sábado, 31 de março de 2012

Colômbia: porta de entrada para o terrorismo americano

Via Tercera Información

EEUU envía a Colombia generales que participaron en invasiones a Afganistán e Irak

El Pentágono anunció que enviará a Colombia jefes de brigada que combatieron en Afganistán e Irak, países invadidos por Estados Unidos en 2001 y 2003, respectivamente.

 

La información reseñada por la agencia Efe fue difundida por la Agencia de Prensa de las Fuerzas Armadas (APFA) estadounidenses, que agregó que el objetivo es realizar tareas conjuntas con el Ejército colombiano para combatir a las organizaciones guerrilleras.

El anuncio fue hecho por el jefe del Estado Mayor Conjunto de Estados Unidos, general Martin Dempsey, que ayer concluyó una visita de dos días en Colombia.

El militar indicó a diferentes medios que las conversaciones con funcionarios colombianos no se refirieron solamente al equipo militar sino también al "capital intelectual".

"Estamos preparándonos para enviar algunos comandantes de brigada que han estado en Irak y Afganistán para que cooperen con los mandos de su Fuerza de Tareas Conjunta", señaló.

APFA indicó que los oficiales estadounidenses visitarán durante dos semanas a los mandos de las fuerza de tarea conjunta y "compartirán su conocimiento sobre las luchas en ultramar".

Durante su visita a Colombia, Dempsey se entrevistó con funcionarios civiles y militares y visitó la Fuerza de Tarea Vulcano, con puesto de mando permanente en Tibú, Norte de Santander.

Esta fuerza está dedicada exclusivamente al combate contra las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (Farc), la organización guerrillera más antigua de América Latina.

Dempsey declaró que los mandos militares colombianos "seleccionaron a 2014 como un momento clave para esta estrategia y quieren acelerar sus efectos contra las Farc".

Esqueçam Policarpo: o chefe é Roberto Civita

anguessugado do Nassif

Luis Nassif

Veja se antecipou aos críticos e divulgou um dos grampos da Policia Federal em que o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o araponga Jairo falam sobre Policarpo. Pinça uma frase – “o Policarpo nunca vai ser nosso” – para mostrar a suposta isenção do diretor da Veja em relação ao grupo.

É uma obviedade que em nada refresca a situação da Veja. Policarpo realmente não era de Carlinhos Cachoeira. Ele respondia ao comando de Roberto Civita. E, nessa condição, estabeleceu o elo de uma associação criminosa entre Cachoeira e a Veja.

Não haverá como fugir da imputação de associação criminosa. E nem se tente crucificar Policarpo ou o araponga Jairo ou esse tal de Dadá. O pacto se dá entre chefias – no caso, Roberto Civita, pela Abril, Cachoeira, por seu grupo.

Como diz Cachoeira, “quando eu falo pra você é porque tem que trabalhar em grupo. Tudo o que for, se ele pedir alguma informação, você tem que passar pra mim as informações, uai”.

O dialogo abaixo mostra apenas arrufos entre subordinados – Jairo e Policarpo.

Os seguintes elementos comprovam a associação criminosa:

     

Havia um modus operandi claro. Cachoeira elegeu Demóstenes. Veja o alçou à condição de grande líder politico. E Demóstenes se valeu dessa condição – proporcionada pela revista – para atuar em favor dos dois grupos.

Para Cachoeira fazia trabalho de lobby, conforme amplamente demonstrado pelas gravações até agora divulgadas.

Para a Veja fazia o trabalho de avalizar as denúncias levantadas por Cachoeira.

     

Havia um ganho objetivo para todos os lados:

     

Cachoeira conseguia afastar adversários, blindar-se contra denúncias e intimidar o setor público, graças ao poder de que dispunha de escandalizar qualquer fato através da Veja.

A revista ganhava tiragem, impunha temor e montava jogadas políticas. O ritmo frenético de denúncias – falsas, semi-falsas ou verdadeiras – conferiu-lhe a liderança do modelo de cartelização da mídia nos últimos anos. Esse poder traz ganhos diretos e indiretos. Intimida todos, anunciantes, intimida órgãos do governo com os quais trabalha.

O maior exemplo do uso criminoso desse poder está na Satiagraha, nos ataques e dossiês produzidos pela revista para atacar Ministro do STJ que votou contra Daniel Dantas e jornalistas que ousaram denunciar suas manobras.

     

Em “O caso de Veja”, no capítulo “O repórter e o araponga” narro detalhadamente –  com base em documentos oficiais – como a cumplicidade entre as duas organizações permitiu a Cachoeira expulsar um esquema rival dos Correios e se apossar da estrutura de corrupção, até ser desmantelado pela Polícia Federal. E mostra como a Veja o poupou, quando a PF explodiu com o esquema.

Civita nem poderá alegar desconhecimento desse ganho de Cachoeira porque a série me rende cinco ações judiciais por parte da Abril - sinal de que leu a série detalhamente.

Os próprios diálogos divulgados agora pela Veja mostram como se dava o acordo:

Cachoeira: Esse cara aí não vai fazer favor pra você nunca isoladamente, sabe? A gente tem que trabalhar com ele em grupo. Porque os grande furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles fomos nós que demos. Então é o seguinte: se não tiver um líder e a gente trabalhar em conjunto... Ele pediu uma coisa? Você pega uma fita dessa aí e ao invés de entregar pra ele fala: "Tá aqui, ó, ele tá pedindo, como é que a gente faz?". Entendeu?

Desde 2008 – quando escrevi o capítulo – sabia-se dessa trama criminosa entre a revista e o bicheiro. Ao defender Policarpo, a revista, no fundo, está transformando-o em boi de piranha: o avalista do acordo não é ele, é Roberto Civita.

Em Londres, a justiça processou o jornal de Rupert Murdoch por associação indevida com fontes policiais para a obtenção de matérias sensacionalistas. Aqui, Civita se associou ao crime organizado.

Se a Justiça e o Ministério Público não tiverem coragem de ir a fundo nessa investigação, sugiro que tranquem o Brasil e entreguem a chave a Civita e a Cachoeira.

Da Veja

Cachoeira, em gravação: 'O Policarpo nunca vai ser nosso'

Conversa telefônica mostra Cachoeira reclamando a ex-agente da Abin Jairo Martins porque ele havia passado informações ao jornalista, um dos redatores-chefes de VEJA e diretor da sucursal da revista em Brasília

Poleto desmascarado em 2005: ele mentiu sobre Policarpo e quase saiu preso do Senado

Convocado em 2005 por uma comissão do Senado a explicar sua participação no transporte de mais de 1 milhão de dólares ilegais usados na campanha petista de 2002, o economista Vladimir Poleto disse que fora violentamente constrangido pelo jornalista Policarpo Junior, que teria obtido a declaração gravando-o sem seu consentimento. O sistema de som do plenário, então, reproduziu a íntegra da entrevista. A conversa entre Policarpo e Poleto foi transmitida pela TV Senado para todo o Brasil. Diante da gravidade das denúncias feitas pelo economista, Policarpo pediu autorização para gravar a entrevista, registrando a hora, o local e o contexto em que ela estava ocorrendo. Poleto respondeu em voz clara: "Pode gravar". Os senadores em plenário caí­ram na gargalhada. Desmascarado, Poleto tentou desajeitadamente se explicar, mas foi interrompido pelo então senador Tasso Jereissati: "É melhor se calar, senhor Poleto, pois o correto seria o senhor sair preso daqui por ter mentido sob juramento".

Assim, com total transparência de propósitos, trabalha o jornalista Policarpo Junior, um dos redadores-chefes de VEJA e diretor da sucursal da revista em Brasília. Seu nome é citado algumas vezes nas gravações legais de conversas telefônicas entre Carlinhos Cachoeira e o ex-agente da Abin Jairo Martins, apontado pela Polícia Federal como um dos vários agentes públicos pagos pelo contraventor para fechar casas de jogos que não integravam sua "franquia" da jogatina. VEJA teve acesso ao diálogo, captado em 8 de julho do ano passado. Cachoeira - que foi fonte de informações de Policarpo e de muitos outros jornalistas - reclama com o policial porque soube que ele havia passado informações ao diretor da sucursal de VEJA em Brasília. A íntegra em texto e áudio da conversa interceptada se encontram a seguir:

Cachoeira: Fala, Jairo.

Jairo: Fala, doutor, tranquilo? Deixa eu te falar: o Dadá ontem me ligou, pô, me falando uma história aí que você ficou puto comigo, me xingou e o casseta, disse que eu tô trabalhando contra você e tal... Eu falei: pô, cara, de novo o homem lá fala um negócio desse, cara? Eu falei: porra, cara, se eu fiz um favor pro cara lá é justamente pra ficar próximo dele, pra saber o que ele anda me falando. Por quê? Eu pessoalmente uso da minha atividade, eu não preciso dele... Nem... E ele pra mim não influencia em nada, entendeu? Mas se ele me pediu um favor e eu fiz é pra ficar próximo dele e ouvir o que ele anda me falando, entendeu? Como me falou ontem à noite umas coisas. Como me falou anteriormente que eu contei pro Dadá, entendeu? Eu falei: porra, não tô entendendo o homem, não.

Cachoeira: Não, Jairo, foi isso não. Deixa eu falar pra você. Se Dadá estiver aí pode pôr até no viva-voz. Olha, é o seguinte: a gente tem que trabalhar em grupo e tem que ter um líder, sabe? O Policarpo, você conhece muito bem ele. Ele não faz favor pra ninguém e muito menos pra você. Não se iluda, não. E fui eu que te apresentei ele, apresentei pro Dadá também. Então é o seguinte: por exemplo, agora eu dei todas as informações que ele precisava nesse caso aí. Por que? É uma troca. Com ele tem q ser uma troca. Não pode dar as coisas pra ele, igual você sai correndo pra fazer um favor pra ele, pega e dá de graça, enquanto isso ele mete o pau no Dadá pra mim, e deve meter o pau no Dadá pra você também. Então você não deve aceitar ele falar mal do Dadá porque você não trabalha pra ele. E eu também não trabalho pro Policarpo. Eu já ajudei ele demais da conta. Entendeu? Demais da conta! Então, quando eu falo pra você é porque tem que trabalhar em grupo. Tudo o que for, se ele pedir alguma informação, você tem que passar pra mim as informações, uai.

Jairo: Não, beleza. Eu te peço até desculpa disso ai. Mas eu não tô sabendo que você tá. Ultimamente eu não tô sabendo quando você vem aqui, às vezes a gente não se fala. Muito difícil a gente se falar, e eu não ter ido aí, às vezes quem vai é o Dadá. Então de repente eu não tô sabendo que você tá trocando alguma informação com ele. E também não admito ele falar mal do Dadá pra mim. Não admito, corto logo, falo: "O cara é meu amigo, é meu parceiro". Entendeu? Esses dias ele veio falar uma historia que tava rolando aqui na cidade, de um negócio aí, entendeu, de um dinheiro, de uma gravação. Eu chamei o Dadá, falei: Dadá, liga pra ele, fala porque tem uma história assim, assim, eu já falei pra ele. Isso não existe, não é ele, não sou eu, isso não é a empresa, entendeu? Aí o Dadá ligou pra ele, tal, tal tal. Mas, então, cara, eu te peço desculpas. E não é trabalhar nunca contra você. Pelo contrário, pô. Eu não sou louco, né, Carlinhos!? Eu não posso ser burro.

Cachoeira: Jairo, põe um trem na sua cabeça. Esse cara aí não vai fazer favor pra você nunca isoladamente, sabe? A gente tem que trabalhar com ele em grupo. Porque os grande furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles fomos nós que demos. Então é o seguinte: se não tiver um líder e a gente trabalhar em conjunto... Ele pediu uma coisa? Você pega uma fita dessa aí e ao invés de entregar pra ele fala: "Tá aqui, ó, ele tá pedindo, como é que a gente faz?". Entendeu? Até pra fortalecer o Dadá. Por que Dadá... Ele tá puto. E ele vai pegar o Dadá na revista ainda, você pode ter certeza. Ele vai pegar o Dadá na revista. Ele não gosta do Dadá. Falou ontem pro Cláudio. Porra, tá arrumando tudo pra ele... Eu fiquei puto porque ontem ele xingou o Dadá tudo pro Cláudio, entendeu? E você dando fita pra ele, entendeu? Então, o seguinte: você não fala mais do Dadá, porque a gente trabalha em conjunto. Entendeu? Então chega. [Diz a ele:] Então qualquer coisa agora você conversa com o Carlinhos. Fala assim, porra.

Jairo: Não, beleza, porra. Agora eu tô orientado dessa maneira. Eu não to sabendo q vocês tão tratando de outro assunto com ele, entendeu? Até ele me falou realmente que falou com o Cláudio uma época aí. Ele me falou: “Ah, falei com o Cláudio, o cara parece que é gente boa”. Eu falei: "Não, o cara é gente boa, tal, tal, tal, é um cara sério. Mas outras coisas eu não tô sabendo. Não tá chegando até a mim. Por exemplo, não tão falando comigo. Aí eu te digo o seguinte: eu te peço desculpa porque realmente eu errei, porque ele quando me pediu esse favor eu poderia realmente ter falado contigo, mas tem tanto tempo que a gente não senta e não conversa que pra mim você não tava nem falando com ele. Eu não tô sabendo dessa articulação.

Cachoeira: Olha, Jairo. É porque, assim mesmo, você tem que chegar perto de mim qualquer pedido dele. Cara, ele não vai fazer nada isolado. E outra coisa: com ele, daqui pra frente tem que ser na base da troca. Porque dessa forma tá te fortalecendo, fortalecendo o Dadá, fortalecendo eu, o Cláudio. Entendeu? Porque com ele, você sabe, ele não vai fazer nada procê. Ainda mais meter o pau no Dadá? Ah, vai pra puta que pariu, uai.

Jairo: Pô, eu não tava sabendo, cara. Eu não tava sabendo. Mesmo. Eu peço desculpa pra você, pro Cláudio. Não admito. Sempre quando ele vem falar do dadá eu não admito.. nunca admiti dele falar de Dadá ou de você. Nunca admiti. Não admito. Quando ele veio falar do Claudio eu só rasguei de elogio. Então aí realmente eu te peço desculpa, realmente eu errei. Eui deveria ter dfalado contigo realmente. Mas passei assim batido, sabe? Quando ele me chegou me abordou, me pediu, porra você travbalha aqui na ´parea você me conhece. conheço, tal. Não eu falei com eles, tal. Então tem como você ver isso pra mim? Eu falei: tem. Aí eu peguei esse negócio tão rápido. Ainda comentei com Dadá: pô o cara me peiu um negócio assim, assim, eu vou ajudar esse filho da puta porque tem q ficar perto dele, pra saber algumas coisas que ele anda me falando ai sobre o que interessa à gente. Mas passei assim batido, entendeu?

Cachoeira: Pois é. Mas ele não vai soltar nunca nada pra você, o Jairo. Eu conheço o Policarpo, você conhece também. O Policarpo é o seguinte, ele pensa que todo mundo é malandro. E o seguinte, ele pensa que você e o Dadá trabalham pra ele, rapaz. Você sabe disso. Eu já cansei de falar isso pro Policarpo: ‘Policarpo, põe um negócio na sua cabeça, o Jairo e o Dadá não trabalham pra você. A gente trabalha no grupo. Então se tiver algum problema, você tem que falar comigo´. Já discuti com ele, você sabe disso, já presenciou eu falando com ele. Ele pensa que o Dadá, devido àqueles problemas que o Dadá teve, tinha de passar por ele sempre. Vai tomar no rabo. Nunca fez nada pra gente, rapaz. Que que esse cara já fez?

Jairo: É, não, isso é verdade aí. Aí eu te peço desculpa cara, mas nunca foi negócio de trabalhar contra vocês, trabalhar contra o grupo, estar passando a perna em vocês e admitir que ele fale mal do Dadá. Isso aí nunca, nunca. Falo na frente dele. Nunca. Sempre falei, ´O, lá é meu parceiro, tal´ Os caras, sempre... Em lugar nenhum eu menti que sou amigo do Dadá, em lugar nenhum eu menti que sou teu amigo, entendeu? Não é falando não, mas porra hoje eu tenho até restrição na minha ficha devido a reportagem de Globo lá, que consta na minha ficha que eu disse que sou seu amigo. E quem me pergunta, eu falo. Então às vezes a gente erra aí, mas não é errando querendo sacanear não, é errando às vezes sendo burro realmente como você falou. Sendo burro.

Cachoeira: Não. Tá tudo tranquilo. Agora, vamos trabalhar em conjunto porque só entre nós, esse estouro aí que aconteceu foi a gente. Foi a gente. Quer dizer: mais um. O Jairo, conta quantos foram. Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz. E tudo via Policarpo. Agora, o cara vai pensar que o Dadá trabalha para ele? Porque o Dadá não fez o que ele queria ele tem o direito de ficar chateado com o Dadá, rapaz? Um dia ele chegou perto de mim e falou assim: ‘Não, o Jairo eu gosto, mas aquele rapaz eu não gosto dele não. Aquilo é um malandro’. Vai tomar no cu. Ninguém trabalha para ele não, rapaz.

Jairo: E nós não estamos aqui para ele gostar da gente ou desgostar. A gente tem uns objetivos que às vezes infelizmente tem que passar por ele. Mas não tem nada de ele gostar ou deixar de gostar. Mas realmente eu nunca admiti que ele falasse mal do Dadá na minha frente não, nunca aceitei. E eu não tava sabendo dessa situação toda que você me colocou agora, entendeu, de ele ter metido o pau no Dadá pro Claudio. Aí é sacanagem dele, entendeu? Aí mais uma vez eu peço desculpa aí, Carlinhos. Desculpa mesmo. Jamais eu tive a intenção de sacanear nada, de sacanear ninguém. Pelo contrário, entendeu?

Cláudio: Não, porque se fosse com você, ô Jairo, eu tomaria as mesmas dores. Agora, não é bom você falar isso com o Policarpo não, sabe. É só afastar dele, sabe? Você tem que afastar dele e a barriga dele doer, sabe? É isso que nós temos de fazer. Tem que ter a troca, ô Jairo. Nunca cobramos a troca.

Jairo: Isso é verdade. De antemão ele está atrás de uma outra situação aí que veio me perguntar. Ou eu afasto dele ou se eu conseguir, aí eu te passo aí, tá? Mas, de antemão eu vou me afastar.

Cachoeira: E fala pra ele, Jairo, na hora que ele falar com você: ´O Policarpo, não vou ajudar mais não, sabe por que? Eu fiquei chateado aí, o Dadá está chateado com você porque você anda falando mal dele. O problema é que eu não trabalho para você, cara, eu não fico indo atrás das coisas para trabalhar pra você. Eu ganho algum centavo seu, Policarpo? Não ganho. Então o seguinte, na hora que eu pedi alguma coisa pra você, você nunca pode fazer. Você nunca faz, você corre. Então você tem que pôr isso na sua cabeça. Quantas matérias nós já te demos, o grupo já te deu? Quantas? E você nunca fez nada em troca, cara.

Jairo: Não. Beleza, beleza. A partir de agora eu vou me afastar dele. Apesar de ele ter um negócio aí de um retorno aí já antes dessa situação que você tá me colocando. Mas se eu colocar a mão nesse negócio, aí eu vou te entregar aí e tu decide o que faz aí.  

Cachoeira: Certamente, rapaz. Nós temos de ter jornalista na mão, ô Jairo. Nós temos que ter jornalista. O Policarpo nunca vai ser nosso. A gente vai estar sempre trabalhando para ele e ele nunca traz um negócio. Entendeu? Por exemplo, eu quero que ele faça uma reportagem de um cara que está matando a pau aqui, eu quero que eles façam uma reportagem da educação, sabe, um puta de um projeto de educação aqui. Pra você ver: ontem ele falou para mim que vai fazer a reportagem, mas acabando esse trem ai, ele pega e esquece de novo. Quer dizer, não tem o troco sabe.

Jairo: É, não tem não, não tem não. Ele não tem mesmo não. Ele é f...

Cachoeira: Não, não (Glória a Deus - ?) Então tá, um abraço, Jairo.

Jairo: Falou, meu irmão, Desculpa aí, tá?

Como calar a boca da Globo? Com dinheiro, oras!

Sanguessugado do DoLaDoDeLá

 

Carta aberta à Rede Globo de Televisão

O Movimento Organizado pela Moralidade Pública e Cidadania – Moral, vem manifestar seu apoio à campanha da Rede Globo com denúncias sobre corrupção apresentadas no programa Fantástico.

A importância desse tipo de denúncia vem compensar a falta de atividade legislativa no país, onde em todos os níveis não existe fiscalização dos atos do executivo. Assim, as propinas azeitam as milionárias campanhas políticas e as trocas de favores por cargos são tão comuns que o povo vive desesperançado.

No estado de Mato Grosso a grande mídia faz um silêncio pavoroso quando o assunto são as denúncias de quem ordena despesas para campanhas publicitárias que são um escândalo. Só a Assembléia legislativa em 2010 usou de 18 milhões do erário para comprar o silêncio da maioria dos veículos.

Por isso vimos pedir que a Rede Globo esclareça ao povo de Mato Grosso e do Brasil,porque em dezembro de 2010 deixou de levar ao ar uma reportagem feita pelo “repórter sem rosto” Eduardo Faustini sobre os processos que envolvem o presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Riva, acusado pelo Ministério Público de desviar, em valores atualizados, cerca de meio bilhão de reais dos cofres públicos.

O repórter da Globo, acompanhado de um militante da Ong Moral, com veículo locado pela entidade, foi a Campo Verde onde entrevistou os contadores que montaram as empresas fantasmas. No cemitério em Várzea Grande filmou o túmulo do homem que depois de morto assinou cheques recebidos da Assembléia. O repórter conversou com promotores que promoveram as ações e reuniu-se também com um grupo de dirigentes do Moral, quando as informações foram complementadas.

Porém, na noite do domingo quando todos sentaram à frente da televisão para assistir a reportagem do Fantástico, o que se viu foram quatro inserções de propaganda da Assembléia Legislativa e nada sobre as acusações ao deputado. A reportagem nunca foi ao ar.

O repórter Faustini passou a não atender as ligações em seus telefones, não dando nenhuma explicação para o silêncio da Rede Globo ante as graves denúncias. Enquanto os boatos nos meios jornalísticos e políticos davam conta que a negociação do silêncio envolveu a soma de 10 milhões de reais.

Não acreditando nos boatos, a direção da Ong Moral enviou uma carta ao Diretor de Jornalismo da emissora no Rio de Janeiro, Carlos Henrique Schroder, sem obter resposta. A falta de esclarecimento é um desrespeito inclusive aos profissionais sérios do jornalismo desta emissora que atuam em todo o país.

Como é sabido, o deputado José Riva responde a mais de cem processos, entre ações civis públicas e ações penais, que patinam nos meandros do nosso Poder Judiciário. Para se manter no comando do legislativo local por 17 anos, gasta em média 1,5 milhão de reais por mês com propaganda, emprega fantasmas e loteia favores para acomodar a maioria do seus pares calados e acovardados.

A Rede Globo de Televisão e o repórter Eduardo Faustini devem uma explicação à sociedade matogrossense. O melhor seria a apresentação a reportagem guardada, cujo assunto continua atual. Se aqui em nosso estado uma reportagem sobre corrupção, carregada de provas robustas foi engavetada, quantas mais pelo Brasil terão o mesmo destino?

Cuiabá, 30 de março de 2012.

Assinam os diretores da Ong Moral:

Ademar Adams

Cláudio Fim

Roberto Vaz da Costa

Gilmar Brunetto

Demóstenes-Cachoeira-Globo: debaixo desse angu tem caroço

Sanguessugado do Nassif

A auto-censura da mídia no caso Cachoeira

Por AlexRio

Apenas como informação.

A nota escrita pelo jornalista Théofilo Silva no blog da "Rádio do Moreno", constante no jornal O Globo de hoje, edição digital, foi retirada e censurada pelo próprio Moreno, a pedidos (ordem) do chefe de redação da publicação, "jornalista" Ascânio Seleme.

Há ainda um lamentável e pernicioso pedido de desculpas pela nota - que relata a ligação do Policarpo com o bicheiro - feito pelo próprio Moreno, que dá toda a razão ao tal Ascânio, seu chefe e dono de seu emprego.

Diz Moreno, na 'nota de desculpas', que jornalista não deve falar mal de jornalista. Acreditem se quiser.

Por frederico-rio de janeiro

Do blog do Moreno:

THEÓFILO SILVA A Cachoeira do Carlinhos Corre um boato em Brasília que tem gente que "caiu na cachaça", na cidade, que está tomando porres – de Scotch Blue Label, claro – fazendo festa, comemorando.

O motivo seria a desgraça do Catão de Goiás, o implacável caçador de corruptos, senador Demóstenes Torres. Eles estariam eufóricos, porque o homem que os apontou, quando da operação Caixa de Pandora, aquela que afastou todo o governo do Distrito Federal, está provando do mesmo remédio que lhes ministrou, e é agora vítima da Operação Monte Carlo da polícia federal.

Os exultantes farristas seriam, entre muitos outros, o ex-governador de Brasília José Roberto Arruda e sua quadrilha. Desculpem, turma, aquela mesma que perdeu os cargos públicos e passou boas semanas no Presídio da Papuda – belo nome para um presídio. Dizem que tem corrupto chorando de emoção, abraçando a família, mandando rezar missas, pagando promessas, até soltando fogos, por se sentir vingado, vendo o colega de partido, que não teve condescendência com eles, ser acusado de crimes mais graves do que o deles.

"Nada como um dia atrás do outro", estão dizendo os ex-deputados expulsos do DEM pela pronta ação de Demóstenes na executiva do Partido. Vemos que nem toda desgraça produz somente dor. A euforia das vítimas do Savonarola do Senado é uma prova de que a vingança é mesmo um prato servido frio!

Em sua cruzada ética pelo país, qualquer homem público acusado pela imprensa, polícia, promotoria, tinha em Demóstenes, o senador promotor, um rápido julgamento. Vamos esquecer Demóstenes um pouco, e falar do seu querido amigo e professor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Shakespeare diz em uma de suas peças que: "O dinheiro é o melhor soldado, quando ele vai à frente todas as portas se abrem!". Cachoeira seguia essa premissa, pois saiu derramando dinheiro pra tudo quanto é lado.

Será que o apelido Cachoeira é porque ele faz o dinheiro jorrar facilmente para as mãos de seus amigos: Demóstenes, Valdomiro, Leréia e outros? O Jornal Nacional mostrou um vídeo em que Cachoeira comenta que despejou três milhões de reais nos baldes do senador. E é só o começo, a polícia federal calcula que o montante chega a cinquenta milhões de reais!

Cachoeira conseguiu derramar seu dinheiro na Secretaria de Segurança Pública de Goiás, onde teria mais de 250 pessoas nomeadas, e outros servidores públicos trabalhando para ele, dentro da polícia federal, ministério público, poder judiciário, e por aí vai. Vários deles estão presos. Como água, que entra em todo canto, Cachoeira espalhou-se por dentro do Estado, minando as instituições públicas. Para acumular esse dinheiro, e comprar essas autoridades todas, Cachoeira explorava os jogos caça-níqueis por todo o estado de Goiás e entorno de Brasília. Para isso, contava com apoio do senador mais respeitado da República, o procurador de justiça Demóstenes Torres.

O fato é que, a Cachoeira do Carlinhos inundou o Estado, derramando dinheiro sobre todos aqueles que facilitavam seus crimes. Sem concorrentes, controlando um negócio ilícito, de lucro fácil, o contraventor podia comprar qualquer um. Um dos outros envolvidos por Cachoeira estaria o poderoso editor da revista Veja, Policarpo Júnior, que falou com Cachoeira mais de duzentas vezes por telefone.

Se você compra a imprensa e as autoridades públicas, o que mais falta para ser o dono do Estado? O grande problema do Cachoeira é que, numa Cachoeira quanto mais água ela jorra, mais incontrolável ela fica, então, do mesmo jeito que ela pode banhar os seres que vivem em torno dela, também pode afogá-los. De certa forma, foi isso que aconteceu com essa turma toda, a Cachoeira que os engordou, acabou por afogá-los!

Tem tanta gente afogada nessa história, que ainda não deu tempo de ver os corpos! Eles vão começar a aparecer agora! Demóstenes é o primeiro deles. Theófilo Silva é articulista colaborador da Rádio do Moreno.

Os homens da lei que se achavam acima da lei

Sanguessugado do Ricardo Kotscho

Alguns togados ainda se mostram surpresos e inconformados com o que está acontecendo. E reagem com ira a cada nova denúncia sobre as suas atividades pouco republicanas, agora tornadas públicas, ameaçando processar jornais e jornalistas.

Habituados a julgar os outros, certos da impunidade eterna de seres superiores, simplesmente não aceitam também ser investigados e julgados, a partir das iniciativas da ministra Eliana Calmon, que simplesmente colocou para funcionar a corregedoria do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e fazer o que sempre deveria ter feito.

Ao levantar o véu (ou as togas) da magistratura, Calmon mexeu num vespeiro. A cada dia surgem novas notícias de abusos, privilégios, benefícios pagos indevidamente, obrigando os próprios tribunais estaduais a tomar providências.

Esta semana, por exemplo, o Tribunal de Justiça de São Paulo mandou suspender o pagamento de verbas ilegais pagas a desembargadores a título de licença-prêmio.

Juízes indicados pela OAB na cota do quinto constitucional para compor as cortes estavam contando o tempo de exercício da advocacia para calcular o valor das licenças-prêmio a que os magistrados têm direito.

Só que tem um pequeno detalhe: na mesma decisão, o TJ-SP isentou os magistrados da obrigação de devolverem o dinheiro recebido ilegalmente durante anos_ o nosso dinheiro, é bom lembrar _ alegando que eles agiram de "boa-fé".

Como assim? Se por acaso a Receita Federal me pagar um valor de devolução de imposto de renda superior ao que teria direito, posso simplesmente embolsar a grana? Ou devo comunicar o erro e reembolsar o Tesouro Nacional?

Da mesma forma, o leitor acha justo que os homens da lei que recebem o teto salarial do funcionalismo público, algo em torno de R$ 26 mil por mês, tenham agora também direito a receber vale-refeição _ e ainda por cima com efeito retroativo?

Este vale, assim como o vale-transporte, foi criado para complementar a remuneração de trabalhadores de baixa renda, assim como o auxílio-moradia é pago para o funcionário público deslocado da sua cidade de origem.

No caso dos 300 e tantos desembargadores de São Paulo, que trabalham no Tribunal de Justiça de São Paulo e moram em São Paulo, que sentido faz o pagamento de auxílio-moradia?

Para que eles precisam de vales disso e daquilo com o salário que recebem? Chegam a ser humilhantes estes penduricalhos que aumentam a renda de quem já está no topo da pirâmide social.

A cada enxadada que dá a corregedora-geral Eliana Calmon, aparecem mais minhocas que estavam postas em sossego sob o solo dos tribunais, colocando em risco a imagem do nosso Judiciário, que deveria dar o exemplo do cumprimento da lei, teoricamente igual para todos, e do zelo com o dinheiro público.

THEOTONIO DOS SANTOS: La Teoría de la Dependencia - “El capitalismo se aproxima a una crisis ideológica”,

Sanguessugado do Otro Uruguay es Posible

.-La Teoría de la Dependencia ya ha demostrado que el capitalismo no promueve el crecimiento y el progreso en los países en desarrollo. Con lo que está pasando en Estados Unidos y Europa, ¿puede afirmarse que ha entrado en una crisis estructural y tampoco los promueve en los países industrializados?

- Bueno, la verdad es que el capitalismo vive una crisis estructural desde que entró en la etapa imperialista, a finales del siglo XIX. La gente habla del siglo XX como si hubiese sido un tiempo de éxito del capitalismo, pero no lo fue. La I Guerra Mundial fue una confrontación colosal entre las potencias imperialistas, con millones de muertos y una enorme destrucción de fuerzas productivas. Eso no es un éxito. Luego se produjo una revolución socialista que comenzó en Rusia y se expandió por Europa y el resto del mundo, incluyendo México. Eso tampoco fue un éxito para el capitalismo. Después vino la crisis de 1929, que derrumbó las economías capitalistas por 20 años, y hubo otra guerra mundial con 60 millones de muertos. Eso no fue un éxito.

En la segunda mitad del siglo fue cuando el capitalismo logró consolidarse, pero lo hizo con una expansión del gasto público hasta 40% del Producto Interno Bruto, es decir, que tuvo éxito solo cuando incorporó al Estado de manera muy fuerte en la economía, es decir, mediante una fórmula supuestamente no capitalista. En los años 70 y 80 se pretende abandonar esas recetas de (John Maynard) Keynes (1883-1946, economista inglés que defendió el rol del Estado como motor principal de la economía). Fue eso que se llamó neoliberalismo, una locura que significaba volver al siglo XVIII, pero que se presentaba como lo más avanzado. Esa locura sirvió solo a los monopolios y al sector financiero, que pasó a intervenir en rol protagónico en la economía, a nombre de un ente supuestamente abstracto que es el mercado. Uno oye hablar en la televisión de que “el mercado quiere”, “el mercado dice”, y si se investiga bien quién es el mercado, resulta que son cinco tipos que controlan el sector financiero. El intento neoliberal, que parecía victorioso en los años 90, generó un desequilibrio económico brutal. La deuda de Estados Unidos, al iniciarse la era Reagan era de 50 mil millones de dólares, y al finalizar, de 350 mil millones…

.–Sin embargo, Reagan es el paradigma del supuesto éxito del neoliberalismo….-

–Es que esa gente tiene un discurso completamente diferente de su práctica. Es algo que discutí mucho con mis colegas durante esos años. Muchos de ellos llegaron a creer que el neoliberalismo era exitoso. Ellos usan la teoría para justificar las privatizaciones, la desregulación laboral, el recorte de la inversión social, pero no para disminuir la intervención del Estado.

En rigor, el capitalismo de Estado es la única forma de supervivencia del capitalismo.

.–¿Podrá el capitalismo reinventarse o reconducirse?

.–La solución que han buscado, en lugar de corregir los desequilibrios, es acentuarlos, apoyar masivamente a un sistema bancario inútil porque vive de la deuda pública, no de financiar al aparato productivo.

.–¿Puede pronosticarse entonces una crisis social generalizada en los principales países capitalistas?

.–Estamos en un proceso de crisis que se va profundizando. Todos esos países están obligados a cortar gastos porque tienen grandes déficit, pero no pueden reducir los pagos de la deuda porque el sector financiero maneja tal cantidad de recursos que le permite someter a su control casi todo el aparato de poder. Es una ideología que lleva el irracionalismo a un nivel superlativo. Es un mundo totalmente falso. El capitalismo está perdiendo capacidad para convencer a las personas porque la gente ve que ha perdido sus derechos a la salud, a la educación, a la seguridad social, y todo ello para que el Estado pueda darle dinero a los bancos. Es demasiado irracional. Han tratado de disfrazarlo de muchas maneras, pero la gente se da cuenta y está en la calle. Los neoliberales te dicen que lo peor es la inflación porque se come tu renta, y que para combatirla hay que cortar el gasto despidiendo a mucha gente. Bueno, esa gente se queda absolutamente sin renta. El que antes tenía una renta maltrecha, ahora no tiene nada… ¡Y hay expertos que todavía dudan si eso es correcto o no! Es una estructura de pensamiento que tiene que falsificar tanto la realidad que ha perdido mucha de su capacidad de convencer. Estamos próximos a una crisis ideológica del capitalismo, que ya existe en parte, pero aún no ha alcanzado su máximo nivel

.–En Venezuela hay un propósito de avanzar hacia el socialismo, pero la cultura sigue siendo predominantemente capitalista. ¿Cómo cree que se va a decantar este proceso?

.- El que Venezuela se haya definido como socialista en un momento en que el socialismo estaba en baja, le ha permitido al liderazgo político, y particularmente al presidente Chávez, producir un movimiento de conciencia para una transformación profunda. Venezuela tiene la ventaja de disponer de una formidable fuente de ingresos y el Gobierno los reorientó para atender las necesidades de los más pobres. Por lo tanto, ellos sienten el efecto material de las ideas socialistas. No es que se esté creando una economía socialista, pero se está dando una respuesta no capitalista e inmediata en la utilización de esos recursos. Otro asunto es cómo realizar inversiones que permitan la acumulación de capital para asegurar el crecimiento de la economía. En eso se han dado algunos pasos, pero es un tema mucho más complejo, precisamente por la cultura rentista de la sociedad.

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Economista de culto

Así como existen los “escritores de culto”, que no se mueven con las tendencias de moda y –por eso– tienen exclusivos clubes de fans, puede decirse que Theotonio dos Santos es un economista de culto. Sus estudios de la Teoría de la Dependencia lo convirtieron tempranamente en un mito viviente, en especial en círculos de la izquierda latinoamericana.

Hoy, con 75 años de edad, este brasileño nacido en Minas Gerais se mantiene activo, llevando su mensaje adonde quieran oírlo. La semana pasada estuvo en Caracas, participando en la VIII Feria Internacional del Libro de Venezuela.

Aprovechando su bien ganada condición de oráculo, le preguntamos si nuestras alianzas con la indetenible China no estarán sembrando la semilla de una nueva dependencia. Respondió: “Las inversiones chinas son principalmente estatales y de pequeñas empresas que están muy lejos de ser fuerzas monopólicas como las corporaciones capitalistas. Al menos por los momentos, no se empeñarán en llevarse ganancias muy grandes, que es uno de los aspectos negativos de la inversión extranjera. No creo que en este momento representen un peligro de tipo imperialista. Venezuela hizo acuerdos muy buenos con China. Otros países de América Latina deberían hacer lo mismo, pero no lo hacen porque nuestras clases dominantes no tienen proyecto propio”.

Le recordamos que alguna vez las denominó “clases dominantes dominadas” y comentó: “Eso es exactamente lo que siguen siendo”.

CLODOVALDO HERNÁNDEZ

ESPECIAL PARA CIUDAD CCS

FOTO JACK BOCARANDA

Fuente: www.ciudadccs.info

A CÚPULA DOS BRICS E O BOICOTE DA MÍDIA OCIDENTAL .

Sanguessugado do Mauro Santayana 

A cada ano, quando chega a época da Cúpula Presidencial dos BRICS – a quarta edição desse encontro acaba de terminar em Nova Delhi, a capital indiana – torna-se cada vez mais evidente, para o observador atento, o patético esforço da mídia “ocidental” (entre ela boa parte da nossa própria imprensa) de desconstruir a imagem de uma aliança geopólítica que reúne quatro das cinco maiores nações do planeta em território, recursos naturais e população e que está destinada a modificar a o equilíbrio de poder no mundo, no século XXI.

Essa estratégia – com a relativa exceção dos meios especializados em economia - vai de simplesmente ignorar o encontro, à tentativa de diminuir sua importância, ou semear dúvidas sobre a unidade dos principais países emergentes, tentando ressaltar suas diferenças, no lugar do reconhecer o que realmente importa: a política comum dos BRICS de oposição à postura neocolonial de uma Europa e de um EUA cada vez mais instáveis, que se debatem com um franco processo de decadência econômica, diplomática e social.

Para isso, a mídia ocidental – incluindo a “nossa” - ignora os despachos das agências oficiais dos BRICS, principalmente as russas e as chinesas, que ressaltam a importância do Grupo e de suas iniciativas para suas próprias nações – o Brasil inexplicavelmente ainda não possui serviços noticiosos em outros idiomas, coisa que até mesmo Angola utiliza, e muito bem – e se concentra em procurar e entrevistar observadores “ocidentais” ou pró-ocidentais situados em esses países, que se dedicam a repetir a cantilena da “impossibilidade” do estabelecimento de uma aliança geopolítica de fato entre o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, baseados nos seguintes argumentos:

- A “distância” entre o Brasil, a África do Sul, e a Rússia, a índia e a China, como se em um mundo em que a informação é instantânea e um míssil atinge qualquer ponto do globo em menos de quatro horas, isso tivesse a menor importância.

- O fato de a África do Sul, o Brasil e a Índia serem democracias, e a China e a Rússia não serem democracias “plenas ” segundo o elástico conceito ocidental, que não considera a Venezuela uma democracia “plena”, mas o Kuwait ou a Arábia Saudita – autocracias herdadas e governadas pelo direito de sangue - sim.

- A concorrência da Índia, da China e da índia no espaço asiático, como se esses três países não cooperassem, até mesmo no campo militar, e não mantivessem reuniões, há muitos anos, para resolução de problemas eventuais.

- A rotulagem desses países em “exportadores de commodities” como a Rússia e o Brasil, “provedores de serviços”, como a India, e “fábricas do mundo”, como a China, como se essa situação, caso fosse verdadeira, não pudesse ser usada a favor de uma aliança intercomplementar, ou como se Rússia, Brasil e índia também não produzissem manufaturados, e entre eles produtos industriais avançados, como aviões, por exemplo.

É óbvio que uma aliança como os BRICS, que reúne um terço do território mundial, 25% do PIB, e praticamente a metade da população humana não se consolidará, política e militarmente, de uma hora para a outra. Mas também é igualmente claro, que não se trata de um grupo heterogêneo de nações que não tenham nada a ver uma com a outra.

Se assim fosse, o Brasil não estaria fornecendo aviões-radares para a índia, não estaríamos desenvolvendo mísseis ar-ar e terra-ar com a DENEL sul-africana, ou comprando helicópteros russos de combate, ou não teríamos, há anos, um programa de satélites de sensoriamento remoto com a China.

O primeiro traço comum entre os grandes “brics” como a Rússia, a China, a índia e o Brasil, e, em menor grau, a África do Sul, é, como demonstra a sua oposição à política ocidental para com a Libia e a Siria, o respeito ao princípio de não intervenção.

Porque o Brasil, a Rússia, a índia, a China, não aceitam que se intervenha em terceiros países, em função de questões relacionadas aos “direitos humanos”, por exemplo, ou devido à questão nuclear ?

Porque, como são países que prezam a sua soberania, não aceitam que, amanhã, o mesmo “ocidente” que hoje ataca a Libia, a Siria, ou o Irã, venha se unir contra um deles, qualquer deles, por causa de outras questões, como poderia acontecer conosco, eventualmente, no caso dos “ direitos” indígenas, ou da defesa da Amazônia, o “pulmão do mundo”.

Quem tem telhado de vidro não joga pedra nos outros. Que atire a primeira quem nunca pisou na bola. Qual é o país, hoje, que pode acordar pela manhã, olhar-se, enquanto sociedade, no espelho, e dizer que não tem nenhum problema de direitos humanos?

E mais, quem arvorou à Europa e aos norte-americanos a missão de julgar o mundo? Pode um país como os Estados Unidos, que invadiu e destruiu o Iraque, por causa de outro mito intervencionista, o da existência – comprovadamente falsa - de armas de destruição em massa naquele país, falar em direitos humanos ?

Pode uma Nação que inventou e usou, no Vietnam, centenas de toneladas de um veneno químico chamado agente laranja, contaminando para sempre o solo e as águas de milhares de hectares de selva, falar em defesa da natureza e das florestas tropicais?

Ou pode um país que jogou duas bombas atômicas sobre dezenas de milhares de velhos, mulheres e crianças desarmadas, queimando-as até os ossos - quando poderia – se quisesse – tê-las testado sobre soldados do exército ou da marinha japonesa, falar, em sã consciência, de controle de armamento atômico e da não proliferação nuclear?

A realidade por trás do discurso de defesa dos direitos humanos e da natureza é muito mais complexa do que Hollywood mostra às nossas incautas multidões em filmes como Avatar. Por mais que muitos espíritos de "vira-lata" queiram - mesmo dentro do nosso país - que Deus tivesse dado à Europa e aos Estados Unidos o direito de governar o mundo, para defender seu artificial e efêmero “american way of life”, ele não o fez.

Pequenos países, como a Espanha ou a Itália, na ilusão de se sentirem maiores, podem – assim o decidiram suas elites - abdicar de sua soberania política e econômica e bombardear a população civil na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, em defesa de uma impossibilidade quimérica como a Europa do euro, e do mandato da “Pax Americana”.

Nações como o Brasil, a Índia, a China e a Rússia, se aferram ao direito à soberania, ao recurso à diplomacia, à primazia da negociação. Não se pode salvar vidas distribuindo armas para um bando descontrolado de açougueiros que espanca e mata prisioneiros indefesos, desarmados e ensanguentados – mesmo que eles se chamem Khadaffi – e obriga jovens muçulmanos a desfilarem em fila, de joelhos, repetidas e infinitas vezes, sob a lente da câmera e a ameaça de armas e chicotes, para mastigar e engolir nacos de cadáveres de cães putrefatos. O futuro da humanidade no século XXI e nos próximos, depende cada vez mais da emergência de um mundo multipolar que se oponha à pretensa hegemonia “ocidental”. E é isso – queiram ou não os jornais e comentaristas europeus e norte-americanos – que está em jogo a cada nova Cúpula dos BRICS, como a de Nova Delhi.

China - os Viajantes na Tempestade

Sanguessugado do redecastorphoto

Pepe Escobar, Al-Jazeera, Qatar

China’s riders on the storm

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Into this house we're born

Into this world we're thrown

Like a dog without a bone

An actor on loan

Riders on the Storm, Jim Morrison, The Doors, 1971 [1]

 

Hong Kong. Poucos fora da China conhecem bem a nevoenta Chongqing, no alto rio Yangtze, no coração da província Sichuan. Pois bem. É a maior megalópole do planeta, 30 milhões de habitantes, e crescendo. Vive mais gente em Chongqing que em todo o Iraque, ou na Malásia.

E então, de repente, Chongqing virou o assunto da hora na cidade (global), como uma nova Roma distópica, graças a um monumental escândalo político que eclodiu durante o Congresso Nacional do Povo, dia 15/3: a queda de Bo Xilai, membro do Politburo e secretário do Partido para Chongqing.

Bo, astuto e figura ‘midiática’, era uma espécie de estrela pop na China, principal promotor do chamado “Modelo Chongqing”: uma volta ao passado, de inspiração parcialmente maoísta, para maior controle estatal sobre a economia, melhores serviços sociais, dura repressão à máfia local e esforço para redistribuir riqueza, para amenizar a desigualdade social.

Apesar de ser “príncipe coroado” – filho de um dos oito imortais da geração revolucionária de Mao Tse Tung – Bo cumpriu todo o percurso da hiper complexa hierarquia do partido, desde baixo até o poder e a fama.

Em 2007, foi promovido, de ministro do Comércio, ao comando do Partido em Chongqing. O que mais queria, seu Santo Graal, era ser admitido ao Comitê Dirigente, de nove membros, do Politburo (25 membros) – o pessoal que realmente governa a China Inc., como muito seleta oligarquia.

A arma preferida de Bo sempre foi bastante sofisticada: sua campanha política neomaoísta de purificação (nesse caso, livrar-se da máfia local) – inspirada na Revolução Cultural de Mao (1966-1976) reuniu muitos intelectuais locais, como assessores e conselheiros. Não surpreende que se tenha tornado furiosamente popular. Dezenas de milhões de chineses ressentem-se profundamente da arrogância dos novos ricos – alguns dos quais fizeram fortuna por meios tão rápidos quanto suspeitos; e qualquer discurso anticorrupção, combinado à luta contra a desigualdade social, não teria como dar errado.

O problema é que, aos olhos da liderança coletiva em Pequim, sim, deu tudo errado. E veio a queda – precipitada pela deserção e subsequente prisão do principal assessor de Bo, Wang Lijun, que procurou abrigo no, nada mais nada menos, prédio do Consulado dos EUA em Chengdu, a totalmente frenética capital da província Sichuan.

Trata-se de uma Ferrari? Ou será um tanque blindado?

Ansiosa para decifrar o que estaria em trânsito, de Sichuan até os corredores do poder em Pequim, a mídia-empresa ocidental bebeu diretamente de fonte descomunalmente conspiracional, onde encontrou farta coleção de tolices, do muito tolo [2] ao ainda muito mais tolo [3] , com direito a píncaros de tolice [4].

As páginas chinesas de micro-blogging como Sina Weibo e QQ Weibo, e o mural de notícias do browser Baidu, até especularam um pouco sobre “anormalidades” em Pequim, na noite de 19/3. Mas, se você sabe configurar a coisa, é muito fácil acessar Google, YouTube e Facebook na China. A ideia de que pudesse ter havido tanques nas ruas de Pequim, sem que ninguém nem visse nem fotografasse é, simplesmente, grotesca, cômica.

Quase sempre, para encontrar pistas do que realmente esteja acontecendo na atmosfera rarefeita dos círculos internos da política chinesa, é preciso consultar a mídia oficial. Significativamente, num ensaio não assinado, que se disseminou como vírus, o jornal Global Times fez referência ao “incidente de Chongqing” sem qualquer referência a Bo, e conclamou o povo chinês a confiar na liderança do Partido.

O que nos obriga à pergunta inevitável: qual é, nesse momento, a linha do Partido?

Leitura das folhas de chá diz-nos que a queda de Bo aconteceu apenas um dia antes de o premiê Wen Jiabao anunciar oficialmente que a China precisava de profundas reformas políticas.

É dizer pouco, para dizer o mínimo. A China está hoje no olho do furacão não só de uma transição política que acontece pela primeira vez nessa década; está também no olho do furacão de uma transição tectônica que acontece pela primeira vez na atual geração: transita de um modelo econômico bem-sucedido modelado por investimento massivo, para a realidade emergente de uma sociedade de consumo.

Muito evidentemente, o Partido mostra-se mais que ultra cauteloso, no movimento Deng-Xiaopinguesco de “cruzar o rio sentindo as pedras”. E bem nessa hora, surge o carismático Bo – uma espécie de “Slick Willie” Clinton [5] chinês – e desnuda todas as indecisões da cúpula. A cúpula, simplesmente, não conseguiu lidar com ele.

Ou o consenso ou o caos

Por milênios, a China viveu sob o feitiço do “Mandato dos Céus [orig. Mandate of Heaven] [6]. Se o Imperador perdesse o divino mandato, perdia a legitimidade e tinha de deixar o trono. Nesse sentido, Mao foi O Último Imperador. O Pequeno Timoneiro Deng Xiaoping – um dos gigantes do século 20, o homem que empurrou a China para a pós-modernidade – detestava encenações imperiais. Seus sucessores, Jiang Zemin e Hu Jintao, foram ainda mais discretos e autoapagados.

O Partido Comunista insiste absolutamente em se autodescrever como liderança coletiva meritocrática confucionista, que administra por consenso o país. O “consenso” acontece, sobretudo, entre os 25 membros do Politburo; e os nove membros do Comitê Dirigente são os decisores/implementadores.

Qualquer crítica, na China, que conteste a legitimidade política do partido, é esmagada sem piedade. Mas o Partido, em muitas instâncias, admite que o povo manifeste, com relativa liberdade, a angústia social e econômica. E ver-se-á acontecer doravante, cada vez mais frequentemente, com a nova classe média urbana que é a que mais fala sempre contra os incontáveis casos de corrupção dentro do Partido.

Nenhum terremoto político impedirá que Xi Jinping, atual vice-presidente, seja nomeado secretário-geral do Partido nesse outono e presidente em março de 2013. Em termos de personalidade, Xi é o oposto de Bo, uma espécie de “progressista cauteloso” pragmático – em contexto chinês –, e inimigo de “conversa vazia”. Seu motto pessoal é “Orgulhe-se, mas sem complacência”.

Xi foi escolhido não só pelos nove poderosos membros do Comitê Dirigente, mas em muito ampla eleição interna. Já demonstrou competência para governar em vários níveis da administração: vila, condado, cidade e província.

Governou três regiões ultra dinâmicas da China – Fujian, Zhejiang e Xangai, essa espécie de usina chinesa. Equivale, em termos ocidentais, a ter sido primeiro-ministro, sucessivamente, da Grã-Bretanha, da França e da Alemanha.

Xi, não por acaso, publicou artigo recentemente em que enterra a abordagem de Bo, e condena líderes que “jogam para as massas” ou “almejam fama e fortuna”; e exortou a que se busque o consenso – políticas “decididas segundo o saber coletivo, mediante procedimentos estritos e claros”. Em outras palavras, é do nosso jeito (liderança coletiva), ou é de cima para baixo (o que, em contexto chinês, significa luan, o caos).

Quando os modelos colidem

Dentro da China, o modelo Guangdong é o principal concorrente do modelo Chongqing. Guangdong é uma Meca provincial no sul da China, próxima de Hong Kong; ali se pratica o mais frenético neoliberalismo pró-mercado.

A Economia de Bo privilegiou a competição entre empresas estatais (por exemplo, não se permitem comerciais publicitários na TV). O quê, segundo a oligarquia de Pequim, minou a própria base do milagre chinês: um estado de certo modo reduzido, que não se interessa por intervir nos negócios.

O modelo Guangdong enfatiza o crescimento mais alucinado, combinado com espaço suficiente para reformas políticas significativas, com governo sempre mais transparente. Não por acaso, Bo foi substituído em Chongqing por Zhang Dejiang, um vice-chanceler que estava encarregado da política industrial e que, significativamente, foi ex-secretário do Partido em Guangdong. 

Traduzindo: para a liderança do Partido, a via a seguir é o neoliberalismo chinês; é mais importante, até, que a luta contra a corrupção e que a luta contra a desigualdade social. Por quê? Porque o dinamismo do mercado – estimulado por algumas reformas – deve reinar; afinal, foi a ferramenta que fez a China crescer à velocidade que todos viram.

A trama oculta de um trilhão de yuan é que o neoliberalismo ocidental está sendo imposto na China, mas contra a vontade de muita gente. A prova? Se houvesse eleições de estilo ocidental em Chongqing, Bo seria eleito por uma avalanche de votos.

A China também está vendo Hong Kong às voltas com, exatamente, essas “reformas políticas” de que falou Wen Jiabao; na eleição “controlada”, não exatamente democrática, para o posto ultra sensível de principal chefe executivo de Hong Kong.

Pelo paradigma “um país, dois sistemas”, de Deng, tudo que acontece de político em Hong Kong é útil para que se perceba o modo pelo qual a China está-se deslocando na direção de um sistema mais democrático.

Em Hong Kong, só votaram os 1.200 membros do Comitê Eleitoral de Hong Kong – uma seleção de ricos magnatas, altos funcionários públicos e políticos.

Os dois principais candidatos receberam o selo de aprovação de Pequim. O terceiro, Albert Ho – presidente do Partido Democrático de Hong Kong – sabia que não era elegível. Pelo menos, disse que “Obrigar-me a escolher [entre os outros dois candidatos] seria como meter uma pistola na minha testa. E eu diria, ‘Atirem!’.”

No final, aqueles super eleitores elegeram Leung Chun-ying, conhecido ali como CY Leung, por 689, contra 285 votos de Henry Tang (Ho teve apenas 76 votos).

Em Hong Kong, como na China, a corrupção ainda é parte do quadro. CY Leung é alvo de investigação num caso de conflito de interesses num projeto de construção (como se adivinharia facilmente, CY é empresário do ramo de empreendimentos imobiliários em Hong Kong).

Mas em Hong Kong, diferente da China, houve muitas manifestações e muito barulho nas ruas em frente ao Centro de Convenções onde aconteciam as eleições [7]. Os manifestantes exigiram eleições diretas e brandiam faixas em que se lia: “Sem revolta, não há mudança”.

Pode-se imaginar o desconforto em Pequim. Embora Pequim não decida imperialmente quem governa Hong Kong, a ordem do Partido é que o líder escolhido tem de ser “aceitável” aos olhos do povo de Hong Kong. Seria interessante pesquisar em profundidade, para saber se “o povo de Hong Kong” crê que CY Leung zelará pelos interesses do povo.

Imaginem agora a possibilidade de milhões de chineses da nova classe média urbana decidirem, de repente, que “Sem revolta, não há mudança”. Para impedir que aconteça, a oligarquia de Pequim não podia correr o risco de deixar ativo o populista Bo, para servir de modelo. Bo ameaçava não só a estabilidade no topo; ameaçava também o modo como essa tão cuidadosamente divulgada estabilidade é percebida pelos 1,3 bilhão de chineses na base da pirâmide.

Portanto, a coesão, o consenso e a estabilidade tiveram de prevalecer como mensagem única, ao mesmo tempo em que as fragilidades da China vão ficando cada dia mais expostas: como arrancar dezenas de milhões mais de chineses do beco agrário sem saída onde ainda estão; como dar assistência decente à saúde desses dezenas de milhões de chineses; e como combater as várias instâncias da corrupção do partido.

Não há dúvidas de que a China modernizada por inspiração de Deng impôs um massivo desafio estratégico, ideológico e político a um ocidente ainda embasbacado e confuso.

A China é lar de civilização antiga e imensamente sofisticada. Vive lá um oceano de humanidade, e está sendo modernizada há apenas três décadas (um minuto, pelos padrões chineses). O caso Bo é um pormenor. Só teremos visão mais clara de onde estará a China em 2020 depois de passado o próximo outono, ou lá pela primavera de 2013. Mas que ninguém se engane: a estabilidade, como o budismo ensina, é ilusão. Os líderes chineses são hoje viajantes na tempestade [8].

Notas dos tradutores

[1] Epígrafe acrescentada pelos tradutores.

[2] 22/3/2012 - Daily Mail, UK, em: “Tanks in the streets of Beijing': Chinese leaders order internet whitewash amid rumours of attempted military coup”.

[3] 21/3/2012 - Washington Times, USA, em: “Inside the Ring: Beijing coup rumors”.

[4]  22/3/2012 - Foreign Policy, The Great Rumor Mill of China

[5] Lit. “Willie escorregadio”. No Urban Dictionnary lê-se, no verbete “Slick Willy”: “Apelido que o pres. Bill Clinton recebeu, pela reconhecida incapacidade para encontrar a palavra certa na hora certa e para negócios; e pela competência com que se mete em tais confusões que, volta e meia é ameaçado de impeachment. Sinônimo de “não pode ver rabo de saia”. Na Grã-Bretanha, é sinônimo de “pênis”.

[6] “Mandate of Heaven” - Conceito tradicional na filosofia chinesa, semelhante ao que, no ocidente, se entende por “direito divino dos reis”.

[7] 25/3/2012 - Al-Jazeera, em: “Hong Kong elite choose Leung as leader

[8] Orig. Riders on the Storm  [viajantes na tempestade], é título de rock de Jim Morrison, do álbum “LA Woman” (The Doors), de 1971 com letra traduzida. A letra faz referência à história de Billy Cook, assassino serial que se fazia passar por caminhoneiro, nos EUA, nos anos 50s e que ganhou notoriedade quando chacinou uma família inteira (esse é um possível “viajante na tempestade” de que fala a letra). Snoop Dogg recriou a gravação histórica de Morrison, com intervenções, em que canta como se o viajante na tempestade fosse ele próprio, perseguido pela polícia (e é mais um tipo de “viajante na tempestade”; há muitos), para a trilha sonora do jogo “Need For Speed: Underground 2” da Electronic Arts.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Embaixador do Irã desmistifica imagem de seu país em palestra na ABI

Sanguessugado do Burgos

Embaixador do Irã, Mohammad Ezabadi respondeu a todas as perguntas

Embaixador do Irã no Brasil, Mohammad Ali Ghanezadeg Ezabadi conversou animadamente, na noite passada, com um público eclético, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio, e desmistificou a imagem de um país que, sob o ponto de vista de seus inimigos, como os EUA e Israel, seria uma ameaça à paz mundial. Sempre em tom amistoso, sem elevar uma só vez o tom da voz que respondia em fasi às perguntas formuladas em português, Ezabadi foi aplaudido ao destensionar a audiência com uma afirmação inusitada para aqueles que imaginam os iranianos como repressores das mulheres:

– Lá no Irã, a última palavra, diante do que a mulher está dizendo, é sempre dos homens: “Sim, senhora”.

A palestra, promovida pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás, AEPET, Sindicato do Petroleiros do Rio de Janeiro-SINDIPETRO, CGTB e o Partido Pátria Livre-PPL, abordava o tema da energia nuclear como o centro da pauta, mas temas como o Holocausto, as ameaças dos EUA e de Israel contra o Programa nuclear iraniano e a suposta ameaça nuclear que estaria em curso no país terminaram por dominar o encontro.

– A proposta iraniana é de energia nuclear para todos e armas nucleares para país nenhum – desarmou o diplomata.

Segundo Ezabadi, a verdadeira razão do conflito que se desenha, no Golfo Pérsico, entre os EUA e seus aliados é o petróleo, “é isso que motiva os EUA e outros países a querer dominar o mundo”, afirmou.

– O Irã é o segundo país do mundo em gás natural e petróleo. E o primeiro que em recursos de hidrocarbonetos. Certamente, haverá uma grande repercussão no mundo no momento em que o Irã passar a somar esse fato a um grande desenvolvimento tecnológico, que é nosso objetivo. No futuro a energia será o ponto final das conversas – previu.

Sobre a construção de artefatos militares a partir do desenvolvimento nuclear, o Embaixador desfaz o discurso do Ocidente.

– Isso é um slogan dos EUA sobre o desenvolvimento da tecnologia no Irã. Nós desenvolvemos a energia nuclear para fins pacíficos. Não acreditamos que possuir uma bomba atômica ou fabricar a bomba atômica seja capaz de oferecer segurança para qualquer país. Vejam o caso da ex-URSS. O país possuía muitas bombas atômicas e isso não impediu o colapso do regime. A África do Sul, com todo o seu arsenal atômico, não conseguiu enfrentar as grandes manifestações que colocaram fim ao Apartheid. Nós acreditamos que a segurança de um país está assegurada pela justiça social, pela distribuição da riqueza para o povo, nas posições firmes da nação – afirmou o embaixador.

O desgaste da imagem do Irã perante a opinião pública também foi um fato abordado durante os questionamentos respondidos por Ezabadi. A ação da mídia conservadora, alinhada aos interesses dos EUA, tem causado um estrago considerável na imagem do Irã, admite o diplomata, mas ele espera reverter o quadro “com a verdade”.

– Nada melhor do que a verdade para reparar estes danos causados pela campanha de difamação a qual meu país tem enfrentado, em nível mundial. A imagem do Irã, apresentada pela imprensa ocidental, não nos deixa contentes. Basta olhar para história contemporânea iraniana: nunca invadimos nenhuns pais, nunca tivemos um conflito sequer iniciado pelo Irã. Todos podem comprovar que nestes últimos 30 anos, não houve um atentado terrorista sequer no qual o Irã estivesse por trás, nunca foi comprovado isso. Nos atentados de 11 de setembro, será que o Irã estava atrás de tudo isso? Alguém ouvir falar ou leu uma noticia sequer de que um judeu, em qualquer parte do mundo, foi assassinado por um iraniano? Não temos nada contra os judeus. Historicamente o povo iraniano salvou o povo judeu e isso foi registrado na nossa história. O povo judeu esta concentrado no Estado de Israel, mas há uma comunidade grande de judeus que vive no Irã. É tão importante que tem representantes no nosso parlamento – ressaltou.

Ezabadi frisou, ainda, que o argumento do governo sionista de Israel para avocar o direito de autodefesa trata-se, na realidade, de uma falácia. Segundo o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, seu contraparte iraniano, Mahmoud Ahmadinejad teria afirmado que o objetivo do Estado iraniano é “varrer Israel do mapa”, após não reconhecer a existência do Holocausto.

– O que o presidente Ahmadinejad fez, na verdade, foi uma pergunta: “Por que o Holocausto, se existiu mesmo, não pode ser pesquisado por ninguém que não seja judeu?”. Daí todo esse mal entendido que se arrasta por tantos anos – rebateu

Apoio brasileiro

Em sua primeira palestra aos brasileiros, o embaixador Ezabadi também fez questão de frisar o apoio do governo brasileiro ao Irã, consolidado na atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o auge da crise entre o Irã e o Ocidente, na questão nuclear.

– O presidente Lula colocou o Brasil, de maneira definitiva, no cenário internacional, ao mediar juntamente com a Turquia as negociações junto à ONU, quanto ao nosso programa de enriquecimento de urânio. Somos signatários, desde então, do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, fato que as nações alinhadas aos EUA fazem questão de esquecer. Mas, desde então, temos no Brasil um parceiro sincero e agora, no governo da presidenta Dilma,consolidamos essa ótima relação – concluiu o embaixador iraniano.

Os fundilhos da UDN

Sanguessugado do Tijolaço

Fernando Brito

O senador Demóstenes Torres seria apenas mais um caso de promiscuidade entre políticos e interesses privados – criminosos ou “apenas” escusos -, somente  um dos muitos que a gente sabe que há por aí.

Com bicheiros, com empreiteiros e – os mais sofisticados – com banqueiros e outros “financeiros”.

Seria, não fosse a evidente cumplicidade que se formava entre ele e dirigentes do Judiciário e com a mídia.

Demóstenes era um dos “cavaleiros da moralidade”, incensado pela mídia em geral e, como se sabe agora, com “canais particulares” com o núcleo do que Brizola chamava de “Comando Marrom”, a revista Veja, com a mesma intimidade de quem “quebrava galhos” de Carlinhos Cachoeira.

Ele esteve no centro de quase todas as “ondas moralizadoras” da imprensa desde o início do Governo Lula que, curiosamente, começaram com o caso Waldomiro Diniz – Carlinhos Cachoeira, que agora, sabe-se, era saudado por ele como um “Fala, Professor!”

Demóstenes, porém – o legado refere-se à sua auto-admitida morte política -,  deixa  uma lição  para a política brasileira.

Uma lição que, mesmo sendo ensinada desde os anos 40 pela UDN, ainda não foi completamente absorvida pelo nosso pensamento.

Não é raro, nem é exceção que os cruzados da moralidade tenham, eles próprios, os fundilhos imundos.

E não é raro, nem exceção, que estejam sempre associados às causas mais desumanas, antipovo e antipaís, que se possa conceber.

Demóstenes era assim, ao ponto de dizer que conspurcar, sob convite oficial, a Suprema Corte brasileira, dizendo em seus salões que foram os negros os responsáveis pela escravidão e que as negras, no Brasil escravocrata, consentiam em fazer sexo com  seus senhores.

Bem, não dá para dizer que essa visão de “consensualidade”  entre escravo e senhor , infelizmente, esteja desentranhada dos nossos tribunais, não é?

Aliás, ela habita, nesta e em outras variantes, a cabeça da elite brasileira. Porque são assim as mentes que concebem uma modernidade onde exista fome, um cosmopolitismo onde existam colônias, um progresso que consuma gente, uma democracia onde exista uma gentalha inferior, que deva ser grata aos luminares que a condenaram, por séculos, ao atraso e à perda de autonomia.

É esse o mundo digno, honesto e ético que apregoam.

O exemplo dos fundilhos de  Demóstenes, revelados – e ainda só parcialmente – num golpe do acaso e é eloquente como poucos.

Sigam-lhe os outros estreitos laços, além de Cachoeira, e outros se revelarão tão mal-cheirosos, a menos que a mídia se encarregue, como parece provável, de lançá-lo logo ao mar, como um estorvo.

O que nos ensina Demóstenes, pela enésima vez, é que não há moralidade possível em quem rejeita o primeiro princípio da honradez, que é o de que todos os seres humanos são iguais em direitos e que a política não é um jogo de nobres, mas uma ferramenta do bem e do progresso comuns.

Porque não há imoralidade maior que defender a exclusão, o atraso, a desumanidade.

A questão fundamental chama-se Palestina

Sanguessugado do Bourdoukan

 

                              De onde vem tanto ódio?

Essepériplo do ser. Kofi Annan não vai resultar em nada.

Se ele acha que o problema é Síria, Rússia ou China, pode enfiar a viola no saco.

Todas as oliveiras do Oriente Médio sabem que o problema é Israel e seu guarda-costas Estados Unidos.

Kofi deveria visitar esses aglomerados, se realmente houver interesse em acabar com os conflitos no OM.

A questão fundamental chama-se Palestina.

Ouse resolve a questão Palestina,  ou não haverá nenhuma mudança na região.

A não ser que EUA e Israel façam com todos os países como fizeram com o Afeganistão,Iraque, Líbia e outros mais que preferem viver sob a sombra da cimitarra.

E aí,não há profeta que resolva.

Demóstenes mentiu ao país quando disse que achava que Cachoeira havia abandonado atividades ilegais. Ele sabia que não

Sanguessugado do Mello


Logo que foi divulgado que a Operação Monte Carlo da Polícia Federal havia descoberto a íntima ligação entre o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador declarou:

“Depois do escândalo Waldomiro Diniz, eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção, e se dedicasse apenas a negócios legais. Para mim, foi uma surpresa as revelações feitas por essa operação da Polícia Federal”.


Só que "o escândalo Waldomiro Diniz" aconteceu em 2004 e o diálogo de Demóstenes com Cachoeira, gravado pela PF, reproduzido aqui, aconteceu em 29 de abril de 2009.
Logo, Demóstenes mentiu, porque sabia que Cachoeira, em 2009, continuava com sua atividade ilegal, tanto que afirma:

O que tá aprovado lá é o seguinte:" transforma em crime qualquer jogo que não tenha autorização". Então te pega, né?

A imagem é de trecho de reportagem de Jailton de Carvalho publicada em O Globo de hoje e é transcrição de uma conversa gravada pela PF.
A seguir o áudio, conforme reportagem da TV Record, com dica que recebi da Fernanda Andrino e do Antonio Luiz MCCosta via Twitter.

 

Síria não é o Bahrein

Sanguessugado do Somos Todos Palestinos

LIGA ÁRABE SE RECUSA A TRATAR DO ASSUNTO "BAHREIN"

A Liga Árabe  se absteve do  debate sobre a crise de Bahrein, em reunião da cúpula realizada  em Bagdá. Os líderes deste país, executores de bárbara repressão contra a sua população, participaram desta reunião.

"A liga não está  à altura quando se trata de resolver as reivindicações dos povos", disse Jalil Marzook, um líder do principal partido da oposição bahreini , Al Wefaq, ao libanês As-Safir.

Marzook recordou, neste contexto, a posição do secretário-geral da Liga, Nabil Arabi, sobre a crise no Bahrein. "Após as críticas à Liga, Nabil Arabi foi  a Manamá, mas não se  reuniu com nenhum representante da oposição,  fechando, deste modo,  a porta da Liga à maioria da população de Bahrain."

O povo do Bahrein está nas ruas manifestando-se há mais  de um ano contra o regime repressivo. Tais protestos são tratados com tamanha brutalidade pelo governo pró-imperialista e sionista do Bahrein. O povo sofre com as detenções arbitrárias e centenas de mortos e feridos.

Milho transgênico rende 93% menos que o convencional em Santa Catarina

Via MST

Da Car@s Amig@s

Análise dos custos de produção do milho convencional e do transgênico elaborada pela Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos (SC) mostra que o plantio do milho transgênico eleva o custo de produção e que a produtividade esperada é a mesma [1]. Os dados foram apresentados em evento realizado pela Embrapa Milho e Sorgo no início de março na cidade mineira de Sete Lagoas.

Na planilha de cálculo apresentada pela Copercampos o item “insumos” aparece agregado, ou seja, as despesas com sementes, adubos e agrotóxicos não estão descriminadas. Para o milho convencional gasta-se com insumos R$ 1.199,52 por hectare, contra R$1.392,76 para o transgênico. É possível que a diferença seja explicada pelo preço mais elevado da semente modificada. Neste caso, os dados também sugerem não haver redução no uso de agrotóxicos, ao contrário do propalado pela indústria. No cômputo geral, o produtor convecional gasta R$ 1.928,65 para plantar um hectare de milho, enquanto o produtor que adotou variedades transgênicas gasta R$ 2.156,13 para a mesma área.

Ainda de acordo com os números da Copercampos, em 2011 a diferença de rentabilidade foi de 93%, com o convencional apurando R$ 472/ha e o transgênico, R$ 244,00. Esses dados consideram a saca de milho de 60 kg vendida a R$16,00. A produtividade considerada foi de 9 toneladas/ha.

Segundo dados da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural de Santa Catarina), o rendimento médio do cereal no estado em 2010/2011 foi de 6,66 t/ha. Para 2011/12 a previsão é de 6,76 t/ha. Assim, em 2011 o convencional teria prejuízo de R$ 152,65/ha e o transgênico prejuízo de R$ 380,13. Em 2012, mantendo-se o preço do grão em R$ 26, que está próximo do praticado hoje, e aplicando-se a produtividade prevista pela Epagri, o convencional obterá receita de R$ 1.001,00/ha e o transgênico, R$ 773,00. Quase 30% menos, o que significa gastar o equivalente a quase 5 toneladas de milho para colher 6,7t.

Também em Santa Catarina, na região do Planalto Norte, propriedades em início de transição agroecológica acompanhadas pela AS-PTA produziram em média 4,2 t de milho/ha na safra 2008-09, com custo médio de R$ 200,00/ha. Esses produtores apuraram receita líquida de R$ 980,00/ha. Note-se que nesse ano foram registradas fortes perdas na região por adversidades climáticas.

Segundo o agrônomo da Copercampos Marcos André Paggi, "ainda não dá pra enfatizar, na nossa região, grande aumento da produção de milho" por causa da opção pelos transgênicos [2].

Também presente no evento, o doutor Anderson Galvão, da consultoria Céleres, afirmou que "hoje, o produtor de milho paga mais satisfeito R$ 400,00 por saca de [semente de] milho transgênico do que pagava, antes, R$ 100,00 / R$ 120,00 por milho convencional" [2]. Será?

[1] http://www.cnpms.embrapa.br/milhotrans/painelII4.pdf

[2] http://www.cnpms.embrapa.br/noticias/mostranoticia.php?codigo=700

Ruralistas querem legalizar o saque das terras indígenas

Sanguessugado do Palavras Insurgentes 

Elaine Tavares

Os povos que viviam na terra chamada de Pindorama – quando chegou Cabral – se organizavam em grandes grupos, mas não chegaram a formar civilizações como aconteceu com os incas, maias e astecas, em outras regiões deste grande continente. Os daqui eram nômades e coletores. Viviam num espaço tão generoso em água e frutos que não tinham ainda encontrado necessidade de organizar cidades ou outras estruturas parecidas como já faziam os povos andinos, premidos pelo ambiente inóspito. Hoje, sabe-se que todos os povos do continente de alguma forma se conheciam e se encontravam, como prova o Caminho de Piabeiru, que sai do litoral sul de Santa Catarina até a região inca, ligando os dois oceanos. O que faz crer que outros caminhos havia e que muitos encontros de davam, não necessariamente de conquista. Enfim, as gentes viviam aqui do seu jeito e com sua organização. Essa não era uma terra vazia.

A chegada dos europeus em 1492, sedentos de ouro e riquezas selou o destino desses povos. Invadidos pelos espanhóis e depois pelos portugueses, as comunidades da região sul de Abya Yala (hoje chamada de Américas) foram sendo dizimadas. Os impérios aqui existentes acabaram vencidos militarmente e as comunidades mais afastadas caíram em dominó. Algumas demoraram mais porque como o continente era grande, o interior demorou a ser ocupado. Muitas são as páginas heroicas dos povos autóctones em defesa de seu território e de sua forma de viver, como os exemplos de Tupac Amaru, Tupac Catari, Nheçu, Lautaro e tantos outros. Mas, apesar das lutas e da resistência, a força bruta dos invasores – e depois dos já nativos  - foi mais forte.

O caldo de toda essa história foi a dominação. O homem branco assumiu a liderança do “mundo novo” e aos indígenas ficou relegado o limbo. Chamados de seres sem alma, eles primeiro foram escravizados e depois – quando os brancos viram que se não se prestavam a isso – dizimados. Só que apesar de todo o processo de violência muitas comunidades sobreviveram. Acossados pela necessidade de sobrevivência foram se adaptando de alguma forma ao mundo que lhes foi imposto, o que Darcy Ribeiro chama de transfiguração. Ocorre que essa decisão nunca significou o abandono de sua cultura. Em algum lugar ela permanecia viva e nas entranhas das comunidades ela se expressava. Foi assim que muitas etnias lograram sobreviver, como é o caso dos ayamara, quéchua, kichwa, mapuche, guarani e tantos outros.

Hoje, essas comunidades retomam sua cosmovisão e exigem o reconhecimento de sua cultura e da sua forma de organizar a vida. Muitas foram as batalhas travadas ao longo desses 500 anos e em alguns países como o Equador e a Bolívia, os indígenas conseguiram avançar ao ponto de garantir o Estado Plurinacional, que significa o reconhecimento de suas organizações e de seus territórios como regiões livres, conduzidas e governados por eles mesmos. Ainda assim, apesar de consolidado na Constituição, esse estado plurinacional ainda é uma construção. Basta ver o caso dos indígenas equatorianos que lutam contra as mineradoras que avançam sobre suas terras sem que seja respeitada a lei da consulta e do domínio do espaço pelos verdadeiros donos, que são os originários.

Aqui no Brasil, por força da organização menos estruturada que a dos povos andinos, as comunidades autóctones ficaram mais expostas à destruição, e a dizimação aconteceu de forma acelerada. Com a chegada massiva dos imigrantes no século XVII, o interior, que ainda servia de abrigo a muitas etnias, também começou a ser invadido e a matança voltou a ocorrer. Os bandeirantes cumpriram esse triste papel. Visto como “heróis” pelos seus contemporâneos eles avançavam pelo Brasil adentro caçando e matando índios, “limpando” a terra para entregar aos imigrantes ou aos seus patrões latifundiários. Alguns deles são os incensados fundadores de cidades, homenageados até hoje, como é o caso de Francisco Dias Velho, que expulsou da ilha de Santa Catarina os guarani e fundou o que hoje é Florianópolis.

A solução encontrada pelos “bondosos” senhores das terras naqueles dias era confinar em reservas os sobreviventes. A proposta primeira era integrar. Uma ideia que parecia muito piedosa depois do massacre. Diziam que aos índios era necessário “civilizar”, ou seja, submetê-los a uma cultura e a um deus que não era deles. Assim, aprisionados como bichos, os indígenas ou se integravam ou morriam. Mas, a tal da integração também nunca foi uma tarefa fácil. Os indígenas eram vistos pelos colonos brancos como uma ameaça e o confronto sempre foi latente. Daí para o racismo foi um pulo. A integração jamais foi conseguida. Aqueles que saiam das reservas e se aventuravam na cidade, tinham “por castigo” sofrer todo o tipo de preconceito e discriminação. Raramente se livravam da marca do “selvagem”.

No início do século XX foi a vez da ocupação das terras amazônicas e, de novo, a proposta apresentada pelo governo era a de “civilização”. Trazer os “selvagens” para a vida civilizada, integrá-los ao mundo moderno, tira-los da mata e torná-los “gente e bem”. De novo, apesar das boas intenções, seguiu o longo processo de apagamento das culturas, senão pelos arcabuzes, pela integração. Ainda assim, muitos conseguiram seguir nos seus territórios, ainda que confinados nas reservas. Desde então é assim. Os indígenas que não migraram para as cidades  e ainda seguem seus costumes tais como suas formas organizativas são seres tutelados pelo Estado. Não têm autonomia. São vistos e tratados como crianças, incapazes de gerir suas próprias vidas. Seus territórios não lhes pertencem, são da União, e é o Estado quem decide onde e como eles ficam na terra.

Os argumentos para essa tutela seguem sendo os mais piedosos: “os indígenas não sabem negociar no mundo moderno, são bêbados, são vagabundos, são inúteis, são ladrões”. Ou seja, imputam ao índio toda a sorte de vícios e problemas que são típicos do homem branco invasor. É certo que os indígenas não são pessoas puras, desprovidas de toda a maldade (afinal, são 500 anos convivendo), mas daí a dizer que só por ser índio alguém vai conduzir de forma equivocada um pedaço de terra beira ao absurdo. Basta dar uma olhada nas fazendas que mantém pessoas escravizadas e ver quem as dirige: não são índios. São os latifundiários.

Assim, nesse sistema de tutelagem, as comunidades indígenas são mandadas para cá e para lá conforme os interesses dos governos de plantão. Poucos são os que conseguiram garantir a permanência no seu território original. Ocorre que para as comunidades indígenas o território não é descolado da vida. Não é a mesma coisa que para um cidadão ocidental que pode mudar de casa, de cidade ou de país sem qualquer alteração no seu modo de ser. Um indígena está conectado com o lugar de vivência, precisa de espaço para caçar, cultivar, nadar, adorar os seus deuses. A terra faz parte do seu ethos cultural, é parte constitutiva de sua cosmovisão. Por isso que tantas etnias sofrem a fome, a miséria e a morte – alguns chegam a preferir o suicídio. Levadas para reservas – que são cópias mal apanhadas do mundo branco - sem identidade, as pessoas sucumbem e precisam viver à custa do Estado como se fossem inúteis. Não o são. Foram expropriados de sua maneira original de viver e ainda têm de pagar o preço de uma decisão que nunca foi delas.

Como no Brasil as comunidades são espalhadas e pequenas, a organização também é bem mais difícil do que em países como Bolívia e Equador, onde a maioria da população é indígena. Nesse sentido, acossados por todos os lados, os indígenas de Pindorama mal conseguem se fazer ouvir, a não ser em casos específicos onde, inclusive, são mais uma vez apontados como selvagens, avessos ao progresso, como é o caso da construção da usina Belo Monte que vai alagar a terra de muitas comunidades e contra a qual as comunidades estão em luta. Os indígenas defendem seu território, mas são mostrados na mídia como bárbaros, enquanto os verdadeiros “bárbaros” passam por empresários de sucesso que só querem o bem e o progresso do país. A União, que detém a posse legal da terra, põe e dispõe conforme os interesses dos depredadores da vida e do país.

Pois agora, não satisfeitos com a entrega das terras indígenas para seus projetos privados e destruidores, os negociantes e empresários, de olhos nas riquezas das terras ocupadas pelas comunidades autóctones, deram mais um golpe na já combalida organização indígena. Levaram para o Congresso Nacional uma proposta que aparentemente é singela e democrática: tirar da União a decisão sobre as terras indígenas e passar para o Congresso Nacional. Assim, pensam eles, será mais fácil vencer as resistências que por ventura possam surgir quando da ocupação de algum lugar onde vivam os índios. Como agora há uma presidente permeável às demandas das comunidades eles viram que era melhor arrancar o mal pela raiz. Devem ter pensado: “vai que a presidente resolve dar uma de esquerda e proteger os índios. Melhor não arriscar”. A ideia então foi jogar a decisão para o Congresso Nacional onde os poderosos têm quase total controle.

Numa primeira vista pode parecer interessante. No Congresso a coisa parece mais democrática, a decisão precisa ser discutida, negociada. Mas, não é. No Congresso quem manda são os poderosos, os endinheirados. Na correlação de forças, os trabalhadores, os empobrecidos, os índios, os excluídos sempre perdem. As chances de uma proposta de ocupação de terra indígena são muito maiores se levadas ao Congresso, pois o lobby dos ruralistas é forte demais. E eles agiram apresentando uma proposta de emenda constitucional, o que significa alterar a Constituição que, com todos os seus problemas, tem alguns avanços no que diz respeito à questão indígena.

Pois, sem debate e sem uma discussão nacional, essa proposta leonina já passou na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Os argumentos são os mesmos usados pelos invasores e destruidores do passado: os indígenas precisam se integrar. E, caso algum dia (que será bem breve) alguma terra precisar ser ocupada por algum projeto mirabolante ou mesmo por uma fazenda de bois, os indígenas terão “todo o direito” de se organizar, ir ao Congresso e debater. Ora, isso é o cinismo levado à última potência.

A emenda constitucional ainda vai tramitar e ser votada no plenário. Ela foi inscrita como PEC 215. É mais uma violência contra as já tão aviltadas comunidades indígenas. Caso seja aprovada, pode ser a pá de cal nas ainda sobreviventes comunidades que lutam pela demarcação de seus territórios. É por isso que a luta contra essa PEC precisa ser assumida pelos movimentos sociais populares, pelos sindicatos. Já basta de deixar a questão indígena para os índios. Ela é parte de cada uma de nós, está no nosso DNA, precisa ser uma luta nacional.

A batalha que agora começa a ser travada contra essa PEC também não deveria ficar no mais do mesmo. Não se trata de apenas impedir que a decisão sobre as terras indígenas seja apreciada no Congresso, muito menos de aceitar que siga como tem sido, na base da tutela governamental. Há que avançar. A decisão sobre as terras indígenas pertence aos indígenas. É hora de caminhar para a consolidação da autonomia real. É o momento de lutar pela retomada dos territórios originais, pelo direito à cultura e a organização da vida e pelo direito de gerir o seu território no que diz respeito às riquezas que ali estão. Essa não é uma luta fácil, mas tem de iniciar. O debate sobre os direitos das comunidades originárias precisa tomar o país para além das folclorizadas visões de um mundo puro, natural e perfeito. O mundo indígena tem seus próprios problemas, mas acabe às comunidades resolverem. Como em toda Abya Yala é chegada a hora das comunidades indígenas de Pindorama também se levantarem na luta pelo que lhes é direito. Todos contra a PEC 215, mais uma safadeza dos ruralistas.  Ainda é tempo de estancar a fonte do crime seguindo o que ensinava o inesquecível poeta palestino Mahmud Darwish: “rebelem-se... e permaneçam vigilantes, prontos para o combate”!