domingo, 10 de abril de 2011

Estudos arqueológicos do Bolsonarus Reacionarius

Sanguessugado do Celso Jardim

O Brasil tem dessas coisas curiosas. Precisou vir a público a descoberta de fósseis do Bolsonarus Reacionarius para o país sair do armário e se assumir homofóbico e racista. Ora, todos nós sabíamos que os descendentes desse espécime — os reaças — estão por toda parte. E ficou provado que, mesmo depois de todos esses milhões de anos, não demonstraram o mais ínfimo sinal de evolução… Ah, me desculpem: esqueci que somos um país “multirracial e tolerante” — afinal, negar a realidade de hoje é o primeiro sinal de que nunca saímos do ontem. Ou melhor, anti-anti-anti(e todos os “antis” que nos é de direito)-ontem.

Agora, perguntando só por perguntar: alguém aí sabe se existe um limite para a liberdade de expressão? Se sim, qual é? O nazismo? E olha que essa nem é a questão crucial… Eis o que eu queria saber (mas tinha medo perguntar): se a liberdade de expressão deve mesmo ser irrestrita, um cidadão — um democrata — poderia defender a extinção de toda a espécie Bolsonarus Reacionarius e seus congêneres? Estaria esse cidadão — esse democrata — dentro da lei e em pleno exercício de seus direitos civis e democráticos?

Enfim, sempre desconfio desses chiliques homofóbicos. Com todo o respeito (e sem trocadilho), o que está por trás disso? Esse papinho de TFP, essas defesas aguerridas de “valores da família” não só não me convencem, como trazem relatos como esse do Gian Danton à tona. Ademais, vale lembrar que alguns dos mais ferrenhos opositores aos gays do partido republicano nos EUA foram pegos em escândalos com garotos de programa. Mas talvez eu não tenha entendido bem a questão: o que os congressistas republicanos queriam era experimentar todos os bofes antes, numa espécie de controle de qualidade, para que seus queridos eleitores não trocassem gato por lebre (esses republicanos são mesmo muito sérios, não?).

Agora, se vocês me dão licença, tenho 3 singelas perguntas que quero dirigir respeitosamente — e com o perdão da carga retórica — ao nobre deputado-arqueólogo Jair Bolsonaro do PP (Partido Paleozóico), pois foi ele quem encontrou o fóssil e revelou-o ao Brasil:

1) Deputado, se o senhor (que defende a ditadura militar) já pregou o fuzilamento de FHC, chamou Lula de “homossexual” e Dilma de “sequestradora” e “assassina”, por que o senhor sempre esteve da base aliada dos três governos?

2) Se o senhor defende a tortura como forma de obter confissões, poderíamos levá-lo para um porão úmido e torturá-lo a fim de obter a confissão de que o senhor é homofóbico e racista?

E, por fim, a grande pergunta, que vale 1 milhão de reais:

3) Deputado, sério mesmo: qual é o seu problema contra os homossexuais? Que reação eles te causam que o incomoda tanto? Conta aí pra gente… ou isso é segredo militar lá do pelotão?

Jornal da Tarde

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