismo precário, comandado pela ditadura do mercado.

Os argumentos do líder petista são corretos:  o objetivo é acabar com o programa. Tentaram por via judicial, mas não tiveram êxito. Milhões de brasileiros o escutam assiduamente,  para a grande maioria dos municípios brasileiros, sem a presença de jornalismo, nem impresso  nem de rádio ou TV local, é a Voz do Brasil a única oportunidade de ter acesso a informações relevantes que decidem na vida do cidadão. Ou seja, as decisões do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Tato tem razão, sobretudo se considerarmos que o rádio comercial não oferece pluralidade informativa alguma, submetido que está aos poderes  e interesses econômicos , além de sonegar ou deformar, não informa sobre os atos dos poderes públicos, já que parte de um fanatismo editorial anti-estado.

O grande empresariado de mídia,  maior interessado  no suculento horário a ser vendido, lança inúmeros preconceitos contra o programa radiofônico, hoje o mais antigo do mundo em veiculação. Entre eles o de tentar criticar, injustamente, criticar sua inutilidade.  Certamente não escutam a veiculação já que a Voz do Brasil presta inúmeras informações importantes à sociedade brasileira, em sua maioria sem qualquer acesso à leitura de jornais que, como sabemos, registram credibilidade e circulação decadentes. Alguns exemplos: informações sobre o Fundeb, fazendo com que a população de cada município saiba que os recursos já estão em mãos do prefeito, possibilitando a cobrança cidadã de sua aplicação.

A missão pública do rádio

A Voz do Brasil veicula também, e amplamente,  as informações sobre os recursos de cada programa do Ministério da Saúde, possibilitando controle e participação dos conselhos locais. Igualmente, informações sobre os projetos ligados ao Ministério da Pesca chegam, diariamente, ao litoral e às populações ribeirinhas pelo rádio, alcançando as embarcações onde estiverem.  Há ainda a divulgação sistemática, pela Voz do Brasil, de informações sobre programas como o Pronaf, o PAA, ou sobre o Pronera, todos destinados à famílias que vivem no campo, nos assentamentos ou em grotões isolados, alcançados , em horário adequado, pelo sinal do rádio. O camponês também se informa sobre os preços mínimos. Basta que se consulte aos parlamentares da região amazônica que divulgam o preço da borracha da tribuna porque sabem que a Voz do Brasil será captada pelos seringueiros. Tem ou não utilidade social? Cumpre ou não a missão pública do rádio?

Que o programa pode ser aperfeiçoado, não há a menor dúvida. Mas, certamente não serão os editorialistas do Estadão ou da Fundação Milenium os maiores interessados neste aperfeiçoamento democrático do rádio, num país onde , recorde-se, é praticamente proibida da leitura de jornais. Aliás, sobre o Estadão, vale recordar que o inesquecível Monteiro Lobato, levou aos proprietários do jornalão a proposta de que aderisse e veiculasse uma nobre campanha para combater o analfabetismo. A resposta de um de seus proprietários é lapidar e deve ser para sempre lembrada: “ô Lobato, mas se  todos aprenderem a ler e a escrever, quem é que vai pegar na enxada?” Não surpreende que argumentem agora contra o papel social desenvolvido pela Voz do Brasil.

Aperfeiçoar, não flexibilizar

O aperfeiçoamento da Voz do Brasil tem por base o fato de ser uma bem sucedida experiência de regulamentação democrática, podendo, por exemplo, ter sua versão televisiva, tal como foi o Diário da Constituinte, de 10 minutos diários na TV quando se escrevia a Constituição Cidadã, entre 1986 e 1988. E pode também, sempre apoiada do fato de que é uma regulamentação, permitir que a Voz de mais brasileiros ecoe pelo Programa. Criar uma espécie de Direito de Antena  na Voz do Brasil, por meio da qual seja ouvida também a voz das entidades da sociedade brasileira.

Talvez seja este um dos fatores a tirar o sono da oligarquia midiática brasileira, pois em vários países da América Latina, por meio da regulamentação democrática e apoiados no voto popular, governos estão possibilitando a prática da pluralidade informativa, sonegada sempre quando a mídia é exclusivamente e ditatorialmente  comercial. Para compensar o predomínio esmagador do rádio comercial, uma hora de programação diária, e apenas no rádio, é até uma cota tímida, embora democrática.

Conspiração?

Também para aperfeiçoar, por meio de medidas administrativas no âmbito da EBC , é possível fazer os ajustes necessários para que a veiculação do programa seja para o horário mais adequado nos estados com fuso horário. Não é necessário alterar a lei para isto. Fica claro que o objetivo é outro: tornar impossível a fiscalização sobre 7 mil emissoras de rádio  -  a Anatel não tem a mais mínima estrutura para isto   -  e levar o programa a ser inaudível, esquecido, facilitando sua extinção posterior. Sobre  as dificuldades de fiscalização, basta dizer que a esmagadora maioria das rádios brasileiras hoje não cumprem a legislação no que toca a produzir, obrigatoriamente,  um percentual  mínimo de programação jornalística local. A Voz do Brasil é , para a maioria das emissoras, o único espaço jornalístico. Sua estrutura e redação deveriam ser ampliadas, com sucursais em todas as capitais, trazendo ao conhecimento de toda a sociedade,  a multifacética aventura sócio-economica do povo brasileiro em todos os quadrantes deste continente. A palavra de ordem justa não é flexibilizar mas,  sim,  fortalecer, qualificar, aperfeiçoar, expandir o jornalismo público.  Exatamente na linha contrária do defendido por certas fundações financiadas por recursos de sinistras instituições estrangeiras, como a Usaid, de países que querem a diluição do estado nacional, que interferem na vida de outros povos  e até mesmo podem conspirar com a ideia da fragmentação do Brasil.

Era Vargas

É tola a argumentação de que a Voz do Brasil seria resquício da Era Vargas como se isto fosse negativo. Também a CLT é um “resquício” salutar da Era Vargas, tanto é que aquele ex-presidente pretendeu demolir a Era Vargas e , até hoje, periodicamente, surgem tentativas conspirativas do grande capital para “flexibilizar” a CLT. Também são produto desta mesma Era Vargas o Instituto Nacional do Cinema Educativo, dirigido pelos geniais  Roquete Pinto  e Humberto Mauro, a Rádio Nacional, o Instituto Nacional de Música, dirigido por Villa-Lobos, gênio da raça?  E, claro, é também fruto da Era Vargas o direito de voto à mulher, a licença maternidade que agora foi expandida para 6 meses,  a Escola Nova de Anísio Teixeira, a indústria naval, a Cia Siderúrgica de Volta Redonda, a Petrobrás,  a Vale do Rio Doce, cuja reestatização vem sendo defendida aplicadamente pelo MST, numa dialética aliança histórica com o baixinho dos pampas. Assim, afirmar que é resquício da Era Vargas não desqualifica, ao contrário, como vimos, é parte de um processo de conquistas do povo brasileiro. Claro, não é o que pensa o capital estrangeiro, as oligarquias e os novos sucedâneos da UDN. Que a esta altura  já se deram conta de que o presidente Lula fez  importantes e significativas revisões sobre a avaliação que tinha sobre o papel de Vargas na história. A presidenta Dilma também valoriza sobremaneira o papel de Vargas, como tantas vezes já declarou.

Esta investida dos empresários do rádio não é a única. Há anos deixaram de veicular o Projeto Minerva , dedicado à nobre causa da alfabetização à distância, via rádio, com 30 minutos diários, que era veiculado logo após a Voz do Brasil. Em troca, temos hoje mais  meia hora de  rádio comercial e alienante. É o que nos espera se aprovado este projeto de lei sobre a Voz do Brasil.

Água potável

Vale lembrar ainda que quando pleitearam a concessão para a exploração de serviços de radiodifusão, os  empresários firmaram contratos comprometendo-se a cumprir com todas as obrigações deles decorrentes. Estariam tentando agora uma quebra de contrato, o que pode ensejar uma perda da concessão. Comparando: como  reagiria a sociedade se uma concessionária para o fornecimento de água potável, no meio do contrato, deixasse de adicionar flúor ou cloro no produto?

O projeto de lei que flexibiliza a Voz do Brasil , como apontou o líder petista, jamais foi examinado em profundidade. Ele sequer foi submetido ao plenário na Câmara e teve sua tramitação no Senado durante o ano eleitoral de 2010, quando a  a Casa encontrava-se com suas  atividades restringidas. Além disso, padece de um problema de técnica legislativa crucial: toda matéria legislativa sobre comunicação deve, obrigatoriamente, ser examinada pelo Conselho de Comunicação Social, e isto não foi observado até o momento.

Finalmente, não pode ser mais passional e fanático o argumento do campo do grande empresariado da comunicação afirmando que a Voz do Brasil humilha o povo brasileiro. O que humilha e desrespeita o povo brasileiro é um rádio comercial que agride a constituição  diuturnamente, com práticas de anti-jornalismo, com o culto ao mórbido e à violência exacerbados, muitas vezes  com práticas xenófobas contra  países sul-americanos, com os quais queremos uma integração solidária e democrática. Ou, simplesmente, com a regular ausência de informações educativas, civilizatórias e humanizadoras. Em muitos casos, apenas durante a exibição da Voz do Brasil se vê algo de informativo, real e não aviltante.

Beto Almeida e Chico Sant’Anna são jornalistas

Movimento em Defesa da Voz do Brasil

Quem é o fundamentalista?

Sanguessugado do Bourdoukan

Definitivamente a mídia continua tratando seus leitores como idiotas.

Insiste em criar slogans usurpadores para catequizar os incautos.

De um lado temos o Ocidente Cristão “tolerante e democrático”.

De outro o Oriente muçulmano “intolerante e fundamentalista”.

O Ocidente é representado por Estados Unidos e Europa.

O Oriente por Iraque, Líbia e Afeganistão ( não por coincidência nações invadidas, ocupadas e saqueadas”).

E a estes três últimos querem acrescentar a Síria e Iran e em quem mais eles estiverem cobiçando.

Enfim, de um lado temos os “tolerantes cristãos” e de outro os “fundamentalistas muçulmanos”.

Mas espera aí.

O Iraque de Saddam Hussein tinha como vice-presidente um cristão.

Em que país cristão há algum vice-presidente muçulmano?

No Afeganistão dos Talibãs havia uma Mesquita de Maria.

Alguém conhece alguma igreja ou templo no Ocidente democrático de nome Muhamad?

Isso, claro, para ficar na superfície do texto.

Alguém pode dizer quando o Iraque, a Líbia, o Afeganistão, a Síria ou Iran invadiram o Ocidente Cristão?

Não preciso perguntar quantas vezes o Ocidente cristão invadiu aqueles países.

Qualquer leitor minimamente ilustrado sabe que o Ocidente Cristão fez e ( e continua fazendo) de sua razão a invasão, ocupação e saque de nações.

E não precisa ir longe.

A nossa maltratada America é um excelente exemplo.

Claro também que posso citar a África e a Ásia.

Agora falemos de Israel que, segundo seus psicopatas dirigentes, estaria ameaçado pelo muçulmano Iran.

Porque um dirigente iraniano “teria ameaçado os judeus de extinção”.

O interessante é que no Iran vivem mais de 35 mil judeus que vivem de acordo com os preceitos da religião judaica.

E jamais foram perseguidos ou maltratados.

Mas falemos de Israel, lamentavelmente, um posto militar euro-ocidental a serviço dos Estados Unidos.

Como os “judeus” foram parar ali?

Fugindo dos cristãos ocidentais.

Que jamais cessaram de persegui-los.

Basta consultar menos a mídia e mais a História para verificar essa verdade.

Foram os ocidentais cristãos que perseguiram e maltrataram os judeus durante séculos.

Ao contrario dos muçulmanos, que sempre os abrigaram.

A lista é longa, longuíssima, mas esse é um simples blog e não uma defesa de tese.

Mas se você tiver algum tempo consulte a História e veja como Ocidente Cristão manipula vergonhosamente os fatos.

E veja quem é o fundamentalista.

E como a mídia trata os seus leitores como idiotas.

Depende apenas de você.

E abaixo você ouve Moshe Habusha, acompanhado por Ariel Cohen, cantando em árabe Ya Jarat Al Wadi, do egípcio Mohamad Abel-Wahab. Ressalte-se que Moshe possui um conjunto musical especializado em canções clássicas árabes. Muitas delas ele verteu para o hebraico. Eu o considero um dos melhores interpretes de musica árabe em todo o Oriente Médio.

A guerra suja

Via Tribuna da Imprensa

Sebastião Nery

SALVADOR – “Em determinado momento da guerra contra os adversários do regime, passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Estávamos no final de 1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia resistência interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as mortes. Tínhamos problemas com pressões políticas fortes”.

1. – “A primeira tentativa foi a de um intercâmbio de cadáveres. A equipe do Rio passou a despachar os corpos para São Paulo e vice-versa. Mas isso não foi suficiente para manter a discrição no ocultamento dos corpos. Foi quando, discutindo o assunto com Perdigão e Vieira (coronéis do Exercito), surgiu a idéia. Com as transações de armas contrabandeadas pelo Trotte (agente da CIA), passei a exercer influência sobre os fazendeiros que precisavam dessas armas para proteger suas terras das possíveis desapropriações advindas da reforma agrária ou de conflitos no campo. Eu fornecia para eles carteiras do DOPS, o que legalizava o uso das armas, garantindo o seu porte. Construí uma rede informal entre esses fazendeiros do Rio de Janeiro, parte de Minas Gerais, Espírito Santo e da Bahia”.

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CLAUDIO GUERRA

Quando vi o livro “Memorias de uma Guerra Suja”, editado pelo experiente José Mario Pereira da “Topbooks”, um terrível e lancinante depoimento do delegado Claudio Guerra aos consagrados jornalistas Marcelo Neto e Rogerio Medeiros, vi logo que se tratava de coisa seria. Comecei a ler logo no aeroporto. Como fui colega de alguns, amigo de muitos e conheci a grande maioria, foi um soco no peito.

A panela explodiu. Um delegado, diretor-geral do DOPS resolveu contar o que viu e ajudou a fazer. Comandado por coronéis, majores e capitães do Exercito, todos do CIEX (Centro de Informações do Exercito) e do DOI-CODI, dentro de quarteis do Exercito no Rio, São Paulo, Minas e Espirito Santo, participou oficialmente, cumprindo ordens, de dezenas de assassinatos, esquartejamentos, queimas e sumiços de corpos.

É brutal, repugnante, mas é preciso ler. Continua Claudio Guerra:

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HELI RIBEIRO

2. – “Uma dessas amizades, a mais importante para a história que vou contar, foi com os donos da usina Cambahyba, localizada em Campos dos Goytacazes. Heli Ribeiro era o patriarca da família, homem de muito prestígio local (foi vice-governador do Estado do Rio – 1967-71). Por causa dessa amizade, passei a frequentar a usina e a entender o seu funcionamento. Falei, então, sobre o forno da industria para Perdigão e Vieira. Alertei que enterrar corpos em cemitérios clandestinos ou jogá-los ao mar – operação comandada pelo Cenimar – já eram técnicas manjadas, que não tinham a mesma eficácia de antes. Relatei a minha amizade e afinidade ideológica e de confiança com Heli, e os dois me acompanharam até a usina de Campos. O local foi aprovado”.

3. – “O forno da usina era enorme, ideal para transformar em cinzas qualquer vestígio humano. E o melhor para eles: pertencia a uma única família. Não havia sócios, logo qualquer envolvimento de outras pessoas. . Eu frequentava a usina, todo mundo sabia, ninguém achava que havia algo anormal nisso. Eu era amigo da família de Heli, e costumava viajar para a casa de praia deles, em Atafona, para passar o fim de semana”.

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PETROPOLIS

4. – “E foi assim que fui responsável por levar dez corpos de presos políticos para lá, todos mortos pela tortura no DOI e na Casa da Morte, em Petrópolis, além dos cadáveres provenientes do DOI da Barão de Mesquita, no Rio, e os que vinham de São Paulo. Mas não matei nenhum desses. Também lá na usina matei e desapareci com o corpo do tenente Odilon, depois que o coronel Perdigão determinou a sua morte em uma ação de queima de arquivo. Perdigão também usou, por conta própria, a usina para esse fim, em ações das quais não participei. Soube que outros políticos desaparecidos foram queimados lá. Mas não sei nomes nem informações”.

5.- “Quanto aos corpos que foram de minha responsabilidade, eu anotei alguns nomes. Saber do paradeiro dessas pessoas e não revelá-lo à sociedade já estava me atormentando há muito tempo. Ao folhear o “Livro dos Desaparecidos”, produzido pela Presidência da República, consegui identificar as pessoas que eu levei para cremação. Os corpos, repito, já chegavam mortos para mim. Não tenho responsabilidade pela tortura e pelo assassinato deles, mas sim pelo desaparecimento”.

Vivendo no fim dos tempos: o apocalipse do capital

Via Correio do Brasil

Por Redação, com Vermelho.com

capitalismo

O fim do capitalismo está próximo

Em seu novo livro, Vivendo no fim dos tempos (Boitempo Editorial), Slavoj Zizek defende que o capitalismo global está se aproximando rapidamente da sua crise final.

Ele identifica os quatro cavaleiros deste apocalipse: a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais.

Zizek apresenta sua obra como “parte da luta contra aqueles que estão no poder em geral, contra sua autoridade, contra a ordem global e contra a mistificação ideológica que os sustenta”.

Não deveria haver mais nenhuma dúvida: o capitalismo global está se aproximando rapidamente da sua crise final. Slavoj Žižek identifica neste livro os quatro cavaleiros deste apocalipse: a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais. E pergunta: se o fim do capitalismo parece para muitos o fim do mundo, como é possível para a sociedade ocidental enfrentar o fim dos tempos?

Para explicar porque estaríamos tentando desesperadamente evitar essa verdade, mesmo que os sinais da “grande desordem sob o céu” sejam abundantes em todos os campos, Žižek recorre a um guia inesperado: o famoso esquema de cinco estágios da perda pessoal catastrófica (doença terminal, desemprego, morte de entes queridos, divórcio, vício em drogas) proposto pela psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross, cuja teoria enfatiza também que esses estágios não aparecem necessariamente nessa ordem nem são todos vividos pelos pacientes.

De acordo com Žižek, podemos distinguir os mesmos cinco padrões no modo como nossa consciência social trata o apocalipse vindouro. “A primeira reação é a negação ideológica de qualquer ‘desordem sob o céu’; a segunda aparece nas explosões de raiva contra as injustiças da nova ordem mundial; seguem-se tentativas de barganhar (‘Se mudarmos aqui e ali, a vida talvez possa continuar como antes…’); quando a barganha fracassa, instalam-se a depressão e o afastamento; finalmente, depois de passar pelo ponto zero, não vemos mais as coisas como ameaças, mas como uma oportunidade de recomeçar. Ou, como Mao Tsé-Tung coloca: ‘Há uma grande desordem sob o céu, a situação é excelente’”.

Os cinco capítulos se

referem a essas cinco posturas

O capítulo 1, “Negação”, analisa os modos predominantes de obscurecimento ideológico, desde os últimos campeões de bilheteria de Hollywood até o falso apocaliptismo (o obscurantismo da Nova Era, por exemplo).

O capítulo 2, “Raiva”, examina os violentos protestos contra o sistema global, em especial a ascensão do fundamentalismo religioso.

O capítulo 3, “Barganha”, trata da crítica da economia política, com um apelo à renovação desse ingrediente fundamental da teoria marxista.

O capítulo 4, “Depressão”, descreve o impacto do colapso vindouro, principalmente em seus aspectos menos conhecidos, como o surgimento de novas formas de patologia subjetiva.

E, por fim, o capítulo 5, “Aceitação”, distingue os sinais do surgimento da subjetividade emancipatória e procura os germes de uma cultura comunista em suas diversas formas, inclusive nas utopias literárias e outras.

Žižek é otimista quanto ao que pode surgir desse processo de emancipação e apresenta sua obra como parte da luta contra aqueles que estão no poder em geral, contra sua autoridade, contra a ordem global e contra a mistificação ideológica que os sustenta. Para ele, engajar-se nessa luta significa endossar a fórmula de Alain Badiou, para quem mais vale correr o risco e engajar-se num Evento-Verdade, mesmo que essa fidelidade termine em catástrofe, do que vegetar na sobrevivência hedonista-utilitária. Rejeita, assim, a ideologia liberal da vitimação, que leva a política a renunciar a todos os projetos positivos e buscar a opção menos pior.

Trecho do livro

“Essa virada na direção do entusiasmo emancipatório só acontece quando a verdade traumática não só é aceita de maneira distanciada, como também vivida por inteiro: ‘A verdade tem de ser vivida, e não ensinada. Prepara-te para a batalha!’. Como os famosos versos de Rilke (“Pois não há lugar que não te veja. Deves mudar tua vida”), esse trecho de O jogo das contas de vidro, de Hermann Hesse, só pode parecer um estranho non sequitur: se a Coisa me olha de todos os lados, por que isso me obriga a mudar? Por que não uma experiência mística despersonalizada, em que ‘saio de mim’ e me identifico com o olhar do outro? E, do mesmo modo, se é preciso viver a verdade, por que isso envolve luta? Por que não uma experiência íntima de meditação?

Porque o estado ‘espontâneo’ da vida cotidiana é uma mentira vivida, de modo que é necessária uma luta contínua para escapar dessa mentira. O ponto de partida desse processo é nos apavorarmos com nós mesmos.

Quando analisou o atraso da Alemanha em sua obra de juventude Crítica da filosofia do direito de Hegel, Marx fez uma observação sobre o vínculo entre vergonha, terror e coragem, raramente notada, mas fundamental:

É preciso tornar a pressão efetiva ainda maior, acrescentando a ela a consciência da pressão, e tornar a ignomínia ainda mais ignominiosa, tornando-a pública. É preciso retratar cada esfera da sociedade alemã como a partie honteuse [parte vergonhosa] da sociedade alemã, forçar essas relações petrificadas a dançar, entoando a elas sua própria melodia! É preciso ensinar o povo a se aterrorizar diante de si mesmo, a fim de nele incutir coragem.”

Sobre o autor

Slavoj Žižek nasceu em 1949 na cidade de Liubliana, Eslovênia. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é diretor internacional do Instituto de Humanidades da Universidade Birkbeck de Londres.

Vivendo no fim dos tempos é o seu sétimo livro traduzido pela Boitempo. Dele, a editora também publicou Bem-vindo ao deserto do Real!, em 2003, Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917), em 2005, A visão em paralaxe, em 2008, Lacrimae Rerum, em 2009, Em defesa das causas perdidas e Primeiro como tragédia, depois como farsa, os dois últimos em 2011.

Ficha técnica

Título: Vivendo no fim dos tempos

Título original: Living in the end times

Autor: Slavoj Žižek

Tradução: Maria Beatriz de Medina

Orelha: Emir Sader

Páginas: 368

Editora: Boitempo

La unión entre Irán y Egipto asegura el mundo islámico

Via Hispan TV

El jurisconsulto religioso iraní, el ayatolá Naser Makarem Shirazi declaró el jueves que la unión entre Irán y Egipto garantizará el mundo islámico ante los complots de las potencias hegemónicas.

La nación egipcia, en su resistencia ante la arrogancia mundial y las políticas hostiles de EE.UU., el régimen de Israel y algunos países occidentales, eligió a un presidente de corte islámico, indicó el destacado religioso iraní, en una reunión con los peregrinos del mausoleo del Imam Reza, en la sagrada ciudad de Mashhad, sita en el noreste de Irán.

El ayatolá Makarem Shirzai calificó de importante la decisión del pueblo egipcio de elegir al candidato de la Hermandad Musulmana, Mohamed Mursi, ya que, aseguró aportará muchos beneficios a la comunidad islámica.

Pese a que Washington y el régimen de Tel Aviv brindaron su apoyo total al candidato presidencial egipcio, Ahmed Shafiq, ex primer ministro del dictador Hosni Mubarak, con miras a que el país siga bajo las políticas del derrocado régimen, más de 13 millones de egipcios dieron la victoria a Mursi.

La Comisión Suprema Electoral Presidencial (CSEP) de Egipto anunció la victoria de Mursi, tras obtener el 51,73 por ciento de los votos, frente a Shafiq que logró el 48, 27 por ciento de los sufragios.

fe/nl/hnb

Flexibilização do A Voz do Brasil

Via Brasil de Fato

Esse é um sonho acalentado pelos empresários para dar um passo célere para a extinção desta experiência prática de regulamentação informativa no Brasil

Beto Almeida

Na semana passada, os coronéis da mídia reunidos no 26º Congresso Brasileiro da Radiodifusão (Abert) ouviram com gratidão o compromisso do Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em atuar para que o mais antigo programa de rádio do mundo, A Voz do Brasil, tenha o seu horário de veiculação flexibilizado. Esse é um sonho acalentado pelos empresários para dar um passo célere para a extinção desta experiência prática de regulamentação informativa no Brasil. O sonho dos barões da mídia é antigo, nova é a conversão de setores da esquerda à flexibilização. Em ano eleitoral, declarações em favor das teses liberais são ainda mais valorizadas.

Flexibilizado o horário de veiculação, A Voz do Brasil caminha para tornar-se inaudível, já que não há capacidade para a fiscalização se cerca de 7 mil emissoras estarão realmente difundindo o programa. Com isso, milhões e milhões de brasileiros poderão perder talvez uma das poucas oportunidades de obter informações sobre os trabalhos do executivo, do judiciário e do legislativo. Inclusive, informações importantíssimas sobre os recursos do Fundeb enviados a municípios longínquos, sobre programas do Ministério da Pesca, sobre as verbas para os programas de saúde, o Bolsa Família, o Brasil Carinhoso etc. Evidentemente, os barões da mídia, pelas rádios privadas, jamais divulgam essas informações sobre os programas sociais do governo que combatem com rancor.

Nada justifica esta flexibilização, a não ser a indefensável voracidade do grande empresariado do rádio em ter uma hora a mais de baixaria radiofônica, ou de rádio comercial e alienante. Em prejuízo da informação de uma população que vive nos grotões do campo ou da cidade, com baixíssimo índice de leitura de jornais.

Mais surpreendente foi a declaração do presidente da Câmara Federal, Marcos Maia, que prometeu colocar o projeto de lei da flexibilização na pauta, mas foi além: presente ao Congresso da Abert, pediu que haja pressão da mídia sobre o Congresso para garantir que ele seja aprovado. Ou seja, quando tanto se percebe a necessidade de regulamentar democraticamente serviços essenciais, como o da comunicação, setores da esquerda sinalizam para demolir uma prática bem sucedida de regulamentação criada na era Vargas, tal como a CLT, sempre alvo de conspirações. Quem sabe os parlamentares não vinculados à oligarquia da mídia e que só pelo A Voz do Brasil chegam à opinião pública, reagem? Assim como também deveria reagir o Fórum Nacional de Democratização da Comunicação.

Beto Almeida é presidente da TV Cidade Livre.

Texto originalmente publicado na edição 487 do Brasil de Fato.

“Dançando miudinho. Como se fosse... 1997” (e Rota da Seda)

Sanguessugado do redecastorphoto

Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye

Let's party like it's …1997

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

HONG KONG. Aconteceu há 15 anos: o dia em que os britânicos devolveram Hong Kong à China. [1] O general China fez os britânicos dançarem miudinho. Recuperar Hong Kong foi um dos pilares da estratégia de “cruzar o rio sentindo as pedras” de Deng Xiaoping, o Pequeno Timoneiro. Regra n. 1, “enriquecer é glorioso”. Depois, desenvolver as zonas econômicas especiais. Recuperar Hong Kong, tirando-a dos britânicos. Depois, um dia, anexar Taiwan. E, talvez lá por 2040, chegar a alguma variante de democracia parlamentar à europeia.

Tempos inebriantes, aqueles. Apenas fracos rumores sobre uma possível crise financeira na Ásia. Na China continental, a mídia relembrava as “humilhações” do passado – com direito a promoção pesada de um filme arrasa-quarteirões que contaria a verdade sobre as Guerras do Ópio. Nos jornais, na ilha de Hong Kong, reinava medo sinistro. E se o Exército de Libertação do Povo [orig. People's Liberation Army (PLA), o exército da República Popular da China] cruzar a fronteira à meia noite, numa blitzkrieg e militarizar todos os shopping-centers em Kowloon? Seremos todos doutrinados até nos transformarem em comunistas-modelo?

Deng Xiaoping

Era onde todos os correspondentes estrangeiros tinham de estar. O Clube dos Correspondentes Estrangeiros fervilhava como perpétuo concerto de rock. Na loja Shanghai Tang, o hit era um relógio Deng, de pulso. Os dias passavam em perene agitação, na luta para conseguir entrevistas e aferir a iminência do apocalipse, na opinião de residentes e analistas. À noite, as suarentas festas no Club 1997, em Lan Kwai Fong. Depois, era arrastar a ressaca de volta para o hotel e escrever matéria suficientemente densa para encher duas páginas de jornal por dia.

No final, tudo transcorreu numa normalidade que Deng apreciaria. [2] Chris Patten – o último governador britânico – partiu, num anticlímax. O Império Britânico era passado. O Exército chinês não invadiu a ilha. Festa monstro, no Club 1997. Dia seguinte, ressaca monstro e tudo, começava a verdadeira celebração. Meti-me num avião rumo à China.

Impensável indizível

Mal sabia eu que a crise financeira asiática acabava de eclodir – com desvalorização monstro do Baht tailandês. Bom. Ainda dia 1º de junho, muitos de nós teríamos previsto alguma coisa, mas seria problema pequeno – mas ninguém preveria, nem ninguém previu, o tsunami financeiro que logo chegaria.

Robert Plant (Led Zeppelin)

Eu tinha planos de mergulhar na China profunda – nas entranhas da besta que, agora, mandava em Hong Kong. Robert Plant viajou no mesmo voo para Xian. Sim, ele, o Robert Plant (guitarrista do Led Zeppelin [3])menos Jimmy Page. Resisti à tentação de falar com ele, ante as barreiras abertas para a Caxemira. Mas acabou que estávamos no mesmo hotel em Xian – e cruzávamos no café da manhã. Ele viajava com o filho e o secretário. E, sim – estávamos na mesma viagem. Nada de Estrada 66 – mas a estrada mãe de todas as estradas.

Sempre fui fanático pela Rota da Seda. A “Estrada da Seda” não é só o grande portão aberto para a Eurásia – de desertos letais como o Taklamakan a picos de montanhas nevadas – mas também ondas e ondas de história cultural que liga a Ásia à Europa. São impérios esquecidos como os Sogdianos, cidades de fábula como Merv, Bukhara e Samarcanda, oásis de fábula como Kashgar. Não é “uma” estrada, mas um labirinto de “estradas” – cujos braços alcançam o Afeganistão e o Tibete.

Tinha de começar pelo começo, em Xian, ex-Chang'an – embora muita seda chinesa viesse ainda mais do sul. Xian foi capital da China durante a dinastia Han, quando Roma dava a alma pela seda da China. E foi capital outra vez na dinastia Tang – quando a conexão com a Índia solidificou a Rota da China.

As galerias de Hong Kong estavam cheias de cópias de figuras Tang de terracota, como a Yang Guifei, também conhecida como “a concubina gorda”, [4] a mais afamada femme fatale na história da China. Turcos, uigures, sogdianos, árabes e persas, todos viveram nessa Roma chinesa – e construíram templos (a mesquita ainda é a mais bela na China; mais os três templos zoroastrianos já se foram).

Rota da Seda

Eu precisaria de mais alguns anos – e sucessivas viagens – para percorrer finalmente o núcleo da Rota da Seda, em diferentes trechos, obsessão que carregava desde o ginásio. Mas daquela vez queria concentrar-me na parte chinesa da Rota da Seda.

Comecei com um pintor/calígrafo que fazia cópias sublimes, em mandarim, de sutras do coração de Buda para monges que viviam há anos em cavernas nas montanhas ao norte de Chang'an. Foi supremamente difícil resistir a duas tentações: adeus jornalismo, por que não virar calígrafo, ou monge? Então, comecei a andar rumo oeste, através de Lanzhou – com desvio até o imaculado enclave tibetano de Xiahe e, no caminho, enorme concentração de Hui, muçulmanos chineses. Sempre por trem, ônibus e caminhões locais.

De Lanzhou fui até Chengdu, em Sichuan, de ônibus, depois a Lhasa no Tibete, de avião, ida e volta. Essa é uma ramificação clássica da Rota da Seda. Mas o que realmente me atraía era ir “ao impensável indizível” [orig. “beyond the pale”, intraduzível, nesse contexto]. Seguir o braço no extremo oeste da Grande Muralha e finalmente chegar a Jiayuguan – o “Primeiro e Maior Desfiladeiro sob os Céus”.

Foi tudo que eu esperava que fosse: uma espécie de cenário desolado para o fim do império. O fim (literal) da Grande Muralha. A oeste dali seria “o impensável indizível” [orig. “beyond the pale"]. Chineses banidos para oeste dali jamais voltariam. Ainda em 1997, olharam-me com ar incrédulo, quando eu disse que continuaria adiante, até Gansu, rumo aos desertos de Xinjiang. “Por quê? Lá não há nada.”

Faltavam ainda dois anos, para que Pequim lançasse oficialmente a política “Rumo ao Oeste”. A neocolonização superturbinada do “impensável indizível” além daquele ponto – uma Xinjiang extremamente rica em recursos naturais, mas povoada (ainda naquele momento) sobretudo por uigures muçulmanos – ainda não começara.

Morte, também chamada Taklamakan

Pelo desfiladeiro Gansu, cheguei finalmente às cavernas Dunhuang – dos maiores centros budistas da China por mais de 600 anos: uma festa de afrescos e imagens esculpidas em cavernas escavadas numa montanha na face leste do deserto de Lop e face sul do deserto de Gobi. Esplendor, deslumbramento, não bastam nem para começar a descrevê-las.

Um dos meus heróis eternos, o grande peregrino budista Xuanzang (602-664), parou em Dunhuang a caminho da Índia – onde recolheu textos sagrados para traduzi-los ao chinês (o que explica aquele calígrafo, lá atrás, em Xian).

O relato que o próprio Xuanzang escreveu de suas viagens épicas, Xiyuji (“Registro das Regiões Ocidentais”, ing.Record of the Western Regions  [5]) continua insuperado. Começou – e por onde começaria? – em Chang'an. Aconteceu de tudo, inclusive ter sido “torturado por alucinações” e ter de safar-se de “todos os tipos de demônios e seres estranhos”. Mas conseguiu voltar à China 16 anos depois, carregando uma fortuna em livros e estátuas de Buda.

A Rota da Seda bifurca-se em torno de Dunhuang. Tive de decidir. A estrada do norte segue a face sul das espetaculares montanhas Tian Shan – que acompanham o norte do aterrorizante deserto Taklamakan (cujo nome, em uigur, significa “você pode entrar, mas nunca sairá”). Ao longo do caminho, muitas cidades-oásis – Hami, Turfan, Aksu – antes de chegar a Kashgar.

Tomei essa estrada, sob temperaturas sempre próximas de 50 graus Celsius, montado numa Land Rover em ruínas com um Hui monossilábico que deu conta da trilha pelo deserto como um Ayrton Senna. E aquela era a rota “mais fácil” – comparada à rota do sul. Eu imaginava os monges budistas, montados em camelos, pelas montanhas Karakoram até Leh (em Ladakh) e Srinagar (na Caxemira) e dali até a Índia.

Sven Hedin

Até tentar enfrentar as horrendas tempestades de areia do Taklamakan é absolutamente impossível. Resta contornar o deserto. Foi o que não fez o mais safo dentre os gigantes modernos da Rota da Seda, Sven Hedin (1865-1952), autor de My Life as an Explorer [6] (1926), homem de colhões de aço que enfrentou a morte incontáveis vezes e deixou atrás de si uma trilha cavalos, camelos e, claro, homens, mortos.

Numa de suas aventuras, quando Hedin tinha esperanças de conseguir cruzar um canto sudoeste do Taklamakan em menos de um mês, os camelos morreram, um depois do outro; a caravana foi atingida por uma tempestade de areia; o último dos seus homens morreu; só Hedin chegou ao outro lado, “como se guiado por uma mão invisível”.

Eu, guiado pelo meu Hui bem visível, finalmente cheguei a Kashgar – uma volta alucinante à Eurásia medieval. Também ali, naquele momento, a neocolonização forçada dos Han estava apenas começando, em torno da estátua de Mao na Praça do Povo. A feira do domingo saía diretamente do século 10. Não se via um único chinês Han nem por perto da mesquita Id Kah verde-clara, nas rezas da madrugada.

Em Kashgar a Rota da Seda novamente se divide e desdobra-se. Os monges budistas viajariam pelo Hindu Kush por Tashkurgan, até os reinos budistas de Gandhara e Taxila, no Paquistão de hoje. Viajei pela estrada da amizade motorizada China-Paquistão – quero dizer, tomei a fabulosa autopista Karakoram de Kashgar pelo desfiladeiro Khunjerab, de jipe e ônibus local, direto até Islamabad, com uma parada no idílico vale Hunza. O norte do Paquistão estava em paz, naqueles dias pré-guerra-ao-terror; apesar de os Talibã estarem no poder no Afeganistão, não havia à vista praticamente nenhum islamista hardcore.

Rota da Seda percorrida pelo explorador Sven Hedin

Os mercadores da Rota da Seda fariam diferente. Tomariam o rumo norte, das montanhas Pamir até Samarcanda e Bukhara; ou rumo sul, das Pamirs a Balkh (no Afeganistão de hoje) e dali até Merv (no Irã). De Merv, uma rede de Rotas da Seda parte diretamente até o Mediterrâneo via Bagdá-Damasco, Antióquia ou Constantinopla (Istambul). Eu precisaria de mais vários anos para seguir trechos de todas essas estradas.

O caso é que, de repente, eu estava em Islamabad em negociações com os Talibã, enquanto por toda a Ásia o mundo financeiro vinha abaixo. Voltei a Cingapura e dali a Hong Kong. A Tailândia, a Indonésia, a Coreia do Sul estavam desmoronando. Mas Hong Kong sobrevivia, mais uma vez – agora, atentamente inspecionada por Pequim.

A mãe-pátria sabe das coisas

15 anos depois, nenhuma das tolas predições ocidentais sobre os chineses ‘endurecerem’ em Hong Kong, se confirmaram. A terceira transição suave de poder em Hong Kong, sob mando chinês, já está em andamento. O vice-presidente chinês Xi Jinping – próximo Imperador Dragão – já espalhou suas generosas bênçãos.

Eis o citação chave, do que disse Xi: “15 anos depois de devolvida à China, Hong Kong sobreviveu a várias tempestades. Acima de tudo, o princípio de “um país, dois sistemas” obteve enormes avanços (...). A economia de Hong Kong desenvolveu-se bem e a vida dos cidadãos melhorou. Houve avanços também no desenvolvimento democrático, e a sociedade tornou-se harmoniosa.”

Bem... Nem tão harmoniosa. É verdade: Hong Kong é a capital da Instant Profit Opportunity (IPO), Oportunidade de Lucro Instantâneo. É o principal centro offshore do mundo para o comércio de Yuans. É capital planetária sem igual – em muitos aspectos, põe New York no chinelo; é o melhor que o mundo tem a oferecer em ambiente ultracompactado. A economia da cidade cresceu todos os anos, exceto em 2009 – ano do abismo da economia mundial. O PIB cresce 4,5% ao ano, em média. O desemprego jamais ultrapassou 6%.

Mas Hong Kong ainda não fez a transição para uma economia de alto valor agregado, economia baseada no conhecimento. O governo atual, de Donald Tsang aposta em “seis novas indústrias pilares”, que devem trazer “claras vantagens” com vistas ao crescimento: indústrias culturais e ‘criativas’; serviços médicos; educação; inovação e tecnologia; serviços de testagem e certificação; e indústrias ambientalmente orientadas.

O desenvolvimento desses “pilares”, até agora, é desprezível. Hong Kong continua a depender de suas quatro indústrias-núcleo: serviços financeiros, turismo, serviços profissionais e comércio. Mais de 36 milhões de turistas/ano não farão de Hong Kong uma sociedade baseada no conhecimento. A maioria dos turistas vêm – e de onde viriam? – da mãe-pátria. O chicote volta, bravo, sobre quem chicoteia: a maioria dos Hong-Konguenses os veem como “gafanhotos” – camponeses grosseirões, as malas estufadas de Yuan, pagando tudo à vista. E, isso, quando a desigualdade na própria Hong Kong cresce dramaticamente.

No que tenha a ver com Pequim, tudo é, sempre, “atravessar o rio, sentindo as pedras”. Eis, mais uma vez, o que disse Xi: “O governo da SAR [Special Administrative Region/Região Administrativa Especial] reuniu vários setores sociais sob forte apoio do governo central e da pátria-mãe.” A pátria-mãe tem lá suas próprias ideias de fazer reviver a Rota da Seda – e Hong Kong talvez possa ser parte do projeto, pelo menos no que tenha a ver com serviços financeiros.

Vai-se ver, talvez seja hora de bailar outra vez, como se fosse 1997, e outra vez atacar o Taklamakan. É... Pode-se tirar o menino de dentro da Rota da Seda, mas não se pode tirar a Rota da Seda de dentro do menino.

Notas dos tradutores

[1] 1/7/1997, Grã-Bretanha devolve Hong Kong à China (mais em: BBC ON THIS DAY - 1997: Hong Kong handed over to Chinese control).

[2] Deng Xiaoping morrera, aos 92 anos, dia 19/2/1997, menos de seis meses antes, portanto, do que Pepe Escobar narra aí (mais em: BBC ON THIS DAY1997: China's reformist Deng Xiaoping dies).

[3] Assista a seguir: Robert Plant em “Stairway to heaven”, 1983.

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[4] Imagem em: Yang Guifei

[5] Pode ser lido (em inglês) em: Xuanzang’s Record of the Western Regions

[6] Veem-se a capa e algumas páginas em: My Life as an Explorer.