terça-feira, 15 de agosto de 2017

São Paulo: a origem

GilsonSampaio

Talvez esteja aí nessa história revista a explicação do, digamos, conservadorismo paulista.
Inconsciente coletivo? Atavismo?

youtube Eduardo Bueno



Um país que perdeu o medo do ridículo

Sanguessugado do GGN

Luis Nassif


Em São Paulo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima discorre sobre história do Brasil. Fala dos degredados que incutiram nos brasileiros a malandragem atávica, poupando apenas os procuradores.

Em algum lugar do Brasil, o Ministro Luís Roberto Barroso cita Faoro e Buarque e o grande pensador Flávio Rocha, dono das Lojas Riachuelo, para discorrer sobre reforma trabalhista.

No Twitter, o procurador Hélio Telho rebate o economista Paulo Rabello de Castro e diz que ele (Telho) precisa ensinar capitalismo de verdade a esses capitalistas de compadrio.

Seu colega goiano, Ailton Benedito, da Procuradoria dos Direitos do Cidadão, afirma, no Twitter, que os nazistas eram socialistas, porque seu partido se chamava Nacional Socialismo e em que breve os socialistas-nazistas brasileiros matarão os cidadãos nacionais.

Não bastassem os atentados ao estado de direito, a invasão da política, esses gênios do data vênia resolvem agora enveredar por todos os campos do conhecimento, com mesma desenvoltura de um Romário, de Neimar falando platitudes. Tornaram-se celebridades e se sentiram no direito de falar bobagens e não serem cobrados, como fazem as celebridades, que são inimputáveis.

Onde se vai parar esse exibicionismo maluco? Daqui a pouco estarão discorrendo sobre a Teoria da Relatividade, como Ayres Britto. Quando a imprensa terá coragem de dizer para esses gênios que o espaço dado a eles é apenas utilitarista, porque ajudam no seu jogo político e que sua militância intelectual é ridícula e expõe o próprio poder ao qual pertencem?

Esse mundo de faz-de-conta da mídia criou egos tão monumentais, que, além de discorrer sobre os degredados portugueses, Carlos Fernando se viu com o poder de puxar a orelha da futura Procuradora Geral da República! E tudo isso do alto da autoridade conferida por uma cobertura displicente, que não consegue diferenciar o canto da cotovia do zurrar de um jumento.

Dia desses, um desses procuradores estava indignado porque a Polícia Federal tomou medidas internas sem pedir sua opinião.

Ontem anunciou-se que o bravo Ministério Público Federal está proporcionando cursos de Twitter para o procurador que quiser se aventurar. Para quê? Para que exercitem uma militância nociva, politizando as discussões, agindo como partido político com militantes de egos exacerbados?

Para prestar apenas contas de seus atos, não será, porque senão não se permitiria a Dallagnol e outros militantes o uso do Twitter para ataques ao Congresso, por pior que seja, aos advogados e aos críticos da Lava Jato.


É um pesadelo sem fim. Quando se envereda pelo caminho do ridículo, com a sem-cerimônia dos néscios, é porque se chegou ao fim da linha.

domingo, 13 de agosto de 2017

Fascismo em marcha: PM ocupa audiência pública em universidade e intimida alunos e professores

Sanguessugado do Forum


O caso aconteceu na Unifesp da Baixada Santista, em São Paulo. Policiais militares, com placas de “Bolsonaro 2018”, compareceram em peso na audiência pública sobre o Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos para aprovar pautas que retiram conceitos de direitos humanos da educação. Alunos e professores foram ameaçados e intimidados

 

Alunos e professores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) do campus Baixada Santista (SP) estão assustados com o que aconteceu na última sexta-feira (11).  Foi realizada na universidade, sem muita divulgação, uma audiência pública, convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana, para discutir o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo. A comunidade acadêmica, de acordo com relatos, foi surpreendida por uma presença massiva de policiais militares – eram cerca de 100 agentes, entre fardados e à paisana.

Segundo professores e alunos, muitos desses policias portavam placas com os dizeres “Bolsonaro 2018” e “Direitos humanos para humanos direitos”. Intrigados, estudantes e docentes resolveram participar da audiência e, então, constataram que os policiais estavam ali, na verdade, para aprovar pautas no plano que limitam o conceito de direitos humanos na educação. Entre as propostas dos policiais, estava “mudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964”, “retirar a discussão de gênero nas escolas”, entre outras medidas.


De acordo com a Associação dos Docentes da Unifesp (ADUNIFESP), que divulgou nota de repúdio sobre o caso, os policiais não queriam deixar os docentes e estudantes participarem da audiência sob o argumento de que eles não estavam lá desde o início. Como a comunidade acadêmica protestou, os PMs teriam começado a desferir xingamentos como “vagabundos” e fazer intimidações e ameaças, como filmá-los. Ainda mais grave, teriam disparado frases como “Depois morre e não sabe o porquê!” ou “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”.

A reportagem da Fórum entrou em contato com a secretaria de Segurança Pública, responsável pela Polícia Militar, para que se posicionasse quanto às denúncias aqui apresentadas mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

PUBLICIDADE
inRead invented by Teads
Confira, abaixo, a nota da ADUNIFESP detalhando o episódio.

Manifestamos nosso mais profundo repúdio ao que ocorreu na Universidade Federal de São Paulo, Campus Baixada Santista, na noite de 11 de agosto de 2017, durante a Audiência Pública convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana para discutir o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo.

Desde às 18h o campus foi ocupado por policiais, muitos fardados e inicialmente armados (foi exigido que guardassem as armas). A calçada do portão principal ficou abarrotada de viaturas da Polícia Militar. A comunidade acadêmica que ali se encontrava para as atividades diárias tinha pouca informação a respeito e ficou estarrecida quando soube que se tratava de uma audiência em que seriam definidos os rumos da educação em direitos humanos e, mais ainda, quando compreendeu que os policiais militares (que a esta altura chegavam a quase cem) defendiam a proposta de eliminar conteúdos fundamentais à educação pública. Estes bradavam por “direitos humanos aos humanos direitos”, “mudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964”, “retirar a discussão de gênero nas escolas”, etc

Professores, técnicos e estudantes que estavam no campus, após tomarem conhecimento do que ocorria, decidiram participar da audiência e foram hostilizados pela tropa, que tentou impedir que votassem, sob o argumento de que não estavam lá desde o início. Houve até gritos de “vagabundos”. Se fazem isso contra quem estava no próprio espaço de trabalho e estudo (muitos descendo da sala de aula), o que não farão com pessoas mais vulneráveis em um país com cerca de treze milhões de desempregados?

Estudantes e professores que se manifestaram pacificamente com cartazes em defesa da Escola Pública e dos Diretos Humanos também foram hostilizados. Ouviram-se frase macabras, como “Depois morre e não sabe o porquê!” ou “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”. Além disso, um grupo de militares e seus apoiadores começou a fazer cartazes com “Bolsonaro 2018”, “Liberdade sem libertinagem”, “Pode confiar #”. Situação preocupante em que os que defendem a “escola sem partido” partidarizam sua atuação portando as vestes e as insígnias de uma corporação militar. Ainda mais lamentável: a alta patente fardada nada fez para controlar seus subordinados que, aliás, quase agrediram fisicamente algumas docentes e estudantes.

Feita a leitura do texto-base do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo, começou a “votação”. O que se viu foi um verdadeiro espetáculo de horror. Depois de perderem uma proposta, militares agrediram verbalmente professores e estudantes, chamando-os – mais uma vez – de “vagabundos”. Nas votações subsequentes, intimidaram-nos fazendo pessoalmente a contagem dos votos e filmando, fotografando e olhando de modo ameaçador cada um que votava contra a posição deles. Ao longo da noite, a comunidade acadêmica correu sérios riscos.

Foi aprovada a supressão de qualquer referência a direitos humanos no plano estadual; foi eliminado o item que obrigava o Estado a garantir a permanência e combater a evasão escolar das minorias; foi suprimida a obrigação de formar agentes de segurança pública com base nos princípios dos direitos humanos.

Apesar do temor, a comunidade acadêmica resistiu pacificamente. Externamos nossa forte preocupação com quem pretende, na base do grito, se sobrepor à produção de conhecimentos, à liberdade de pesquisa, à democracia e à autonomia universitária.
A Adunifesp-SSind entende que este ato abusivo e autoritário se insere num movimento maior de ataques à democracia e aos direitos humanos em curso em nosso país. Também o fato de que ele tenha ocorrido dentro da Unifesp escancara o processo de demonização e ataque às Universidades Públicas que é impetrado hoje em dia por setores reacionários da sociedade.
Por fim, repudiamos veementemente o modo como ocorreu a votação e solicitamos que o Conselho Estadual da Condição Humana desconsidere o resultado desta “consulta”.

Queremos esclarecimentos sobre a utilização do espaço da Universidade Federal de São Paulo para episódios desta natureza. Manifestamos nossa preocupação com a integridade física dos professores, técnicos e estudantes que ali defendiam o ensino público e de qualidade, a escola sem mordaça, a permanência dos direitos humanos como princípio norteador da educação. Exigimos que as chamadas autoridades competentes manifestem posição urgente e clara sobre o ocorrido, especialmente no tocante às relações entre disciplina da tropa e Estado de direito.

ADUNIFESP – SSind


Foto: Reprodução/Rádio da Juventude

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Inês é morta?

 feicibuqui do Fernando Horta

Na prática, com a política sendo quase uma questão de herança, o Distritão aprovado, o parlamentarismo e a quantidade de ricos e bilionários podendo bancar suas campanhas seremos governados pelas mesmas pessoas (seus filhos e netos) para sempre. Estão construindo uma "casta" imutável de governantes sustentados com dinheiro do Estado, como já fizeram os juízes (que ganham até auxílio-escola para filho até os 22 anos).

Nasceu filho de político vai viver neste círculo e reproduzir ele com ajuda do dinheiro público. Nasceu filho de juiz, vai ter muita ajuda do Estado para estudar nas melhores escolas (e os currículos agora são diferentes, lembrem-se) reproduzindo o status que recebeu do nascimento.

Filho de pobre não terá nenhuma alternativa a não ser continuar pobre e trabalhador (poderá piorar como mostraram as medidas do Temer)

Estão virtualmente acabando com a mobilidade social além de acabar com a democracia. Tudo numa tacada só.


Isto não é mais um golpe, é um atropelamento seguido de soterramento por carga tóxica.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

AS FRONTEIRAS DA SUBALTERNIDADE ou au au au au au

Sanguessugado do Mauro Santayana

No Brasil de hoje, parece que no trato com os gringos, estamos agindo como se estivéssemos quase sempre, despudoradamente, em permanente consulta proctológica.


Celso Lafer tirou os sapatos e escancarou a subserviência da elite deste País.

Enquanto os EUA suspendem a isenção de vistos para 38 países e o número de brasileiros barrados em aeroportos europeus - principalmente os espanhóis - aumenta em quase 10% - foram 923 apenas no primeiro trimestre - ainda há sujeitos que, no primeiro escalão do governo, defendem a isenção unilateral de vistos para países ditos "desenvolvidos", como se tivéssemos que assumir, na "nova ordem" mundial, a condição de cidadãos de segunda classe.
 
O "trade" turístico que nos desculpe, mas o diabo está nos "detalhes".

O excitatório frenesi dos vira-latas - que, junto ao entreguismo mais abjeto,  não consegue se refrear neste governo - precisa entender que, nas relações internacionais, o limite para o pragmatismo e o déficit de dignidade é o critério de reciprocidade.

Não se deve assegurar ao outro o que ele faz questão - de forma aberta e oficial - de negar-nos.

Especialmente quando somos a quinta maior nação do mundo em território e população e, por mais que a contrainformação fascista e midiática faça questão de ignorar, com  mais de 250 bilhões de dólares emprestados, o quarto maior credor individual externo dos EUA, por exemplo.

Uma condição que se deve, justamente, à atuação de governos que estão sendo goebbelslianamente acusados de terem assaltado e quebrado o país.

Como diriam nossos antepassados, quem muito se abaixa acaba mostrando as nádegas.


No Brasil de hoje, parece que no trato com os gringos, estamos agindo como se estivéssemos quase sempre, despudoradamente, em permanente consulta proctológica.