quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Armas americanas para gangs mexicanas.

Via Olhar o Mundo

“Daqui, na fronteira do México com os EUA, nós pedimos: Não mais armas. Não mais armas para o México.”

Felipe Calderon, Presidente do México, fez esse dramático apelo ao governo dos EUA em  Ciudad Juarez, a capital dos assassinatos e do tráfico de drogas.

“Um dos principais fatores que estão fortalecendo os criminosos”, ele afirmou,” é o ilimitado acesso a armas de alto poder de fogo, que são vendidas livremente e também indiscriminadamente nos Estados Unidos da América.”

De fato, a partir de 2004, quando expirou uma lei americana que proibia a venda de metralhadoras leves, houve um brutal aumento da violência no México.

E os números provam: entre as 140 mil armas apreendidas pelas autoridades desde o início da ofensiva contra os cartéis das drogas, 80 mil eram metralhadoras leves, compradas nos EUA.

Todos os anos, Calderon apela para que os EUA renovem a proibição da venda desses engenhos letais.

O presidente mexicano admite que Barack Obama esforçou-se para negociar com o Congresso a aprovação da proibição e que membros do seu governo fizeram mais do que do governo anterior para investigar e bloquear armas ilegais, contrabandeadas através da fronteira com o México.

“Eles tiveram iniciativas positivas mas, todos sabemos que infelizmente não é suficiente; e não podemos parar por aqui,” disse Calderon.

O mais importante seria que os EUA proibissem a venda de metralhadoras leves.

Em 2009, 90% das metralhadoras leves e outras armas usadas pelos cartéis mexicanos de droga tinham sido trazidas dos EUA. Acredita-se que cerca de 7.000 pessoas foram mortas por elas, a partir de janeiro de 2008 até fins de 2009.

Diante desses números devastadores, Eric Holder, procurador-geral dos EUA, defendeu a volta da proibição, aliás, uma tese do Presidente Obama, durante sua campanha eleitoral.

Logo, a National Rifle Association, que congrega fabricantes e comerciantes de armas de fogo, alvoroçou-se. Aprovada a medida proposta por Holder, perderiam uma boa parte do altamente lucrativo mercado dos cartéis mexicanos de drogas.

Rapidamente enviou um apelo aos seus leais defensores no Congresso, pedindo que agissem em defesa das liberdades americanas, ameaçadas por uma proibição que atentava contra o direito do cidadão armar-se como quisesse.

Nesse ano, apesar de Obama ter maioria em ambas as casas do Congresso, 65 deputados s e 2 senadores democratas, assinaram uma carta opondo-se a esta tentativa do estado usurpar direitos individuais. Os senadores enviaram também uma carta  especial ao procurador, que dizia logo de cara:  “Fique fora de nossas armas.”

Em seguida, os líderes das bancadas democratas nas duas casas fulminaram a ideia de renovar a proibição.

Assessores do presidente comunicaram a Holder que deveria esquecer os problemas mexicanos para não complicar a agenda legislativa do presidente. O mesmo recado foi passado aos parlamentares democratas liberais e de esquerda, conforme informou o assessor de um deles, quando levantou a questão da proibição das metralhadoras leves: “Nos disseram que tínhamos de ficar calados.”

Assim, para Obama garantir a boa vontade da maioria dos congressistas na aprovação de leis consideradas mais importantes, os gangsters mexicanos puderam continuar se equipando com um tipo de armas usado normalmente pelo exército. Muito eficaz tanto para matar concorrentes, quanto civis e até soldados mexicanos.

Em 2010, a omissão do governo americano foi ainda pior.

Apesar de Calderon renovar seus apelos, Eric Holder e Obama mantiveram-se em discreto silêncio.

Mais uma vez a promessa da campanha eleitoral foi devidamente esquecida.

2010 era ano de eleições parlamentares e Obama e seus assessores não queriam problemas com a National Rifle Association e seus associados que poderiam tirar votos numa eleição que parecia difícil.

E, como é sabido, foi realmente difícil, os democratas, mesmo Obama esquecendo a promessa de proibição de metralhadoras leves, entre várias outras, foram rudemente derrotados, perdendo a maioria na Câmera de Representantes.

Há quem diga que a derrota democrata deveu-se justamente ao esquecimento das grandes promessas de renovação do candidato Obama.

O fato é que, com a vitória dos republicanos, as coisas ficaram ainda mais difíceis para os mexicanos.

Tudo indica que as os cartéis continuarão se equipando com metralhadoras leves americanas que, aliás, vem passando facilmente pela Alfândega.

Com a maioria republicana na Câmara dos Representantes, ninguém vai roubar mercado dos fabricantes e comerciantes de armas. Nem impedir seus bons clientes south of the border de continuarem matando com qualidade americana.

México morre de fome com o TLC

"Pobre do México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos" (Lázaro Cárdenas)

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