sábado, 29 de janeiro de 2011

A carta da Dilma: diplomática ou de capitulação

GilsonSampaio

A linguagem diplomática é pródiga em mise en scéne, mesuras e códigos, todos sabem essa obviedade, mas, há um excesso de açúcar escorrendo em demasia na resposta da presidenta Dilma ao presidente italiano sobre o caso Cesare Battisti.

Ao fim da carta, um texto, no condicional, do jornalista Laerte Braga do qual compartilho o mesmo temor.

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Caro Presidente,

Inicialmente, quero agradecer a gentileza de suas manifestações quando de minha eleição e ulterior posse como Presidente da República Federativa do Brasil. Sei que expressam a grande amizade que une nossos povos e Governos e refletem a opinião de um homem público de extensa e respeitada trajetória política.

Também lamento, amigo Presidente, a divergência que se estabeleceu sobre a extradição de Cesare Battisti. Lamento igualmente que esse episódio só tenha prestado a manifestações injustas em relação ao Brasil, a meu Governo e ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sei que essas manifestações não correspondem à percepção que Vossa Excelência tem do tema.

A posição que o Presidente Lula adotou em dezembro último, baseado no detalhado parecer da Advocacia Geral da União, não envolve qualquer juízo de valor sobre a Justiça italiana, menos ainda sobre a vigência do Estado de Direito em seu país. Trata-se de parecer jurídico, fundado na interpretação soberana que a AGU realizou do Tratado Bilateral sobre extradição.

Ao voltar das férias forenses, em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal do Brasil irá manifestar-se sobre a decisão presidencial.

Compartilho e fico feliz com sua afirmação de que uma divergência jurídica, ainda que importante, não irá entorpecer um relacionamento secular, como o de Itália e Brasil

Reiterando meu agradecimento à Vossa Excelência, quero expressar minha simpatia, estima e alta consideração.

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Cai fora Dilma – Chega de cair de quatro

Sanguessugado do Quem tem medo do Lula?

Laerte Braga

Se o teor da carta divulgado pela mídia privada que a presidente Dilma Roussef enviou ao presidente italiano Giorgio Napolitano estiver correto, Lula e os eleitores de Dilma Roussef teremos sido vítimas do maior conta do vigário da história do Brasil, só comparável à renúncia de Jânio Quadros e ao curto período de Collor Globo de Mello.]

A revista CARAS, em retribuição a serviços prestados, gastou quatro páginas com a mulher do embaixador da Itália no Brasil, aquele que freqüenta o gabinete do Gilmar Mendes pela porta dos fundos, para revelar que a dita cuja se considera mais brasileira que italiana.

Ela e o marido devem ter sido nomeados por serviços prestados ao governo Berlusconi.

Ao afirmar que a decisão depende do STF – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – a presidente está abrindo mão do seu direito constitucional de decidir ou não sobre a matéria, confirmado pelo próprio STF decisão anterior. A palavra final cabe ao presidente da República.

E o ex-presidente Lula já a tomou.

Dilma Roussef deve pegar a faixa e entregar a Cesar Peluso, ministro presidente do STF. Deve ir para casa. Mentiu e ludibriou milhões de brasileiros e ao próprio Lula que a fez candidata e presidente (faria um poste, logo Dilma e um zero à esquerda é a mesma coisa).

Confirmada a submissão da presidência da República ao STF e ao governo da colônia norte-americana que alguns insistem em chamar de Itália – o paraíso dos pedófilos sob a batuta de Sílvio Berlusconi – Dilma não tem o que fazer no governo do Brasil.

O fato divulgado pela mídia privada – venal, como qualquer William Waack da vida – que o Parlamento Europeu aprovou uma resolução pedindo ao Brasil para reconsiderar o caso não levou em conta que 11% dos deputados compareceram a tal reunião e dentre eles todos os deputados italianos.

Os demais, 89%, decidiram não se pronunciar sobre o assunto.

Berlusconi e seus sicários (são escolhidos a dedo entre os cafetões italianos, até porque tem que ter perfil para sair em CARAS), querem Battisti cumprindo pena na antiga república dos césares (base militar norte-americana hoje e área de pedofilia a partir do primeiro-ministro) em golpe eleitoral, mentindo sobre o processo, o julgamento, todo o curso dessa história lastimável, na qual só falta à presidente do Brasil, ex-presa política, cair de quatro.

Já tem caído em tantos outros pontos que não será surpresa se cair neste também.

Toda aquela conversa de Brasil potência construída por Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães, vai por água abaixo. Mas também, com Moreira Franco, Antônio Patriota, esperar o que?

Dilma, sendo real o teor da carta, é um caso de estelionato eleitoral.

O cinismo elevado ao máximo, ao seu ponto culminante.

Como já foi notado por Alípio Freire, esse é um governo de técnicos e técnicos não têm nem compromisso com o Brasil, nem com ninguém. E tampouco consideram o ser humano como tal. Somos números, detalhes.

Num país que um senador – Heráclito Fortes (DEM) é informante da embaixada dos EUA, nada é surpreendente (fato revelado pelos documentos do WIKILEAKS).

Num governo que Moreira Franco põe as garras num Ministério de suma importância, nenhum cofre está seguro, nenhum sistema de segurança garante contra assaltos.

E se a presidente se mostra vacilante, capaz de ceder à chantagem do STF (CESAR PELUSO e GILMAR MENDES), é bobagem imaginar quer a coisa vá se resolver – os anseios do trabalhador brasileiro – pela via do chamado institucional.

Breve a revogação da lei áurea a julgar pelas políticas e mudanças anunciadas por Dilma.

O menos pior (Dilma em relação a Serra) está se mostrando igual.

Ou assume o governo e mostra que a fama de brava é algo mais que fama, ou só brabeza diante de subordinados e subserviência diante de superiores. Ou sai fora.

E está claro que Cesar Peluso e Gilmar Mendes mandam e desmandam, mesmo que isso signifique rasgar a Constituição.

Battisti refugiado, direito assegurado por Lula, é uma decisão correta, humana, faz jus ao Brasil e aos brasileiros.

Se Berlusconi não gosta, paciência. Faça uma festa num dos seus palácios e convide os ministros Peluso e Gilmar Mendes.

Mas a presidente cair de quatro!

É pura traição. É característica de cinismo o mais deslavado.

Pelo jeito, breve, Dilma em CARAS, mostrando seu quarto no Palácio do Alvorada, seus berlequins preferidos, etc, etc.

Oh! Se continuar baixando a audiência do BBB 11 sugiro Boninho chamar a presidente para uma incursão na casa. Na Colômbia fizeram isso, levaram a versão colombiana da “zona em sua casa” o traficante/presidente Álvaro Uribe para participar dos folguedos.

E olha que zona é lugar de respeito. BBB é outra coisa.

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