domingo, 31 de janeiro de 2010

Resumo que o PIG não mostrou

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O rufo dos tambores de Zé Aluvião

tambor japanonesIV

GilsonSampaio

Josias de Souza, vassalo dos mais rastejantes do PIG, convocou o ‘supremo e definitivo paradigma da justiça’, Gilmar Dantas, para cassar o mandato do Lula e a candidatura de Dilma por propaganda eleitoral antecipada.

A foia ditabranda tem que botar ordem na zona. Assim, não dá. Assim, não pode.

Na mesma edição, duas matérias que denunciam a ‘não-propaganda eleitoral’ de Zé Aluvião. Na inauguração da estação Sacomã do metrô a foia diz:

“Ao som da orquestra Baccarelli, de tambores e sob chuva de papel picado, o governador de São Paulo e potencial candidato do PSDB à Presidência, José Serra, inaugurou ontem a estação Sacomã do metrô.

Serra - cuja chegada foi demarcada pelo rufo de tambores de Okinawa *- descreveu a estação como a mais moderna da América Latina.”

A outra distração, denuncia que Zé Aluvião quer porque quer inaugurar o Roubanel – lembram-se?, antes do prazo de desincompatibilização para disputar a presidência. Ou seja, quer fazer do Roubanel um palanque. Falando em Roubanel, a justiça paulista já se manifestou a respeito?

Sei não, esse negócio de antecipar entrega de obra já derrubou o Roubanel uma vez, depois disso, por conta das chuvas, o ritmo da obra, naturalmente, foi reduzido, daí, “livre pensar, é só pensar” (Millôr).

Mas não é só a foia ditabranda que está desorientada, leia a seguir no o grobo matéria que denuncia propaganda eleitoral do Zé Aluvião.

* Essa é do escanderete. Um dia ainda vou usar essa criação literária: Rufo dos tambores de Okinawa. Aguardem.

Comedido no discurso e ágil na propaganda

Sem assumir candidatura, Serra investe em publicidade e tenta nacionalizar sua gestão

Flávio Freire

SÃO PAULO. Por mais que evite assu­mir a candidatura à Presidência da República, o governador de São Pau­lo, José Serra (PSDB), não tem poupa­do energia — e propaganda — neste período de pré-campanha com con­tornos eleitorais bem definidos. Se nos últimos dois meses o tucano po­sou em retroescavadeira para inaugu­rar canteiros de obra e acelerou a en­trega de apartamentos populares, a campanha tucana começou muito an­tes e com a indisfarçável tarefa de na­cionalizar o governo paulista.

Começava o ano de 2009 quando, numa estratégia de marketing, o se­tor de comunicação do governo pau­lista decidiu apresentar aos eleitores do Acre e do Paraná o trabalho da Sabesp, estatal responsável pelo sa­neamento básico que atua exclusiva­mente em território paulista. Com o Rodoanel, um dos carros chefes do governo, o roteiro foi o mesmo, e as imagens de enormes viadutos inva­diram televisores até na Paraíba. Re­sultado: o PT questionou o Ministé­rio Público sobre a propaganda, que deixou de ser veiculada.

O governador José Serra vai apostar todas as suas fichas no cur­rículo de gestor, por isso ele lançou essa ofensiva publicitária. Ele vai querer mostrar que funciona admi­nistrativamente — analisa o cientis­ta político Rubens Figueiredo. — O problema é que esse tipo de estratégia sempre vai dar margens para críticas da oposição.

Refratário à idéia de que deve lançar seu nome em contraponto à candidatura governista, Serra preferiu reforçar sua agenda a de­clarar que é o nome do PSDB na disputa. Os compromissos ofi­ciais parecem ter inflado nos últi­mos dois meses. Ele mesmo disse dias atrás que pretendia trabalhar “como nunca” neste início do ano. Alguns palanques depois, afirmou que seu governo “fez tanto que não dá para inaugurar tudo”.

Nesse compasso, o governador paulista não para de ir para a rua. Nesta última semana, acordou cedo para despachos internos, antes de uma série de inaugurações. Anun­ciou a entrega de 15 novos postos do Banco do Povo (foram apenas duas agências nos três primeiros anos do governo) e ainda 325 apartamentos da CDHU em Itanhaém, no litoral paulista. Antes, Serra também esteve em Atibaia e São Bernardo do Cam­po, onde participou da cerimônia de entrega de chaves de moradias po­pulares. Os eventos são marcados por um grande aparato, muitas ve­zes contando até com apresentado-res que distraem a platéia.

Na virada do ano, o governador paulista deu uma de suas maiores tacadas, num claro sinal de que a intenção de concorrer à Presidên­cia não é assunto assim tão impro­vável. Com investimento de R$ 50 milhões, encomendou sete peças publicitárias que enalteciam algu­mas de suas principais obras, co­mo a calha do Rio Tietê, o Rodoanel e a linha 4 do Metrô.

Obra do metrô: menina dos olhos do tucano

As obras do Metrô parecem a me­nina dos olhos do tucano. No último dia 17, Serra pôs capacete e assu­miu uma rétroescavadeira como símbolo da inauguração do canteiro de obras da futura estação Adolfo Pinheiro, prevista para ser entregue à população apenas em 2012.

Ainda assim, o pré-candidato tem preferido dizer que, ao contrário dos demais políticos, os tucanos são conhecidos por não fazer pro­paganda de suas gestões. Em even­to recente, quando anunciou R$ 250 milhões para pequenas obras nas escolas estaduais, antes do início das aulas, disse que o PSDB não tem por hábito fazer propaganda de suas administrações.

Tucano é nota 100 em matéria de esconder as coisas — dissera ele, que entregava naquele mesmo instante material escolar com o lo­gotipo do governo paulista.

Os governos de esquerda e a “vacância da história”


Carta Maior

Os governos de esquerda e a “vacância da história

“Não estamos diante apenas de golpes de estado tradicionais. Estamos diante de uma versão mais sofisticada deles, que vêm através de justificativas parlamentares e jurídicas que antecedem ou se sucedem aos acontecimentos propriamente ditos.”

Flávio Aguiar

No Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, um dos temas debatidos foi a continuidade/sobrevivência dos governos progressistas na América Latina.
Estamos diante de uma ofensiva generalizada no continente por parte das várias direitas, que compõem uma verdadeira orquestra sinfônica com temas, práticas e argumentações que funcionam como um verdadeiro “maestro” de suas ações, ainda que elas possam diferir no estilo e na intensidade.
Do ponto de vista da linguagem que coroa/impulsiona essas ações, uma relativa novidade foi o uso, cada vez mais presente, da expressão “de facto” para caracterizar o governo golpista de Micheletti, em Honduras.
“De facto” é uma expressão jurídica que se opõe a “de jure”. Essa última quer dizer “de direito”. A primeira quer se refere a “algo implementado na prática, mas não necessariamente com amparo legal”.
A versão mais sofisticada, e ao mesmo tempo a mais grosseira, dessa nova “teoria do de facto”, foi apresentada por Alexandre Garcia em artigo comentado magistralmente por Argemiro Ferreira. Segundo essa teoria, em 1964 as Forças Armadas Brasileiras expulsaram o Presidente João Goulart, um perigoso comuno-cripto-sindicalista (o termo é meu) que ameaçava a ordem legal do país. O Congresso Nacional, diante dessa situação “de facto” criada, escolheram o Marechal Castello Branco como novo presidente.
Essa versão da teoria do “de facto” elide a história: nada conta para ela, senão a tela em frente. Esquece a campanha férrea e suja contra o governo, os desmandos, os arbítrios, as conspirações, as tramas, a violência, tudo. Cria, ao lado da nova situação “de facto”, uma “vacância da história”, que cria, por sua vez, uma “vacância jurídica”. Diante da tabula rasa feita a partir da destruição da ordem jurídica, é necessário criar outra do nada, como se nada houvesse antes.
Mais ou menos como se um disco voador marciano chegasse em Hiroshima no dia 7 de agosto de 1945 e diante dos patéticos escombros seus tripulantes dissessem: “nossa, que lixaria deixaram aqui, vamos varrer tudo isso e construir a nossa nova civilização, a nossa nova história”.
A “teoria do de facto” teve diferentes aplicações nas Américas, e não só na Latina. Uma delas foi a eleição por um voto de diferença (4 x 3) de George Bush, o filho, da Suprema Corte norte-americana, que julgava a fraude eleitoral perpetrada na Florida, que dava os votos necessários ao candidato republicano. A boa razão recomendava a anulação do pleito, da contagem, e a realização de novas eleições no Estado. Prevaleceu a teoria de que “o que está feito, feito está”. Amargo remédio.
Outra aplicação constante se deu no Haiti, em que os Estados Unidos tiraram, repuseram e tiraram de novo o presidente Jean Baptiste Aristide do poder, com diferentes alegações, criando sucessivas situações “de facto”.
Houve também a explicação do golpe contra o presidente Hugo Chavez, em 2002, na Venezuela. Unidades do Exército, diante do perigo de ruptura institucional, prenderam e exigiram a renúncia do presidente, que foi levado dali. Usou-se essa “renúncia” como argumento legal para justificar a “vacância” do cargo. Diante desse “vazio institucional”, chefes militares “convidaram” Pedro Carmona para ocupar o palácio Miraflores. A tudo a mídia comprometida deu cobertura, criando imagens manipuladas para justificar a violência, inclusive recusando-se a noticiar que a multidão ao redor do palácio exigia a volta do presidente deposto, e até que este já retornava para ele.
A quarta e mais recente foi a de Honduras.
Não estamos diante apenas de golpes de estado tradicionais. Estamos diante de uma versão mais sofisticada deles, que vêm através de justificativas parlamentares, legais e jurídicas que antecedem ou se sucedem aos acontecimentos propriamente ditos, elidindo a história e a legalidade anterior. Essa estratégia faz parte e é central entre as novas táticas da direita para assaltar o poder, seguindo a velha teoria de que uma democracia não se faz “apenas com eleições”. Esta se assenta na idéia de que entre os eleitores existem “aqueles que contam” e “aqueles que não deveriam contar”. Como se dizia no Brasil dos anos cinqüenta, depois que a “plebe” reconduziu Vargas ao poder, como pode o voto de um simples operário valer tanto quando o de um empresário, de um jurista, de um médico, etc.?
A “teoria do de facto”, da “vacância histórica” e da “vacância jurídica” se apóiam na teoria subjacente da “vacância do povo”. Essa noção “pós-moderna” (porque destituída de profundidade histórica) de democracia nos dá uma versão anacronicamente “ateniense” dela, em que a democracia vale apenas para os “mais cidadãos” do que os outros: metecos (estrangeiros), bárbaros e escravos, fora!
É provável que a “teoria do de facto” venha de novo a ser arquitetada pelo menos contra o presidente Lugo, do Paraguai, ameaçado de ser acusado de qualquer coisa no Parlamento para se votar o seu afastamento. Em outras circunstâncias é difícil se discernir o seu uso. Mas não esqueçamos que as direitas são unidas, eficazes e criativas. “Um outro de facto é possível”, sempre.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

A título de ilustração, alguns ensaios sobre essa nova modalidade de golpe já pontuaram neste blog e podem ser rememorados logo abaixo.

Entrevista esquizofrênica de um senador golpista paraguaio.

A tentativa Jobiniana.

ANISTIA INTERNACIONAL E A LEI SECA

Laerte Braga

Os gangsteres norte-americanos (tem algum que não seja? Claro, muitos, mas...), em plena vigência da lei seca costumavam disfarçar os bares, boates e cassinos onde operavam seus “negócios” com fachadas. Há um filme sobre o assunto que uma das fachadas é uma funerária. O sujeito entra para velar um corpo, um parente falecido, coisa assim e de repente a porta do crematório se abre, o sujeito dá de cara com o bar, a boate ou o cassino.

Para isso era preciso ter cartão. Cartão especial, cliente vip. O Exército da Salvação é formado por um grupo de cidadãos dos EUA que atua em quase todo o País, hoje menos. Defende a temperança e coloca seus seguidores com trombones nas ruas das principais cidades norte-americanas cantando canções contra o álcool, a prostituição e outros vícios. Numa operação policial em Chicago era fachada para um desses cassinos clandestinos.

A ANISTIA INTERNACIONAL é exatamente isso. Fachada para encobrir “negócios” do império dos EUA. Não importa que em seus quadros existam pessoas decentes (no Exército da Salvação havia senhoras paulistas e mineiras defensoras da pátria e da família). O papel da ONG conhecida como AI é fazer parecer ser uma coisa, enquanto é outra. Por coincidência ou não, a sigla, digamos assim, AI pode ser também Ato Institucional.

No duro mesmo uma funerária de direitos humanos que se abre para a grande festa do imperialismo norte-americano e das práticas terroristas dos EUA. Mas é preciso ter cartão VIP – VERY IMPORTANT PEOPLE –. Prefiro só PEOPLE e a melhor interpretação é a de Ray Charles (a meu juízo). E o crematório deles é em Guantánamo, ou nas prisões do Iraque.

A ANISTIA INTERNACIONAL condena a barbárie do estado de Israel contra o povo palestino? E daí? Antônio Ermírio de Moraes invade terras quilombolas, devasta florestas inteiras para plantar eucaliptos e patrocina uma semana dedicada ao meio ambiente no extinto estado do Espírito Santo.

E quando a situação aperta se socorre no dinheiro público, regra geral para a iniciativa privada. Os tais financiamentos via BNDES. O próprio governo dos EUA se viu na contingência de “socorrer” bancos e montadoras de automóveis em estado falimentar. Já os desabrigados de New Orleans...

Esses, segundo a veneranda senhora Barbra Bush, mãe do terrorista George Walker, “ficam melhores nos abrigos, pois fazem três refeições por dia”.

Na cabeça dessa gente a liberdade é uma calça jeans de determinada marca. O cara que criou esse “conceito definitivo” se inspirou num filme em que William Holden chega de trem a uma determinada cidade, é um vagabundo (na linguagem do filme) e rouba Kim Novak do almofadinha tucano/DEMocrata da cidade.

Liberdade de informação, de crítica, direito de opinião é uma coisa. Mentira, farsa, montagem de golpe é outra completamente diferente. Quando a GLOBO omite um desastre aéreo com centenas de vítimas para privilegiar um dossiê falso tentando influir no resultado das eleições está mentindo, conspirando. Infringindo a lei.

O que a RCTV fez na Venezuela foi isso. É fácil de entender. Um pouco de paciência e assistir todo o golpe montado pela mídia, elites e sob a batuta de Washington, à época sob o comando do rebento de D. Barbra, George, o eleito com fraude em Miami, estado da Flórida, governado então pelo irmão Jeb.

Manter o monopólio da comunicação mentirosa e devastadora que existe hoje em países latino-americanos e se espalha por todo o mundo, a partir de produção e direção de Hollywood, Disney e outros mais, é o interesse primordial dessa gente.

Acusar o governo do presidente Hugo Chávez de impor censura à imprensa é mentira, é golpe, práticas comuns tanto desse tipo de mídia, como de ONGs como a ANISTIA INTERNACIONAL.

Ora, se eu vou sair pelas ruas combatendo a violência, denunciando tortura, não vou nem ligar a televisão no canal onde o Boris Casoy está. O cara que acha que garis são “merda” Integra a seita terrorista (controla o Vaticano atualmente e desde João Paulo II) OPUS DEI, que quando do golpe seguia o lema “mate um comunista por dia e limpe o País”, não pode falar em liberdade de imprensa, em direito de opinião. É preconceituoso e mentiroso. Cumpre um papel que lhe é dado pelos donos e ganha muito bem por isso.

Não tem consciência, tem preço.

Chávez não cometeu nenhum ato de violência contra a liberdade. Chávez pôs fim à mentira. Emissoras de tevê são, lá como aqui, concessões de serviço público. Têm responsabilidades e deveres com a informação real, verdadeira. Não são prostíbulos como a GLOBO.

No link http://www.youtube.com/watch?v=aQu8ic0WRXo, em série, de um a dez, está lá todo o documentário de dois cineastas irlandeses que estavam na Venezuela quando do golpe fracassado contra Chávez e que puderam filmar e exibir toda a farsa com cenas reais.

São cenas incontestáveis. Os jornalistas dos principais canais privados de tevê comemorando a vergonha que haviam montado e até aquele momento havia dado resultado. Quarenta e oito horas depois Chávez voltou ao poder por imposição popular, mais de um milhão de pessoas nas ruas de Caracas e outras tantas pelo país afora.

O cinismo, o deboche de profissionais da imprensa (profissionais?) rindo da mentira, rindo da armação.

Onde isso é direito de opinião, é liberdade de imprensa?

Quando aqui omitem notícias importantes, o fazem em decorrência dos que lhes pagam. Os anunciantes, digamos assim. As grandes empresas, os grandes bancos, o latifúndio.

Uma quadrilha que chamam Polícia, em Santa Catarina, elites “européias”, prendeu, por medida de segurança, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). Em São Paulo, a quadrilha que também chamam Polícia, fez o mesmo. O crime? Denunciar a grilagem de terras pela Coca Cola. Denunciar as trapaças da senadora Kátia Abreu. Documentos falsos em cartórios para grilar e tomar terras de pequenos agricultores.

Quando qualquer fascista como Boris Casoy, ou a GLOBO do pomposo e mentiroso William Bonner tocou nesse assunto? Mas, omitir a campanha das diretas como o fez, até que tivesse sinal verde do ditador Figueiredo para noticiar o fato é liberdade de informação. Onde isso?

Se não existe obrigação de falar a verdade, vamos admitir assim para efeito de raciocínio, existe a de não mentir. A de não montar farsas. A de não transformar a comunicação, qualquer veículo, numa VEJA da vida. Bastou o copo transbordar no acidente com um avião da TAM e ficar evidente que a culpa era da empresa, manutenção insuficiente, precária, que a manchete bandida estampou lá – “a culpa é do piloto” – Estava morto, não podia se defender.

São, como diz um neto meu, “pessoas podres”.

Pio XII falava o tempo inteiro contra a violência dos nazistas, mas entregou milhares de judeus a Hitler num acordo para preservar o “seu” Vaticano. A OPUS DEI pagou a conta do banco do Vaticano, falido, evitou a prisão de alguns cardeais trapaceiros nos “negócios” (só não conseguiu evitar o mandado de prisão contra o cardeal Marcinkus, norte-americano) e Bento XVI diz que está preocupado com a Venezuela.

É evidente, de onde sai o dinheiro para a pompa nazi/fascista?

Uma das armas do capitalismo é exatamente vestir-se da pele de leão impávido defensor dos direitos humanos, da liberdade, disfarçando, escondendo, o caráter de hiena.

A ANISTIA INTERNACIONAL, repito, a despeito de idealistas que por lá possam e devem existir, é parte desse esquema.

Está a soldo de Washington.

E Washington é a soma de todas as elites pútridas do mundo, banqueiros, empresários, latifundiários, que sustentam e mandam nos meios de comunicação.

Na Venezuela Chávez desmontou a farsa e continua a exigir que os Bonners de lá, os Casoy, falem a verdade, noticiem fatos reais. Não se transformem em instrumentos de interesses de grupos, estrangeiros e parte de processos golpistas, que, aliás, é o que estão tentando fazer neste momento no Brasil para desestabilizar o governo Lula.

Um jeito de tentar colocar o governador José Collor Serra, agente estrangeiro, no governo do Brasil. A qualquer preço, isso é o óbvio. Como eles têm preço, mídia, ANISTIA INTERNACIONAL, a imensa e esmagadora maioria das ONGs, acham que tudo se resume a isso, preço.

São os heróis da democracia, da liberdade, da cristandade. Como os heróis de Pedro Bial no BBB.

Quando criança a gente escuta que o lobo vestiu-se de vovó, depois de ter papado a vovó, para poder papar também Chapeuzinho Vermelho. Mas escuta também que mesmo bebendo água rio abaixo, o cordeiro vai ser devorado pelo lobo.

Não há caçador que surge milagrosamente numa hora dessas. O que sobra para os trabalhadores, garis (“merda” segundo Casoy, “a mais baixa categoria na escala de trabalho”) é o direito de lutar e lutar de todas as formas possíveis antes que sejamos devorados na insânia e na podridão do mundo moldado nas conveniências desses bandidos.

A ANISTIA INTERNACIONAL lembra aqueles caras de fala mansa, jeitinho bondoso, cheios de orações, de boas intenções, prestativos, que choram com pena dos que sofrem e quando o indigitado vira as costas achando estar diante de um santo, sente a dor da facada. Nas costas, pelas costas.

Quando a FOLHA DE SÃO PAULO, a que chamou a ditadura militar de “ditabranda”, enquanto emprestava seus caminhões para a desova de cadáveres dos presos assassinados pelos torturadores, criaturas indefesas e submetidas a toda a sorte de boçalidade dos Brilhante Ulstra da vida, nos governos Médice da vida, “montou” o currículo da ministra Dilma Roussef, foi advertida pelo seu onbudsman, uma espécie de fiscal do jornal, que havia errado, que havia se equivocado (bondade), manteve a mentira e foi pra cima do onbudsmam.

Por que? Porque montou a mentira de forma deliberada para atender aos que compram a consciência, a alma, tudo, dos jornalistas que se agacham à passagem de qualquer dono de um OMO da vida, ou um tucano/DEMocrata que nomeia para umas assessorias de “relações públicas”. Assim que nem Gilmar Mendes emprega Heraldo Pereira e Serra emprega um monte, inclusive políticos corruptos como Roberto Freire. Viram conselheiros.

A ANISTIA INTERNACIONAL é só um veículo dessa gente. Você olha a roupa, está imaculada. Você tira a roupa e encontra a face verdadeira desses fascistas. A história que OMO tira as manchas toda é ilusão, vem desde os tempos de RINSO LAVA MAIS BRANCO.

Só isso, nada mais.

sábado, 30 de janeiro de 2010

As “prisões preventivas” e os movimentos sociais

Sanguessugado do MST

AI-5

Mais de 50 entidades manifestam apoio ao MST em SC

30 de janeiro de 2010

Mais de 50 entidades sindicais, representantes de universidades, professores, partidos políticos, deputados e juristas participaram, na tarde desta sexta-feira (29/1), do ato de apoio ao MST de Santa Catarina. A atividade condenou a prisão arbitrária do coordenador do MST de SC, Altair Lavratti, do militante Rui Fernando da Silva Júnior, e da líder comunitária Marlene Borges. Lavratti foi algemado e preso em Imbituba, quando participava de uma reunião com catadores de material reciclado, num galpão, na noite de quinta-feira. Marlene e Rui foram presos na manhã de sexta-feira, depois de se apresentarem voluntariamente. Rui também foi algemado.

As acusações envolvem esbulho possessório (tomada violenta de um bem), formação de quadrilha e incitação à violência, e segundo a PM, foram “preventivas”, ou seja, para evitar que os supostos crimes fossem cometidos. As investigações começaram em dezembro, no entanto, há mais de 10 anos o MST participa de encontros com a comunidade local, informando as famílias sobre seus direitos.

A área de 200 ha, principal motivação das ações, pertence ao Governo Federal e foi cedida ao Governo do Estado para formação de uma Zona de Processamento de Exportações (ZPE) em 1996, no entanto, desde então está abandonada. “O objetivo das reuniões era informar as pessoas sobre seus direitos e mostrar que o MST está solidário às lutas das famílias exploradas também nas cidades”, explicou o coordenador do MST, Lucídio Ravanello. O problema, segundo a comunidade local, é a privatização dos espaços, sem chance para que as famílias possam utilizar-se de uma área que é pública.

Denúncias descabidas

Uma das acusações que causou revolta ao MST é a denúncia, por parte da PM, de que pessoas estariam recebendo dinheiro para participar de mobilizações na região de Imbituba. “Isso nunca ocorreu. É um absurdo gigantesco que não tem qualquer cabimento. Respeitamos a vontade da comunidade local e é só. Gostaríamos de saber de onde a polícia tirou esse tipo de calúnia”, afirmou Ravanello, que desafiou a PM a apresentar provas de que esse tipo de ação ocorreu.

Prisões arbitrárias e ilegais

Juristas presentes ao ato destacaram as prisões como arbitrárias e ilegais, pela utilização de escutas consideradas criminosas pela Organização dos Estados Americanos (OEA), pelo uso indiscriminado de algemas, além do conflito de competências em razão da investigação realizada por uma polícia cuja atividade é amplamente questionada dentro do próprio sistema de segurança – a P2, serviço de inteligência da Polícia Militar de SC. “Acredito que esse é o momento de começarmos aqui uma discussão muito mais ampla, sobre as razões e motivações desses casos de criminalização que se repetem em diversos estados”, afirmou o doutor em direitos humanos e desenvolvimento, advogado Prudente José Silveira Mello, também conselheiro do Comitê de Anistia do Ministério da Justiça.

Em 6 de agosto de 2009, a Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA divulgou sentença condenando o Brasil pelo uso de interceptações telefônicas ilegais, em 1999, contra associações de trabalhadores rurais ligadas ao MST no Paraná. O Estado brasileiro foi considerado culpado pela instalação dos grampos, pela divulgação ilegal das gravações e pela impunidade dos responsáveis.

Prudente ainda destaca que Altair Lavratti não teve respeitado o direito de contatar um familiar ou qualquer conhecido, para informar sobre sua prisão. Autoridades locais, advogados e representantes do MST somente conseguiram localizar Lavratti às 8h da manhã da sexta-feira, quase 10 horas depois da prisão. “Ele foi isolado de forma ilegal. Ninguém o encontrava em qualquer local e as autoridades não informavam sobre onde ele poderia estar”, disse.
Em nota, o movimento em SC destaca que “a prisão de homens e mulheres ligados ao MST, além de líderes comunitários, quando realizavam uma reunião com integrantes da comunidade, em Imbituba, demonstra uma faceta controversa do Estado, do poder policial e de uma parcela do judiciário. Estas pessoas foram detidas mesmo sem cometer qualquer crime, apenas pelo fato de trabalharem junto às famílias no esclarecimento de seus direitos enquanto cidadãos e cidadãs.”

Outra questão controversa do episódio é a participação do Ministério Público nas investigações. Foi o MP quem solicitou à justiça a quebra do sigilo telefônico de integrantes do MST, e também quem organizou, junto da PM, a prisão preventiva dos representantes do movimento. “O MST, como já ocorreu com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), é vítima de uma ação orquestrada que utiliza como artifício a prisão “preventiva” por “suspeita de invasão”. Para a polícia e para o poder judiciário, pelo que se entende a partir desta ação, reuniões que envolvam sindicalistas e lutadores sociais passam a ser “suspeitas” e, sendo assim, são passíveis de interrupção e prisão”, destaca o movimento na nota divulgada na manhã de sexta-feira.

Durante o ato, os representantes de mais de 50 entidades assinaram uma moção de apoio ao MST, e de repúdio à ação da Polícia Militar e do Judiciário.

AI-5 catarina

A justiça azul

GilsonSampaio

Não faz muito tempo o Plenipotenciário Gilmar Dantas proibiu o uso de algemas durante as detenções, era muita humilhação ver a imagem de seus pares de tez branca e a menina dos olhos azuis algemados nas tv’s. Também ficou bravo com a espetacularização que PF promovia, sempre com a ajuda exclusiva da grobo, das prisões. Claro, o coral piguiano entoou afinadíssimo a nova canção. Mais recente ainda, mandou soltar o médico Roger Abdelmassih acusado de estuprar 56 mulheres ( vai se casar agora em fevereiro com uma procuradora do estado!), não se pode privar alguém da liberdade por presunção de culpa, isto é, todos têm o direito à liberdade até a julgamento final.

E não é que a polícia do Ze Aluvião desobedeceu o ‘supremo e definitivo paradigma da justiça’?

Caso 1 – numa escancarada jogada de marquetín eleitoral para tentar esconder o afogamento de Zé Aluvião nas suas próprias águas de incompetência administrativa, a polícia paulista prendeu sem-terras do MST acusados por prejuízos causados à ‘coitadinha’ da Cutrale, grileira de terras públicas, tudo sob o comando de câmara, luz…ação! E lá se foi pelos pestilentos ares televisivos e pelas malcheirosas folhas jornalísticas a imagem do líder do MST em Iaras jogado no chiqueirinho do camburão.

O Ministério Público de Santa Catarina afrontou mais ainda ‘o supremo e definitivo paradigma da justiça’, editou um AI-5 catarina.

Caso 2 – em Santa Catarina foram presos outros três sem-terra, acusados de presunção de invasão de terras do BNDES. Baseado em escutas telefônicas e informações de um X-9 infiltrado no movimento, o Ministério Público autorizou as prisões antes da suposta invasão que supostamente ocorreria no dia seguinte. Perguntinha cretina e fora de hora: porque preferiram prender os líderes de uma presumível invasão de terras a proteger os acessos às terras, uma vez que tinham todas as informações?

No caso do Zé Aluvião, fica patente a falta de caráter tão bem retratada quando Ciro Gomes diz que Serra não tem escrúpulos e “se fosse preciso, passaria com um trator por cima da mãe.”

Já o AI-5 de Santa Catarina abre um precedente muito perigoso para o país, esse é um filme que promoveu o terror, encarcerou a liberdade de reunião e expressão livre do pensamento sob pena de tortura e morte.

Não espero nada do ‘supremo e definitivo paradigma da justiça’, modestamente, conclamo a blogosfera a denunciar o AI-5 catarina antes que outras togas golpistas sigam o mesmo exemplo.

QUEREM UM GOLPE NA VENEZUELA

QUEREM UM GOLPE NA VENEZUELA

Laerte Braga

A REDE GLOBO DE TELEVISÃO, através do JORNAL NACIONAL, a exemplo do que fez em abril de 2002, está envolvida até a medula na tentativa de desestabilizar o governo do presidente Hugo Chávez da Venezuela. A pregação golpista do JORNAL NACIONAL é vergonhosa, ainda mais para uma empresa que sustentou a ditadura militar no Brasil e se caracteriza em seus noticiários por mentir em função dos interesses que representa.

Em abril de 2002 a rede deslocou a comentarista Miriam Leitão para uma série de reportagens em Caracas sobre o governo Chávez. Foi apresentada uma semana antes da tentativa frustrada de golpe contra o presidente daquele país. Na última matéria da série, cinco matérias, Miriam disse o seguinte – “a Venezuela não agüenta mais Hugo Chávez” –. Deposto na quinta-feira seguinte numa farsa montada por redes privadas de televisão, como a GLOBO, Chávez voltou ao poder no domingo, em meio a manifestações de milhões de venezuelanos em Caracas e em todo o país. Em agosto, um referendo atestado pelo ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, confirmou a vontade do povo venezuelano – Chávez e não Miriam Leitão –.

Um mês após a tentativa de golpe o empresário Gustavo Cisneros, dono de várias empresas na Venezuela e nos Estados Unidos, amigo de George Bush e do ex-presidente venezuelano Carlos André Pérez (preso por corrupção por um bom período), andou pelo Brasil alardeando interesse em comprar uma empresa brasileira de televisão, uma rede, noticiário que chegou a envolver o SBT, do grupo Sílvio Santos. Veio com o pretexto de lançar sua biografia.

Cisneros é dono do grupo VENEVISIÓN e em 2002 fez parte do grupo de redes que tentou o primeiro golpe midiático da história, documentado ao vivo por dois cineastas irlandeses e com o nome “a revolução não será televisionada”.

A pregação golpista do JORNAL NACIONAL (Nacional de Washington) pode ser vista em

http://www.youtube.com/watch?v=6wYajREF4Ic

Numa das cenas de um documentário sobre o golpe um partidário de Chávez é mostrado reagindo a disparos vindos de vários pontos onde se encontravam os manifestantes contrários ao presidente e a televisão venezuelana, como vive fazendo a GLOBO aqui, dizia que o homem estava atirando em inocentes. Aberta a câmera, do outro lado não havia ninguém, os atiradores eram contra Chávez estavam em pontos estratégicos. A tevê venezuelana mentia.

No dia seguinte à deposição de Chávez, a sexta-feira, um grupo de apresentadores de telejornais venezuelanos, redes privadas, comemorou na casa de um deles, a farsa montada para simular o apoio do alto comando militar. Um dos jornalistas de uma das redes, em crise de consciência, pediu demissão e relatou ao vivo a dois cineastas irlandeses a montagem do golpe, a proibição de notícias a favor de Chávez, de greves e manifestações a favor do presidente, a participação do governo Bush (toda ela mostrada no documentário) e da mídia norte-americana em toda a América Latina, vale dizer, a GLOBO e seu jornal de mentiras, o JORNAL NACIONAL.

A volta de Chávez, no domingo, milhões de venezuelanos nas ruas, em Caracas e no interior do país, não foi noticiada. Não convinha a GLOBO, era preciso esperar novas instruções de Washington, não contavam com a reação do povo daquele país.

Lá como aqui sempre existe um Boris Casoy. Uma das reuniões dos golpistas, filmada e parte do documentário “a revolução não será televisionada”, exibe um empresário alertando para o risco que empregados domésticos representam para os patrões, pois são aliados de Chávez.

São tratados com desdém. Com desrespeito.

O golpe em Honduras, patrocinado por Washington, despertou apetites golpistas vorazes nas elites venezuelanas e trouxe o apoio das elites brasileiras, principalmente da mídia mentirosa, no caso a GLOBO.

William Bonner e Fátima Bernardes, com ares sisudos, graves, dando impressão que falam verdades absolutas, mentiram e pregaram um golpe contra Chávez na edição de 28 de janeiro deste ano.

São pagos para isso, não têm escrúpulos, a consciência já foi perdida faz tempo. São robôs, como Miriam Leitão e antigos agentes da repressão, caso de Alexandre Garcia, ou empregados de Gilmar Mendes (empregado de Daniel Dantas), caso de Eraldo Pereira.

Fazem o mesmo com o MST no Brasil, transformando o movimento em organização “terrorista”.

Uma vala com dois mil corpos foi encontrada na Colômbia. Civis executados por paramilitares ligados aos EUA. Paramilitares formam uma organização de extrema-direita, de apoio ao governo do narcotraficante Álvaro Uribe. Executam líderes de oposição, sindicalistas, camponeses, grilam terras e sustentam-se no tráfico centrado no Palácio do Governo.

A história do JORNAL NACIONAL mostra o profundo desdém da GLOBO pelos brasileiros. Sustentou a ditadura, omitiu a campanha das diretas, fabricou Collor de Mello, omitiu a luta pelo impedimento do ex-presidente até ter garantias que nada sofreria, nenhuma retaliação, manteria intactos os privilégios. Sugou cofres públicos quando esteve para falir chantageando o governo de FHC com a invenção da candidatura Roseana Sarney e depois a operação que rendeu à rede 250 milhões de dólares (do contribuinte brasileiro, do cidadão brasileiro), via BNDES.

Omitiu um desastre aéreo para exibir um dossiê falso nas vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2006 (todas as outras redes já haviam noticiado o acidente com o avião da GOL e centenas de mortos).

William Bonner refere-se ao telespectador padrão, dominado, como sendo uma espécie de Homer Simpson, fez isso diante de estudantes e professores, ou seja, um idiota que cumpre seus deveres e aceita o papel de idiota. Alusão a um personagem de uma série de tevê dos EUA.

Não contesta. Cai de quatro o tempo todo.

São repugnantes.

O que há na Venezuela é a enésima tentativa de golpe contra Chávez a partir dos EUA, de elites venezuelanas subordinadas àquele país (elites são apátridas).

A Venezuela hoje oferece a seu povo uma realidade diversa daquela em que empregado doméstico, como gari aqui na visão de Boris Casoy é ameaça, ou a última categoria na escala de trabalho. São preconceituosos. Educação, saúde, reforma agrária, o dinheiro do petróleo a serviço dos direitos básicos do cidadão venezuelano e repúdio às políticas colonizadoras e agressoras dos EUA e suas colônias (Colômbia e Peru), agora Honduras e outros espalhados pelo mundo.

A GLOBO no Brasil cumpre o papel de secundar as tentativas de golpe, de desestabilizar o governo do presidente Lula para viabilizar a eleição do funcionário da Fundação Ford que, atualmente, governa São Paulo e chegar ao processo de liquidação do País.

Passarmos de BRASIL para BRAZIL, entupidos de bases dos EUA.

Aí vai ser a glória. William Bonner e Fátima Bernardes vão poder apresentar o JORNAL NACIONAL em inglês e danem-se os brasileiros, somos adereços nos interesses inescrupulosos e bandidos dessa gente.

A revolução bolivariana de Chávez é respaldada pela opinião pública daquele país, em eleições, referendos e ampla participação popular. A perspectiva de guerra civil para facilitar os interesses norte-americanos, um confronto com o governo narcotraficante da Colômbia são provocações montadas em Washington.

Obama, o de pele negra e ideologia ariana, não admite, como não admitia Bush que escravos latinos deixem de sustentar o império falido e doente que preside.

A luta dos trabalhadores venezuelanos é a luta dos povos latinos.

A decisão de não renovar a concessão do canal privado RCTV foi por conta de todo o processo golpista. A reação da GLOBO aqui é para manter o monopólio das comunicações e da prostituição na televisão, via BBB. A forma prostituída com que defendem com unhas e dentes os interesses norte-americanos.

Para se ter uma idéia, com os índices mais baixos que os usuais, a equipe do BBB está estudando a possibilidade de permitir uma transa explícita entre dois dos participantes do programa para alavancar a audiência.

É o tipo de respeito pela democracia cristã, ocidental e capitalista que a rede manifesta.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fim de noite


Urânio empobrecido e a crueldade imperial

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GilsonSampaio

O que se vê na foto acima não são fogos de artifício comemorando alguma alegria, são anúncios de terror e morte na forma de bombas de fósforo e urãnio empobrecido (DU - Depleted Uranium). Tecnologia americana, já foi usada no Iraque, Bósnia, Kosovo e Afeganistão e seu efeito residual permanece por longo tempo como é natural dos materiais radioativos.

  • Do DU não falam eles, os politiqueiros e os meios de comunicação que se arrogam serem "referência"
  • Intoxicam-nos com a treta do inofensivo CO2 mas silenciam o crime real
  • Organizações que se dizem ecologistas, como a Quercus e quejandas, são coniventes nesse silenciamento
  • O DU é venenoso e tem efeitos teratogénicos
  • Em Faluja nascem bebés deformados
  • A semi-vida do DU é de milhões de anos
  • As armas tóxicas do imperialismo ameaçam exterminar a humanidade
  • As agressões ao Iraque, Jugoslávia e Afeganistão não afectam apenas esses povos

por David Randall

Em Setembro deste ano nasceram 170 crianças no Hospital Geral de Faluja, 24 por cento das quais morreram na primeira semana. Três quartos dessas crianças apresentavam deformações, incluindo “crianças nascidas com duas cabeças, sem cabeça, um só olho na testa, ou sem membros”.

O texto na íntegra pode se lido aqui.

Isso é uma vergonha

A culpa a seus donos



GilsonSampaio
Em entrevista para a Globo News, o Engenheiro Júlio Cerqueira Cesar da Escola Politécnica da USP desmascara a imprensa venal que se esmera em responsabilizar papai do céu e a gentalha, culpados finais pelas chuvas, enchentes e deslizamentos na cidade. A dupla inepta Serra-Kassab recebe inapelavelmente, cada qual, sua condenação sem direito de apelação.
Perguntinha cretina e fora de hora: como estaria a cotação de Zé Aluvião na corrida presidencial se esta entrevista fosse ao ar no jornal nacional e antes da última pesquisa Vox Populi que mostra Dilma se aproximando dos números do eleito do PIG?
Imprensa venal e golpista é isso aí.

A transferencia de tecnologia já foi feita



GilsonSampaio

Pra essa gente que gosta de se exibir de esporas e chicote na mãos por aqui na terrinha e se posta prazeirosamente de quatro para os americanos, vai esse cala boca tupiniquim que orgulharia qualquer brasileiro.
A tecnologia que os americanos queriam transferir já foi feita para a cabeça desses babacas que sonham em ser a 51ª estrela da bandeira dos EU.

"Grande timoneiro conduz São Paulo em segurança; gentalha deve-lhe desculpas

Sanguessugado do Viomundo

Do professor Hariovaldo, aos difamadores do governador


A gentalha insiste em colocar o lixo nas ruas, como se os caminhões da prefeitura não tivessem nada mais importante para fazer do que recolher os dejetos desse povo. Aí está a raiz de todos os problemas das inundações

José Serra, audaz navegante das tempestades, conduz com destreza e técnica o leme da nau paulistânia em meio às tormentas e inundações provocadas pela gentalha ignara, grande poluidora e despreparada para viver ao lado dos homens bons de São Paulo. Qualquer outro estado, de qualquer outro lugar já teria naufragado, submergido, afundado como uma nova Atlântida, mas graças a brilhante liderança e a sagacidade inoxidável do governador Serra São Paulo resiste, estando pronto para resistir também a 2012.

Mesmo com a ação da gentalha jogando lixo até entupir todo o escoamento das águas, reduzindo a calha dos rios, estragando as bombas dos túneis; a capacidade gerencial ímpar do governo paulista resiste com solidez mantendo a boa governança sobre o povo, esse mesmo povo que o sabota.

Para a gentalha tudo é motivo para o vandalismo, mesmo algumas poças d'água na calçada

Inúmeros programas sociais contemplam as classes baixas, grandes obras assistências oferecem apoio e condições para a melhoria de vida de tais elementos reles, contudo, como demonstrou o Jornal Nacional ao longo da semana, e o Fantástico desse domingo, os membros da gentalha continuam colocando o lixo em sacos plásticos do lado de fora de suas casas, nas calçadas, o que mediante a qualquer chuvinha, causa grandes alagamentos, e depois essa mesma gente vai para ruas reclamar dos governos, como se eles tivessem culpa. Bando de inconscientes! São os mesmos que em vez de irem residir em lugares aprazíveis e adequados como em Moema ou nos Jardins, vão fixar residências nas encostas dos morros ou na beira dos rios para depois, na hora do apuro se fingirem de inocentes e mais uma vez culparem o governo Serra, que nada tem a ver com a história.

Enquanto a gentalha blasfema, Serra lidera as orações para que os céus parem com as chuvas

Tudo isso tem manchado o Governo de José Serra e a gentalha lhe deve desculpas públicas para que não fique uma má impressão para o resto da nação. As entidades, agremiações e associações que congregam os bandos dessa gente malfadada e fedida devem se reunir e emitir um comunicado isentando Serra e assumindo a responsabilidade por todos os transtornos causados a São Paulo e aos Paulistanos pelas chuvas, restaurando-se assim a verdade e a honra de nosso líder varonil, grande Almirante do Tietê.

O golpe bilionário das farmacêuticas e a foia





















GilsonSampaio
Golpista desde sempre, a foia de sumpaulo lançou criminosamente a semente do pânico ao estampar em suas páginas que até 67 milhões de brasileiros e brasileiras poderiam contrair a gripe suína em 8 semanas! Leia o contraponto do Dr.Eduardo Hage, publicado no Viomundo, o que seria uma obrigação não cumprida pela foia ditabranda.
A foia de sumpaulo torceu para a gripe matar milhões por aqui para responsabilizar o governo federal e, diante da inevitável comoção nacional, promover um golpe nos moldes do que aconteceu em Honduras.
Ouça no áudio da jornalista Luciana Coelho da foia de sumpaulo o que a Europa pensa do golpe dado pelos laboratórios em conluio com a OMS.





O PIG nacional, assim como os outros da América Latina que não suportam as escolhas soberanas do povo, não cumpre sua função jornalística de informar democraticamente, sua única função é fomentar golpe para a volta das elites brancas e de olhos azuis.
Democracia exige meios de comunicações livres, isso, porém, não significa liberdade para fomentar golpes.
A foia de sumpaulo foi criminosa ao tentar disseminar o pânico em meio à população e esse tipo de atitude deve ser coibido de uma vez pra sempre com a correspondente punição civil ou criminal, sei lá.
Censura, jamais.
Libertinagem golpista, a força da lei.

O porquinho é inocente
O ridículo Zé Aluvião e os porquinhos

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Telegang quer bolsa telegang

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GilsonSampaio

A telegang não tem medida para a sua ambição e trata todo o país como se todos fossem parvos, néscios e pascácios. Dominam a agência que regula o lucros crescente deles e têm um televassalo que é ministro da comunicação. Tem mais ainda, não tem Ministério Público que ponha focinheira e coleira e enquadre essa gang que não entrega o serviço que vende, que submete o usuário a multas escorchantes em caso de desistência, além de dispor de um serviço pós-venda que é um verdadeiro 171. E não vou falar das tarifas mais altas do mundo.

Agora que o governo federal anunciou que vai levar a banda larga para todo país a preços compatíveis com o poder aquisitivo da maioria da população, a telegang se mobilizou para mais um golpe.

Abrafix é Associação Brasileira das Concessionárias de Telefone Fixo Comutado – um braço da telegang - seu presidente é José Fernandes Pauletti, que reagiu propondo um estelionato ao país.

“Segundo o presidente da Abrafix, se o governo quer que todo brasileiro tenha acesso à internet, precisa distribuir uma quantia mensal e o cidadão escolheria a operadora onde quisesse gastar aqueles créditos para acessar a internet, seja pela rede das teles fixas, das operadoras de TV a cabo, das empresas de telefonia celular ou de pequenos provedores.
Pauletti disse que a Abrafix entende que o dinheiro do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) deveria ser usado dessa maneira. "Em vez de o dinheiro ir para a empresa fazer investimento - e, aí, fica aquela desconfiança -, faz uma transferência direta para o usuário, e ele decide onde quer usar. Aí, você gera uma demanda", afirmou. –
Estadão

Abrafix: revitalizar Telebrás é "loucura" e "desperdício"

Loucura é permitir a atuação livre da Telegang na exploração do povo e do país.

Desperdício é ter um Ministério da Comunicação e uma Anatel a soldo da telegang.

Chacina de Unaí completa seis anos de impunidade

GilsonSampaio

Conheça o caso nos links abaixo.
A formação do bando
Cronologia da impunidade


Chacina de Unaí completa seis anos de impunidade

do Blog do Sakamoto

A Chacina de Unaí completa seis anos neste 28 de janeiro. E, até agora, não há ninguém condenado pelos assassinatos.

Em 28 de janeiro de 2004, quatro, funcionários do Ministério do Trabalho e Emprego, foram assassinados enquanto realizavam uma fiscalização rural de rotina na região de Unaí, Noroeste de Minas Gerais. O motorista Aílton Pereira de Oliveira, mesmo baleado, conseguiu fugir do local com o carro e chegar à estrada principal, onde foi socorrido. Levado até o Hospital de Base de Brasília, Oliveira não resistiu e faleceu no início da tarde. Antes de morrer, descreveu uma emboscada: um automóvel teria parado o carro da equipe e homens fortemente armados teriam descido e fuzilado os fiscais. Erastótenes de Almeida Gonçalves, Nelson José da Silva e João Batista Soares Lages morreram na hora. O caso ganhou repercussão na mídia nacional e internacional.

Posteriormente, foram apontados como mandantes dos assassinatos os fazendeiros Norberto e Antério Mânica, que figuram entre os maiores produtores de feijão do mundo. Ambos chegaram a ser presos, mas hoje respondem ao processo em liberdade. Após isso, Antério foi eleito (2004) e reeleito (2008) prefeito de Unaí pelo PSDB, ganhando e mantendo fórum privilegiado.

O inquérito entregue à Justiça afirmou que a motivação do crime foi o incômodo provocado pelas insistentes multas impostas pelos auditores. Nelson José da Silva seria o alvo principal. Ele já havia aplicado cerca de R$ 2 milhões em infrações à fazenda dos Mânica por descumprimento de leis trabalhistas.

Também estão envolvidos os pistoleiros Erinaldo de Vasconcelos Silva (o Júnior), Rogério Alan Rocha Rios e William Gomes de Miranda; o contratante dos matadores, Francisco Élder Pinheiro (conhecido como “Chico Pinheiro”) e os intermediários Humberto Ribeiro dos Santos, Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro.

No ano passado, o 28 de janeiro se tornou oficialmente o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, aprovado no Congresso Nacional por proprosta do senador José Nery. Desde terça (26), estão sendo realizadas atividades em vários estados com o objetivo de sensibilizar a população e aumentar a pressão social para erradicar a escravidão contemporânea.

Não vou dizer que é incompreensível a demora da Justiça porque infelizmente não é. A verdade é que a velocidade de funcionamento de grande parte do sistema judiciário depende de quem é o réu/acusador. Se for rico, será rápido (se ele quiser que seja rápido) ou lento (se quiser que seja lento) e será julgado conforme suas conveniências, antes ou depois dos demais acusados (se assim for melhor para sua defesa). Se for pobre, a Justiça faz o caminho inverso.

Antério Mânica disse em entrevista à Repórter Brasil que deseja que tudo isso seja resolvido logo. Aí reside o problema: o prefeito de Unaí quer seu julgamento ocorrendo antes dos supostos executores, o que facilitaria a sua defesa. Enquanto isso, o restante dos envolvidos consegue protelar o seu julgamento – recursos já chegaram até o Superior Tribunal de Justiça. O caso é difícil é complexo e, é claro, todos os cuidados devem ser tomados para não cercear o direito de ninguém à defesa. Mas… seis anos e nada de julgamento? Se isso não é ineficácia do sistema de Justiça não sei o nome disso.

Em novembro de 2008, Antério Mânica foi um condecorados com a Medalha da Ordem do Mérito Legislativo, em cerimônia promovida pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, realizada no Palácio das Artes e “aplaudida por mais de mil convidados”, como explica o site da instituição. O prêmio, que foi considerado por muitos como um desagravo, gerou indignação e mal-estar em parte da sociedade civil e dos deputados mineiros.

Como disse no ano passado, a notícia é repetida neste blog. Mas, certamente, a culpa não é minha.


Isso é sina? Ou…

GilsonSampaio

Curioso é que a Queiroz Galvão está sempre envolvida nos grandes e recentes desastres paulistas: buraco do metrô, roboanel e, agora, a submersão de sumpaulo.

Isso é sina?

Sanguessugado do Viomundo

Ambientalista: Represas do Alto Tietê estavam cheias antes do período das chuvas

por Conceição Lemes

Sábado, 23 de janeiro. De barco, esta repórter percorreu, das 11 às 15hs, cerca de 7 quilômetros do rio Tietê na região do Pantanal. Primeiro, em companhia do líder comunitário Francisco Amaro Gurgel, coordenador do Movimento em Marcha. Depois, com Pedro Guedes, da Associação dos Moradores da Vila da Paz e do Movimento Unificado dos Moradores da Várzea do Tietê.

Passamos pelo Jardim Romano, Vila Aimorés, Fazenda Biacica, Cotovelo do Pantanal, Pantanal, vilas São Martins, da Paz, das Flores e Chácara Três Meninas. Não choveu durante o trajeto. Mas a correnteza maior – inabitual nesse trecho – chamou nossa atenção.

“O nível do rio também está bem mais alto”, acrescentou o barqueiro Sérgio Silvério Ferz, que fizera o mesmo percurso 15 dias antes.

Guedes reforçou: “Realmente, o Tietê subiu. Aqui, ele costuma ser ‘manso’ mas hoje [23 de janeiro] não está nem um pouco”.

Mal sabíamos que eram primeiros os alertas de um novo infortúnio. Nas horas seguintes, o Tietê transbordou e o Pantanal inundou muito mais do que em 8 de dezembro de 2009. As águas avançaram sobre pontos até então livres de alagamentos. Entre eles, a avenida de ligação de São Paulo com Guarulhos pela Vila Any e a rua Gruta das Princesas, percorridos pela repórter no sábado anterior com Ronaldo Delfino, do Movimento de Urbanização da Legalização do Pantanal (as fotos abaixo são dele).

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Ligação de São Paulo com Guarulhos pela Vila Any: em 16 de janeiro, sequinha, no dia 24...

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Rua Gruta das Princesas, onde fica o Colégio estadual Flávio Augusto Rosa. A inundação do sábado, 23 de janeiro, alagou inclusive a escola.

“Saí de casa no sábado, às 2 da tarde, estava seco. Voltei às 7, com água no joelho”, conta Maria das Mercedes Cavalcanti, 55 anos, sete filhos, que mora há quatro quadras do CEU do Jardim Romano. “Liguei para cá às quatro e meia, a minha casa já estava enchendo, ela nunca inundou. A água chegou até a coxa. Hoje, ainda está no joelho.”

“Ainda está tudo cheio. Nunca vi isso. Um conhecido nosso, o ‘seo’ Antonio, acabou de sair daqui. Perdeu tudo”, lamenta Maria Lúcia Farias, esposa de Ronaldo. “No sábado, a casa dele que não tinha enchido antes ficou com mais de 1 metro de água. ‘Seo’ Antonio e a família saíram com a roupa do corpo”.

“A parte da rua onde eu moro já estava alagada desde dezembro, mas a minha casa, não. Porém, desde sábado, estamos com água em todos os cômodos. Ficamos ilhados. Tive de chamar um guincho para tirar o carro, se não estragaria”, indigna-se Gurgel. “Como é o que o governo do Estado de São Paulo deixa a comunidade nessa situação e não se manifesta?”

“Desde a madrugada de domingo, colegas ligam desesperados, com água na altura do peito”, relata Ronaldo. “Estamos sem saber o que fazer nem o que começou a acontecer a partir de sábado. Pela nossa experiência não são as chuvas. Ouvi dizer que abriram as comportas das barragens do Alto Tietê, mas ninguém nos alertou nada antes.”

“O Pantanal inundou, de novo, porque as barragens do sistema do Alto Tietê estão excessivamente cheias para o verão, e a Sabesp abriu as comportas, contribuindo para alagar ainda mais região”, denuncia o economista e ambientalista José Arraes. “É uma irresponsabilidade a Sabesp e o Daee terem deixado a cheias chegar, para começarem a descarregar água dos seus reservatórios. É um crime. É um erro tremendo de gerenciamento”

Há 13 anos as enchentes em Mogi das Cruzes, município da Grande São Paulo, levou o ambientalista a se interessar pela questão de recursos hídricos. Ajudou a solucionar o problema do seu bairro e não parou mais. Atualmente, é membro do Comitê da Bacia do Alto Tietê, do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e do conselho gestor da APA (Area de Proteção Ambiental) da várzea do Tietê.

Viomundo – O senhor já fez essa denúncia aos órgãos públicos?

José Arraes – Claro. Denunciamos à Sabesp e ao Daee [Departamento de Águas e Energia Elétrica], órgãos do governo do Estado de São Paulo, que as barragens do Alto Tietê estavam excessivamente cheias para o verão. Fizemos isso no final de 2009.

Viomundo – E aí?

José Arraes – Nenhuma providência foi tomada. Aliás, em 2009, duas coisas muito estranhas ocorreram no gerenciamento das barragens do Alto Tietê. No início do ano, a Sabesp e o Daee praticamente secaram o Tietê e encheram os reservatórios. Em Mogi das Cruzes, o rio ficou vários meses com apenas 20 centímetros de lâmina de água. No final do ano, as barragens estavam muito lotadas para a época. Há 13 anos acompanhamos esse processo e sabemos que o Daee e a Sabesp reservam cotas nas barragens, prevendo as cheias do verão. Em 2009, não fizeram isso. Resultado: chegamos a dezembro com a quase a totalidade das principais barragens cheias. Um absurdo!

Viomundo – Por que a Sabesp e o Daee mantiveram as barragens lotadas?

José Arraes – Eu desconfio de um destes esquemas. Primeiro: para não faltar água para a Região Metropolitana de São Paulo. Assim, pode ter havido determinação governamental para estarem na cota máxima. Segundo: a Sabesp e o Daee já estarem aumentando o volume das represas, visando aumentar a produção da Estação de Tratamento de Água Taiaçupeba de 10 metros cúbicos por segundo para 15 metros cúbicos por segundo (10m³/s para 15m³/s) . Terceira: a privatização do Sistema Produtor de Água do Alto Tietê – chamado SPAT. Hoje é um consórcio de empresas privadas que regula, administra, mantém e fornece as águas que estão represadas nessas barragens.

Viomundo – Por favor, explique melhor isso.

José Arraes – Existe um consórcio de empresas – entre elas, uma empreiteira conhecida na nossa região, a Queiroz Galvão –, que hoje gerencia as águas reservadas nas represas em uma parceria público-privada. Toda a água represada em todas as barragens do Sistema do Alto Tietê são gerenciadas por esse consórcio. Quanto mais cheias as represas, mais interessantes para o consórcio. Interesse comercial, nada mais do que isso.

Viomundo – Quer dizer que as águas das barragens do Alto Tietê estão privatizadas?

José Arraes – Sim. As empresas do consórcio fazem a conservação das barragens e a intermediação com a necessidade da Sabesp que a trata e remete para a população. Logo, para o consórcio de empresas, quanto mais cheias estiverem as barragens, mais água fornece para a Sabesp. Mais ganhos financeiros, portanto.

Viomundo – Qual das três hipóteses é a mais provável?

José Arraes – Talvez a combinação das três. Cabe ao Ministério Público investigar. O fato é que as barragens do Alto Tietê estão excessivamente cheias e as comportas estão sendo abertas, contribuindo com as inundações em toda a calha do rio até a região do Pantanal.

Viomundo – Quantas barragens há no Sistema Alto Tietê?

José Arraes – Temos cinco: Paraitinga, Biritiba-Mirim, Ponte Nova, Jundiaí e Taiaçubepa, onde existe também uma estação de tratamento de água da Sabesp. As barragens são como caixas d’água para a cidade de São Paulo.

Viomundo – Qual a capacidade de cada uma?

José Arraes – A de Paraitinga [município de Salesópolis], tem capacidade para 37 milhões de metros cúbicos, e está com 92% da sua capacidade. A de Biritiba-Mirim [no município do mesmo nome], 35 milhões de metros cúbicos, está com 94%. A de Jundiaí [fica em Mogi das Cruzes], 84 milhões de metros cúbicos e 97% de cheia. A de Ponte Nova, 300 milhões de metros cúbicos; está com 73%. A de Taiaçubepa [entre Mogi das Cruzes e Suzano] tem capacidade para 82 milhões de metros cúbicos, está com 73% de cheia.

Viomundo – Quais estão soltando água?

José Arraes – Todas. No sábado, 23 de janeiro, a de Paraitinga estava vazando 5m³/ A de Jundiaí, 2m³/s. Biritiba-Mirim, 1m³/s. Taiaçupeba, 5m³/s. A de Ponte Nova, 0,5m³/s.

Viomundo – Mas as barragens normalmente liberam água o tempo todo?

José Arraes – Liberam, mas em pouquíssimas quantidades. É para o rio não perder as suas características. Em condições normais, liberam entre 0,5m³/s a 2 ou 3m³/s, no máximo.

Viomundo – Então quanto está sendo vazado?

José Arraes – Se você somar as vazões de Paraitinga, Taiaçupeba, Jundiaí e Biritiba-Mirim, são 12m³/s. É bem maior que os 10m³/s que a Sabesp está tratando em Taiaçupeba. É uma enormidade de água. Para você ter uma dimensão do volume, você abastece toda a cidade de Mogi, que tem 400 mil habitantes, com 3m³/s.

E o mais complicado é que as barragens de Paraitinga, Biriba-Mirim, Jundiaí e Taiaçupeba vazam para rios afluentes diretos do rio Tietê. É por isso que o Pantanal está cheio. As águas vazadas já chegaram até aí. Se você libera pouca água no rio, não causa transtorno nenhum. Agora, o transtorno é liberar 5, 6, 12m³/s no rio. É água demais! Acrescida das quantidades das chuvas deste verão, piora a situação.

Viomundo – É preciso liberar as águas das barragens?

José Arraes – Agora, tem de abrir as comportas, não tem outro jeito, pois as barragens estão cheias e vão transbordar. O grande erro foi deixar as barragens acumularem tanta água antes das chuvas do verão. No momento, estão tendo de soltar muita água.

Viomundo – Ou seja, estão abrindo as comportas na época errada. Quando isso deveria ter começado?

José Arraes – O normal seria o vazamento controlado ter começado por volta de agosto, setembro, para que, agora, no verão, as barragens estivessem mais vazias para receber as águas das chuvas e não transbordar.

Viomundo – Não fizeram isso?

José Arraes – Não, não fizeram. Ou se fizeram, não foi corretamente. O fato é que as nossas barragens não poderiam chegar à época de chuvas com 90% da sua capacidade preenchida. De forma que o Pantanal provavelmente ainda vai ter muita enchente, porque as chuvas vão continuar. A Sabesp e o Daee não vão parar de vazar agora, pois há risco de essas barragens extravasarem e inundar toda a região de Mogi das Cruzes, Paraisópolis, Ferraz de Vasconcellos, Suzano, Biriti-Mirim e até São Paulo.

Viomundo – É verdade que essas barragens podem se romper se as comportas não são abertas?

José Arraes – Romper, eu não acredito. Mas poderiam extravasar, ou seja, passar por cima da barragem. Se isso acontecer, você pode perder o controle da vazão. Diferentemente de quando você abre as comportas e limita a vazão do quanto é necessário. Por isso, a nossa preocupação é também com o extravasamento dessas barragens. Elas podem encher tanto que a água começará a passar por cima dos vertedouros. Isso é perigoso. Se vier a acontecer, as águas chegariam fatalmente a São Paulo.

Viomundo – A Sabesp alega que as barragens foram mantidas cheias, por causa do risco de estiagem em 2009. Há também quem diga que não se poderia ter bola de cristal para prever as chuvas dos últimos dias.

José Arraes – Balela. A Sabesp e principalmente o Daee têm o registro das chuvas dos últimos 20, 30 anos. Todos sabem que são cíclicas. De cinco em cinco, de dez em dez anos, há um período de chuvas mais fortes. Então a Sabesp e o Daee deveriam ter se prevenido há muito mais tempo. Eu acho que não tem perdão para o que está acontecendo. É falta de gerenciamento mesmo.

Viomundo – Com que volume as barragens deveriam ter entrado na estação chuvosa?

José Arraes – Do jeito que está chovendo este ano, elas deveriam estar bem baixas. Questão de prevenção. Há cálculos matemáticos para se estabelecer esses níveis, mas eu não saberia fazê-los e te dizer quanto.

Viomundo – Será que pensaram que São Pedro fosse dar uma mãozinha para São Paulo?

José Arraes – Como poderiam aguardar a ajuda de São Pedro, se a Sabesp e o Daee sabem que chove bastante de períodos em períodos. Foi uma grande irresponsabilidade.

Viomundo – A Sabesp e o Daee só se preocuparam com o abastecimento de água e se descuidaram das enchentes?

José Arraes – Aparentemente é o que aconteceu. Lembre-se de que a água tratada gera lucro.

Viomundo – A região do Pantanal encheu, de novo, de repente, a partir do sábado no final da tarde. Para isso ter ocorrido no sábado, quando as comportas começaram a ser abertas?

José Arraes – O dia exato eu não saberia dizer, mas foi mais ou menos há 20 dias. Foi mais ou menos quando o governador José Serra noticiou que havia autorizado a abertura das comportas.

Viomundo – Demora tanto tempo para chegar aqui embaixo, na capital, na região do Pantanal?

José Arraes – Demora. Não é imediatamente. O Tietê é um rio de planície, não tem velocidade e correnteza. Tem uma vazão muito pequena. Quando são abertas as comportas, as águas demoram mais ou menos 10 a 15 dias para chegar a São Paulo, dependendo ainda do assoreamento do rio. O fato é que as comportas já estão abertas há vários dias.

Viomundo – Conversei com várias lideranças comunitárias sobre isso. Nenhuma foi comunicada da abertura das comportas. Segundo Ronaldo Delfino, do Pantanal, talvez a Defesa Civil também não tenha sido alertada, pois muitos moradores acionaram-na e não foram socorridos. Ligavam, ligavam, ligavam, só dava ocupado, “como se o telefone estivesse fora do gancho”.

José Arraes – Infelizmente, em geral, as populações não são comunicadas com antecedência. São alertadas pela televisão, mas só DEPOIS. É um erro muito grave, que pode custar vidas.

Viomundo – Pelo noticiário, as chuvas dos últimos dias são apontadas pelas autoridades como as responsáveis pela nova e maior inundação do Pantanal. O que o senhor acha?

José Arraes – As chuvas podem até ter contribuído, mas a causa mais importante dessa nova inundação é que as barragens do sistema do Alto Tietê estão vazando água. E como Tietê está assoreado, o rio extravasa, inundando a várzea.

Viomundo -- Reportagem publicada pelo Viomundo denunciou que o Tietê da barragem da Penha até o Cebolão pode ter ficado sem ser desassoreado em 2006, 2007 e 2008 (até outubro) e contribuído para as enchentes históricas de 8 de setembro e 8 de dezembro? Como está o rio acima da barragem da Penha?

José Arraes – De Biritiba-Mirim até barragem da Penha está um horror, todo assoreado. Há muitos anos não são retirados os resíduos acumulados no fundo do Tietê. São mais ou menos uns 70 quilômetros de extensão. É um Deus nos acuda tentar convencer os órgãos do governo do Estado de que é preciso desassorear o rio.

Viomundo – O que fazer agora?

José Arraes – O que o Daee e a Sabesp estão fazendo é fruto de uma irresponsabilidade total. Nós temos denunciado isso, mas a nossa voz ainda é muito incipiente. Até as autoridades do governo do Estado levarem em consideração o que dissemos mais inundações ocorrerão, mais pessoas perderão pertences, algumas até a própria vida. O único caminho que nós temos é denunciar ao Ministério Público do Estado. Se for o caso, até ao Ministério Público Federal. É, insisto, o nosso único caminho.

Troféu Frango












Sanguessugado do Blog do Sakamoto

Ministro da Agricultura quer ser rei do Brasil

Porto Alegre - Há tempos, este blog criou o Troféu Frango para premiar declarações e situações estranhas, daquelas que assustam o imaginário popular. Hoje, o agraciado é o ministro da Agricultura e Pecuária Reinhold Stephanes.

Vamos aos fatos: O ministro, discursando a produtores rurais no Paraná nesta terça (27), reclamou que o setor agropecuário não conta com a devida atenção que merece e não usufrui do poder a que teria direito:

“Falta ao setor mais visibilidade, participação, capacidade de mobilização e de reivindicação. No sentido que, efetivamente, pela importância daquilo que ele produz, daquilo que ele representa na sociedade, ele também represente em termos de poder de decisão.”

Ouvi duas vezes a entrevista que ele concedeu e demorei a crer que o ministro se referia ao agronegócio brasileiro. Pois a fala seria bem mais apropriada para descrever o universo dos trabalhadores rurais, que se esfolam para gerar a riqueza no campo ficando apenas com um pequeno quinhão do que é produzido. O setor agropecuário conta com uma elite política e econômica extremamente influente que, grosso modo, está no centro das decisões desde as capitanias hereditárias. O tripé latifúndio, monocultura e escravismo ajudou a forjar o que somos nós e nossa identidade, atravessando colônia, império, república, chegando a ter voz e assento em todos os governos pós-redemocratização.

Em seu discurso, o ministro cobrou mudanças nas propostas do 3o Programa Nacional dos Direitos Humanos que tratam da reintegração de posse de terras ocupadas. Disse que o ministro Nelson Jobim (Defesa) conseguiu o que queria porque tinha o Exército ao seu lado. Sob aplausos, afirmou que há milhares de agricultores, um exército deles, dispostos a protestar em Brasília.

Esqueceu-se de dizer que vários agricultores já possuem um exército, ou melhor, milícias com organização, treinamento e poder de fogo bem maior que os tradicionais jagunços. Essas milícias particulares, formadas por empresas de segurança ou arregimentadas por conta própria, tocam o terror no campo para garantir a manutenção do status quo.

Enquanto isso, exibições públicas de força, como o cavalo de pau de tratores no gramado do Congresso Nacional ou o bloqueio de rodovias por agricultores insatisfeitos não são raras, mas existem em menor número se comparadas com as pressões que ocorrem em corredores palacianos ou nos parlamentos. Bilhões de reais em dívidas são perdoados pelo Estado (ou seja, você, eu, nós pagando pela incompetência administrativa alheia), outros bilhões colocados em linhas de financiamento que depois não serão honradas. O de sempre: lucros são privados, prejuízos são públicos.

Rasga-se as leis ambientais, fundiárias e sociais para garantir o que o ministro chama de “sentimento de segurança”, ou seja, a confortável sensação de impunidade para quem desmata, rouba terra pública, descumpre a função social da propriedade ou expulsa indígenas de suas terras. Há anos o projeto de emenda constitucional que prevê o confisco de terras flagradas com trabalho escravo está parada no Congresso por pressão da bancada ruralista, grupo de parlamentares que representam essa elite e seus objetivos.

Esse grupo é sim chamado ao debate, mas muitas vezes se furta a ele. Por exemplo, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) foi eleita uma das três instituições delegadas da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo na conferência que finalizou o PNDH3 em 2008. Não apareceu para os debates. Depois, a direção da entidade diz que o programa foi feito sem a participação deles. Muito cômodo, é claro.

Tudo isso me leva a crer, caro ministro, que para atender o seu pleito, ou seja, dar mais poder ao agronegócio brasileiro, teremos que mudar a forma de governo. Abaixo a República e que tragam de volta a monarquia. Nesse caso, o senhor pode acabar sendo alçado à condição de rei. Ou a senadora presidente da CNA, à de rainha.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Trabalho escravo


Via CPT

Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo

Em Minas Gerais, mais de 120 pessoas, entre elas diversas autoridades e representantes de entidades da sociedade civil, participaram de ato público, no dia 26 de janeiro, em que apoiaram o abaixo-assinado pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo e divulgaram uma carta aberta pela reestruturação das fiscalizações no Noroeste de Minas. O ato público, intitulado “Combate ao Trabalho Escravo em Minas Gerais – Perspectivas e Desafios”, foi promovido pelo Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT) e pela Coordenadoria Nacional de Combate ao Trabalho Escravo (Conatrae). A manifestação foi programada para marcar, em Minas Gerais, o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, comemorado em 28 de janeiro, data do assassinato de servidores do Ministério do Trabalho durante fiscalização no município de Unaí (MG), em 2004. O coordenador nacional de Combate ao Trabalho Escravo do MPT, Sebastião Caixeta, destacou o simbolismo de a abertura das atividades da semana acontecer em Minas. “O crime de Unaí foi uma afronta não só às famílias, mas também ao poder do Estado que estava ali encarnado pelos fiscais”, afirmou. “É imperioso que o trabalho de fiscalização se mantenha firme para fazer frente a essa forma de vil de exploração”. Durante toda a semana outras atividades estão sendo realizadas em várias partes do país. Confira abaixo:

Em Porto Alegre (RS) – Dentro das atividades do Fórum Social Mundial, foi realizada oficina intitulada “Trabalho escravo: o quanto já caminhamos e o que falta fazer”, na quarta-feira, 27. Organizada pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e pela ONG Repórter Brasil, a oficina contará com a presença do Ministro Paulo Vannuchi, do Senador José Nery, da secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth Beatriz, da diretora da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, Laís Abramo, do Frei Xavier Plassat (Comissão Pastoral da Terra), de Leonardo Sakamoto (ONG Repórter Brasil), e outros.


Em Brasília (DF) - Na quinta-feira, 28, será realizado um grande Ato Público em frente ao Supremo Tribunal Federal, com o tema “Chacina de Unaí – 6 anos de Impunidade – Julgamento Já”. O ato acontecerá às 10 horas.

No Tocantins - dia 28 às 18h30, uma sessão solene da Conatrae será realizada no Palácio do Governo, em Palmas (TO), ocasião em que o Governo assumirá protocolo de intenção garantindo a implementação do Plano Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo. Araguaína (TO) acolherá, na Casa dona Olinda, o encontro das CPT’s da Região Norte (de 27 a 29/01) e a reunião Coordenação Nacional da Campanha de Combate ao Trabalho Escravo com delegados de 8 estados (do dia 31/01 a 02/02).


Em Recife (PE) – Também na quinta-feira (28), às 14h, o Ministério Público do Trabalho promove, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego e a Federação dos Trabalhadores Rurais de Pernambuco, o seminário “Trabalho decente no meio rural: desafios e perspectivas”, no auditório do MTE.

Em São Paulo (SP) - de 28 a 29/01, será realizado o I Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Escravo.


Outros eventos acontecerão em Belém (PA) - Ato político e cultural na Praça da República, no domingo, dia 31, com coleta de assinaturas em favor da PEC 438/01 e apresentações de artistas locais.

Prêmio Nobel da Paz para D.Zilda Arns e médicos cubanos



GilsonSampaio
A notícia é velha e minha iniciativa, acho que tardia, mas não custa tentar.
O Fórum Social Mundial poderia iniciar um movimento em favor da indicação dos médicos cubanos para o Prêmio Nobel da Paz junto com D.Zilda Arns.

Cala a Bico, Cafeteira

cafeterira

GilsonSampaio

Esse dedo-duro da ditadura é senador pelo Estado do Maranhão, o Haiti do Brasil.

Os dois pedaços de um mesmo pão

26/01/2010 - 23:38 | Enviado por: Mauro Santayana

Por Mauro Santayana
Entre outras vozes que se levantaram, no Brasil, contra a nossa solidariedade para com o povo do Haiti, destacou-se a do senador Epitácio Cafeteira, do Maranhão. Sua excelência pertence às oligarquias daquele estado e, desde 1962, tem sido eleito pelo seu povo, um dos mais pobres do país. Homem rico, conforme a relação de seus bens divulgada pelo Senado – muitos deles imóveis valiosíssimos – Cafeteira dispõe de dois aviões e automóveis importados. No Senado, ao negar ao governo autorização para o envio de mais tropas brasileiras a Porto Príncipe, declarou comovente solidariedade com o povo brasileiro. Para ele, é necessário cuidar dos brasileiros, e não dos estrangeiros. E foi além: atribuiu à imprensa brasileira o destaque que se dá aos mortos do Haiti, em detrimento das vítimas nacionais das enchentes.
Nós poderíamos cobrar do senador solidariedade para com o seu povo mais próximo, o do Maranhão – como governador que foi do estado, e como parlamentar que o vem representando há quase cinco décadas. As mulheres quebradeiras de coco, os pescadores, os sertanejos e os caboclos maranhenses, castigados secularmente pela miséria, massacrados pelo latifúndio e, eventualmente, pelas cheias, estão esperando pela compaixão do senador. Cafeteira é um dos donos do Maranhão. Se houvesse nascido no Haiti, naturalmente pertenceria à elite mulata daquele pequeno país, e, morando na parte mais bem edificada de Porto Príncipe, não estaria necessitando da solidariedade dos outros. Estaria preocupado com seus aviões e seus automóveis e, provavelmente, com suas lanchas.
As seções de cartas dos jornais e alguns blogs da internet mostram que parcelas alienadas da classe média tornaram-se, repentinamente, também sensibilizadas com as enchentes e desabamentos em nosso país, e acusam o governo de se dedicar ao Haiti. Trata-se de um desvio singular da ação política. Animados pela hipocrisia, esses humanistas de última hora se esquecem de que, tanto como no Haiti, é a miséria que faz as nossas tragédias. É a falta de trabalho, de escolas, de saúde, de planejamento urbano, de reforma agrária, enfim, da dignidade que vem sendo negada aos pobres, desde que aqui chegaram os fidalgos ibéricos. Aqui – e na Ilha La Española, onde se encontra o Haiti. O subdesenvolvimento, causa de toda a miséria, não é maldição mas resultado de deliberado projeto de desigualdade. Quanto maior a miséria em torno, mais ricos se fazem alguns. Por isso impedem a reforma agrária e impedem a educação dos pobres. Sua filosofia é a de que só têm direito aos benefícios da civilização os que puderem pagar por eles.
Eles não sabem que uma das poucas alegrias das pessoas pobres é a do exercício da solidariedade. Não conhecem a felicidade dos trabalhadores que se organizam em mutirão a fim de reconstruir o barraco que desabou, ou de construir a moradia de dois cômodos para uma viúva e seus filhos. Os haitianos que perderam suas casas e seus familiares são seres humanos, exatamente iguais aos nossos pobres, que se veem nos olhos solidários dos soldados e dos voluntários civis brasileiros no Haiti.
O presidente Lula pode desagradar a muitas pessoas, por ter saltado etapas em sua realização pessoal. Ele deixou o chão da fábrica para liderar seus companheiros de classe e se tornou dirigente político e presidente da República. É um pecado imperdoável: não enfrentou o vestibular, não teve que cavar empregos seguros ou casamentos de conveniência para se tornar vitorioso: enfim, não serve de modelo para a formação de uma juventude alienada e consumista, instrumento para a segurança de parcelas das elites. É provável que, no caso do Haiti, o presidente reaja como o menino que enfrentou as cheias na periferia de São Paulo e conhece de perto a solidariedade dos pobres.
O Brasil, como um todo, não sendo ainda um país rico, age como seus pobres. Não há nenhum mérito em dar o que nos sobra. O mérito está em repartir o que temos e do que necessitamos. Poeta mais conhecido em Minas, Djalma Andrade resumiu este sentimento ao pedir a Deus que nunca o deixasse comer sozinho o pão que pudesse partir em dois pedaços.

Despues de Diós, so los médicos cubanos



GilsonSampaio
O PIG canalha e venal esconde, nóis mostra, ué.
Até foto na capa de equipe israelense prestando ajuda no Haiti foi mostrada no grobo.
Quem vem salvando vidas no Haiti há dez anos e que foram os primeiros a socorrerem a população, nem uma linha camuflada entre anúncios, nem uma voz ou uma imagem efêmera que fosse para registrar a solidariedade cubana nas tv's.
A fala de René Preval, presidente do Haiti, quando diz que "despues de Dios, so los médicos cubanos" é definitiva.
Fidel Castro contrapôs a ajuda de Cuba com a dos EU: Cuba enviou médicos e os EU enviaram 10 mil mariners e um super porta-avião.
O Haiti, como a Palestina, somos todos nós, somos commodities e mão-de-obra barata, quando não escrava.