domingo, 21 de janeiro de 2018

A pujante economia boliviana


Hedelberto López Blanch (*)
Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti


Quando sopram na América Latina  ventos extremos de neoliberalismo que impõem desemprego, privatizações e redução de programas sociais, a Bolívia aparece como um farol de luz para as grandes maiorias da região. 



Incentivadas pelos EUA com pleno apoio do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, das oligarquias nacionais e os meios de comunicação capitalistas, a América Latina tem sofrido nos últimos anos um significativo retrocesso no processo de integração regional em detrimento das pessoas menos favorecidas.

 

Grandes programas de austeridade têm sido adotados por vários governos, como os do Brasil, Argentina, Honduras, Paraguai e Guatemala, que elevam os índices de pobreza e de fome entre a população, enquanto são favorecidas as minorias endinheiradas do país e as empresas multinacionais.



Por isso, se torna notório o caso da Bolívia, que a partir de 2006, quando o primeiro mandatário indígena na sua história alcançou a presidência, tomou uma série de medidas para nacionalizar empresas e riquezas produtivas, minerais e  serviços, com o objetivo de melhorar as precárias condições de vida da população.



Desde então, a situação da nação andina deu um giro de 180 graus, pois anteriormente suas características eram a pobreza, a fome, carências na área educacional e de saúde da população, enquanto   que a economia sofria o saqueio por parte das multinacionais, com o resto dos capitais ficando nas mãos de um pequeno grupo de indivíduos da nação.                



A economia da Bolívia é a de maior crescimento nos últimos cinco anos, e se transformou na mais sólida e estável da América Latina.



A Bolívia cresceu 4,2% em 2017, e em 2018, se forem mantidos os preços do gás e de seus outros produtos de exportação, poderá alcançar 4,5%.



As conquistas da Bolívia não se devem somente à estabilidade dos preços das matérias primas, mas também ao esforço da população, à contribuição do setor produtivo e à política de nacionalização implementada para recuperar os recursos naturais e as empresas estratégicas do país.



Em uma resumida síntese, resultaram nacionalizados ou renegociados os leoninos convênios que tinham sido assinados por governos anteriores com empresas estrangeiras, entre as quais aparecem às ligadas à madeira, ao ouro, à aviação, às telecomunicações, eletricidade, telefonia, transporte público, minerações, hidrocarbonetos e metalurgia.



Essa política resultou em uma mudança radical do sistema neoliberal que existia anteriormente, que mantinha essa nação, segundo organismos internacionais, como o terceiro país mais atrasado e pobre da América Latina.



Segundo o ranking anualmente publicado pelo FMI, a Bolívia se situava em 2005 em 117º lugar em relação a seu Produto Interno Bruto (PIB) entre as nações, e agora aparece em 75º lugar. Ou seja, avançou 42 posições em somente 11 anos. Em 2006, seu PIB era de aproximadamente 6 bilhões de dólares, e agora é de 37 bilhões.



Também a adoção de uma política financeira inteligente permitiu-lhe aumentar suas reservas monetárias de 700 milhões de dólares para 20 bilhões de dólares. 



Por toda a nação andina surgem novas fábricas de papel, papelão, tintas, de processamento de sal, de amêndoas e de derivados; a agricultura contribui com soja, açúcar, milho e quinoa, e são construídas estradas, pontes e armazéns, o que faz com que o país tenha uma das taxas de desemprego mais baixas da América Latina, de somente 5,1%.  



Antes da chegada de Evo Morales ao poder, nove em cada dez bolivianos de origem camponesa se encontrava na extrema pobreza, sem ter acesso à água potável, eletricidade, saúde, educação e alimentação.



Dados de organismos financeiros internacionais assinalam que o governo conseguiu diminuir a pobreza moderada de 59%  para 28% da população entre 2005 e 2016, e o coeficiente Gini de desigualdade baixou de 0,60 para 0,41.



Fundamentalmente, foram os programas político-sociais instaurados pelo Estado Plurinacional os que possibilitaram esses avanços.



Com a utilização do método cubano Sim, eu posso, o analfabetismo foi eliminado ao aprenderem a ler e a escrever nada menos que 850 mil bolivianos, que hoje estudam para alcançar o equivalente à 6ª. Série.



Estabeleceu-se o pagamento de pensões vitalícias no valor de entre 1800 e 2400 pesos para a população com mais de 60 anos (Renda Dignidade), auxílios de 1820 pesos para mulheres grávidas e parturientes (Bonus Juana Azurduy) até quando seus filhos completem dois anos, o que auxilia na diminuição dos índices de mortalidade infantil e de gestantes.



Com o objetivo de que as crianças não sejam obrigadas a trabalhar desde cedo, foram criados programas sociais para elas, através dos quais o Estado disponibiliza 200 pesos por ano para 1,7 milhões de estudantes da 1ª à 8ª séries, o que fez caírem os índices de abandono  escolar no país.



No plano estipulado até 2020, foram estabelecidos cinco eixos principais: elevar os investimentos no setor petrolífero, exportar energia elétrica, desenvolver a petroquímica, expandir o setor agrário e industrializar o lítio, onde o setor privado e os investimentos estrangeiros estão sendo chamados para desempenhar um importante papel.



Como poucos países da região, a nação andina  está solucionando em apenas 11 anos  uma dívida social de 500 anos, da qual padecia devido a séculos de colonialismo, neocolonialismo e neoliberalismo.



(*) Hedelberto López Blanch, jornalista, escritor e pesquisador cubano, especialista em política internacional.






sábado, 20 de janeiro de 2018

O despertar das bestas

Sanguessugado do Tijolaço


Fernando Brito



besta

Os desembargadores do TRF-4 deveriam ler os comentários dos leitores da Folha ao vigoroso artigo de Mário César Carvalho, no qual ele reage ao espetáculo deprimente encenado ontem em Curitiba com Sérgio Cabral sendo exibido acorrentado aos fotógrafos pelos “policiais da Lava Jato”, este troço disforme que se formou sob a batuta de Sérgio Moro e dos garotos dallagnol, tal como se fez neste blog, inclusive nos conceitos terríveis sobre o ex-governador.

A humilhação das correntes nos pés tem um parentesco óbvio com a condução coercitiva, mecanismo que a Lava Jato usou e abusou até ele ser vetado em caráter provisório pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
A condução coercitiva tinha como função espezinhar o investigado, apesar de os procuradores, a Polícia Federal e até juízes alegarem que era para evitar que os investigados combinassem versões sobre os fatos investigados. O problema é que a lei não prevê o uso da condução coercitiva para esse caso. Ela só é autorizada quando o investigado se recusa a depor, o que não era o caso na Lava Jato.
O caso das correntes é pior porque não há justificativa alguma para essa medida medieval.

Da defesa da civilização do texto, mesmo favorável à Lava Jato, logo abaixo, desce-se à barbárie dos comentários. Há prazer, há alegria sádica em ver um ser humano assim, exibido como até a um animal aprisionado chocaria ver. “Bolas de ferro”, sugerem, “garrote”.

É bom que suas excelências vejam a bestialidade, a imundície que as “Mãos Limpas” brasileira trouxeram à tona na sociedade. O quanto de brutalidade, de estupidez, de selvageria brotou da ação espetaculosa de uma Justiça que deixou de lado a presunção de inocência,  o equilíbrio silencioso do Juiz, o rigor do Direito Penal, onde não se autorizam suposições, e uma sentença que já se determinara muito antes que o processo chegasse a Curitiba.

Correntes nos pés é humilhação porque remete ao passado escravocrata do Brasil, ao tempo em que capitães do mato desfilavam com negros arrastando correntes nas ruas do Rio, Salvador e Recife para que eles não ousassem mais fugir. Era uma lição muito clara: “Veja só o que acontece com quem desafia os senhores de escravos”, escreve Mário César.

Então, senhores desembargadores, os senhores se disporão ao papel de feitores, de bispos da Inquisição que apenas assentem, obsequiosos, ao magister dixit do impiedoso (exceto para os seus) Papa Moro, que ergueu uma turba de incendiários, de linchadores, uma matilha sedenta de sangue e de morte?

Marcelo Auler, em seu blog, escreve sobre os bastidores do julgamento que farão e observa que, no Judiciário, existe desconforto com a transbordante autoridade de Moro até sobre seus colegas juízes, ainda bem. Mas desconforto maior deve haver com a onda de furor que ele ergueu e que se expressa num bolsonarismo que não é majoritário, mas é assustadoramente expressivo.


Reflitam, porque este é um caminho que leva ao nazismo, onde a estrela era amarela, mas bastava para os campos de tortura e extermínio.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

COMO MANTER UMA COLÔNIA OU ELIMINAR UM CONCORRENTE.

Sanguessugado do Mauro Santayana

Mauro Santayana e equipe


(Do blog com equipe) - Inspirados pelo livro de 1937, de Dale Carnegie, “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, e por personagens recentes de nossa história, subitamente elevados à condição de celebridades, ousamos, como no caso do Pequeno Manual do Grande Manuel, nos aventurar no atrativo mercado das obras de auto-ajuda, em 15 passos (três a mais que os alcoólatras anônimos) com o tema “Como manter uma colônia ou eliminar um concorrente”.

 Sem mais preâmbulos, vamos à receita:

 1 - Comece por cortar a sua possibilidade de financiamento, apoiando a criação de leis que impeçam o seu endividamento, mesmo que ele tenha uma das menores dívidas públicas entre as 10 maiores economias do mundo e centenas de bilhões de dólares em reservas internacionais, que você esteja devendo muito mais do que ele com relação ao PIB, e que ele seja o seu quarto maior credor individual externo.

 2 - Apoie, por meio de uma mídia comprada  cooptada ideologicamente e também de entrevistas de "analistas" do "mercado", estudos e "relatórios" de "consultorias de investimento" controladas a partir de seu país e da pressão de agências de classificação de risco, às quais você não daria a menor bola, um discurso austericida, privatista e antiestatal para a economia do seu concorrente.


3 - Com isso, você poderá retirar das mãos dele empresas e negócios que possam servir de instrumento para o seu desenvolvimento econômico e social, inviabilizar o seu controle sobre o orçamento público, e eliminar a sua liberdade de investimento em ações estratégicas que possam assegurar um mínimo de independência e soberania em médio e longo prazo.


Companhias estatais são perigosas e devem ser eliminadas, adquiridas ou controladas indiretamente.



Elas podem ser usadas por governos nacionalistas e desenvolvimentistas (que você considera naturalmente hostis) para fortalecer seus próprios povos e países contra os seus interesses.

4 - Aproveite o discurso austericida do governo fantoche local para destruir o seu maior banco de fomento à exportação e ao desenvolvimento, aumentando suas taxas de juro e obrigando-o a devolver ao Tesouro, antecipadamente, centenas de bilhões em dívidas que poderiam ser pagas, como estava estabelecido antes, em 30 anos, impedindo que ele possa irrigar com crédito a sua economia e apoiar o capital nacional, com a desculpa de diminuir - simbólica e imperceptivelmente - a dívida pública.

5 - Estrangule a capacidade de ação internacional de seu adversário, eliminando, pela diminuição da oferta de financiamento, o corte de investimentos e a colocação sob suspeita de ações de desenvolvimento em terceiros países, qualquer veleidade de influência global ou regional.

Com isso, você poderá minar a força e a permanência de seu concorrente em acordos e instituições que possam ameaçar a sua própria hegemonia e posição como potência global, como o é o caso, por exemplo, da UNASUL, do Conselho de Defesa da América do Sul, do BRICS ou da Organização Mundial do Comércio.


6 - Induza, politicamente, as forças que lhe são simpáticas a paralisar, judicialmente - no lugar de exigir que se finalizem as obras, serviços e produtos em andamento - todos os projetos, ações e programas que puderem ser interrompidos e sucateados, provocando a eliminação de milhões de empregos diretos e indiretos e a quebra de milhares de acionistas, investidores, fornecedores, destruindo a engenharia, a capacidade produtiva, a pesquisa tecnológica, a infraestrutura e a defesa do país que você quer enfraquecer, gerando um prejuízo de dezenas, centenas de bilhões de dólares em navios, refinarias, oleodutos, plataformas de petróleo, sistemas de irrigação, submarinos, mísseis, tanques, aviões, rifles de assalto, cuja produção será interrompida, desacelerada ou inviabilizada, com a limitação, por lei, de recursos para investimentos, além de sucessivos bloqueios e ações e processos judiciais.



7- Faça a sua justiça impor, implacavelmente, indenizações a grandes empresas locais,  para compensar acionistas residentes em seu território.


Se as ações caírem, quem as comprou deve ser bilionariamente compensado, com base em estórias da carochinha montadas com a cumplicidade de “relatórios” “produzidos” por empresas de “auditoria” oriundas do seu próprio país-matriz, mesmo aquelas conhecidas por terem estado envolvidas com numerosos escândalos e irregularidades.


Afinal, no trato com suas colônias, o capitalismo de bolsa, tipicamente de risco, não pode assumir nada mais, nada menos, do que risco zero.



8 - Concomitantemente, faça com que a abjeta turma de sabujos – alguns oriundos de bancos particulares - que está no governo, sabote bancos públicos que não estão dando prejuízo, fechando centenas de agências e demitindo milhares de funcionários, para diminuir a qualidade e a oferta de seus serviços, tornando as empresas nativas e o próprio governo cada vez mais dependentes de instituições bancárias - que objetivam primeiramente o lucro e cobram juros mais altos - privadas e internacionais.



9 - Levante suspeitas, com a ajuda de parte da imprensa e da mídia locais, sobre programas e empresas relacionadas à área de defesa, como no caso do enriquecimento de urânio, da construção de submarinos, também nucleares, e do desenvolvimento conjunto com outros países – que não são o seu - de caças-bombardeios.

Abra no território do seu pseudo concorrente escritórios de forças "policiais" e de "justiça" do seu país, para oferecer ações conjuntas de "cooperação" com as forças policiais e judiciais locais.

Você pode fazer isso tranquilamente - oferecendo até mesmo financiamento de “programas” conjuntos - passando por cima do Ministério das Relações Exteriores ou do Ministério da Justiça, por exemplo, porque pelo menos parte das forças policiais e judiciais do seu concorrente não sabem como funciona o jogo geopolítico nem tem o menor respeito pelo sistema político e as instituições vigentes, que são constantemente erodidas pelo arcabouço midiático e acadêmico – no caso de universidades particulares - já cooptados, ao longo de anos, por você mesmo.

Seduza, "treine" e premie, com espelhinhos e miçangas – leia-se homenagens, plaquinhas, diplomas, prêmios em dinheiro e palestras pagas - trazendo para "cursos", encontros e seminários, em seu território, com a desculpa de "juntar forças" no combate ao crime e ao “terrorismo” e defender e valorizar a "democracia", jornalistas, juízes, procuradores, membros da Suprema Corte, “economistas”, policiais e potenciais "lideranças" do país-alvo, mesmo que a sua própria nação não seja um exemplo de democracia e esteja no momento sendo governada por um palhaço maluco, racista e protofascista com aspirações totalitárias.


10 - Arranje uma bandeira hipócrita e "moralmente" inatacável, como a de um suposto e relativo, dirigido, combate à corrupção e à impunidade, e destrua as instituições políticas, a governabilidade e as maiores empresas do seu concorrente, aplicando-lhes multas bilionárias, não para recuperar recursos supostamente desviados, mas da forma mais punitiva e miserável, com base em critérios etéreos, distorcíveis e subjetivos, como o de "danos morais coletivos", por exemplo.

11 - Corte o crédito e arrebente com a credibilidade das empresas locais e o seu valor de mercado, arrastando, com a cumplicidade de uma imprensa irresponsável e apátrida, seus nomes e marcas na lama, tanto no mercado interno quanto no internacional, fazendo com que os jornais, emissoras de TV e de rádio "cubram" implacável e exaustivamente cada etapa de sua agonia, dentro e fora do país, para explorar ao máximo o potencial de destruição de sua reputação junto à opinião pública nacional e estrangeira.


12- Dificulte, pelo caos instalado nas instituições, que lutam entre si em uma demoníaca fogueira das vaidades por mais poder e visibilidade, e pela prerrogativa de fechar acordos de leniência, o retorno à operação de empresas afastadas do mercado.


Prenda seus principais técnicos e executivos  - incluídos cientistas envolvidos com programas de defesa - forçando-os a fazer delações sem provas, destruindo a sua capacidade de gestão, negociação financeira,  de competição, em suma, no âmbito empresarial público e privado.


13 - Colha o butim resultante de sua bem sucedida estratégia de destruição da economia de seu concorrente, adquirindo, com a cumplicidade do governo local - que jamais teve mandato popular para isso – fabulosas reservas de petróleo e dezenas de empresas, entre elas uma das maiores companhias de energia elétrica do mundo, ou até mesmo uma Casa da Moeda, a preço de banana e na bacia das almas.

 14 - Impeça a qualquer preço o retorno ao poder das forças minimamente nacionalistas e desenvolvimentistas que você conseguiu derrubar com um golpe branco, há algum tempo atrás, jogando contra elas a opinião pública, depois de sabotar seus governos por meio de simpatizantes, com pautas-bomba no Congresso e manifestações insufladas e financiadas de fora do tipo que você já utilizou com sucesso em outros lugares, em ações coordenadas de enfraquecimento e destruição da estrutura nacional local, como no caso do famigerado, quase apocalíptico, esquema da “Primavera Árabe” ou a tomada do poder na Ucrânia por governos de inspiração nazista.



15 - Finalmente, faça tudo, inclusive no plano jurídico, para que se entregue a sua colônia a um governo que seja implacável contra seus inimigos locais e dócil aos seus desejos e interesses, a ser comandado de preferência por alguém que já tenha batido continência para a sua bandeira ou gritado com entusiasmo o nome de seu país  publicamente.

O delegado que desmoraliza a Polícia Federal ou A justiça fake

Sanguessugado do GGN


Luis Nassif

 

No artigo “Relatório de indiciamento de Haddad revele omissão e manipulação de provas” a repórter Cintia Alves demole o trabalho do delegado João Luiz de Moraes Rosa. Não se vale de informações exclusivas, de análises jurídicas. Simplesmente submete o relatório ao mais básico dos testes: o de verossimilhança.

Extrai do relatório as inconsistências, as provas deixadas de lado. Juntando tudo, tinha-se uma acusação fake. Mesmo nesses tempos em que as fake news foram erigidas à condição de ameaça nacional, e os jornais se apresentando como último bastião da verdade, o tal “indiciamento” fajuto pela Polícia Federal (só o Ministério Público pode indiciar) frequentou as homes dos jornais paulistas por todo o dia.

Existe alguma inteligência corporativa na PF para entender os prejuízos que irresponsabilidades como a de João Luiz de Moraes Rosa traz à corporação? Há uma luta ingente com o Ministério Público sobre atribuições nos inquéritos. A Lava Jato demonstrou a extrema fragilidade dessa turma para investigar. Limitaram-se a forçar delações que preenchessem suas narrativas, e a formular teses jurídicas estranhas, que já foram desmontadas pelos penalistas de peso.

Aliás, jogaram um abacaxi considerável para o TRF4, porque, dispondo de todos os poderes, do poder de prender e de torturar, de arrancar a delação que quisessem, de buscar dados no mundo inteiro, esperava-se uma denúncia minimamente consistente no caso do triplex. Não havendo, o pepino terá que ser descascado pelo TRF4.

Nos últimos tempos, a PF conseguiu se destacar, checando tecnicamente denúncias inconsistentes de Rodrigo Janot, entre outras. Mas isso graças a seu corpo técnico, aos peritos, aos delegados de fora do circuito do show bizz.

A disputa entre MPF e PF não será resolvida com a mediação da mídia ou de Temer, mas com a capacidade de cada uma das organizações de demonstrar profissionalismo, apego aos fatos, respeito aos direitos, inteligência investigativa.


Um denúncia como a desse delegado desmoraliza todo o trabalho de recuperação de imagem da PF. Aquela PF do início dos anos 2.000, orgulhosa de si, sequiosa por incorporar avanços tecnológicos nas investigações, está sendo sufocada pelos medíocres, os exibicionistas do vazio, os irresponsáveis que sacrificam a imagem da corporação por um momento de glória ou por um objetivo político.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Justiça cavuca o próprio fundo de poço e ameaça a todos

GilsonSampaio

Primeiro um pedido de ajuda aos universitários: o que é um recibo ideologicamente falso?

Das últimas repetições massificadas pela mídia golpista é o discurso dos 'recibos ideologicamente falsos'. 

Ora, se são 'ideologicamente falsos'(?!) por que o justiceiro do Paraná não aceitou o pedido da defesa para serem periciados?

ET: o papel do recibo seria originalmente vermelho e depois foi alvejado ou tingido de branco?