quinta-feira, 19 de julho de 2018

Afaste de mim este cale-se

Via Nocaute






Estou preso há mais de cem dias. Lá fora o desemprego aumenta, mais pais e mães não têm como sustentar suas famílias, e uma política absurda de preço dos combustíveis causou uma greve de caminhoneiros que desabasteceu as cidades brasileiras. Aumenta o número de pessoas queimadas ao cozinhar com álcool devido ao preço alto do gás de cozinha para as famílias pobres. A pobreza cresce, e as perspectivas econômicas do país pioram a cada dia.

Crianças brasileiras são presas separadas de suas famílias nos EUA, enquanto nosso governo se humilha para o vice-presidente americano. A Embraer, empresa de alta tecnologia construída ao longo de décadas, é vendida por um valor tão baixo que espanta até o mercado.

Um governo ilegítimo corre nos seus últimos meses para liquidar o máximo possível do patrimônio e soberania nacional que conseguir —reservas do pré-sal, gasodutos, distribuidoras de energia, petroquímica—, além de abrir a Amazônia para tropas estrangeiras. Enquanto a fome volta, a vacinação de crianças cai, parte do Judiciário luta para manter seu auxílio-moradia e, quem sabe, ganhar um aumento salarial.

Semana passada, a juíza Carolina Lebbos decidiu que não posso dar entrevistas ou gravar vídeos como pré-candidato do Partido dos Trabalhadores, o maior deste país, que me indicou para ser seu candidato à Presidência. Parece que não bastou me prender. Querem me calar.

Aqueles que não querem que eu fale, o que vocês temem que eu diga? O que está acontecendo hoje com o povo? Não querem que eu discuta soluções para este país? Depois de anos me caluniando, não querem que eu tenha o direito de falar em minha defesa?

É para isso que vocês, os poderosos sem votos e sem ideias, derrubaram uma presidente eleita, humilharam o país internacionalmente e me prenderam com uma condenação sem provas, em uma sentença que me envia para a prisão por “atos indeterminados”, após quatro anos de investigação contra mim e minha família? Fizeram tudo isso porque têm medo de eu dar entrevistas?

Lembro-me da presidente do Supremo Tribunal Federal que dizia “cala boca já morreu”. Lembro-me do Grupo Globo, que não está preocupado com esse impedimento à liberdade de imprensa —ao contrário, o comemora.

Juristas, ex-chefes de Estado de vários países do mundo e até adversários políticos reconhecem o absurdo do processo que me condenou. Eu posso estar fisicamente em uma cela, mas são os que me condenaram que estão presos à mentira que armaram. Interesses poderosos querem transformar essa situação absurda em um fato político consumado, me impedindo de disputar as eleições, contra a recomendação do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Eu já perdi três disputas presidenciais —em 1989, 1994 e 1998— e sempre respeitei os resultados, me preparando para a próxima eleição.

Eu sou candidato porque não cometi nenhum crime. Desafio os que me acusam a mostrar provas do que foi que eu fiz para estar nesta cela. Por que falam em “atos de ofício indeterminados” no lugar de apontar o que eu fiz de errado? Por que falam em apartamento “atribuído” em vez de apresentar provas de propriedade do apartamento de Guarujá, que era de uma empresa, dado como garantia bancária? Vão impedir o curso da democracia no Brasil com absurdos como esse?

Falo isso com a mesma seriedade com que disse para Michel Temer que ele não deveria embarcar em uma aventura para derrubar a presidente Dilma Rousseff, que ele iria se arrepender disso. Os maiores interessados em que eu dispute as eleições deveriam ser aqueles que não querem que eu seja presidente.

Querem me derrotar? Façam isso de forma limpa, nas urnas. Discutam propostas para o país e tenham responsabilidade, ainda mais neste momento em que as elites brasileiras namoram propostas autoritárias de gente que defende a céu aberto assassinato de seres humanos.

Todos sabem que, como presidente, exerci o diálogo. Não busquei um terceiro mandato quando tinha de rejeição só o que Temer tem hoje de aprovação. Trabalhei para que a inclusão social fosse o motor da economia e para que todos os brasileiros tivessem direito real, não só no papel, de comer, estudar e ter moradia.

Querem que as pessoas se esqueçam de que o Brasil já teve dias melhores? Querem impedir que o povo brasileiro —de quem todo o poder emana, segundo a Constituição— possa escolher em quem quer votar nas eleições de 7 de outubro?

O que temem? A volta do diálogo, do desenvolvimento, do tempo em que menos teve conflito social neste país? Quando a inclusão dos pobres fez as empresas brasileiras crescerem?

O Brasil precisa restaurar sua democracia e se libertar dos ódios que plantaram para tirar o PT do governo, implantar uma agenda de retirada dos direitos dos trabalhadores e dos aposentados e trazer de volta a exploração desenfreada dos mais pobres. O Brasil precisa se reencontrar consigo mesmo e ser feliz de novo.

Podem me prender. Podem tentar me calar. Mas eu não vou mudar esta minha fé nos brasileiros, na esperança de milhões em um futuro melhor. E eu tenho certeza de que esta fé em nós mesmos contra o complexo de vira-lata é a solução para a crise que vivemos.

Luiz Inácio Lula da Silva

segunda-feira, 16 de julho de 2018

BobFernandes: Brasil ladeira abaixo

Via TV GAZETA


 


Há duas semanas o " Hora do Voto" comandado por Maria Lydia na Tv Gazeta entrevistou Flávio Rocha. O bilionário, dono da Riachuelo e pré-candidato à presidência pelo PRB.

Então perguntei a ele se em agosto ainda o teríamos como candidato. "Pode ter certeza", garantiu Flavio Rocha. Na sexta-feira, 13, ele desistiu de ser candidato.

Discurso-base de Flávio Rocha: "O Brasil é um país socialista há cem anos". O Estado é entrave absoluto para o progresso e o "O Mercado" deve ser radicalmente livre.

Esse discurso funciona para topo, mas não cola nos esfomeados andares de baixo. Motivo-base para a desistência de Flavio Rocha: a falta de votos.

Por isso candidatos mentem. Na semana em que o bilionário jurava candidatura até o fim, Bolsonaro jurava na Confederação Nacional da Indústria:

-...Os senhores são nossos patrões, não faremos nada da nossa cabeça.

Bolsonaro foi aplaudido ao apontar como grave problema a aposentadoria dos servidores públicos. Dias depois Flavio, filho de Bolsonaro e deputado estadual, desmentiu o pai.

Flávio festejou decisão da Justiça. Que suspendeu o aumento da contribuição previdenciária dos servidores do Rio de Janeiro ... Para cada plateia um discurso diferente.

Discurso realista só caberá na boca de quem tiver muita credibilidade. Porque a realidade é brutal.

Manchete da Folha nesta segunda,16: "Mortalidade infantil tem primeiro aumento desde 1990". A taxa média caia 4,9% ano. Aumentou 5% em relação ao ano anterior...

...Isso em 2016. O ano em que o Brasil parou para tornar Temer presidente.

Desde então cortes em benefícios e programas sociais. Excluídas 4,3 milhões de pessoas, em maioria... crianças.

Informa o Banco Mundial: 28,6 milhões haviam saído da pobreza entre 2004 e 2014... Mas a pobreza extrema já aumentou de novo: 11% . Os miseráveis já são 15 milhões.

IBGE: O Brasil tem hoje 52 milhões de pobres.

ONU: O Brasil está voltando ao Mapa da Fome.

Como regredimos tanto em tão pouco tempo? Quem sabe naõ teremos respostas nas urnas...

...Esse é o Brasil real. Não a ficção palavrosa dos que vivem e comandam no topo.

domingo, 15 de julho de 2018

Rescaldo da Copa: mais pareceu jogos de guerra

GilsonSampaio





Sempre execrei a dupla Parreira-Zagalo por roubarem a poesia e o lúdico ao futebol.Um deles preconizou quem um dia o esquema tático seria 10-0, se tivesse feicibuqui à época eu proporia um vomitaço. E se fez real a predição.

Vamos ver se consigo me explicar.

A  Islândia é um país até simpático pelo pontapé que deu na bunda da canalha bancária e por ter elaborado uma  constituição com participação direta dos seus 300mil habitantes, via  internet. Em relação ao futebol, desafio que me apontem um grande feito ou grande craque antes dessa Copa.  Nunca tiveram relevância no universo futebol.

Fosse a Islândia a campeã do copa no lugar da França, não me surpreenderia. São duas seleção com jogadores muito fortes, muito altos e muito obedientes taticamente. A diferença é que a França tem Mbappé e Griezmann, e olha que não são jogadores extra-série, mas têm algo fora do automatismo, da obediência marcial, castrense. Mais parece jogos de guerra.

Me digam, qual seleção jogou diferente de Islândia e França?

Argentina x Islândia é emblemático, ainda que a seleção dos hermanos não fosse aquela coisa. Deu pena ver a impotência dos jogadores argentinos, inclusive Messi, frente ao gigantismo e força dos atletas islandeses.

França, Croácia, Bélgica, Inglaterra, Suécia, Suíça, Islândia, Alemanha ... qual a diferença substancial entre elas?

Quantos dribles da vaca, elástico, de corpo e caneta foram vistos?

O que vi foi um futebol pantográfico, quase um pebolim, um futebol mecânico.

Dirão que sou saudosista, romântico, talvez...

Não me agrada um futebol sem alegria e surpresa pelo inesperado vindo da criatividade.



Cultura inútil: Nacionalismo e patriotismo




Mouzar Benedito propõe uma reflexão sobre nacionalismo e patriotismo, e reúne as melhores frases e ditados sobre o tema!

 


Por Mouzar Benedito.
“Livre pensar, é só pensar” – Millôr Fernandes

Brasileirismo… acho que assim poderia se denominar a linha de pensamento de Darcy Ribeiro, que considerava o Brasil, com sua mistura de povos e de culturas, como o modelo para o futuro, uma espécie de síntese de tudo o que tem de bom no mundo.


Mas como diferenciar esse “brasileirismo”, que faz um pouco a minha cabeça, e o nacionalismo, que não faz? Vemos por aí defensores da Ditadura, falsos moralistas que se vestem de verde e amarelo e esbravejam ódio, um tipo de gente costuma gerar líderes como Hitler e Mussolini, e o Brasil está num momento em que corre risco de ver chegar ao poder imitadores desses dois.

Gosto de ser brasileiro, gosto de estudar a cultura brasileira e a defendo, gosto dessa mistura, e critico a invasão cultural aceita e louvada por gente que tem vergonha de ser brasileira e macaqueia um “Primeiro Mundo”, que age como dominador, não integrador. Impõe atitudes, consumos e ideias e exige que recebamos tudo passivamente. Ser contra essa atitude “receptiva” – acho que submissa é o termo mais adequado – a tudo que vem do tal “Primeiro Mundo” é nacionalismo?

O Brasil, culturalmente antropofágico, tem como coisa positiva assimilar o que vem de fora, digerindo tudo e expelindo (ou melhor inserindo na nossa cultura) o resultado disso. Mas reclamar quando nos enfiam porcarias goela abaixo é ser nacionalista? Temos que aceitar que tudo seja “de lá pra cá” e que é normal nada ir “daqui pra lá?”.

Acho que uma integração entre todos os povos é saudável e desejável. Mas não gosto que seja uma falsa integração com a gente dos países periféricos sendo obrigada a engolir tudo o que vem de fora como superior a tudo o que temos aqui. Essa coisa de “integração” de mão única, em que os mais fracos são apenas repositórios de interesses de outros povos, para mim, se chama imperialismo. Sou nacionalista?

E a liberdade de ir e vir que em certos países é seletiva? Os Estados Unidos, se tornaram a maior potência do mundo por ação de imigrantes, que foram para lá porque passavam fome ou fugiam de guerras em seus países de origem. Mas filhos e netos deles hoje consideram bandido quem tenta ir para lá, fugindo da fome ou de guerra.

E na economia, no comércio entre países? É possível um país se desenvolver sem se proteger contra “concorrentes” poderosos? Taxa de importação aqui é coisa retrógada, de um “protecionismo atrasado”, mas quando praticada pelos Estados Unidos é algo “patriótico” de defesa de empregos.

Por falar nisso, patriotismo é diferente de nacionalismo? Para alguns, é. Para outros, é tudo a mesma porcaria. Nação e pátria são diferentes? Vejo em alguns textos a explicação de que o patriotismo é inclusivo, aceita a diversidade como algo enriquecedor, enquanto o nacionalismo é excludente e tem por princípio desunir.

Nacionalismos resultaram em regimes como fascismo e nazismo, e exemplos de internacionalismo real são raros. Cuba andou praticando isso na África e era muito criticada por isso. Aliás, o internacionalismo do capital é defendido como incontestável, bom, positivo etc., enquanto qualquer tentativa de cooperação internacional entre trabalhadores provoca xingamentos, excomunhões e todo tipo de represália.

Pensando nisso tudo, e sonhando com um mundo sem nações nem pátrias, mas um mundo só, embora achando isso a utopia das utopias, selecionei uma série de pensamentos, quase todos contrários ao nacionalismo e ao patriotismo. Uns diferenciando uma coisa da outra.

Só que relembro: ser avesso a protecionismos quando estamos rodeados de protecionistas não é um tipo de suicídio? Defender nossa identidade, nossa economia e nossa cultura não é saudável?

Cecília Meireles: “Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços do mar. Nasce bem alto que as coisas serão tuas”.

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Charles de Gaulle: “O patriotismo é quando pões primeiro o amor a teu povo; o nacionalismo, quando pões primeiro teu ódio contra outro povo”.

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Richard von Weizsächer: “Patriotismo é o amor à família, o nacionalismo é o ódio do outro”.

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Richard Aldington: “O patriotismo é o sentido generoso da responsabilidade coletiva. O nacionalismo é o galo jactancioso em seu próprio cercado”.

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Margaret Mac Millan: “O nacionalismo deu origem à Alemanha e à Itália. Destruiu a Áustria-Hungria e, mais recentemente, separou a Iugoslávia. Muitas pessoas sofreram e morreram, feriram e mataram outros por causa de sua ‘nação’.”

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Cristina Kirchner: “Os nacionalismos da América Latina são muito criticados, mas me desculpe se eu lhes lembrar que eles não têm nada a ver com os terríveis nacionalismos da Europa, que causaram as piores tragédias da humanidade, como o Holocausto e o genocídio dos Bálcãs”.

Lema cigano: “O céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a liberdade é minha religião”.

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Aldous Huxley: “Tanto o capitalismo quanto o nacionalismo são frutos da obsessão pelo poder, o êxito e a posição social”.

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Oliver Stone: “Nacionalismo e patriotismo são duas das forças mais maléficas que conhecemos neste século, causando mais mortes e guerras e destruindo o espírito e muitas vidas humanas de maneira mais massiva que qualquer outra coisa”.

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Agustina Bessa-Luis: “Uma nação não nasce de uma ideia. Nasce de um contrato de homens livres que se inspiram nas insubmissões necessários ao ministério dos povos sobre os seus infortúnios”.

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Emile M. Cioran: “A inconsciência é uma pátria; a consciência, um exílio”.

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Eric Fromm: “O nacionalismo é a nossa forma de incesto, é a nossa idolatria, é a nossa insanidade. Patriotismo é o seu culto”.

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William Blum: “Se o amor é cego, o patriotismo perdeu os cinco sentidos”.

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Oscar Wilde: “O patriotismo é a virtude dos viciosos”.

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Coelho Neto: “Que é a bandeira? É um pano e é uma nação, como a cruz é um madeiro e é toda uma fé”.

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Rosa Luxemburgo: “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.

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Isabel Allende: “A humanidade deve viver num mundo unido, onde as raças, línguas, costumes e sonhos de todos os homens são misturados. O nacionalismo repugna a razão. Isso não beneficia as pessoas. Só serve para ter os piores abusos cometidos em seu nome”.

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Madame de Stael: “Uma nação só tem caráter quando é livre”.

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Coelho Neto, de novo: “O patriotismo é a dedicação a tudo que diz com a sorte do país natal e deve ser sincero como a religião”.

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Heitor Moniz: “O homem que procura defender a sua pátria com todos os recursos e armas de que pode dispor é sempre nobre”.

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Albert Einstein: “O nacionalismo é uma doença infantil; é o sarampo da humanidade”.

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George Bernard Shaw: “O nacionalismo é a crença que um país é melhor que outro pelo simples fato de você ter nascido nele”.

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Shaw, de novo: “O nacionalismo é uma forma perniciosa e psicopata de idiota”.

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George Orwell: “O nacionalismo é a fome de poder temperada pelo autoengano”.

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Rosa Montero: “Grupos ultranacionalistas e ultra religiosos estão incendiando o planeta com a ânsia ade criar mil pequenas nações. É um sonho feroz e excludente, porque se envolvem em trapos coloridos a que chamam bandeiras e se degolam uns aos outros, como se encontrassem sua identidade, precisamente, no fato de poder odiar alguém”.

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George Orwell, de novo: “O nacionalismo não só não desaprova as atrocidades cometidas por seu próprio lado, como tem uma extraordinária capacidade para nem sequer ouvir falar delas”.

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Alejo Carpentier: “Os Estados Unidos estão determinados em um nacionalismo orgulhoso, inimigo de tudo o que possa conturbar seu poderio”.

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Albert Camus: “Amo demais o meu país para ser nacionalista”.

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Evita Perón: “A pátria não é herança de nenhuma força. A pátria é o povo, e nada pode superar o povo sem estar em perigo de liberdade e justiça. As forças armadas servem à pátria servido ao povo”.

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Dan Fried: “O nacionalismo é como o álcool barato. Primeiro te embriaga, depois de cega e então te mata”.

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Arnold Toynbee: “O nacionalismo é o grande inimigo da raça humana. A tecnologia unificou o mundo e o nacionalismo insiste em tentar mantê-lo dividido”.

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Leo Longanesi: “O nacionalismo é o único consolo dos povos pobres”.

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Samuel Johnson: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.

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Paul Léautaud: “O amor produz tolos; o casamento, cornos; e o patriotismo, mal-intencionados”.

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Bertrand Russell: “Os patriotas sempre falam de morrer por seu país, nunca de matar por ele”.

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Russell, de novo: “O patriotismo é a disposição para matar e morrer por razões triviais”.

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D. Xiquote: “O patriotismo: nobre virtude nacional! Hediondo crime do país inimigo”.

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Camilo Jose Cela: “O nacionalismo se cura viajando”.

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Alphonse de Lamartine: “Só o egoísmo tem pátria. A fraternidade não a tem!”.

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Roberto das Neves: “Os trabalhadores não têm pátria, pois a burguesia despojou-os de tudo”.

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Roberto das Neves, de novo: “O patriotismo é um sentimento cuja sede se localiza no tubo digestivo”.

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Arthur C. Clarke: “A gente não consegue entender como é que podem seguir sobrevivendo as formas mais extremas de nacionalismo quando o homem já viu a Terra em sua verdadeira perspectiva, como um pequeno globo ante as estrelas.

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Latino Coelho: “Todos os povos, no seu orgulho nacional, prendem no céu a cadeia histórica dos seus destinos. A humanidade inteira são eles”.

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Gondim da Fonseca: “Nacionalismo não é lirismo: é programa de trabalho sério. Não é fascismo nem comunismo. Não constitui corpo de doutrina política”.

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John William Cook: “O nacionalismo só é possível como uma política anti-imperialista consequente”.

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Enric Plat de Riba: “Se o nacionalismo da Catalunha conseguir despertar com seu exemplo às forças adormecidas de todos os povos espanhóis, o nacionalismo catalão terá conseguido sua primeira ação imperialista”.

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L. Mencken: “Quando se ouve um homem falando do seu amor por seu país, podem saber que ele espera ser pago por isso”.

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Olaf Stapledon: “Ao fim e ao cabo, uma nação é, principalmente, uma sociedade fundada para odiar os estrangeiros”.

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Benito Mussolini: “Habitantes de Udina, fascistas, italianos, recolhei o espírito pensando nos nossos nunca esquecidos mortos e no espírito ardente da pátria imortal”.

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Arthur Schopenhauer: “Todo pobre-diabo que não tem nada no mundo do que possa se orgulhar descobre a nação a que pertence como último recurso para sentir orgulho: desse modo, ele se restabelece, sente-se grato e pronto para defender com unhas e dentes todos os erros e absurdos próprios dessa nação”.

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Schopenhauer, de novo: “Cada nação se esquiva das outras e todas têm razão”.

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Mark Twain: “O patriotismo não passa de uma grosseira cascata: é uma palavra que apenas comemora um roubo. Não há um palmo de terra no mundo que não represente o entra-e-sai de sucessivos proprietários”.

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Henry Wadsworth Longfellow: “O que melhor existe nos grandes poetas de todos os países não é o nacionalismo e sim o universalismo”.

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Stefan Zweig: “Por minha vida galoparam os corcéis amarelados do Apocalipse, a revolução e a fome, a inflação e o terror, as epidemias e a imigração; vi nascer e se expandir ante meus próprios olhos as grandes ideologias de massas: o fascismo na Itália, o nacional-socialismo na Alemanha, o bolchevismo na Rússia e, sobretudo, a pior de todas as pestes: o nacionalismo, que envenena a flor da nossa cultura europeia”.

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Mauro Santayana: “Prefiro um brasileiro vestido de vermelho, mesmo que seja flamenguista ou são-paulino, do que um que vai para a rua, vestido de verde e amarelo, para defender a ‘privatização’ e a entrega da Petrobras para os Estados Unidos”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996), Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia) e Chegou a tua vez, moleque! (2017, e-book). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.



Ditadura de toga, uma nova praga que se alastra pela América Latina

Via Nocaute

Aline Piva




 Tempos sombrios pairam sobre a América Latina. As rupturas democráticas de diferentes matizes que varrem a região estão levando à consolidação de ditaduras de um tipo muito particular: a ditadura do judiciário.

Apesar de serem bastante particulares, essas ditaduras guardam muitas semelhanças com as chamadas ditaduras “clássicas”. Ao analisar essas últimas, Norberto Bobbio aponta que, sendo expressão da anti-democracia, uma ditadura “não é refreada pela lei, [mas] coloca-se acima dela e transforma em lei a própria vontade. Mesmo quando são mantidas ou introduzidas normas que […] limitam” esse poder, essas “normas jurídicas são apenas um véu exterior, com escassa ou nenhuma eficácia real”, que podem ser ignoradas “com discrição mais ou menos absoluta”.

Os casos de Lula, Cristina, Correa são exemplos claros dessa nova e perigosa tendência, onde os rumos da política e, por consequência, todo o futuro de uma nação, são decididos não pelo voto popular e soberano, mas por conversas de alcova de um seleto grupo de togados, que se dão o direito de fazer e desfazer do ordenamento jurídico de acordo com sua própria agenda política, criando um clima generalizado de incerteza e insegurança.

E o que é ainda mais perigoso: não tendo que responder ao povo, uma vez que não dependem (em teoria) do voto para se manter no poder, mas precisando do apoio popular para se legitimar, os golpistas (com ou sem toga) se veem em um beco sem saída, fruto de uma contradição fundamental apontada por Bobbio: uma ditadura não pode “garantir sua continuidade, de modo ordenado e regular, nem com o processo democrático, de que é a negação, nem com o princípio hereditário, que contrasta com as condições políticas objetivas e com sua pretensão de representar os interesses do povo”.

Ou seja, uma vez escancarada a manipulação do ordenamento jurídico e constitucional para fins políticos, como manter esse verniz de legitimidade? O que vimos nesse último domingo foi, justamente, o último respiro dos desesperados.