domingo, 29 de abril de 2012

O povo americano luta por sua democracia.

Sanguessugado do Olhar o Mundo

Em tempos de George W.Bush, o então senador Barack Obama combateu as prisões sem processo em Guantanamo afirmando:“Um indivíduo perfeitamente inocente poderia ser preso e, não podendo defender-se das acusações do Governo, não teria como provar sua inocência”.

Ele contestou a posição da direita que considerava o “inquérito judicial como um luxo antiquado, trivial e dispensável”. Para Obama, o Governo algumas vezes inevitavelmente cometeria erros, acusando pessoas inocentes de serem terroristas. E concluiu: “O que é evitável é recusar que o nosso sistema judicial corrija esses erros”.

Esse foi o Obama antigo, o Obama do lançamento na campanha de 2009.

O novo Obama, o Obama “brand new”, em 31 de dezembro, de 2011, deu um presente de Ano Novo ao povo americano, assinando a promulgação da NDAA (National Defense Authorization Act) que nas seções 1021 e 1022 permitem que o presidente da república use força militar para deter indefinidamente e sem julgamento cidadãos que sejam meramente suspeitos de envolvimento com organizações terroristas.

Para o juiz Andrew Napolitano: “Essencialmente, essa legislação permea ao presidente desvincular-se

do sistema de justiça criminal e portanto suprimir a proteção da Constituição à qual toda pessoa tem

direito.” (“Can Congress Steal Your Constitutional Freedoms?”, Dec. 1, 2011).

Certamente o novo modelo Obama pouco tem a ver com aquele antigo Obama, dos anos de oposição a Bush que, referindo-se às prisões arbitrárias das “renditions” da CIA, comentou: “…o horror que eu sentiria se alguém da minha família fosse preso no meio da noite e levado a Guantanamo sem sequer ter chance de perguntar porque estava sendo preso e de provar sua inocência.”

Pois bem, o novo Obama não teve escrúpulos em assinar um documento que tornava lei para os americanos aquilo que a CIA  fazia ilegalmente no exterior. E que ele havia combatido com tanto empenho quando ainda tinha coragem de defender seus ideais.

A coragem que faltou a Obama de vetar aqueles artigos da NDAA, dignos de Hitler ou de Stalin, o povo americano está tendo.

Por pressão de movimentos de defesa das liberdades civis, das quais os EUA foram campeões no passado, o Senado e a Câmara dos Representantes do Estado de Virginia aprovaram uma lei  que proíbe todos os departamentos responsáveis pela aplicação das leis a colaborarem com a prisão indefinida de americanos.

Um dia depois do povo de Virginia ter nulificado os artigos 1021 e 1022 da NDDA, o povo do Arizona está conseguindo o mesmo.

Pressionado por um movimento que envolveu grande número de pessoas, a Câmara dos Representantes aprovou o Ato de Preservação da Liberdade que vai mais além da lei da Virginia: considera como crime passível de prisão alguma autoridade ou agente do governo estadual colaborar com a  lei das prisões arbitrárias.

O Ato vai agora ao Senado e depois ao Governador do Estado para aprovação, que se considera certa.

Mas a revolta do povo americano contra a lei que quer lhes tirar o direito a um julgamento nos termos da Constituição, se espalha pelo país

No estado de Missouri, o republicano Brian Nieves apresentou um projeto ao Senado que estabelece o Ato de Proteção à Liberdade no Missouri.

O seu teor é o seguinte: “o Estado do Missouri será proibido de participar ou proporcionar apoio material à implementação das seções 1021 e 1022 do Ato de Autorização da Defesa Nacional (NDAA)”.

Assim, uma lei nitidamente fascista, que dá ao governo e às forças militares poder absoluto sobre os cidadãos, negando-lhes qualquer possibilidade de defesa, aprovada pelo Congresso hoje radicalmente direitista, está sendo enfrentada pelos cidadãos americanos.

O Presidente Obama, em quem eles confiavam, podia ter vetado os artigos despóticos da NDDA.

Não o fez. Faltou ao seu dever de proteger os direitos dos americanos. Preferiu somar-se a um Congresso cuja aceitação popular pode ser medida pela última pesquisa que lhe deu 81% de rejeição.

Felizmente, o povo dos Estados Unidos saiu da sua passividade para defender a democracia.

Ou, em outras palavras, defender a si mesmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.